segunda-feira, 26 de junho de 2017

DESCASO NAS OBRAS PÚBLICAS - Paulo Afonso Rheingantz

A obra de reforma da rua General Osório em Pelotas evidencia descaso com o projeto e com o desenho urbano. A opção por não deslocar o meio-fio de pedra nos alargamentos é inacreditável. Além de deixar a impressão de "remendo" de muito mau gosto, relega os meio-fios de granito, quase eternos a "compor" uma cicatriz horrível, e a utilizar novos meio-fios de concreto cuja fragilidade, a exemplo das grelhas de concreto utilizadas para "remendar" um erro grotesco de projeto - o desnível da pista de concreto que em alguns trechos chega a estar mais de 20 cm acima do nível da calçada - não resistem às investidas das rodas de ônibus e automóveis. Uma rua central da importância da Osório por onde diariamente transitam milhares de pedestres merecia um pouco mais de cuidado e carinho.

A obra foi marcada por vai-e-vens, fazer, desmanchar e refazer e a consequente demora contribuiu diversos estabelecimentos fecharem suas portas.
Comparando a obra das pistas de rolamento de veículos e da faixa seletiva de ônibus totalmente refeitas com as calçadas remendadas, fica a impressão de descaso do poder público com os pedestres, na contra-mão do que andam fazendo importantes cidades do primeiro mundo, que tem investido muito tempo e recursos na devolução de muitas vias aos pedestres, além de aumentar as restrições para circulação de veículos.
E o resultado final - embora a obra ainda não tenha terminado, ficou esteticamente ruim, com sérias problemas de acessibilidade, de alinhamento, de nível e de acabamento. Típico de falta de projeto e de fiscalização.
Triste exemplo que, espero, não será repetido nas obras da Rua Marechal Deodoro.

domingo, 25 de junho de 2017

PSB, MUITO ANTES PELO CONTRÁRIO

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Registro do momento em que se criava uma frente com o propósito de destituir a presidenta Dilma. Entre políticos já bem conhecidos pelo reacionarismo alguns se alinham com a nova direita brasileira, nova porque incorpora integrantes, alguns até recentemente, identificados como socialistas. No ato encontram-se, entre outros,  Aécio Neves, Roberto Freire, Ronaldo Caiado que toma a palavra em nome do grupo, e também Beto Albuquerque do PSB que terá que explicar pelo resto da vida o que estava fazendo ali.
O PSB cabe lembrar apoiou Aécio no segundo turno e teve papel decisivo na aprovação do impeachment . Esta conduta e o apoio que de início deu ao governo Temer descaracterizou profundamente a identidade do PSB inclusive afastando lideranças históricas.
Pois bem, procurando talvez reverter esse passo mal dado e avaliando que o governo Temer caminha para o cadafalso, agora o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, e o secretário-geral do partido, José Renato Casagrande, informaram neste sábado (20) que a legenda decidiu fazer oposição ao governo e passará a defender a renúncia do presidente Michel Temer.
Se tem parlamentares dedicados a esta causa eles estão aqui agora ...vocês não vão se  decepcionar conosco  
Atualmente, a legenda comanda o Ministério de Minas e Energia. Siqueira e Casagrande deram a informação à imprensa após reunião da Executiva Nacional do partido, em Brasília.
Segundo o presidente e o secretário-geral da legenda, o PSB também passará a defender a aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para a realização de eleições diretas no caso de vacância do cargo de presidente da República.
A decisão do PSB é anunciada em meio à maior crise política enfrentada por Temer desde que ele assumiu a Presidência da República, causada pelas delações dos empresários Joesley e Wesley Batista, donos da JBS, e de Ricardo Saud, diretor da J&F.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

QUANDO A SEGURANÇA FICA EM SEGUNDO PLANO

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O edifício Grenfell Tower, é um prédio de apartamentos de 24 andares em North Kensington a oeste de Londres. O prédio foi concluído em 1974 com 120 apartmentos. Em 2015–2016 a estrutura de concreto recebeu novas janelas e um revestimento plástico com isolamento térmico. Com o incêndio surgiu uma grande discussão a respeito desse tipo de revestimento e várias denúncias já tinham sido feitas a respeito da segurança justamente em casos de incêndio

