sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

BOLSONARO IGNORA A MORTE DE ELZA SOARES

A QUESTÃO DO SANEAMENTO BÁSICO EM PELOTAS - Lúcio Almeida Hecktheur (*)

 


O novo Marco Legal do Saneamento Básico, sancionado em 15 de julho de 2020 através da Lei 14.026, estabelece o atendimento de 99% da população brasileira com água potável e 90% com tratamento e coleta de esgoto até o dia 31 de dezembro de 2033 (prazo de 13 anos, 5 meses e 17 dias). O Brasil, na data do sancionamento do Marco, tinha 35 milhões de pessoas sem acesso à água tratada e mais de 100 milhões sem coleta de esgoto.

Segundo dados da Confederação Nacional da Indústria, com a universalização dos serviços de água e esgoto, tem-se uma expectativa na redução dos custos anuais com saúde em até R$ 1,45 bilhão e, segundo a Organização Mundial da Saúde, para cada R$ 1,00 investido em saneamento, economiza-se R$ 4,00 na área da saúde.

Em Pelotas, segundo os últimos dados fornecidos pelo Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, referentes ao ano de 2020, temos 99,99% da população atendida com água potável e 59,91% com redes de esgoto. Do volume total de esgoto coletado através das redes nada é tratado no município em função de que Pelotas não tem hoje nenhuma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) em funcionamento, ou seja, as ETE do Porto e do Laranjal estão inativas a bastante tempo e a do Novo Mundo ainda em construção. Cabe aqui uma pergunta: Desde quando Pelotas, o quarto município mais populoso do Rio Grande do Sul e o septuagésimo nono do Brasil (de 5.570 municípios) não tem nenhuma ETE em funcionamento?

Os gráficos abaixo mostram as séries históricas do percentual de perda de água potável em sua distribuição e a extensão de redes de esgoto em Pelotas.

 



Como pode-se observar, a eficiência na distribuição de água potável em Pelotas é muito baixa chegando-se a ter mais de 60% de perdas em 2020. Com uma média anual de perdas de 47,26% podemos afirmar que quase metade da água tratada em Pelotas no período de 2001 a 2020 foi jogada fora.

No que se refere ao sistema de redes de esgoto, de 1996 a 2020 (25 anos) tivemos um acréscimo de 47,29% em sua extensão com uma taxa média anual de crescimento de apenas 1,63%. Considerando que Pelotas ainda tem 40,09% da sua população sem acesso ao serviço de esgoto, pode-se concluir que os investimentos nesta área ao longo dos anos são inexpressíveis.

O Poder Público Municipal de Pelotas começou a tentar melhorar as condições do saneamento básico na Gestão Bernardo/Fetter quando começaram as obras da ETE Laranjal e consequentes construções de redes coletoras; aprovou-se projeto e recursos para a construção da Estação de Tratamento de Água (ETA) São Gonçalo e ETE Novo Mundo. A Gestão Municipal 2009-2012 finalizou e vieram os governos de Eduardo Leite e Paula Mascarenhas o qual perdura até hoje. Neste período de aproximadamente 09 anos de Governo Tucano, o que foi feito de obras de saneamento? Não conseguiram finalizar nenhuma das obras ou projetos que herdaram mesmo declarando em suas campanhas eleitorais municipais que tinham o meio ambiente e saneamento básico como prioridades.

As consequências da inoperância governamental com o saneamento básico acarreta problemas graves. Hoje, passamos novamente a correr o risco do desabastecimento de água potável em função da seca que incide no nosso Estado e temos uma praia, a do Laranjal, com muitos pontos impróprios para banho.

Em junho de 2020, mais precisamente no dia 11, o abastecimento de água potável em Pelotas quase chegou ao colapso. Nesta data o nível da barragem Santa Bárbara chegou a ficar 4,40 m abaixo da sua cota zero. Essa grande estiagem (2019-2020) começou a afetar a cota da barragem em 21 de novembro de 2019 (cota -2 cm) indo até 11 de junho de 2020 (cota -4,40 m) perfazendo um total de 203 dias de estiagem. Nesse período, a cota da barragem Santa Bárbara teve uma taxa de variação negativa de 2,16 cm por dia. Na atual estiagem que já perdura 77 dias, a taxa de variação negativa da cota da barragem é de 1,51 cm por dia.

Os gráficos abaixo mostram o avanço da seca, refletido nas cotas do nível da Barragem Santa Bárbara, para o período de 2019-2020 e para o período atual.

 



No tocante a balneabilidade das nossas praias do Laranjal, de acordo com o Boletim de Balneabilidade da Temporada 2021-2022, divulgado em 24 de dezembro de 2021 pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), dos 90 pontos monitorados, 06 apresentam condição imprópria. Destes 06 pontos impróprios em todo o Rio Grande do Sul, 03 deles encontram-se na praia do Laranjal. Confira em https://estado.rs.gov.br/relatorio-balneabilidade-divulga-pontos-proprios-para-banho-no-rs.

                Por fim fica o questionamento: saneamento básico é importante ou não? Se entendermos que é importante, por que a demora na conclusão de obras nesta área? Por que as obras da ETA São Gonçalo e ETE Novo Mundo se arrastam por tanto tempo?

(*)  Doutor em Energias Renováveis - UFRGS , Professor do IFSul, Campus Pelotas

sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

TAILLEUR - Enio Andrade



 Acordei atrasada, justo no primeiro dia, hoje começo uma nova etapa

em minha vida. Fui transferida há pouco, foram cinco anos de exílio

voluntário no interior do estado. Não é que eu não gostasse da vida mais

tranquila e previsível, eu até gosto, questão de temperamento. Poder ser

quem você é, pelo menos para mim. Desfrutar de uma certa proximidade

entre as pessoas, poder vestir-se sem querer impressionar ninguém, o ponto

mais próximo da informalidade que é possível de ser atingido.

Minha semana foi só atribulação, fiquei perdida entre a mudança e a

transferência de tudo o que eu estava fazendo ao meu substituto. O único

dia que sobrou foi o sábado. Decidi passar a tarde no shopping procurando

alguma coisa que eu pudesse vestir nos primeiros dias. Meu guarda roupas

estava entre roupas de festa, descobri cedo que teria poucas oportunidades

de usá-las, e roupas do dia a dia, minha Mãe as chamava “uniformes”,

essas com as quais a gente se acostuma.

Todo o meu esforço transformou-se em uma única roupa. Podia não

parecer, mas aquele tailleur sintetizava tudo o que eu precisava, pelo menos

era o que eu estava pensando, transmitia toda uma formalidade e era

discreto. Ainda mais naquela cor, se alguém não quer ser notado o cinza é a

cor perfeita.

