domingo, 20 de maio de 2018

REVISTA CARTA CAPITAL COMENTA A CANDIDATURA DE CIRO GOMES

Interessantes comentários de Mino Carta, diretor da CARTA CAPITAL, revista que tem sido uma referência no pensamento de centro-esquerda no Brasil, sobre CIRO GOMES, candidato presidencial. Para ouvir e pensar.

sábado, 19 de maio de 2018

A PRESENÇA DA TORCIDA XAVANTE, A PRESENÇA INDISPENSÁVEL


Impensável pensar jogos do Brasil em Pelotas e até fora sem presença significativa de sua torcida. A torcida do Xavante pelo número e pela paixão é um diferencial enorme que o clube tem em relação a outros times.
O vídeo mostra, dentre muitos e muitos outros, um desses momentos.
Vale lembrar, nesse jogo, a presença de Diogo Oliveira, um brilhante jogador que faz falta na Baixada. 
Esta noite o Grêmio Esportivo disputa no Bento Freitas jogo muito importante contra o Sampaio Corrêa para se afastar da zona de rebaixamento.
É uma disputa direta porque estão separados por 1 ponto e o Sampaio é o primeiro dentro da zona.
Obviamente fundamental a presença da torcida.
A direção do Xavante mantém, no entanto, a política de ter um dos ingressos mais caros da série B aparentemente como uma forma de pressionar os torcedores para se associarem.
Até agora não parece ter funcionado, o torcedor só compareceu em grande número quando o valor do ingresso foi diminuído .
Além disto, para ajudar a afastar o torcedor do estádio o jogo está marcado para 21 horas.
De onde parte a decisão desses horários esdrúxulos?

NÃO ESTAMOS MAIS SÓS (*)


Pelotas 18 de maio de 2018, nem se passaram 5 dias pós a “comemoração” dos 130 anos da abolição (uma falsa abolição) e a Escola JÁ de Desenho e o Jornal Diário da Manhã, permitem vincular em seu jornal uma propaganda preconceituosa sobre cabelos, dizendo assim: “Cabelo ruim é como assaltante... Ou tá armado, ou tá preso”! Inaceitável permitir esse tipo de propaganda que comunga com esse pensamento de inferiorização dos tipos de cabelos de origem africana, o destinando à categoria “Cabelo Ruim”, em oposição ao cabelo liso do branco! Trazendo à tona um ideal de civilização, justificando assim todo tipo de violência!
É inaceitável e ao mesmo tempo decepcionante visualizar esse tipo de propaganda ofensiva nesse veículo de comunicação que sempre se colocou à disposição dos movimentos sociais e sobretudo do Movimento Social Negro. Contudo dessa fez não houve cuidado, nem respeito a essa grupo étnico-racial que construiu essa cidade com o trabalho forçado dos africanos e seus descendentes!
Basta! Não dá mais para engolir esse tipo de racismo com tapinhas nas costas, dizendo: “Somos a favor da livre expressão”, ou não é de nossa responsabilidade, foi do anunciante!
Basta! Não podemos mais permitir que nossas crianças negras se deparem com esse tipo de publicidade preconceituosa e racista que mantém e propaga esse sentimento de inferiorização!
(*) Ativistas e organizações negras na luta antirracista da cidade de Pelotas

segunda-feira, 14 de maio de 2018

RECITAL DE MÚSICA DE CÂMARA


Evento artístico imperdível.
Programa muito bem direcionado, bem focado, com composições de Beethoven e do casal Schumann.
Um pequeno passo para que tenhamos em Pelotas concertos mais regulares e, eventualmente, um Quarteto de Cordas.
Mas se vive a luta de reerguer a tradição musical na cidade.
Seria um evento para ser realizado num Teatro Sete de Abril restaurado , no Conservatório de Música ou, alternativa perfeita, no excelente auditório do Centro de Artes da UFPel.

P.R.Baptista

USP fazia triagem ideológica de estudantes e professores na ditadura - CARTA CAPITAL

A reitoria da Universidade de São Paulo (USP) mantinha uma agência de informação que fazia triagem ideológica e fornecia dados aos órgãos de segurança para perseguir alunos, professores e estudantes contrários à ditadura civil-militar (1964-1985). 

O registro de parte dessas violações consta do relatório da final da Comissão da Verdade da USP, concluído e entregue ao reitor da universidade, Vahan Agopyan, no final de março. O relatório é composto de 10 volumes, e contém documentos que trazem luz aos fatos ocorridos na época e esclarecem a responsabilidade da universidade nas violações.