domingo, 11 de junho de 2017

NAPOLEÃO, A CARA DO VELHO BRASIL - Ricardo Almeida

Napoleão é a cara do velho Brasil. Vejam que o juiz preferiu a Bíblia à Constituição, ao invocar a Ira do Profeta. Assim, ele se somou à safadeza de centenas de juízes, deputados, senadores, governadores, prefeitos e vereadores que querem acabar com os nossos sonhos e direitos conquistados com muita luta.
Mas vamos combinar: quem não tem um Napoleão e um Gilmar Mendes na sua cidade? Se alguem se surpreendeu com a decisão do TSE não está raciocinando bem ou não leu as previsões publicadas recentemente nos blogs e jornais do país. Agora que "as coisas" ficaram claras, está mais do que na hora de se indignar e reagir... Pois, quem antes apostava numa saída fácil e apenas institucional para a crise moral, cultural, econômica e política agora pode se preparar melhor para as novas batalhas que se avizinham.
Por exemplo, como será que o STF vai julgar o impeachment da Dilma, já que o Ministério Público disse que não houve pedaladas, as contas da sua campanha foram aprovadas pelo TSE, e ela também foi absolvida por este processo movido pelos perdedores?
Quem está atento aos fatos e/ou aprendendo a traduzir os sinais que estão nos enviando por linhas tortas (não somos deuses para controlar o destino), já compreendeu que o caminho é cheio de contradições, e que ele exige muito estudo, organização e comunicação para podermos avançar coletivamente.
A cultura política da sociedade vai se consolidando a cada ação dessas, mas também por meio daquelas ações positivas que se realizam nas cidades, independente de serem tortas, confusas ou pequenas. O importante é que o NOSSO PROPÓSITO (pra que diretas? Pra que lutar? Quais são os direitos em disputa?) e os PRINCÍPIOS (democracia, autonomias, etc.) sejam trasmitidos de forma clara para dentro e para fora dos movimentos sociais. Vejam que o PROPÓSITO e os PRINCÍPIOS DELES - dos golpistas - já estão sendo rejeitados pela grande maioria da população, e nem mesmo os jornais e as redes de tv do Brasil e do mundo conseguem esconder tantas tramóias.
Portanto, nós que somos totalmente diferentes deles, precisamos reconhecer e participar das nossas diferentes manifestações e movimentos populares para contribuir na organização das próximas etapas da luta.
Lembrem sempre que nós lutamos em nome de todxs aquelxs que lutaram no passado e também para deixar uma boa herança para os nossxs filhxs e netxs ... Assim seremos lembrados pelas futuras gerações.
Pensem e raciocinem: como vocês querem ser lembrados?

domingo, 4 de junho de 2017

PETIÇÃO FINAL DE DELTAN DALLAGNOL CONTRA LULA - Luis Felipe Miguel

Curiosamente, a Folha não deu grande destaque à petição final de Deltan Dallagnol contra Lula, nem no site, nem na versão impressa. No Estadão, nem chamada de capa teve. No Globo, o destaque foi um pouco maior, mas nada que se compare ao circo habitual diante de tudo que atinja o ex-presidente.
Talvez seja porque a peça acusatória é tão indigente que, para a perseguição a Lula, seja melhor escondê-la. O Ministério Público reconhece expressamente sua incapacidade probatória e pede "elasticidade à admissão das provas da acusação". O negócio é tão descabido que, no documento, solicitam a redução das penas de todos os que acusaram Lula.
Na ausência de provas, o esforço do MPF seria colecionar indícios que construíssem uma narrativa coerente da corrupção supostamente comandada por Lula. Mas é difícil alcançar tal narrativa quando a corrupção não tem ganho material; no caso, quando já ficou demonstrado que o ex-presidente não é dono do tal triplex. Lula seria um caso único na história da humanidade, alguém que ganha propina sem se beneficiar dela: um corrupto altruísta.
Contrasta, com narrativa tão frouxa, a precisão da pena a ser aplicada a Lula. Além de preso, ele deve devolver os R$ 87.624.971,26 (oitenta e sete milhões, seiscentos e vinte e quatro mil, novecentos e setenta e um reais e vinte e seis centavos) que teria recebido de forma indevida da OAS. A bola de cristal de Dallagnol deve estar bem turbinada, para, sem qualquer documento que comprove, com base apenas em convicções e indícios vagos, ser capaz de calcular na casa dos centavos as propinas recebidas.
Na página 3, porém, a Folha ostenta um artigo de Deltan Dallagnol, não sobre o parecer contra Lula, mas para uma exaltação genérica à Lava Jato. Tem algo de errado nos concursos públicos, se o ingresso no MPF é tão concorrido e ainda assim passa gente desse naipe. Dallagnol empilha lugares-comuns e pretensas frases de efeito, sem conseguir construir nenhum percurso argumentativo. Eu diria que parece uma redação de um estudante dos últimos anos do ensino fundamental, mas isso ofenderia a brava gurizada que tem mostrado, na luta pela educação, uma inteligência e um senso crítico que passam longe do pavão de Pato Branco.
Como vexame pouco é bobagem, no meio do texto Dallagnol atribui a Maquiavel, com aspas e tudo, uma versão modificada de uma frase que é provavelmente de Artur Bernardes e que Getúlio Vargas gostava de citar. Ele deve ter estudado história do pensamento político na mesma turma de seus colegas do MP paulista, aqueles que criaram a parceria de Marx e Hegel.

Luis Felipe Miguel
Professor de Ciência Politica - UnB

sexta-feira, 2 de junho de 2017

LARANJAL - SINAIS DO REINÍCIO DAS OBRAS DE PAVIMENTAÇÃO

Com uma trégua da chuva a pavimentação da avenida Espírito Santo volta a assemelhar-se a uma obra.
A atividade essa tarde parecia ser de criar escoadouros para a água da chuva que ficou represada.
Mas essa atividade era desenvolvida sem muita urgência.
Em toda a extensão do canteiro apenas uma retroescavadeira em operação e um punhado de operários.
As árvores que existiam ao longo do canal foram todas arrancadas.
Um morador comenta que a previsão para conclusão é o mês de setembro.
Outro duvida muito.
Sentem-se ignorados tendo que sofrer com resignação as consequências da falta de planejamento que levasse em conta, alguns moradores antigos do local,  a sua existência.
Mas isso seria pedir demais.