Mesmo tendo acordado cerca de uma hora antes estava atrasada,

perdi um tempo precioso alisando meu cabelo, às vezes ele se revolta. Ah

que saudade, mas o que é isso, mal saí de lá e já quero voltar. Tentei pensar

que é pra frente que se anda, essas coisas de autossugestão que a gente usa

pra se convencer de que o pior pode ser bom pra gente.


O táxi me deixou aos pés da escadaria que conduzia ao foro. A

subida foi penosa, a falta de costume com aquele salto alto começava a

apresentar a sua conta. O caminho até o elevador foi de sofrimento e

estupefação, o prédio novo do foro não ficava devendo nada a nenhum

palácio. Em todos esses anos confesso que vim pouco a capital.

Cheguei ao elevador exausta, o sapato me matando, já nem

conseguia raciocinar direito. Mal entrei e me deparei com o lugar destinado

a ascensorista vazio. Aquele banquinho minúsculo nunca me pareceu tão

confortável, nem pestanejei, sentei logo e uma sensação de alívio me

envolveu. Nem pude aproveitar muito, logo apareceu um gaiato que sem

sequer me dirigir um olhar falou como um mandatário:

Oitavo !!

Que coincidência pensei, o mesmo andar, apertei o botão sem

pestanejar, afinal de contas também estava indo para lá e não custava nada.

Não pude deixar de notar que o homem estava vestido com esmero. Em

seguida entrou outro homem com o mesmo padrão e cumprimentou o outro

com um sorriso entre dentes e simplesmente falou:

Oitavo !!

A capacidade do elevador era para cerca de doze pessoas, foram entrando e

repetindo:

Oitavo !!

O que me surpreendeu não foi a forma breve em que se deu a

lotação, mas, a maneira como as pessoas se dirigiam a mim. Depois da

primeira vez em que apertei o botão do oitavo andar não achei que fosse

necessário repetir o gesto. No entanto, todos que entraram no elevador se

dirigiram a mim sem ao menos se dignarem a me lançarem um olhar. Que

gente mal educada pensei, alguns até demonstravam certa contrariedade ao

acharem que eu não apertara o botão. Ficaram cochichando entre si,

provavelmente reclamando da minha morosidade.

Mal chegamos ao nosso destino, assim que a porta abriu, e as pessoas

se evadiram em um tropel. Deu até medo de tentar sair e ser atropelada. Ao

passar pela porta da sala de audiências pude notar que metade daquelas

pessoas estava sentada ali, provavelmente esperando a sua vez de

testemunhar. Entrei por uma porta lateral e após me identificar para o

secretário de audiências me dirigi ao meu lugar. Assim que sentei na

cadeira dei um bom dia a todos e declarei aberta a audiência. Precisei

repetir a minha fala pois notei que todas aquelas pessoas estavam atônitas

me olhando. Não pude deixar de pensar que graças àquele tailleur pude

perceber que a minha vida de Juíza naquela cidade não seria nada fácil.


ENIO ANDRADE é um consistente escritor pelotense 
se destacando como romancista que surge no cenário literário.
Recentemente lançou o romance "Dandara e a Princesa" a respeito do qual já comentamos em  A METADE SUL .
Acesse o link para ler 

quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

EM DISCUSSÃO A IMPLANTAÇÃO DE AEROGERADORES NA LAGUNA DOS PATOS - Lucio de Almeida Hecktheuer (*)

 


O governo do Estado, por meio da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema) abriu ontem a consulta pública para o futuro edital de concessão de uso de áreas da Lagoa dos Patos.

O objetivo seria implantar aerogeradores de energia elétrica (parque eólico)

Em tese a proposta permitiria oferecer soluções de médio e longo prazo para a geração de energia renovável e limpa.

Cabe salientar que a proposta, neste momento, é apenas especulativa dependendo para sua implementação de superar várias etapas que atentem não só para aspectos que possam ser de interesse imediatamente economicos mas, de forma muito importante, para as implicações ambientais.

O futuro da implantação de novos parques eólicos no Rio Grande do Sul

 A energia eólica no Brasil vem crescendo nos últimos anos e hoje já abastece milhões de residências. Em solo brasileiro temos mais de 520 parques eólicos totalizando 17,131 GW de potência instalada que produziu 57.051 GWh de energia elétrica no ano de 2020, energia essa equivalente a 9,18 % de toda energia elétrica gerada em 2020 segundo dados fornecidos pelo Balanço Energético Nacional de 2021. Atualmente 80% dos parques eólicos estão na região nordeste, sendo o Rio Grande do Norte e a Bahia os maiores Estados produtores. Desse total de parques eólicos brasileiros, apenas quatro deles são offshore (parques eólicos com as suas turbinas eólicas instaladas dentro dágua). São eles (offshore) o de Caucaia, o de Asa Branca, o de Jangada (Força Eólica do Brasil) e o de Camocim (Camocim Eireli). O maior deles é o Jangada, tanto em potência quanto em quantidade de turbinas. Os demais parques eólicos são onshore (turbinas eólicas instaladas em terra).


Dentre os principais parques eólicos no Brasil temos o Parque Eólico Giribatu localizado em Santa Vitória do Palmar (RS) com uma potência instalada de 258 MW; o Complexo Eólico do Alto do Sertão I localizado em Caetité, Guanambi e Igaporã (BA) com capacidade instalada de 293,6 MW e o de Osório (RS) com capacidade instalada de 300 MW.

Nesse contexto de geração de energia elétrica o Estado do Rio Grande do Sul, através da sua Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente (SEMA) está abrindo audiência pública para futuro processo de licitação de concessão da Laguna dos Patos para fins de geração de energia elétrica através de parques eólicos offshore. A SEME espera que, em fevereiro próximo, o processo licitatório já esteja ocorrendo.

Quanto a esse processo de concessão, cabe alguns questionamentos:

a)      Qual o potencial eólico da Laguna dos Patos?

Segundo o Atlas Eólico do Rio Grande do Sul, editado em 2014, o potencial eólico da Laguna dos Patos, com uma área de 9.427 km2, é de 24,5 GW. Para a elaboração do Atlas foram realizadas medições de ventos em 70 localidades do Estado com um período médio de medição de 2 anos mas nenhuma torre de medição foi instalada offshore na Laguna dos Patos o que adia a instalação de parques eólicos nesta laguna por 3 anos devido a exigências da ANEEL de medição de vento no local de instalação dos parques.


b)     Onde existem redes de transmissão próximas da Laguna dos Patos para futuras conexões dos Parques eólicos a serem instalados?