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A MAIS TERRÍVEL DE NOSSAS HERANÇAS - Darcy Ribeiro

Apresado aos quinze anos em sua terra, como se fosse uma caça apanhada numa armadilha, ele era arrastado pelo pombeiro – mercador africano de escravos – para a praia, onde seria resgatado em troca de tabaco, aguardente e bugigangas.

Dali partiam em comboios, pescoço atado a pescoço com outros negros, numa corda puxada até o corpo e o tumbeiro. Metido no navio, era deitado no meio de cem outros para ocupar, por meios e meio, o exíguo espaço do seu tamanho, mal comendo, mal cagando ali mesmo, no meio da fedentina mais hedionda. Escapando vivo à travessia, caía no outro mercado, no lado de cá, onde era examinado como um cavalo magro. Avaliado pelos dentes, pela grossura dos tornozelos e nos punhos, era arrematado.

Outro comboio, agora de correntes, o levava à terra adentro, ao senhor das minas ou dos açúcares, para viver o destino que lhe havia prescrito a civilização: trabalhar dezoito horas por dia todos os dias do ano. No domingo, podia cultivar uma rocinha, devorar faminto a parca e porca ração de bicho com que restaurava sua capacidade de trabalhar, no dia seguinte, até à exaustão.

SEGUE >>>

quarta-feira, 9 de maio de 2018

CIRO GOMES, O BRIZOLA QUE O BRASIL NÃO PÔDE EXPERIMENTAR- P.R.Baptista

Aberta a discussão para buscar, dentro da centro-esquerda, a melhor alternativa capaz de viabilizar uma composição vitoriosa na eleição presidencial
Governador do Maranhão e aliado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva(PR), Flávio Dino (PC do B) defendeu que o seu partido, o PC do B, e ainda o PSOL e o PT abram mão de suas pré-candidaturas para apoiar Ciro Gomes (PDT) na eleição para a presidência da República.
A matéria foi publicada na Folha de São Paulo.
Dentro do próprio PT declarações de Jacques Wagner e Fernando Haddad  ( se desconsiderarmos declaração desastrada de Gleici Hoffman ) parecem dar sinais nesse sentido.
Outras fontes sugerem que o PSB, que perdeu uma possível candidatura de Joaquim Barboza, poderia  também integrar essa frente.
Dessa forma Ciro Gomes, que procura se inserir dentro de uma proposta política de resgate da linha de afirmação nacional propugnada por Leonel Brizola e, antes dele, por Getúlio Vargas, ganha pontos importantes na disputa eleitoral. 

VEJA OS COMENTÁRIOS >>>

FONTES:
1) Folha de São Paulo
2) Blog do Rovai

domingo, 6 de maio de 2018

200 ANOS DE MARX - Vladimir Safatle

 Inauguração da estátua de Karl Marx na cidade alemã de Trier (*)