sábado, 27 de maio de 2017

LARANJAL - UM BAIRRO EM ESTADO DE SÍTIO - P.R.Baptista

O bairro do Laranjal, um recanto diferenciado por oferecer durante o ano e, especialmente, durante o verão, pela sua condição de balneário, a grande opção de lazer e moradia da cidade, é ao mesmo tempo uma zona sitiada.
De um lado pela poluição da praia e de outro pelo praticamente permanente assédio das enchentes e dos alagamentos.
Esta situação tornou-se histórica com as grandes enchentes ocorridas em anos anteriores e que tem ademais a característica, ao contrário de outras conhecidas, de se prolongarem muito tempo depois da chuva ter cessado, pela falta de um escoamento natural e pela inexistência de um sistema eficiente de bombeamento . Ao fim acabou se incorporando praticamente ao cotidiano de quem mora ou se desloca pelo bairro.
Durante o verão quando o clima contribui , os dias são quentes e as chuvas menos presentes, o Laranjal é mostrado como um cartão postal da cidade
Passado esse período , com menos fluxo de frequentadores a não ser nos fins de semana, o bairro mergulha no esquecimento por parte da Administração que volta seus olhos para pontos mais vistosos especialmente se localizados na área do centro.
O descaso torna-se, então, evidente até mesmo porque o serviço de bombeamento d'água, obviamente essencial para aliviar o acúmulo de água retida, não atende às necessidades.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Pavimentação da Avenida Espírito Santo

Obras da pavimentação da Avenida Espírito Santo no Laranjal vão seguindo num ritmo incerto.
Esta tarde havia apenas uma retroescavadeira em serviço.
Pacientemente transferia aterro para as enormes poças d'água que remanesceram do rio que tinha se formado sobre o leito da rua com as últimas chuvas.
Ao lado o canal bem cheio, sem escoamento, praticamente no mesmo nível da rua.
Dois homens trabalhando, o operador da máquina e um segundo que ajudava a espalhar o aterro. 
Nesse momento a obra se estende por quatro quadras, nos dois lados da via.
Não consegui ver se há um placa esclarecendo que obra se realiza, qual o orçamento, quem financia , quem executa e qual o prazo de conclusão.
Deve haver esta placa, apenas não vi.
Minha dúvida é porque ,às vezes, parece haver uma espécie de entendimento de que estas e outras informações pertinentes à obra não devam ser de domínio público.
Quanto ao ritmo da execução não tenho como julgar.
É uma obra licitada, as empresas privadas sempre dão a impressão de serem autônomas naquilo que fazem.
Talvez estejam executando outras obras simultaneamente.
Não sei se chegaremos a saber....

P.R.Baptista

quinta-feira, 18 de maio de 2017

VIDELA RESUME O PENSAMENTO DA DITADURA MILITAR


"En cuanto éste como tal, es una incógnita el desaparecido.
Si reapareciera tendría un tratamiento X, y si la desaparición se convirtiera en certeza de su fallecimiento tendría un tratamiento Z.
Pero mientras sea desaparecido no puede tener ningún tratamiento especial, es una incógnita, es un desaparecido, no tiene entidad, no está, ni muerto ni vivo, está desaparecido".
Estas palavras de Videla, chefe da ditadura militar argentina, resumem de uma forma arrepiante o pensamento do regime exatamente na linha de outros governos praticantes do terror.
Lembro a propósito em conversa com um militar de alta patente, residente em Pelotas, dizer que se havia presos políticos durante a ditadura militar brasileira é porque "tinham feito alguma coisa"
Com o fim da ditatura militar Videla foi condenado e morreu na prisão em 2013;

quarta-feira, 17 de maio de 2017

A CERIMÔNIA FÚNEBRE DE UM ANO DE GOLPE

Em cerimônia fúnebre, numa espécie de ritual machista no qual a inclusão da mulher só é visível no mural e em isolada presença entre os circunstantes, o supremo sacerdote Temer saúda um ano de golpe.
A vítima imolada em sacrifício é o povo.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

A ESQUERDA ESTÁ VICIADA EM SEU PRÓPRIO CONFORTO- Clarisse Gurgel

Manifestantes  em Pelotas no dia 28 de abril

Entrevista por Tory Oliveira para CARTA CAPITAL

Para a cientista política, o campo progressista no Brasil prioriza ações performáticas, como marchas, em detrimento do trabalho de base. 'Estamos vendo a esquerda fazer uso do termo 'greve geral' de forma irresponsável', declara.