               A maior partes das redes de transmissão existentes perto da Laguna dos Patos estão localizadas no lado oeste. Essas redes poderão ser utilizadas para a conexão dos parques no sistema nacional de energia elétrica.

c)      Quais os impactos ambientais que poderão advir com a implantação de parques eólicos na Laguna e como podemos mitigá-los. O principal impacto é uma possível mortandade de pássaros mas esse fato deve ser melhor estudado e pesquisado a fim de quantifica-lo com maior acuracidade.

d)     Parques eólicos offshore têm suas instalações e manutenção necessitando mais cuidados e gastos que os onshore.

e)     Quais os custos de manutenção, operação e conexão na rede dos parques eólicos offshore? Com certeza são maiores que nos onshore.

f)       Quais as fontes de financiamento e condições serão oferecidas para a implantação desses parques eólicos pela iniciativa privada ?

g)      Por que parque eólicos offshore na Laguna dos Patos? Porque o bem do Estado a ser concedido é a Laguna e não as terras que a margeiam. Daí a concessão para a implantação das turbinas em água.

h)     Quais os benefícios da implantação de parques eólicos na Laguna? Incrementar atividades econômicas nas proximidades da Laguna. Hoje, nessa região, quase não existe atividade econômica. Além disso, o Estado contará com um acréscimo de geração de energia elétrica proveniente de uma fonte limpa que é a eólica, diversificando assim a matriz energética.

i)      Quais as vantagens de parques eólicos offshore em relação aos instalados em terra (onshore) ? Os parques offshore possibilitam, com um mesmo equipamento, gerar até 30% mais energia elétrica que os instalados em terra em função da não incidência de obstáculos e regime de ventos em alto mar. Normalmente esses parques offshore são instalados em oceanos distantes das margens.

j)      Quais as desvantagens de parques eólicos offshore em relação aos instalados em terra (onshore) ? Os custos de instalação, conexão a redes de energia, operação e manutenção mais elevados.

 Com base nos questionamentos abordadas, cabe agora esperar o processo de licitações e verificar se haverá empresas interessadas em investirem em parques eólicos offshore na Laguna dos Patos. A intenção do Estado em propiciar a concessão da Laguna dos Patos é boa, mas, com a falta de dados de ventos hoje existente e empreendedores sem condições de realizarem estudos de viabilidade econômica realista fica a pergunta: será que despertará interesse de algum empreendedor para essa atividade?

(*) Doutor em Energias Renováveis - UFRGS , Professor do IFSul, Campus Pelotas

      

domingo, 26 de dezembro de 2021

TEATRO - PREMIAÇÃO DE VALTER SOBREIRO JUNIOR COM A MEDALHA SIMÕES LOPES NETO


Dia 17 de dezembro foi condecorado no Palácio Piratini com a a Medalha Simões Lopes Neto o dramaturgo, escritor e diretor de teatro Valter Sobreiro Junior honraria até hoje recebida em Pelotas apenas por  Glória Menezes. Valter é rio-grandino de nascimento, mas Cidadão Pelotense desde 2006.

Também dentro da programação da homenagem foi descerrada uma placa em sua homenagem no saguão do Sete de Abril. 

Na foto cena do ensaio da peça "Em Nome de Francisco" escrita e dirigida por Valter .
A foto integra a mostra "Evocação do Poeta, Cena e Bastidores" que tive a oportunidade única de montar composta por registros fotográficos de diversos momentos dos ensaios e apresentações da peça. Na foto além de Valter aparecem Simone Passos e Iria Barcellos. 

Estas fotos apresentavam uma dificuldade técnica pois sem o emprego de flash  era necessário "puxar" o filme, ou seja, empregá-lo como tendo uma sensibilidade acima da real com prejuízo da qualidade da imagem. Mas seria impensável empregar flash pois anularia o clima ambiente e todo o trabalho de iluminação projetado, segundo a ficha técnica, por Carlos Alberto Pinheiro.

P.R.Baptista

sábado, 25 de dezembro de 2021

sábado, 18 de dezembro de 2021

CONDENADOS NO JULGAMENTO DA BOATE KISS: CULPADOS OU BODES EXPIATÓRIOS ?

 

Fux, do STF, barra habeas corpus e impede eventual soltura dos 4 condenados no caso Kiss

 CRISTINA CAMARGO 

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Luiz Fux, vetou a soltura dos quatro condenados pelas 242 mortes ocorridas no incêndio da boate Kiss, na cidade de Santa Maria, em 2013.

Ele aceitou pedido feito pelo Ministério Público Estadual para impedir os efeitos de eventual concessão de habeas corpus pelo TJ-RS (Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul) em benefício aos quatro.

O habeas corpus solicitado pela defesa dos condenados foi concedido nesta sexta (17) pelo TJ-RS. Apesar da votação a favor da liberação, o tribunal informou que não foram expedidos alvarás de soltura em razão da existência de ordem do STF. O tribunal também afirmou que não foi comunicado oficialmente a respeito, apenas pela imprensa.

O juiz de primeira instância, Orlando Faccini Neto, que presidiu o júri e decretou as prisões, publicou um despacho após a decisão dos desembargadores confirmando que os quatro acusados não devem ser soltos. Faccini Neto afirma que a decisão de Fux susta os efeitos da concessão de habeas corpus.

Em sua decisão, publicada nesta quinta, Fux reitera a determinação de cumprimento imediato das penas atribuídas aos réus Elissandro Callegaro Spohr, sócio-proprietário da Kiss, Marcelo de Jesus dos Santos, vocalista da banda Gurizada Fandangueira, Mauro Londero Hoffmann, sócio-proprietário da boate, e Luciano Bonilha Leão, assistente de palco da banda.

Após a condenação, Fux já havia determinado a prisão imediata dos quatro, ao derrubar liminar do TJ do Rio Grande do Sul que impedia a execução das penas. Agora o tribunal julga o mérito do pedido.

Os quatro se apresentaram entre terça-feira (14) e quarta-feira (15) e foram presos. Eles foram condenados pelos crimes de homicídio e tentativa de homicídio simples por dolo eventual, após dez dias de júri.

Spohr foi condenado a pena de 22 anos e 6 meses, Hoffmann a 19 anos e 6 meses e Santos e Bonilha a 18 anos.

Jader Marques, advogado que representa Spohr e é autor do pedido de habeas corpus, criticou nas redes sociais o recurso do Ministério Público junto ao STF, que seria, na avaliação dele, uma intervenção em uma votação em curso no Tribunal de Justiça.

"É uma verdadeira afronta à Justiça do Rio Grande do Sul. É uma aberração jurídica inaceitável", disse. "Essa leitura que eu faço, se ela estiver correta, talvez tenhamos que voltar aos bancos escolares, estudar processo penal, estudar o andamento de ações no STF, a legitimidade do Ministério Público, o que pode um ministro e o Ministério Público Estadual para barrarem o livre exercício da judicância".

Mais tarde, ele publicou a decisão de Fux e ironizou: "Parabéns aos envolvidos".

Outro advogado, Bruno Seligman de Menezes, defensor de Hoffmann, compartilhou frase de um internauta dizendo que está sendo criado o Código de Processo Penal da Boate Kiss. "Eu avisei, ainda dentro do plenário", disse o defensor.