Se me permitem, gostaria de relatar um fato de ordem pessoal. Fiz minha graduação no Departamento de Filosofia da Universidade de São Paulo no começo dos anos 1990. A princípio, aquele era, na época, um dos polos de reflexão marxista na universidade.
No entanto, em quatro anos de graduação não tive um curso sequer sobre Marx, mesmo que tivesse cursos de liberais com John Locke ou ainda Hobbes e Stuart Mill.
Se lembro deste anedotário, é para mostrar como Marx é desconhecido, embora muito falado. Amanhã se completarão 200 anos de seu nascimento, o que é uma boa ocasião para se perguntar quem, de fato, é Marx. Pois é certo que um dos eixos maiores de nossa época diz respeito à distância ou à proximidade que estamos dispostos a tomar de Marx.
O que não poderia ser diferente, já que o século 20 fica simplesmente incompreensível sem entender o quanto suas ideias, assim como as leituras de suas ideias, nos definiram. Dificilmente encontraremos um nome que cause tantos arrepios em alguns e entusiasmo em outros. Sendo pró ou contra Marx, é indubitável que a força de seu pensamento moldou nosso passado recente.
Mas aqui começa o paradoxo. Mesmo sendo fonte de uma força enorme, a discussão de seu pensamento é muito menor do que aparenta. Os clichês (economicista, messiânico, necessitarista, autoritário) são legião. No entanto, certamente um retorno a Marx seria proveitoso para nosso tempo.
Pois a radicalidade da experiência prático-teórica chamada Marx vem, entre outros, da junção entre três níveis de exigências que muitos gostariam de dissociar: uma reflexão sobre a liberdade e seu exercício, uma reflexão sobre a emergência de novos sujeitos políticos e sua força revolucionária, uma crítica implacável à vida possível no interior das sociedades capitalistas e em outras formas sociais incapazes de se fundar em estruturas de exploração e violência. O que Marx mostrou é como nenhum destes três níveis de exigência caminham separados.
Que Marx seja um pensador da liberdade e da emancipação, eis algo que vale sempre a pena lembrar. Sua pergunta fundamental não é apenas pelas condições sociais para a realização da liberdade, já que não posso ser livre em uma sociedade não livre, mesmo que acredite que me exilar em minha interioridade seja possível.
A questão de Marx gira em torno de uma crítica implacável a outros modelos de liberdade, em especial esse no interior do qual liberdade e propriedade estão associados. Pois temos a ilusão de podermos ser livres quando somos proprietários de nós mesmos, quando possuímos a nós mesmos.
A base material, jurídica e política das sociedades capitalistas se encontra na generalização da estrutura da propriedade, até mesmo para as relações a si. Mas uma liberdade sem possessão é a única liberdade concreta real, lembrará Marx.
Essa liberdade exige uma transformação radical dos modos de reprodução material da vida. Ela exige que a atividade humana seja liberada da forma do trabalho produtor de valor, trabalho que faz da atividade uma ação unidimensional, disciplinar e alienante.
Ela exige que as relações à natureza deixem de ser uma possessão para ser um "metabolismo". Ela exige que as relações humanas não sejam mais pensadas como a relações entre proprietários que passam entre si contratos. Ao movimento dessa transformação, Marx dá um nome: comunismo.
Essa experiência comunista, experiência da emergência de um comum que não será posse de ninguém exige a reflexão sobre como sujeitos que não tem mais nada que os vincule à vida mutilada das sociedades capitalistas afirmam seu desejo de transformação e agem de forma revolucionária.
Uma revolução não apenas da estrutura do poder e de sua base econômica, mas da forma do exercício do poder e de desativação da exploração econômica.
Um dos teóricos fundamentais do pensamento econômico pensa, na verdade, em como permitir a emergência de uma sociedade pós-econômica, para além das injunções disciplinares que fizeram da economia a verdadeira forma de produção de subjetividades. O que um retorno a Marx nos permitiria seria repensar a importância de uma experiência comunista para nossa época.
Vladimir Safatle
Filósofo, é professor livre-docente do Departamento de Filosofia da USP (Universidade de São Paulo).

(*) Manifestantes de lados opostos levantaram cartazes e bandeiras que diziam "Abaixo o Capitalismo" e "Pai de todos os ditadores" na inauguração da estátua de Karl Marx na cidade alemã de Trier, neste sábado (5), refletindo o legado ... A escultura de bronze com mais de 5 metros de altura incluindo sua base é um presente da China para marcar os duzentos anos do nascimento do pai do comunismo. Marx passou os primeiros 17 anos de sua vida em Trier, uma pequena vila ao Oeste da Alemanha

sábado, 5 de maio de 2018

BELEZA E ENTROPIA - Tau Golin


Na plasticidade estética e aparentemente equilibrada da natureza existe a força entrópica da desordem. Neste entardecer na enseada do Araçá, na Reserva de Itapuã (Rio Guaíba, Viamão, RS) e sua perspectiva para Oeste, estava contida a tempestade que levou o pânico aos ancoradouros durante a madrugada de primeiro de maio, arrastando embarcações para a praia. Uma noite para jamais esquecer... Poesia e caos!!!

quarta-feira, 2 de maio de 2018

OLÍVIO DUTRA: “O PT TEM QUE FAZER SUA AUTOCRÍTICA, SE EXPLICAR” - Rafael Moro Martins

Foto: Omar de Oliveira /Fotoarena/Folhapress

COM SUA FIGURA mais emblemática no banco dos réus, o PT precisa vir a público admitir os erros que cometeu, que incluem não expulsar figuras que “achavam que poderiam disputar, em esperteza, com as artimanhas da elite tradicional”, afirmou o ex-governador gaúcho e ex-ministro das Cidades Olívio Dutra. O fundador da legenda e um de seus nomes mais respeitados conversou com The Intercept Brasil, nesta segunda-feira, em Porto Alegre, onde participa de manifestações de apoio ao ex-presidente Lula.

Crítico contumaz das direções recentes do partido, Dutra crê que os problemas legais e éticos enfrentados pelo petismo nos últimos anos se devem, fundamentalmente, ao descolamento entre as bases do partido e seus dirigentes.