Professora do departamento de Estudos Políticos da UniRio, Clarisse Gurgel faz a chamada "crítica pela esquerda" dos partidos e dos movimentos organizados hoje no Brasil. Para Gurgel, formada em Artes Cênicas e doutora em Ciência Política pela UERJ, essas organizações centram suas forças em eventos performáticos, como passeatas, manifestações e atos, deixando em segundo plano o trabalho de formação política em sua base.
Ao tomar de empréstimo termos da psicanálise e do teatro, ela identifica também uma grande dificuldade desses setores em aceitar críticas. "A esquerda precisa ser mais humilde e acolher a diversidade de métodos e de formas de pensar. Hoje, ela está viciada no próprio conforto e qualquer sujeito que a critique é expurgado".
Na entrevista a seguir, ela analisa o modus operandi da esquerda hoje, o legado de junho de 2013 e a greve geral de 28 de abril.
CartaCapital: No artigo "Ação performática: sintoma de uma crise política", você apresenta a ideia que a ação performática está sendo usada como tática preferencial da esquerda hoje no Brasil. O que é ação performática? Como ela se manifesta nos dias de hoje?
Clarisse Gurgel: O termo vem do teatro e da ideia de performance teatral. A performance tem esse caráter de simular algo extraordinário, fora do cotidiano. É uma ação efêmera, pouco ensaiada, que ocupa o espaço público também de uma forma pouco usual ou regular.
A ideia de me apropriar do teatro para descrever como a esquerda atua era uma tentativa de me apropriar do tempo e do espaço dessa forma especial de teatralização, dessa forma específica de fazer política hoje.
CC: Que forma de fazer política é essa?
CG: Em resumo, é você simular que está sendo espontâneo e atuar de forma efêmera, ou seja, sem continuidade. É priorizar eventos, como atos, marchas, passeatas, abraços a monumentos etc. O centro no evento é tão grande que a esquerda cai na própria armadilha de, por exemplo, ocupar um espaço e depois não saber sair dele. E, ao sair, acabar derrotada ou desgastada.
A ação da esquerda hoje não tem muitos desdobramentos, é concentrada no tempo presente. O curioso disso é que essa tentativa de simular uma espontaneidade é, na verdade, uma tentativa de fugir de um estigma que associa a esquerda ao autoritarismo, ao stalinismo, ao burocratismo. Tentando fugir desse estigma, o diagnóstico que eu faço é que a esquerda acaba por reforçá-lo.
CC: Como assim?
CG: Essa tentativa de fugir do estigma do burocratismo faz com que a esquerda priorize a política como evento. Só que, assim, ela mesma se burocratiza mais, porque deixa de dedicar o seu tempo a um trabalho continuado de formação política, de propaganda e de agitação e passa a se concentrar única e exclusivamente a organizar o evento, descolando-se ainda mais de suas bases sociais.
Esse estigma vem, em especial, do stalinismo. O stalinismo é um fenômeno que merece mais atenção, porque, muitas vezes, ele é resumido a um processo de burocratização. Mas a leitura que se fazia do stalinismo como um fenômeno de excesso de burocracia e de uma rigidez muito grande por parte do partido bolchevique gerou uma reação que eu identificaria em dois fenômenos.
CC: Quais?
CG: Um é a rejeição à própria forma de organização em partido. A outra é uma preponderância das bandeiras identitárias. Acho que a gente vive esse reflexo até hoje: a rejeição ao partido e a preponderância das pautas identitárias como contraponto a categorias mais universalizantes, como a própria categoria de classe.
Então, em face disso, o que acontece é um movimento, em especial, que tem como vanguarda o movimento trotskista, que vai vir na contramão desse diagnóstico da burocratização. O trotskismo tem como bandeira o combate à burocracia do partido e em especial o burocracismo. A burocracia é um mecanismo de segurança de qualquer organização coletiva, mas o burocratismo, a exacerbação da burocracia passa a ser alvo do trotiskismo.
Em especial, nas décadas de 80 e 90 para cá, o trotskismo passa a ser a corrente hegemônica no campo da esquerda no mundo, em especial, naqueles partidos que tem referencial no bolchevismo. Esse trotskismo vem acompanhado de um receio, um certo constrangimento, e eu aponto até para um aspecto meio patológico da rejeição a sua própria forma, a forma partido. Num sujeito coletivo, a rejeição a sua própria forma gera consequências graves.
CC: Quais são elas?
CG: A rejeição a sua própria forma, que eu aponto nas legendas revolucionárias ou contra-hegemônicas, leva o partido a atuar de uma forma que parece lembrar esses fenômenos identificados pela psicanálise de infligir em si mesmo certos ferimentos. Isso marca uma presença, você se sente existindo e, ao mesmo tempo, produz o efeito de chamar atenção para si.
Mas há outra forma de repetição que se chama na teoria psicanalista de “acting out”. O acting out é uma forma de repetição em que o sujeito finge agir espontaneamente, mas está repetindo algo que ele já fez, na tentativa de que aquele que lhe negou a escuta, o ouça dessa vez.
E esse que lhe nega a escuta eu identifico como a grande mídia, que não deixa de ser um grande outro.
CC: Pode dar um exemplo?
CG: Há um exemplo muito interessante: um ato em apoio aos iraquianos na época da ocupação americana no país, em 2003. Na ocasião, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush foi até o Iraque e um jornalista arremessou um sapato em sua direção.
No Rio de Janeiro, foi organizado um ato em apoio aos iraquianos em frente à embaixada americana. E, para o ato, se organizou uma atividade em que os militantes jogariam sapatos na embaixada. É interessante porque era para mostrar que aquilo era espontâneo, fruto do acirramento dos ânimos dos manifestantes, mas os próprios manifestantes levaram um par extra de sapatos para jogar - e aqueles que estavam efetivamente com os ânimos acirrados e pegaram carona naquele preparativo, quiseram jogar seus próprios sapatos nas vidraças da embaixada.
Nesse momento, os organizadores disseram no microfone para os militantes não jogarem na fachada, mas do lado, porque tinha sido combinado com os policiais que não haveria danos ao patrimônio.
Esse é uma ilustração perfeita do que é a tentativa de entrar em uma pauta midiática sem criar danos reais, na perspectiva de ser bem narrado - e descolado completamente dos anseios efetivos daqueles que estavam dispostos a demonstrar apoio aos iraquianos.
É um caso exemplar de “acting out”, porque é um sujeito repetindo um ato, na tentativa de ser ouvido.
O problema é que, quando você procura se desimplicar do próprio ato, na expectativa que o outro lhe dê sentido, você fica muito refém do outro. E a grande mídia não é companheira na hora de narrar os atos da esquerda, em especial da esquerda contra-hegemônica.
CC: É possível identificar isso em 2013, quando houve grandes atos com a presença da mídia
CG: Sem dúvida. Acho que 2013 é o ovo da serpente de 2017. O que vivemos em 2013 foi uma experiência estritamente de agitação, que é você ir para a rua e denunciar. Quando você resume a prática política à mera agitação, sem um conteúdo que signifique propagar e enraizar esse discurso no imaginário, o que acontece é que aqueles que estão mais organizados e tem mais estrutura, pegam carona e imprimem à agitação o sentido que querem.
CC: Como isso aconteceu em 2013?
CG: O ato começou com um movimento que tinha uma bandeira clara, contra o aumento da tarifa de ônibus. Era um movimento de uma vanguarda de jovens, que, mesmo rejeitando os partidos, era satélite deles, e que se reivindicavam autônomos e horizontais.
Aquele ano começa com a expressão disso e com os partidos pegando carona ali, tentando levar para o movimento estudantil e a classe trabalhadora as repercussões da organização desses movimentos sem estrutura. Com a aproximação dos partidos, começam as tensões, que são herdeiras disso que ainda temos dívida, em relação a elaborar a respeito, que é essa herança do stalinismo. Então, os conflitos internos à esquerda começam a surgir, dos partidos sem estrutura e os partidos que começam a circundar a vanguarda da esquerda.