A tragédia da madrugada de 27 de janeiro de 2013 deixou também mais de 600 pessoas feridas. A maioria das vítimas morreu por asfixia devido a gases tóxicos liberados pela queima da espuma que havia no palco, segundo a perícia.

O julgamento foi o mais longo da história do Judiciário gaúcho. O caso foi transferido de Santa Maria para Porto Alegre depois que as defesas questionaram a formação de júri na cidade onde grande parte da população foi afetada pela tragédia.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

O FIM DA PREVIDÊNCIA DOS SERVIDORES ? - Vladimir Nepomuceno*

 

Ao completar dois anos da Emenda Constitucional 103, de 12 de novembro de 2019, o governo federal encaminha um projeto de lei complementar, o PLP 189/2021, tratando da implantação da entidade gestora única do regime próprio de previdência da União, englobando os três Poderes, como determina o artigo 40 da Constituição.

Dois dias após, o INSS publicou a Portaria 1.365/21, estabelecendo o cronograma de centralização das atividades de concessão e manutenção de aposentadorias e pensões dos servidores das autarquias e fundações públicas federais no INSS, de acordo com o Decreto 10.620/21.

Alguns questionamentos:

Por que separar servidores de autarquias e fundações de servidores da Administração Direta no que se refere à concessão e manutenção de aposentadorias e pensões, uma vez que, sendo o mesmo regime, o ato é obviamente inconstitucional?

Por que, após 18 anos da determinação constitucional de criar uma unidade gestora, justamente o INSS é incumbido dessa responsabilidade, uma vez que não possui quadro especializado em regimes próprios, nem pessoal em quantidade para absorver essas atribuições, face a carência de 23 mil servidores para cumprir o papel original de operar o regime geral?

É óbvio que o objetivo não é a unificação dos regimes próprios de servidores, mantendo-os separados do regime geral, nem a criação de uma instituição que cuidaria exclusivamente dos regimes próprios dos servidores, mas a unificação dos regimes próprios com o regime geral de previdência social.

O objetivo está claro no inciso I, do parágrafo 22, do artigo 40 da Constituição, inserido pela Emenda 103, ao dizer que futura lei complementar (não o atual PLP 189/21), tratando dos regimes próprios, deverá dispor sobre “requisitos para sua extinção e consequente migração para o Regime Geral de Previdência Social”.

A portaria 1.365/21, do INSS, ao estabelecer o calendário de centralização, cumpre a primeira fase do processo de unificação de regimes. Nessa fase, as autarquias e fundações federais transferem ao INSS as informações necessárias para a concessão de aposentadoria dos servidores ativos. Desde outubro deste ano já foram dados de 20 instituições, devendo as 140 restantes repassarem até o terceiro trimestre de 2022, sendo o Banco Central a última instituição, em setembro de 2022.

Durante a centralização de autarquias e fundações, tramitará o PLP 189/21, que, se aprovado, trará à gestão do INSS todos os servidores da União, incluindo os membros da magistratura, do Ministério Público, da Defensoria Pública e do Tribunal de Contas da União, de todos os Poderes, órgãos, autarquias e fundações da União, bem como os aposentados e pensionistas.

As atuais folhas de pagamento dos aposentados e pensionistas das autarquias e fundações federais já estão no INSS.

Durante a transição as unidades de gestão de pessoas nos órgãos de origem dos servidores apenas receberão e repassarão todas as solicitações referentes a aposentadorias e pensões ao INSS, que já está responsável pelos encaminhamentos sobre essas questões.

Algumas observações finais.

Com a conclusão da centralização em cada instituição, todo servidor, ao tratar da sua aposentadoria, deverá buscar o INSS, não mais a área de gestão de pessoas da sua entidade de origem.

Isso, porque, assim como no regime geral, o ato de aposentar de qualquer servidor resultará na sua desvinculação do órgão de origem, passando a ser considerado “segurado”, vinculado ao INSS. Entre outras consequências, haverá a perda de representação pela entidade sindical dos servidores da instituição de origem, uma vez que as entidades sindicais representam apenas as pessoas vinculadas aos órgãos e entidades públicas.

Salvo os servidores que adquiriram o direito à aposentadoria com paridade e integralidade, todos os demais, após aposentados, bem como os pensionistas, seguirão a política de reajustes do regime geral. Com a reforma administrativa (PEC 32 ou outra proposição), o ingresso de servidores, quando houver, se dará em novas condições e cargos, resultando no fim da paridade e, por consequência, da integralidade.

O resultado será: todos os servidores no RGPS, com seus limites e políticas de reajustes de aposentadorias. Os que desejarem complementação de proventos deverão buscar planos de previdência complementar no sistema financeiro privado, uma vez que as instituições públicas, como a Funpresp deverão ser privatizadas.

*Vladimir Nepomuceno é assessor parlamentar do Sinal de outras entidades sindicais. É sócio-diretor da Insight Soluções e Assessoria. Servidor público federal aposentado, foi dirigente sindical, diretor do DIEESE/DF e do DIAP. Foi Diretor de Relações do Trabalho no Ministério do Planejamento, onde compôs a equipe de negociação com entidades de servidores.


sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

POESIA -" Faxinação" -Jamila Saleh

"Way Out"(Saída)- foto @P.R.Baptista

Reunir: Cada beijo, cada toque Cada frase que provoque Ou silêncio que sufoque Tudo que vem de ti...

Cada verso que eu te dei E objetos que eu criei Para ordenar a terra-sem-lei De onde eu já parti...

E fazer uma fogueira Vomitar a noite inteira Exorcizar tanta sujeira Até poder sorrir!


segunda-feira, 29 de novembro de 2021

PENSAMENTOS - Jorge Luis Borges

 Jorge Luis Borges Acevedo (Buenos Aires, 24 de agosto de 1899 — Genebra, 14 de junho de 1986) foi um escritor, poeta, tradutor, crítico literário e ensaísta argentino.

Suas obras abrangem o "caos que governa o mundo e o caráter de irrealidade em toda a literatura". Seus livros mais famosos, Ficciones (1944) e O Aleph (1949), são coletâneas de histórias curtas interligadas por temas comuns: sonhos, labirintos, bibliotecas, escritores fictícios, livros fictícios, religião e Deus. Seus trabalhos têm contribuído significativamente para o gênero da literatura fantástica. Estudiosos notaram que a progressiva cegueira de Borges ajudou-o a criar novos símbolos literários através da imaginação, já que "os poetas, como os cegos, podem ver no escuro". Os poemas do seu último período dialogam com vultos culturais como Spinoza, Luís de Camões e Virgílio.