“Fizemos concessões a um tipo de política em que as negociações de cúpula valem mais do que o envolvimento do povo”, lamentou. “E não teríamos entrado nesse funil em que estamos. Ele também disse ver com preocupação o domínio cada vez maior da figura de Lula sobre o partido — a ponto de caciques da legenda dizerem que não há alternativa à candidatura dele à presidência em outubro. “O partido, que é uma construção coletiva, passa a ficar dependente ou coadjuvante nesse processo”, afirmou.

Aos 76 anos, Olívio Dutra é um político sui generis para os padrões brasileiros. Desloca-se de ônibus por Porto Alegre, mesmo em dias agitados como essa segunda, quando a cidade começou a receber caciques de todo o país para o julgamento do recurso de Lula contra a sentença em que foi condenado a nove anos e seis meses de prisão pelo juiz federal de primeira instância Sérgio Moro. A Curitiba, para o primeiro depoimento a Moro, no ano passado, Lula viajou num jato particular que pertence ao ex-ministro Walfrido dos Mares Guia, enroscado no escândalo do mensalão tucano em Minas Gerais.

Olívio Dutra participou da fundação do Partido dos Trabalhadores, em 1980, um ano depois de ser preso pela ditadura militar por comandar uma greve de servidores públicos gaúchos – à época, ele presidia o sindicato dos bancários do estado. Ele foi prefeito de Porto Alegre (1989 a 93), governador do Rio Grande do Sul (1999 a 2003) e ministro das Cidades (2003 a 2005).

THE INTERCEPT BRASIL Lula será julgado nesta quarta-feira na segunda instância num processo em que já foi condenado por Sérgio Moro a nove anos e meio de prisão, pela alegada posse de um apartamento tríplex. Também responde a processos por conta de um sítio em Atibaia, um terreno para o Instituto Lula e um apartamento em São Bernardo. Tudo isso, segundo a acusação, foi presente de empreiteiras. O senhor acha que Lula é inocente?

OLÍVIO DUTRA Eu acredito na imparcialidade do Judiciário. Mas quem tem que comprovar essa imparcialidade é o próprio Judiciário. Toda decisão que vier tem que ter provas, e não suposições. Estamos aqui para dizer que uma parcela significativa do povo brasileiro não está satisfeita com a maneira como estão funcionando os três poderes. Nenhum deles está funcionando na maneira de um estado de direito, democrático.

O Judiciário está usando de parcialidades, de subjetividades, até de preconceitos, que são próprios da elite brasileira, para buscar enquadrar o Lula em crimes.
Lula é uma liderança, construída ao longo de décadas. Penso que essa liderança, evidentemente, tem que responder muita coisa, e ele não está fugindo de responder isso, está no campo de batalha. Para mim, Lula tem evidentemente uma enorme simbologia, surgiu do interior da classe trabalhadora, chegou à Presidência, fez um governo de transformações importantes, inclusão social enorme, ainda que tenha mantido as estruturas, — reforma política não houve, reforma tributária não houve, reformas agrária e urbana não aconteceram. O Judiciário está usando de parcialidades, de subjetividades, até de preconceitos, que são próprios da elite brasileira, para buscar enquadrar o Lula em crimes. A sociedade tem que exigir provas concretas. Ou não se tem confiança [numa sentença judicial]. O Judiciário não pode viver numa redoma de vidro, numa sociedade democrática. Democracias mais consolidadas têm setores do  Judiciário eleitos pelo voto dos cidadãos. Se falar nisso no Brasil, dizem que é uma agressão à democracia. A qual democracia? As elites brasileiras têm a democracia como algo que pode ou não ser do seu interesse.

O PT não é o partido do Lula, não é o partido do Olívio. É um projeto coletivo.

TIB Numa entrevista à Rádio Gaúcha, em 2016, o senhor disse o seguinte: “Não adianta querer dizer que não [aconteceram mensalão e petrolão], culpar o adversário, a grande mídia. Tudo isso existiu sim”. Mas não é exatamente nessa linha de negação desses episódios que vai a defesa do PT e de Lula? Não falta autocrítica ao PT?