Paralelo a isso, os setores conservadores começam também a ocupar as ruas e pegar carona também no movimento, entendendo, e a direita cada vez mais entende, que ela precisa recuperar - curiosamente - o repertório da esquerda.
Ela começa a recuperar, não é nem fazer uso, é recuperar o repertório da esquerda. A palavra de ordem “vá para a rua” quem propaga é a direita e, sem dúvida, como fruto de uma ausência de quadros na direita. Setores conservadores vão para as ruas na perspectiva de deslocar o espaço da política para a rua, para fazer dali um terreno fértil em que surja um quadro (que até agora efetivamente não surgiu).
De lá para cá, o que temos é um processo de acirramento efetivo dos ânimos, quase como um clima de pânico generalizado e fantasioso por parte da direita e classe média que começa a perder espaço em face da crise econômica. Esse atores ocupam as ruas e vão dando volume para qualquer palavra de ordem ou “significante mestre”, para usar um termo em voga.
CC: O que é isso?
CG: Significante mestre é qualquer som que tenha o efeito de uma mãe dizer a uma criança: “é porque é”. Isso é significante mestre. A criança pergunta o porquê e você responde “porque sim”. O significante mestre tem esse poder. Em meio a uma multidão volumosa, aqueles que têm recursos, como a FIESP, por exemplo, têm plenas condições de colar ali o significante mestre que quiser. Por exemplo, bordões do antipetismo ou dizer que o Brasil vai virar Cuba.
CC: E com isso a luta pela tarifa de ônibus fica para trás.
CG: Sim. Hoje vivemos o reflexo de 2013: uma conjuntura em que tem uma massa de trabalhadores que não se espelham em nada e uma esquerda perdeu um aspecto que era uma marca dela, que é a disciplina e a organização. Nesse contexto, qual é o melhor quadro político hoje?
É essa figura que não espelha ninguém e se revela um indisciplinado por excelência. Ou seja, aquele que não está vinculado a um partido e que age por si só. Por isso, figuras como o prefeito de São Paulo, João Doria, colam muito bem hoje. Ele não tem lealdade alguma a qualquer estrutura e tem uma coisa que, no contexto de crise econômica, é aquilo que podemos dizer que é a esperança de um povo que anseia pelo nada: o sucesso.
CC: Dentro desse contexto, como você analisa os movimentos de “greve geral” realizados em 28 de abril?
CG: Não se usa o termo "greve geral" para anunciar algo que ainda vai acontecer, mas, sim, para olhar retroativamente e descrever aquele fenômeno de paralisação, caso cresça e ganhe aderência de diversas categorias, como uma greve geral.
Quando você anuncia uma greve geral, provavelmente estaremos diante de um uso performático de um termo, e de um termo importante para a classe trabalhadora, que não pode ser usado de forma irresponsável.
É interessante, no dia da greve, o Michel Temer lançou o “cartão reforma”, um cartão para ajudar em obras. E, sem dúvida, ele tentou disputar o significado de “reforma”. No dia do ato contra as reformas trabalhista e previdenciária, ele lança o cartão reforma. Esse uso pouco honesto de um significante que é de peso, lembra um pouco o uso, pouco honesto também, por parte da esquerda do termo greve e, em especial, greve geral.
Nós estamos vendo, sucessivas vezes, o uso do termo greve sendo feito pela esquerda de forma irresponsável. Quando, por exemplo, setores da educação aderem a uma greve já com prazo para terminar, que é a data de votação do orçamento do governo federal no Congresso. Imagine o que é começar uma greve já com prazo de validade: isso esvazia de sentido a palavra greve.
Por isso digo que não é só a ação performática, a própria narrativa é também performática. Então, fazer uma greve com prazo de validade chega a ser cômico, porque o patronato apenas espera.
Eu não posso dizer também que, na conjuntura de desorganização que estamos, que a paralisação do dia 28 de abril não foi um sucesso. Para a conjuntura foi. E também não vou fechar os olhos para um dado novo, que é a adesão de setores da sociedade civil não integrados à vanguarda ou habituados à militância e a atuação coletiva, como, por exemplo, os professores da rede privada.
Mas eu queria registrar um ponto sintomático de tudo isso. Seja a adesão de setores novos ou a paralisação de setores de vanguarda, nenhuma das ações conta com organicidade necessária para os governantes sentirem que a gente não só resiste.
Existe uma diferença entre resistir e se insurgir. E quando a esquerda rejeita a forma partido, você tende a duas ações: uma delas é a de resistência, ou seja, imprimir obstáculos em face de uma certa política; e o outro é produzir modos de vida paralelos ao que existe hegemonicamente.
Essas duas formas de ação - produzir modos de vida paralelos e resistir produzindo obstáculos - não incidem diretamente na estrutura de poder, que permanece existindo. Ela pode não avançar em face desses obstáculos mas, fora isso, ela fica intacta.
E perde-se de perspectiva a ação insurgente, que é colocar em ameaça a própria estrutura de poder. Isso é outro aspecto que se perdeu em face da crítica à forma partido.
CC: Um movimento essencialmente performático é capaz de fazer oposição real a um governo como o de Michel Temer?
CG: Eu não acredito. Eu não tenho dúvidas de que 2013 foi o ovo da serpente chamada Michel Temer, que nem se chama Temer, mas, sim, PSDB. Mas eu não digo que as manifestações da direita foram as responsáveis por derrubar a Dilma.
Na verdade, a estratégia de derrubar a Dilma impulsionou os conservadores a ficarem nas ruas. Essa é a diferença de você entender um movimento organizado cuja ação na rua é fruto do acirramento. Quando a esquerda parte da ação da rua, ela está invertendo o processo. Ir para a rua é o ápice.
A esquerda precisa recuperar a ação que fazia nos locais de trabalho, nas associações de moradores, nos núcleos partidários, nos movimentos sociais. Isso se perdeu e, atualmente, o sujeito que faz esse trabalho são as igrejas, que faz o papel de mediadora de conflitos, está presente cotidianamente na vida dos trabalhadores, esse é um trabalho primário, de dia a dia. Isso a esquerda precisa recuperar.
CC: Esse diagnóstico de que a esquerda precisa voltar para a base não é novo e, na verdade, já virou um lugar comum. Por que é tão difícil colocar esse discurso em prática?
CG: Em primeiro lugar, para fazer isso é preciso que os quadros da esquerda não façam só a autocrítica pública, mas imprimam um desdobramento prático a autocrítica.
E como fazer esse desdobramento? Os quadros precisam estar dispostos a acolher, em seus aparelhos, sindicatos, centros acadêmicos, diretórios, comissões de fábrica, etc, novos membros, com mais coragem para se apresentarem às bases em nome de um partido ou organização. Porque o que está acontecendo é que a esquerda está envergonhada.
Quando ela vai à base é nos processos eleitorais internos, como uma eleição do sindicato. Fora disso, ela se recolhe e, vamos ser justos também, porque os próprios militantes precisam correr atrás de um ritmo de produtividade imposto pelo capital. Veja, o militante tem que responder ao patrão e também ao partido que também funciona como uma empresa, que estabelece metas para o militante. Ele precisa dar retorno sobre numero de votos, de panfletos distribuídos etc.
Essa numerologia do trabalho do militante, seja o trabalho para o seu patrão do capital ou para o patrão do partido, esvazia de conteúdo efetivo a prática do militante.
A esquerda precisa ser mais humilde, mais disposta a acolher uma diversidade de métodos e de formas de pensar porque a esquerda viciou-se em seu próprio conforto. Qualquer sujeito que critique seus métodos é expurgado. Não basta a autocrítica pública, é preciso acolher a crítica do companheiro.
CC: Como essas críticas são recebidas?
CG: Qualquer um que faz críticas “pela esquerda” à esquerda é visto como alguém que alimenta e favorece a direita. Quando a esquerda perceber que a crítica pela esquerda é algo que faz com que ela avance, ela avançará.