Seu trabalho foi traduzido e publicado extensamente nos Estados Unidos e Europa. Sua fama internacional foi consolidada na década de 1960, ajudado pelo "Boom Latino-americano" e o sucesso de Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez. Para homenagear Borges, em seu romance O Nome da Rosa Umberto Eco criou o personagem "Jorge de Burgos", que além da semelhança no nome, é cego — assim como Borges foi ficando ao longo da vida. Além da personagem, a biblioteca que serve como plano de fundo do livro é inspirada no conto de Borges "A Biblioteca de Babel" (uma biblioteca universal e infinita que abrange todos os livros do mundo). O escritor e ensaísta J.M. Coetzee disse que "Borges, mais do que ninguém, renovou a linguagem de ficção e, assim, abriu o caminho para uma geração notável de romancistas hispano-americanos". Laureado com inúmeros prêmios,[11] também foi conhecido por suas posições políticas conservadoras, o que pode ter sido um obstáculo à conquista do Prêmio Nobel de Literatura, ao qual ele foi candidato por quase trinta anos.

Borges com Maria Kodama em Paris

A partir de um dado momento de sua vida foi acompanhado por Maria Kodama Schweizer, quase quarenta anos mais moça, com quem viveu até a morte e se tornou herdeira de
seus direitos autorais num testamento escrito em 1979, quando ela era a sua secretária literária, e legou a ela toda a sua propriedade em 1985. Casaram-se em 1986, pouco antes da morte de Borges. 





quarta-feira, 24 de novembro de 2021

ENTREVISTA DE LULA AO EL PAÍS DA ESPANHA

O MATADOR DE INSTANTES - Enio Andrade

foto P.R.Baptista

     Amorim era um funcionário público que vivia sempre em contradição, não sabia muito bem o que queria da vida.  Sua vida no trabalho era como todo o seu cotidiano, maçante e incipiente. Porém, ele gostava de pensar que tinha ali em algum lugar dentro de si uma certa dose de sensibilidade, difícil era isso se manifestar em meio a essa sua condição cultural. Durante o dia estava sempre em contato com essas pessoas comezinhas que só falavam sobre coisas vãs, conversavam também sobre coisas vis, se é que vocês me entendem, à noite ficava passeando pela cidade a procura não se sabe de que. Enfim estava cansado de tudo aquilo, nada acontecia. mesmo seus relacionamentos amorosos, que diga-se de passagem eram muitos, não faziam diferença nenhuma. Sua vida começou a mudar quando ele conheceu Rebeca, ao contrário de seus outros casos essa mulher era diferente, uma mulher refinada sem dúvida. Com ela ele experimentou uma vida bem próxima do que ele imaginou em seus devaneios. Ela o levou a outros ambientes, onde ele pode entender não só que outra vida era possível, mas que principalmente esta vida estava bem ali na sua frente só esperando que ele a agarra-se. A proposta era tentadora, nunca mais ele iria enfrentar o mais do mesmo, que era como chamava a sua vidinha.

          Começou a se interessar por outras coisas e como era de seu costume, gostava de ir a fundo em tudo o que fazia, mesmo autodidata, até que obtinha êxito em suas tentativas na busca de mais conhecimento. Foi assim que começou na fotografia, foi quase por acaso. foi Rebeca, sempre ela, que o apresentou a um fotografo profissional que na época estava trabalhando em uma revista. não se sabe por que, talvez nunca saibamos, o fato e que a fotografia tomou conta de sua vida. Parece que ele sempre esperara por aquilo, era um encantamento só. Ele não sabia como começou, mas pensava cada vez mais em eternizar o instantâneo, era assim que ele falava, parecia que aquilo não era só como a maioria das pessoas encara aquilo que faz, uma atividade que tem um fim em si mesma. Para ele não, era muito mais do que isso, é difícil explicar, mas, era como se sem a fotografia ele nunca tivesse respirado. Abandonou o serviço público e foi viver só da fotografia, foi aí que começou a ficar cada vez mais arredio.                  

          Rebeca logo notou e após algum tempo o deixou, fato que só fez piorar o seu distanciamento da realidade, começou a usar drogas e a ficar cada vez mais confuso, não sabia mais o que era ele ou o que era sua arte, era assim que ele chamava as suas fotos. às vezes mal amanhecia e ele já estava na rua, procurando não se sabe bem o quê? alguma nuance de luz, um olhar diferente, um rosto com significado, ou, a beleza da simplicidade das pessoas passando em um instante de suas vidas comuns e especiais ao mesmo tempo. Foi assim que desenvolveu o seu poder de observação para descobrir o que nem todos viam e ele escolheu entre o que via o desespero, começou a ter uma atração mórbida por esses flagrantes. 

          À noite, quando ele examinava o material do dia transcorrido, os momentos de desespero eram os que mais o excitavam, mexiam com ele e ele não sabia como aquilo acontecia. Passou então a sair e procurar só pelos desesperados.

           Num dia qualquer entrou em uma lojinha para comprar incenso, passara o dia atrás de uma novidade e próximo de casa, já cansado, tivera aquela ideia, após pagar o incenso quase na saída ao olhar para o lado notou que havia uma máquina fotográfica muito antiga em um canto da loja, parecia estar à venda. Resolveu perguntar ao dono quanto custava, quem sabe se fosse possível, talvez conseguisse restaurar e vender por um preço melhor. Após regatear um pouco o cara resolveu negociar e ele levou para casa aquela relíquia, ao chegar foi logo manuseá-la, até para saber se estava funcionando. 

          A única coisa viva que tinha em casa era uma um peixe dentro de um aquário, fora presente de Rebeca. Só não sabia como ele ainda sobrevivia naquele ambiente sem nenhum cuidado, às vezes, à noite, quando se lembrava de comer atirava alguma sobra para o pobre. Resolveu fotografar o bicho, claro que antes usou a sua dose habitual, ao começar a sequência teve um pensamento maravilhoso, e se ele conseguisse com aquela máquina capturar o instante supremo daquele peixe, como se depois daquele instante ele não conseguisse mais ser um peixe maravilhoso que era naquele instante que já havia passado, que maluquice. Ah, se isso pudesse ser verdade, era isso que o levara até a fotografia. Em seguida dormiu, já não se aguentava mais.

           No outro dia acordou cedo e saiu como sempre atrás de seus olhares desesperados. Levou a máquina consigo, conhecia um fotografo mais velho que manjava dessas coisas mais antigas. O lugar ficava no outro lado da cidade. No caminho até lá poderia aparecer alguma oportunidade, que nada, o tempo passava e nada. Um gato estava brincando com uma lata, usou a máquina antiga, logo em seguida encontrou dois mendigos numa esquina usou outra vez, após não encontrou mais nada. 

          Ao chegar à lojinha do fotografo deixou a máquina para ser avaliada e pediu para que ele ligasse à noite porque não pretendia vir para aqueles lados no outro dia. Pediu ainda, que se ele soubesse de algum interessado em negociar a máquina o avisasse logo, pois estava precisando muito de uma lente nova, desde que deixara o serviço público nunca mais pudera adquirir um material novo, vida dura a de artista. 