Dutra Houve pessoas, no PT, que achavam que estavam construindo um poder que poderia disputar, em esperteza, com as artimanhas da elite tradicional, com seus partidos históricos, que sempre usaram e abusaram do espaço público para satisfazer interesses pessoais. O erro do Partido dos Trabalhadores foi sua direção não ter separado essas condutas individuais do projeto coletivo. O PT não é o partido do Lula, não é o partido do Olívio. É um projeto coletivo. Que vai para o governo, e não para governar sozinho. Tem que compor, numa realidade que não depende da vontade do governante, mas de conjunturas, e o partido não discutiu essa realidade com sua própria base, e muito menos com o conjunto da sociedade. E foi se deixando envolver nessa malha. Ele precisa dizer isso, publicamente, evidente que sim. Ainda não disse o suficiente.

TIB Que pessoas são essas, do PT, a quem o senhor se referiu?

Dutra Eu não sou de nominar, fulanizar a política. Mas é evidente, está ali, não preciso ser eu a apontar o dedo. Mas tem problemas, ou não estaríamos nessa situação. O impeachment não foi porque a Dilma cometeu erros, roubou, tem conta no exterior, acumulou riqueza. Foi uma urdidura que se montou por cima de alguns argumentos de que figuras do PT se envolveram em coisas não claras, de que a política tradicional é useira e vezeira, e a elite aproveitou-se disso para dar o golpe de agosto de 2016.

TIB Quais são os erros que trouxeram o partido à situação em que ele está agora?

Dutra Não sou o juiz do PT. Até estranho, por que a fixação no PT?

A conduta do PT poderia ter sido melhor. Se avançou bastante [nos governos petistas], mas no fazer se imitou muito a conduta de quem nós sempre condenamos.

TIB Porque o PT surgiu e cresceu com a promessa de que seria diferente da velha política brasileira.

Dutra A conduta do PT poderia ter sido melhor. Se avançou bastante [nos governos petistas], mas no fazer se imitou muito a conduta de quem nós sempre condenamos. Portanto, o PT tem sim que fazer sua autocrítica, se explicar, mas isso se faz no campo democrático. Também temos que lutar para que a democracia não se estreite, para que quem deu o golpe em 2016 não comece a criminalizar os movimentos [sociais], para não ter o Estado como uma cidadela dos interesses dos poderosos. Os partidos políticos são importantes numa democracia, deveriam ser escolas de formação política permanente, não apenas para ensinar, mas também para aprender. E não são.

TIB Falando no papel dos partidos: tem se falado em eleições com candidatos independentes, sem filiação partidária. O senhor acredita nisso? Os partidos são instituições ultrapassadas?

Dutra Os partidos precisam ter uma estrutura democrática para falar em democracia. Grande parte dos partidos, historicamente, no Brasil, surgiu de cima para baixo. O PT, não. Surgiu de lutas sociais num momento crucial da história brasileira. Portanto, tinha o compromisso de não retroceder.

Fizemos concessões a um tipo de política em que as negociações de cúpula valem mais do que o envolvimento consciente dos amplos setores populares. 

TIB Retrocedeu?

Dutra Fizemos concessões a um tipo de política em que as negociações de cúpula valem mais do que o envolvimento consciente dos amplos setores populares. A solução do problema democrático no país não é estreitar os espaços até aqui conquistados, mas radicalizar, ampliar a participação consciente do povo. Tínhamos o orçamento participativo, por exemplo. O partido tinha que ter mantido essa orientação e essa prática. Os partidos políticos não devem ser mesas de negociação, de toma lá, dá cá, de ocupação de cargos ou aproveitamento de espaços públicos. As direções partidárias têm o dever de aprender com as bases partidárias, os movimentos sociais, a sociedade brasileira.

TIB Seu diagnóstico é de que o PT se afastou das bases, virou um partido como os outros, e precisa retomar o contato com as bases. Como se faz isso?

Dutra  As bases do PT nunca se entregaram totalmente a essa visão verticalizada, das coisas decididas de cima para baixo. O PT surgiu questionando a ideia de uma direção partidária que é onde os deuses se encontram e de lá baixam suas ordens. O PT poderia ter ido mais longe do que foi na forma de fazer política, mas enfrentou conjunturas que independem da vontade do governante. Estamos devendo muito, ainda, para a nossa base e a sociedade. Mas isso não nos faz merecer o sal da terra e muito menos ficar nos chicoteando a toda hora. O partido é um ser vivo, um projeto coletivo.

É um problema que, a meu ver, não está solucionado, [ter] uma figura importante como Lula como para-raio de tudo que acontece
TIB Mas não está individualizado, nessa obsessão pela candidatura presidencial de Lula?