 

sexta-feira, 5 de maio de 2017

BRASÍLIA E AS REBELIÕES - Ricardo Almeida


Cada vez eu aceito mais aquela tese de que Brasília foi projetada para evitar rebeliões.
Fica longe de quase tudo, e aquelas avenidas largas permitem a rápida circulação de comboios.
Se essas decisões arbitrárias - desmonte da previdência pública, reforma escravista e possibilidade de prorrogar as eleições - ocorressem no Rio de Janeiro, não sei qual seria a reação da população local. 
Acho que seria bem diferente de quem mora no Distrito Federal.
Teriam mais possibilidades de fuga da repressão, etc etc.
Mas, trata-se apenas de uma especulação...
Por enquanto, eu só estou sonhando com uma enorme invasão de Brasília.
Assim, como foi a Queda da Bastilha, durante a Revolução Francesa,
ou coisa parecida, ou coisa parecida...
Niemeyer e Lúcio Costa que me desculpem, mas é a minha humilde opinião!

domingo, 30 de abril de 2017

MÚSICA BRASILEIRA - BELCHIOR


BELCHIOR - 1946 - 2017
Durante a trabalhosa tentativa de emplacar seu primeiro LP, umas das várias aparições de Belchior foi no programa intimista "MPB Especial", da TV Cultura, em 02 de Outubro de 1974. Nele, um Belchior ainda muito novo, aberto e relativamente zangado (como no depoimento ao fim do programa), se apresentava ao público através de um diálogo autobiográfico, provando que o novo sempre vem.

sábado, 29 de abril de 2017

sexta-feira, 28 de abril de 2017

CAFÉ AQUÁRIOS

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sábado, 22 de abril de 2017

DIRETAS JÁ !