          O resto do dia transcorreu na normalidade, ao chegar em casa sem praticamente nenhum material foi direto para a sua dose cotidiana de relaxamento compulsório. Foi depois de a droga fazer efeito que notou o peixe boiando no aquário, ficou num misto de surpresa e algum medo, porque recordou aquele pensamento que havia tido na noite anterior, começou a se sentir muito mal e pensou que ia ter um ataque cardíaco de tão velozes eram as batidas de seu coração. 

          Acordou sem lembrar de como conseguira chegar até a cama, maldita droga, a Rebeca tinha razão quando disse que ela ainda iria acabar comigo, a droga não, a Rebeca. Saiu logo, muito assustado, porque lembrou que havia fotografado o gato e os mendigos com aquela máquina. Estava ficando louco, como isso podia ser possível. Deixa pra lá, no caminho telefonou para o fotografo velho e nada, só chamava. Que droga, quando a gente mais precisa as coisas nunca acontecem.

           Foi atrás do gato e dos mendigos, chegando naquela esquina não encontrou nada, após algum tempo encontrou um camelô que estava vendendo a sua mercadoria e perguntou pelos mendigos só para ficar mais tranquilo. A resposta dele gelou todo o seu sangue imediatamente, contou que alguém colocara fogo neles na madrugada passada e que não foi possível ajuda-los, pois não havia ninguém na rua àquela hora, agradeceu e ficou alguns momentos absorto. Após, deu alguns passos e se deparou com o gato, o mesmo gato do outro dia, estava em um canto do beco morto. Nem quis saber como acontecera, já sabia que ele de alguma maneira tinha sido o responsável, mas não queria pensar nisso agora, estava concentrado em chegar logo à loja do fotografo velho.

           Chegando lá estranhou a loja estar fechada, eram só três da tarde será que havia acontecido alguma coisa grave. Que piada, será que não bastava o seu desespero. Foi aí que uma mulher se aproximou e disse que o fotografo havia deixado um pacote para um rapaz que correspondia com a descrição de sua aparência, ele agradeceu a mulher e abriu logo a caixa, dentro estava a máquina e um bilhete breve, estava escrito: parabéns você conseguiu o que queria, agora você e um matador de instantes, após ele caiu e nunca mais se levantou, de maneira metafórica e claro.


terça-feira, 23 de novembro de 2021

CÂMARA DE VEREADORES APROVOU TAXA DO LIXO MAS NÃO CUIDA DO PRÓPRIO LIXO - Lúcio Almeida Heckteuer

 

No centro da cidade de Pelotas grande parte do lixo produzido é depositado em contêineres.  No entanto, na Rua Andrade Neves, somente foram colocados contêineres até a quadra do Hospital Beneficência Portuguesa. Em direção ao Porto a coleta do lixo se dá de forma mais tradicional: os moradores depositam seus lixos no meio fio das calçadas ou nas suas próprias lixeiras momentos antes do caminhão do lixo passar. Neste percurso da Rua Andrade Neves, entre as ruas Uruguai e João Manoel o caminhão passa por volta das 20 horas e 30 minutos e é de conhecimento de todos que o lixo que geram não pode ser colocado na rua com muita antecedência antes da passagem do caminhão.

No centro da cidade de Pelotas grande parte do lixo produzido é depositado em contêineres. No entanto, na Rua Andrade Neves, somente foram colocados contêineres até a quadra do Hospital Beneficência Portuguesa. Em direção ao Porto a coleta do lixo se dá de forma mais tradicional: os moradores depositam seus lixos no meio fio das calçadas ou nas suas próprias lixeiras momentos antes do caminhão do lixo passar. Neste percurso da Rua Andrade Neves, entre as ruas Uruguai e João Manoel o caminhão passa por volta das 20 horas e 30 minutos e é de conhecimento de todos que o lixo que geram não pode ser colocado na rua com muita antecedência antes da passagem do caminhão.


No entanto, se caminharmos pela Rua Andrade Neves, seremos impossibilitados de circular pela calçada dos fundos da  Câmara Municipal de Vereadores visto que ela fica tomada de lixo a partir do meio das tardes das segundas-feiras, quartas-feiras e sextas-feiras. Isso acontece porque o lixo produzido na Câmara de Vereadores é colocado diretamente na calçada muito cedo oportunizando que animais fiquem remexendo e espalhando pela calçada. A Câmara de Vereadores, em não consonância com o Código de Postura Municipal, também não teve o cuidado de instalar uma lixeira para colocar o lixo por ela produzido. Esse fato ocorre de longa data e, pelo que se pode concluir, parece que a Casa do Povo não está dando a devida importância ao tema dos Resíduos Sólidos Urbanos. Cabe aqui lembrar aquele velho ditado: “faça o que eu falo mas não faça o que eu faço”!




quinta-feira, 11 de novembro de 2021

A CIDADE INVISIVEL - SITUAÇÃO DE RISCO NA SUBESTAÇÃO DA CEEE - Lúcio de Almeida Hecktheuer

 

Os sistemas de potência de energia elétrica destinados ao abastecimento da população compreendem as etapas de geração, transmissão e distribuição. No Brasil, segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), 65,2% da energia elétrica é gerada em hidroelétricas localizadas a grandes distâncias dos centros consumidores. Por exemplo, a hidrelétrica de Itaipu, a maior do Brasil, tem seus geradores elétricos gerando energia numa tensão de 18.000 Volts. Considerando a sua potência de 14.000 MW e a distância dos grandes centros consumidores, eleva-se esta tensão para valores na ordem de 500.000 Volts a fim de realizar a sua transmissão através de linhas de transmissão. Quando essas linhas de transmissão chegam nos grandes centros de consumo é necessário diminuir essa tensão. Essa diminuição de tensão se dá nas chamadas subestações.

No caso específico de Pelotas, temos várias subestações sendo que uma delas se encontra na Avenida Ferreira Viana, a chamada Subestação Pelotas 1. Nesta subestação temos a chegada de redes de transmissão com valores de tensão de 138.000 Volts que são reduzidas para 13.800 Volts.