Dutra Esse é um problema sério, em toda a América Latina, a ideia de pessoas que incorporam e passam a ser um símbolo quase isolado, tanto pela direita quanto pela esquerda. É um problema que, a meu ver, não está solucionado, [ter] uma figura importante como Lula como para-raio de tudo que acontece, e o partido, que é uma construção coletiva, passa a ficar dependente ou coadjuvante nesse processo. Não é [uma situação] exclusiva do PT.

TIB Nas eleições de 2016, tivemos uma abstenção recorde, principalmente entre os jovens. Como a política faz para se reconectar com esse público?

Dutra Não é tarefa de um partido, de meia dúzia de partidos. É uma questão cultural, de conscientização. Mas a elite brasileira não pode ser a condutora disso, ela é o problema, não é a solução. Há quem propõe a não obrigatoriedade do voto…

TIB O senhor concorda?

Dutra Acho que é um processo. E não é o momento, ainda [para isso]. E é bom lembrar que na Venezuela o voto não é obrigatório, e a direita aqui condena a Venezuela, por várias razões, algumas até que se justificam. Tem havido eleição quase todo ano na Venezuela, mas isso por si só resolve, garante uma democracia estabilizada? Não. Tem questões sociais, culturais, que têm de ter sujeitos coletivos capazes de fazer os desdobres, a qualificação democrática. Nos Estados Unidos, Trump, o presidente perdeu no voto popular. Não existe democracia que não precise ser aperfeiçoada.

TIB Está na moda, nesse momento de crise do sistema político-partidário, falar em refundação dos partidos. Se fosse para refundar o PT, em que bases isso teria de se dar? Quais as diferenças em relação ao PT atual?

Dutra Primeiro que eu não simpatizo com a ideia de refundação. As fundações de um prédio às vezes, conforme o movimento das placas tectônicas embaixo, precisam ser reforçadas. Um partido é um corpo vivo, precisa ser sempre questionado por suas bases.

Um partido que não surgiu de cima para baixo, tinha e tem a obrigação de levantar a política como construção do bem comum
TIB Então refaço a pergunta dessa forma: as queixas das bases, no PT, tem a atenção da cúpula?

Dutra Evidente que não. Se estivessem ecoando o suficiente, não teríamos entrado nesse funil em que estamos. Houve uma postura de [decisões impostas] de cima para baixo, por contingências as mais variadas, explicações as mais diversas. Temos que tirar essa lição. As relações com a base não podem ser passageiras, episódicas, eleitoreiras. Têm que ser permanentes. Assim como queremos para a sociedade; não queremos que o cidadão seja um cidadão ocasional, eventual. Um partido que não surgiu de cima para baixo, tinha e tem a obrigação de levantar a política como construção do bem comum, e não simplesmente se mobilizando em ocasiões eleitorais, para disputar cargos. A construção do bem comum é muito mais que isso. Luto para que o PT retome seu caminho, para que o povo o corrija.

TIB Quando liguei para o senhor para avisar que já estava aqui, o senhor estava a caminho, no ônibus. Não é uma situação comum a dirigentes de outros partidos, inclusive de esquerda, do PT. A proximidade com o dinheiro, com grandes empresas, empreiteiras, que a Lava Jato transparece, estragou o PT?

Dutra Há vários ditados populares, que dizem que o coração está onde está o dinheiro, que têm que ser negados na prática. Tem a frase, acho que do [ex-secretário de Estado dos EUA durante os governos de Richard Nixon e Gerald Ford Henry] Kissinger, de que o poder é afrodisíaco. Tem a história da mosca azul, de quem chega a um cargo e passa a se achar mais importante que o próprio cargo – aliás, o Frei Betto tem um bom livrinho sobre essa questão (rindo). [Se refere a “A mosca azul“, lançado em 2006, logo após o auge do Mensalão, em que o frei dominicano analisa o que era então a maior crise vivida pela esquerda brasileira]. É bom ler (ainda rindo). Tem sempre essa contradição na vida. O ser humano não é um anjo.

Foto em destaque: João Pedro Stédile (à esquerda), Olívio Dutra e o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) participam de Marcha do MST a favor do ex-presidente Lula em Porto Alegre.