.A popularidade de Michel Temer não para de despencar. Apenas 5% da população considera o desempenho do presidente ótimo ou bom, ante  14% em outubro do ano passado, revelou uma pesquisa do instituto Vox Populi, encomendada pela Central Única dos Trabalhadores e divulgada em primeira mão por CartaCapital na semana passada.
Na edição que chega às bancas de todo o País nesta sexta-feira 21, a revista apresenta com exclusividade outra dimensão da sondagem: para 78% dos entrevistados, o Tribunal Superior Eleitoral deveria cassar o mandato de Temer pelas supostas irregularidades cometidas pela chapa Dilma-Temer em 2014. Não é tudo: nove em cada dez brasileiros desejam que o novo presidente seja escolhido por eleições diretas, e não pelo Parlamento, como previsto pela Constituição.
Os pesquisadores consultaram 2 mil eleitores com mais de 16 anos, residentes em 118 municípios, de todos os estados e do Distrito Federal, em áreas urbanas e rurais, entre 6 e 10 de abril.  A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos.
Motivos para apoiar a destituição de Temer não faltam. O peemedebista tem promovido um desmonte dos resquícios do Estado de Bem-Estar Social no Brasil, com o congelamento dos gastos públicos por duas décadas e a dilapidação dos direitos dos trabalhadores, um projeto político que jamais passaria pelo crivo do voto popular.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

A CIDADE INVISIVEL - TERMINAL DE ÔNIBUS - P.R.Baptista

Terminal (?) de ônibus na rua Osório. Com as obras de pavimentação da via foram demolidos os precários ali existentes. E lá se vão meses. Como Pelotas não conseguiu ao longo dos anos e dos governos criar um terminal condizente com sua população de 350 mil habitantes, as coberturas existentes nessa via cumpriam ,precariamente como se disse, esse papel. O local destinado para a criação do terminal seria onde se construiu o Shopping Popular que, por sua vez, deveria abrigar os ambulantes.
Deprimente.
A cidade invisível é uma cidade feita por cegos para cegos na qual só se percebem os obstáculos, os perigos e as irracionalidades quando se tropeça neles ou quando caem sobre nossas cabeças

domingo, 16 de abril de 2017

O QUE ESTÁ EM DISPUTA É O PODER SIMBÓLICO - Clóvis Veronez

Ora, a história, caberia lembrar, dialeticamente, é uma sucessão de erros e não de acertos.
Evidentemente é logico reconhecê-los para que se possa avançar ao próximo e inevitável erro. Assim, sucessivamente. Diferente disso é o idealismo fugaz sem qualquer base concreta na realidade.

O que uma parcela da esquerda faz, ao negar a prioridade da disputa eleitoral, é coro ingênuo ao discurso da mais raivosa e perigosa, bélica e ascendente direita de matiz fascista. No Brasil, essa direita saiu da casca, com apoio decisivo da mídia e do judiciário nos movimentos patrocinados para subverter a democracia e depor uma presidenta eleita.
No primeiro momento, tal esquerda, estupidamente, negou a existência de um golpe em curso. No segundo, aliaram-se aos camisas pretas brasileiros, numa cruzada simplória e moralista, enfraquecendo a resistência popular no seu conjunto.
Hoje, outra vez, arvoram-se de uma “virgindade” de consciência, que tira o pé da realidade da luta real que se trava, para contribuir com o objetivo final dos golpistas e suas organizações: liquidar, aniquilar, matar de morte morrida o símbolo de um processo inclusivo sem precedentes na história brasileira. Processo que não negam, mas que no entanto reservam status secundário, preferindo auto alavancar-se na crítica prioritária dos seus erros táticos.
Ora, a história, caberia lembrar, dialeticamente, é uma sucessão de erros e não de acertos.
Evidentemente é logico reconhecê-los para que se possa avançar ao próximo e inevitável erro. Assim, sucessivamente. Diferente disso é o idealismo fugaz sem qualquer base concreta na realidade.
A disputa em curso, neste instante, no Brasil, é essencialmente simbólica.
Vou lembrar, Bourdieu:
“Para descrever as produções simbólicas como instrumentos de dominação, Bourdieu se baseia na tradição marxista que privilegia as funções políticas dos sistemas simbólicos em detrimento da sua estrutura lógica e da sua função gnosiológica. Este funcionalismo explica as produções simbólicas relacionando-as com os interesses das classes dominantes. A cultura dominante contribui para a integração real da classe dominante, assegurando uma integração e uma comunicação entre os membros dessa classe e ao mesmo tempo os distingue de outras classes. Daí surge um importante conceito desenvolvido posteriormente por Bourdieu: a distinção. Pois a mesma cultura que une por intermédio da comunicação é a mesma cultura que separa como instrumento de distinção, que legitima a diferença das culturas exatamente pela distância da cultura em questão em relação à cultura dominante”.
E para que fique claro, vou repetir o final do texto que escrevi pela manhã:
Aos inimigos comuns,
Não bastou afastar Dilma.
Não foi suficiente, atribuir a podridão da cultura politica brasileira, exclusivamente ao PT.
Não chegou, fazer uma múmia traidora presidente.
Nada foi suficiente, o inimigo ainda se move. Ele está vivo e é preciso abatê-lo, expor sua cabeça e tudo o que representa, ao povo. E, isso precisa ser feito antes da eleição.
Vou desenhar:

FONTE: Observatório de Pelotas

sexta-feira, 14 de abril de 2017

O QUE REVELA, VERDADEIRAMENTE, A LISTA DE FACHIN - Clóvis Veronez

Como o tempo passa apressado, estupefatos no presente, muitos podem esquecer dos fatos e desdobramentos recentes.
Diante do que se revela na mega delação da Odebrecht, vale lembrar agora, das marchas ensandecidas dos domingos da Rede Globo e de muitos dos protagonistas da ladainha contra a corrupção cujo resultado, foi a instalação do mais enlameado “desgoverno” da história, num espetáculo deprimente de manipulação e cinismo.
A primeira e mais importante revelação da lista de Fachin é de que houve no Brasil uma conspiração de corruptos, respaldada nas oligarquias da mídia para subverter a democracia brasileira.
A segunda é que tal conspiração teve e tem um objetivo claro: transferir o custo da crise para quem nada tem a ver com ela – aos trabalhadores e aos extratos mais pobres da sociedade.
Terceiro: é que todos devem ser investigados e que as denúncias, até que se comprovem, partem de criminosos interessados em livrar a própria cara. Ouvi dizer, me contaram, imagino, servem apenas a seletividade num jogo inconfesso.
Por último e mais importante: não existirá legitimidade e a paz social necessárias a reconstrução democrática sem a convocação da vontade geral da sociedade pela via de eleições gerais e diretas.
É preciso devolver, ao povo, a soberania
E ao campo popular, fazer perceber, que é preciso construir uma unidade pautada no futuro, na auto critica da sua prática política recente, sem esquecer de reconhecer e preservar a retaguarda dos seus acertos e conquistas pontuais.
Isso, diante da realidade, pode soar ingênuo, ainda que se faça verdadeiro.
Ou isso, ou o risco de permanecer preso na armadilha banal que lhe foi preparada pelo campo do inimigo comum, ou seja: fazer crer, de forma barulhenta, que a política é, irremediavelmente, um espaço contaminado e , com relação a ele, é preciso manter-se cético, alienado e distante.
Mais do que o convencimento ideológico, o campo conservador e os que lhe repercutem, perseguem metas concretas. No seu horizonte, o poto de fuga é a redução da existência e da própria vida ao espaço de uma “livre” disputa no mercado.
Quando miramos o futuro, não há antecipar o desfecho. O que existe, de fato, é um jogo pesado a nos desafiar.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

REDE GLOBO, MEXEU COM UMA , MEXEU COM TODAS- P.R.Baptista

Está circulando nas redes sociais um texto que a juíza federal do Trabalho Roberta Araújo, que o divulga, parece deixar supor que seja a autora.
Mas de fato o texto seria da autoria de Aava Santiago de Goiás.
No momento em que ganhou notoriedade o caso surgido com o ator José Mayer, cabe reproduzi-lo pois coloca um aspecto merecedor de atenção do papel desempenhado pela Rede Globo em criar nacionalmente uma forma de consenso que, conforme diz a autora,  "coisifica as mulheres, naturaliza a violência, os abusos e assédios, incentiva o desrespeito, ridiculariza o papel e a posição da mulher e subalterna nossa dignidade".
A Rede Globo, se formos analisar questões como a do assédio, não mexe só com uma, mexe com todas.
P.R.Baptista

Texto de Aava Santigo
 Queridas, antes de divulgar e exultar com a postura da Globo em “ punir” José Mayer por assédio ou afastar Otaviano Costa do vídeo show por rir de atitude machista do Big Brother lembrem-se de que foi a Globo que universalizou entre nós a cobiça por Anita, apresentada como uma “ ninfeta” ousada que seduzia um homem casado e com idade de ser seu pai.
Foi a Globo que nos apresentou Angel, uma adolescente que permeou o imaginário dos desejos mantendo um ardoroso caso com o marido da sua própria mãe.
Foi a Globo que em Laços de Família envolveu o Brasil na polêmica trama em que a jovem filha rouba Edu, o namorado da mãe, interpretado por Reynaldo Gianecchini.
Foi a Globo que em Avenida Brasil nos trouxe como núcleo de comédia a trama com três mulheres envolvidas com o mesmo homem- o empresário Cadinho – e que declinam da suas vidas e dignidade para se sujeitarem a viver com ele, mesmo após se descobrirem enganadas.
Em Império, a Globo preencheu o imaginário de desejos com a trama do charmoso Comendador que mesmo casado com Marta mantinha um fogoso affair com uma menina mais jovem que sua própria filha.
Foi a Globo que fez o Brasil se divertir com o programa Zorra Total, que tinha em seu quadro principal duas amigas em um vagão, sendo uma delas, a Janete, bolinada de várias formas e tocada em suas partes íntimas com a batuta de um maestro enquanto a sua amiga Valéria , ao invés de defendê-la, dizia: “aproveita. Tu é muito ruim, babuína. Se joga.”
Então queridas, quando essa emissora diz em nota que “repudia qualquer forma de desrespeito, violência ou preconceito” esta em verdade sendo dissimulada e ofensiva por nos considerar alienadas ou parvas. A verdade é que a Rede Globo coisifica as mulheres, naturaliza a violência, os abusos e assédios, incentiva o desrespeito, ridiculariza o papel e a posição da mulher e subalterna nossa dignidade.
São mensagem explícitas e subliminares como as que esta Rede Globo universaliza e crava no imaginário masculino brasileiro que estupram, abusam, ferem e vitimam milhares de Mirellas que habitam entre nós”.