Dito isso, quero registrar o descaso da empresa que administra a subestação que deixa parte da sua fachada sem nenhum muro de proteção visto que o mesmo caiu a longo tempo. Essa situação permite que qualquer pessoa ou animal adentre na área interna da subestação, área essa de grande risco.




quarta-feira, 10 de novembro de 2021

CIDADE INVISIVEL - SITUAÇÃO DE RISCO NA SUBESTAÇÃO DA CEEE - Lúcio de Almeida Hectheuer

 SITUAÇÃO DE RISCO NA SUBESTAÇÃO DA CEEE -  Lúcio de Almeida Hectheuer



Os sistemas de potência de energia elétrica destinados ao abastecimento da população compreendem as etapas de geração, transmissão e distribuição. No Brasil, segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), 65,2% da energia elétrica é gerada em hidroelétricas localizadas a grandes distâncias dos centros consumidores. Por exemplo, a hidrelétrica de Itaipu, a maior do Brasil, tem seus geradores elétricos gerando energia numa tensão de 18.000 Volts. Considerando a sua potência de 14.000 MW e a distância dos grandes centros consumidores, eleva-se esta tensão para valores na ordem de 500.000 Volts a fim de realizar a sua transmissão através de linhas de transmissão. Quando essas linhas de transmissão chegam nos grandes centros de consumo é necessário diminuir essa tensão. Essa diminuição de tensão se dá nas chamadas subestações.

No caso específico de Pelotas, temos várias subestações sendo que uma delas se encontra na Avenida Ferreira Viana, a chamada Subestação Pelotas 1. Nesta subestação temos a chegada de redes de transmissão com valores de tensão de 138.000 Volts que são reduzidas para 13.800 Volts.

Dito isso, quero registrar o descaso da empresa que administra a subestação que deixa parte da sua fachada sem nenhum muro de proteção visto que o mesmo caiu a longo tempo. Essa situação permite que qualquer pessoa ou animal adentre na área interna da subestação, área essa de grande risco.



domingo, 7 de novembro de 2021

AS CONSEQUÊNCIAS DO CAPITAL NAS MÃOS DOS INÚTEIS - Sérgio Severo

 


       Quando um proprietário dos meios de produção (máquinas, trabalhadores, tecnologia etc...) nos vende um produto, não está nos entregando o produto do seu trabalho...ele entrega o produto do trabalho dos outros! Isso é um fato inquestionável. E ele conseguiu que outros trabalhassem para ele porque possuía capital e resolveu arriscá-lo. Outro fato inegável é que todo empreendedor é, de uma forma ou de outra, um capitalista. Mesmo que não possua um só centavo em moeda corrente, se detiver um acervo em conhecimento já é um capitalista. Claro que para transformar conhecimento em produto precisará que alguém se disponha a trabalhar para ele sem comer. E o risco de morrer de fome endividado se mantém. Todas essas situações: risco, conhecimento, fome, trabalho e dívidas são coisas difíceis e causam bastante sofrimento e frustrações.

      Vivemos (ou vivíamos?) em uma sociedade do conforto. Gastamos (ou gastávamos?) uma montanha de capital para nossos “mimos”. Uns pouco, outros um absurdo. Esse conforto ameniza o sofrimento mas não dá um objetivo para a vida. Uma criança mimada prejudica mais a si que aos outros. O problema é que, mimada, ela se vê inútil e dependente. E, no desespero de obter uma vida, começa a acreditar que pode conseguir uma tirando a vida dos outros. 

      E não se tira a vida dos outros só expondo eles a um vírus mortal. Tiramos a vida dos outros quando os submetemos a trabalhos infames e inúteis, quando maximizamos os lucros com mentira, sonegação, arreglos, “relações”, negociatas. E vai o mimado tentando preencher o seu vazio com a vida dos outros. Esse aspecto vampiresco do capitalismo moderno não mais tem servido ao acúmulo do capital. Ele serve hoje para o mais puro desperdício e ostentação. E, uma vez jogado fora, o acúmulo do capital não mais cumpre a função de minimização do risco de outrora. O capitalista clássico explorava para acumular e sobreviver a uma safra ruim. O capitalista mimado explora para minimizar seu sofrimento causando sofrimento!

     Sem reservas o que faz nossa criança na seca? Chicoteia os escravos! Mas isso é contra a lei. Então o negócio é eleger um feitor. Alguém que seja um psicopata capaz de matar velhos sem dó. E enquanto for ouvido o estalo do chicote no lombo de um mais fraco, a vida continua se alimentando da vida alheia.

      Mas ora, certamente que nem todos que elegeram o feitor são vampiros. Mas ocorre que, mesmo aquela doce senhora, aquele rapaz gentil, aquela moça carinhosa, todos eles possuem alguma sede de sangue. E, pior, alguns sofrem muito com a perspectiva antropofágica. Sabem que o preço do seu conforto é o sofrimento de um infeliz. E, na falta de coragem, também elegem o feitor. Uns não suportam o sofrimento do fracasso, da falência. Outros não suportam a própria existência parasitária e delegam. E o delegado vai lá e mata para eles.

      Obviamente tudo isso não serve ao desenvolvimento e nem mantém a vida dos que sustentam a civilização em um nível suportável. Quer você tenha eleito um psicopata para roubar a vida dos outros, na esperança de melhorar a sua, ou você não suporte o sofrimento que causa nos outros, dado que sua existência é inútil, você é responsável pela barbárie que nos domina. E você terá de sair de campo. Quieto, de cabeça baixa e envergonhado. Ou isso, ou você será retirado pela força da razão. E quem é expulso pela força da razão sai com dano mental irreversível. A civilização tem muito pouca tolerância com os loucos

Texto : Sérgio Severo, Prof. do IFSul 

Foto: "Isaías", P.R.Baptista

quinta-feira, 7 de outubro de 2021

LULA REATA ANTIGO ROMANCE COM MDB

Esta foto, de uma fase mais antiga do romance, pode ser reeditada 

Com jantar oferecido pelo ex-senador Eunício de Oliveira (CE), quarta-feira (6/10), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aproveita para se aproximar de figuras do MDB que tendem a apoiar sua candidatura à Presidência da República em 2022.

Compareceram à casa de Eunício, no Lago Sul, em Brasília, os emedebistas Raul Henry (PE), Veneziano Vital do Rego (PB), Nilda Gondim (PB), Isnaldo Bulhões (AL), Marcelo Castro (PI), Walter Alves (RN), Edson Lobão (MA) e Lobão Filho (MA).

Do lado do PT, além de Lula, estiveram na reunião Paulo Rocha (PA), Paulo Teixeira (SP), José Guimarães (CE), a presidente do partido, Gleisi Hoffmann, e o ex-ministro Luiz Dulci.

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, chegou a ser convidado, mas não foi ao jantar.

Os senadores Renan Calheiros (AL) e Eduardo Braga (AM) avisaram que não iriam ao jantar e declinaram do convite alegando que, neste momento em que os trabalhos da CPI da Covid entram na reta final, o encontro não seria visto com bons olhos.

“Ia ser uma reunião do relatório, não um jantar”, explicou Eunício, em conversa com o Metrópoles.

O senador Veneziano chegou em um carro oficial – devido à viagem de Rodrigo Pacheco (DEM-MG), ele responde como presidente do Senado.