FONTE >>>  The Intercept Brasil

terça-feira, 1 de maio de 2018

TEMER, O FORAGIDO


Temer definitivamente está muito mal assessorado e, tampouco, está atualizado com o noticiário.
Pois deveria saber que sua popularidade é a menor que se tem notícia na política brasileira.e deveria evitar lugares públicos nos quais não esteja devidamente isolado da população..
Mas, ao contrário, achando que seu governo está agradando, jogou-se a ir ao local do incêndio em São Paulo.
O resultado foi lamentável.
Sob vaias ainda declarou : "Eu não poderia deixar de vir aqui, sem embargo dessas manifestações, porque, afinal, eu estava em São Paulo e ficaria muito mal eu não comparecer aqui para dar exatamente apoio àqueles que perderam, enfim, suas casas".
Mas após brevíssimas palavras aos repórteres presentes teve que se retirar às pressas pois, do contrário, seria linchado.
São os desdobramentos do golpe.

UMA SEMANA COM TEATRO

Grupo Oi Nóis Aqui Traveiz-  oto Pedro Lucas
QUARTA - 19h
Ói Nóis Aqui Traveiz
Evocando os mortos
Sala Carmem Biasoli, UFPel

SEXTA-  20 h
Cia.Marginal do Rio de Janeiro
Eles não usam tênis naique
Auditório IFSul

sábado, 21 de abril de 2018

EM NOME DA POLÍTICA DECENTE, MOMENTO HISTÓRICO


Ao lado de Marina repaginada o candidato Aécio fala em nome da política decente e de um projeto de todos os brasileiros.
À direita um vulto que parece ser Pedro Simon e Beto Albuquerque um dos articuladores dentro do PSB a apoiar o impeachment.    

LUIS ROBERTO BARROSO DEIXA CLARO O QUE PENSA DE AÉCIO



"Há 650 mil presos no sistema penitenciário brasileiro, poucas pessoas estão presas com tanta prova quanto havia nesse caso, poucas..."

sexta-feira, 20 de abril de 2018

A DECADÊNCIA DAS CIÊNCIAS HUMANAS - Carlos Adriano Ferraz

Em uma aula, na semana passada, fui inquirido por um aluno: “Professor, o senhor sabe que há um projeto que pretende eliminar vários cursos nas universidades públicas, inclusive o curso de filosofia?”.

Imaginei que em algum momento, inevitavelmente, essa questão surgiria em alguma de minhas aulas. Ela expressa uma preocupação legítima, especialmente motivada por dúvidas sobre o futuro campo de trabalho desses estudantes que estamos formando.

Há outras razões também, mas essa me parece uma das mais presentes nas conversas entre os estudantes. O interessante é que essa questão me foi colocada no exato momento em que aqui na UFPEL uma professora do curso de história foi às redes sociais para conclamar seus simpatizantes a hostilizar, agredir e, inclusive, matar todos os que não se alinham à sua ideologia (de esquerda: aquela que sustenta o suposto “golpe de 2016” e a “prisão política” de sua deidade, o hoje justamente encarcerado Lula).

Aos olhos dela e dos seus pares, todo aquele que não concorde com eles é “fascista”. Esse é um termo geral que eles usam para ‘liberais’, ‘conservadores’, ‘estudantes que realmente se dedicam aos estudos e se preocupam com o futuro’, ‘professores que preparam suas aulas com diligência’, ‘trabalhadores preocupados em pagar suas contas no final mês’, ‘empreendedores’, etc.

Quando não usam o termo ‘fascista’ eles usam um termo mais edulcorado: ‘coxinha’. A escolha do termo, penso, reflete seu grau de ódio em um dado momento. Mas mesmo no uso que eles fazem do termo há uma imprecisão. Não creio que eles próprios tenham clareza sobre o que exatamente pretendem denotar com esse conceito de ‘fascista’. A motivação deles é apenas agredir o adversário. Portanto, demandar alguma coerência deles, mesmo que conceitual, é perda de tempo. E cabe notar que o próprio termo é historicamente “vago”, como deixa claro um dos mais eruditos estudiosos desse conceito, Stanley George Payne.

Mas para a referida “professora” e seus pares o termo serve, em qualquer ocasião, para atacar aquele que não concorde com o que eles sustentam, algo que em lógica é conhecido como falácia ad hominem: se não posso atacar o argumento do oponente, então o ofendo atacando sua pessoa. E o uso que ela e seus pares fazem desse termo visa causar um efeito emotivo. Afinal, não parece bom algo (nesse caso, alguém) que possa ser chamado de “fascista”, não é mesmo?

Logo, esse é um termo que eles “tiram da manga” como um trunfo, dado não terem algo mais adequado para oferecer, como argumentos, por exemplo. Mas prosseguindo na descrição da manifestação da referida professora, ela segue sua incitação ao ódio (à agressão, ao assassinato) declarando:

“quero arrebentar um fascista a pau” ... “recomendo em fascistas só avoadora na cara, nos peitos, nas bolas, na alma... fascistas tem de morrer um a um... e me inscrevo para essa missão... tô de saco cheio de pacifismo e bom comportamento... morte aos fascistas”.