“Respeita a Dilma”

Enquanto Lula procura assim encaminhar apoio para sua candidatura se  reaproximando do MDB de Temer que foi o coveiro do enterro de Dilma, do lado fora da casa de Eunício, um grupo de 8 pessoas protestou com faixas, condenando Lula por se reunir com emedebistas. “Está jantando com os caras que derrubaram a Dilma”, gritaram os manifestantes.

Eles deixaram na rua, em frente à casa, uma faixa com a seguinte questão: “Ué, Lula, não foram eles que deram o golpe na Dilma?”, referindo-se ao impeachment em 2016. “Respeita a Dilma”, bradaram.

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segunda-feira, 27 de setembro de 2021

MÚSICA POPULAR BRASILEIRA - Alcione


Samba clássico, poético, romântico.
Permanece como um reduto inexpugnável de brasilidade

quarta-feira, 22 de setembro de 2021

CHARGE - PêErre


segunda-feira, 20 de setembro de 2021

CIRO ANTECIPA E RENOVA SUA CAMPANHA ELEITORAL


Ciro Gomes anuncia que está tirando carteira de habilitação tipo C porque pretende
fazer um longo documentário dirigindo caminhões em estradas brasileiras.

O DESTINO DO VIDRO EM PELOTAS - Alceone Silveira dos Santos


Especificamente sobre a logística do vidro, faz-se necessário apontar algumas considerações acerca desse passivo em Pelotas.

A cidade possui 6 Cooperativas de reciclagem. Estão vinculadas ao poder público através de uma parceria insólita que destina R$15 mil para cada uma e R$400 para cada cooperado.

Atuam também na retirada dos resíduos recebidos nos ecopontos como forma de implemento e complemento financeiro.

Por fim, recebem o transbordo da coleta seletiva, que é operada sob contrato, por empresa privada.

Os impactos começam no tipo de veículo utilizado, caminhão prensa.

 A mistura e consequente quebra do vidro misturado a outros resíduos, contamina e inviabiliza um considerável percentual do material recebido da coleta seletiva.

Gera um processo de retriagem , acaba por muitas vezes, causando dano físico aos cooperados

 Cada Cooperativa recebe em média de 3 a 5 toneladas de vidro por semana oriundo da coleta seletiva.

Considerando a potencialidade de aproveitamento do vidro no processo de reciclagem ser de 100% urge um implemento e uma organização desse logística para fomento de ganho a catadores e profissionais de cooperativas.

Numa próxima intervenção nesse espaço, abordaremos questões técnicas, legislativas e tributárias que também precisam compor essa demanda.

domingo, 19 de setembro de 2021

CHICO BUARQUE SOBE AO ALTAR

Chico Buarque e Carol Proner

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O cantor Chico Buarque, 77, e a advogada Caroline Proner, 47, se casaram na manhã deste sábado (18) na presença de poucos amigos e parentes em um cartório de Petrópolis, no Rio. Os dois estão juntos há quatro anos, e tiveram os planos de casamento revelados em agosto.

"Para nós, celebrar casamentos é sempre uma emoção, mas hoje com o ícone da música brasileira a emoção foi ainda maior. Tivemos a honra de celebrar a união de Chico Buarque e Caroline Proner. Toda felicidade do mundo aos noivos", afirmou a página do cartório no Instagram.

Os nomes do cantor e compositor e da professora da UFRJ (Universidade Federal do Rio) apareceram no Diário Oficial da Justiça do Rio há dois meses com a intenção do casal de se casar. A oficial registradora, Patricia Baranda, afirmava que todos os documentos exigidos por lei foram apresentados.

Chico é pai de Helena, Sílvia e Luísa, as três do casamento com Marieta Severo, 74. Os dois ficaram juntos por 33 anos e se separaram em 1999. Antes de Carolina, o artista namorou a cantora Thais Gulin, 41, por cinco anos.

Já Proner é mãe de Francisco, 21, e Bárbara, 20, de relacionamentos anteriores. No ano passado, ela virou avó pela primeira vez.

O namoro dos dois começou durante os encontros realizados para a definição da candidatura de Lula nas eleições de 2018 para presidente.

Antes disto um dos últimos relacionamentos de Chico Buarque tinha sido com a cantora Taís Gulin 41, por cinco anos.

Chico e Taís Gulin


sexta-feira, 10 de setembro de 2021

quinta-feira, 9 de setembro de 2021

RECICLAGEM DE VIDRO - UM EXEMPLO DE ECONOMIA SOLIDÁRIA - Conversa de Rogel Martins Barbosa com Alceone Silveira dos Santos


Rogel Martins Barbosa conversa neste Café& Resíduos com Alceone Silveira dos Santos, Técnico em Meio Ambiente, colaborador externo do NESol - Núcleo de Economia Solidaria do IF Sul - Campus Pelotas e idealizador parceiro no projeto Entreposto de Resíduos Sul.

sexta-feira, 3 de setembro de 2021

NATAÇÃO EM PELOTAS - Raquel Nussbaum


Em tempos de pandemia a prática da natação em Pelotas, sujeita a restrições, segue no entanto muito viva nas piscinas térmicas que estão em funcionamento na cidade.

 Além das tradicionais do Brilhante e Diamantinos  fazem parte deste grupo as dos clubes Centro Português e Dunas, esta a mais recente.

Menciono as térmicas porque no nosso clima elas são indispensáveis quando se pensa numa prática a ser  mantida o ano todo. 

O Brilhante merece um destaque especial porque além de manter piscina em atividade há muitos anos tem conseguido manter ao longo do tempo uma tradição de formação de nadadores de nível de competição.

Neste momento em que a participação feminina ganha um grande destaque com a conquista  nas Olimpíadas da  medalha de ouro por Ana Marcela Cunha na prova de 10 mil metros é oportuno destacar duas nadadoras do clube que se mantêm competindo, Helena da Rocha e Raquel Nussbaum.

Neste momento destacamos Raquel Nussbaum com uma carreira que começou bem cedo, aos 6 anos, incentivada pelo pai que foi nadador pelo Clube Regatas Pelotense onde obteve grandes resultados estaduais .

Raquel ganhou campeonatos estaduais e participou de competições nacionais  e, depois de um longo

 período longe das competições voltou a nadar, já depois dos 30 anos, na equipe master, destacando-se  em provas de nado  borboleta ( recorde estadual da categoria em 3 provas, 50 e 100 m borboleta na piscina longa e 100 m borboleta na piscina curta ), títulos conquistados entre 2018 e 2019.

A nadadora em dois momentos de sua carreira



Atualmente, com a pandemia, Raquel declara que começou a encarar mais os treinos como aliados à saúde mental e decidiu começar a treinar para provas de fundo e águas abertas tendo como treinador o técnico e amigo João Paulo Brum Rodrigues  (Jotape, como é conhecido)

Vamos os aguardar os resultados dessa mais recente experiência da nadadora tão premiada. 

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