Essas são algumas das “pérolas” da referida professora. Não parece ser algo escrito por alguém que leciona em uma universidade. Mas é uma professora de história. Ou seja, estamos nas humanidades. E esse é precisamente o ponto.

Tendo isso em mente, respondi ao aluno que minha posição sobre o fim do curso de filosofia (e dos demais cursos referidos) era paradoxal. Em primeiro lugar, e mais importante, considero que as ‘Humanidades’ são parte fundamental, o principal pilar, das universidades. Mas estou falando, aqui, dos fundamentos da universidade.

Em uma breve incursão histórica identificamos os princípios que estimularam o surgimento e desenvolvimento das universidades na Europa Medieval. Vemos como as escolas, associações, corporações de ofícios, se transformaram nesse patrimônio de valor incomensurável para a humanidade, a saber na Universitas Magistrorum et Scholarium.

E vemos, também, que ela surge ligada às Ciências Humanas, que à época eram, de fato, Humanidades, diferentemente das “desumanidades” de hoje. Nesse sentido, elas estavam preocupadas (as universidades e Humanidades) com a formação humana. Entendia-se que a nossa plena realização humana envolvia formação. Por essa razão algumas “artes” surgiram, foram sistematizadas e desenvolvidas, como as “artes liberais” (Trivium e Quadrivium), descendentes da anterior ideia de Paideia, a qual remonta a autores gregos antigos como Pitágoras e Platão.

Não apenas isso, a universidade surge preocupada com a ‘Verdade’ (bem como com o ‘Bem’, com a Moral’, com a ‘Sabedoria’, etc), algo presente em muitos lemas de universidades centenárias, por exemplo na Europa e nos EUA. Lemas como “Veritas - Iustitia – Libertas”, “Die Wahrheit wird euch frei machen”, “Wissen schafft Brücken”, “In publica commoda”, “Treveris ex urbe Deus complet dona sophiae”, “Pour la Patrie, les Sciences et la Gloire”, “Amica veritas”, “Veritas et Justita”, “Sapientia Et Scientia”, “Veritas”, “Lux et veritas”, nos mostram precisamente os pilares sobre os quais foram erigidas as universidades, as quais brotaram da preocupação com tais valores expressos em seus mottos.

Não apenas isso, elas assoalharam o caminho para a civilização. Assim, o desenvolvimento das “artes liberais” no medievo foi uma forma de resgatar a ideia Greco-romana de Paideia, de ‘formação’.

Por essa razão são fomentadas aquelas “artes” que, segundo autores como Agostinho, aperfeiçoam a civilização (primeiramente aprimorando o indivíduo). Não apenas isso, as sete “artes liberais” (gramática, lógica e retórica, no Trivium, aritmética, geometria, música e astronomia no Quadrivium) tornariam o indivíduo livre. Dessa forma, não se trata de apenas um uso instrumental dessas “artes”. O propósito é, em certo sentido, mais abstrato: tornar-nos livres e mais humanos (o que nos conduz à felicidade, entendida aqui em um sentido aristotélico/tomista, isto é, como “plena realização humana”). Essa formação seria essencial à formação universitária.

Portanto, a formação nas “artes liberais” envolve, em grande medida, o desenvolvimento de nossas habilidades cognitivas e morais. Somente após desenvolvermos essas habilidades estamos prontos para a formação universitária.

Todavia, desafortunadamente, “Verdade” (como os demais conceitos que outrora inspiraram o surgimento das Universidades) passou a ser um termo assignificativo, vazio, e, mesmo, “politicamente incorreto”, especialmente em uma cultura acadêmica que fomenta o relativismo (sobretudo, e ironicamente, nas humanidades). Tais conceitos hoje repousam quase exclusivamente em seus lemas, não servindo mais como inspiração para o que se faz no interior dessas “universidades” (especialmente nas “humanidades”).

Isso faz parte da degenerescência das humanidades e, hoje, também da universidade de maneira geral, embora algumas áreas estejam, apesar de tudo, avançando no progresso de suas pesquisas. Aqui na UFPEL destaca-se a pesquisa na área da Epidemiologia, por exemplo, a qual é referência internacional, dada sua seriedade e preocupação com a Verdade.

Com efeito, a exortação ao ódio, à agressão e ao homicídio, no caso da tal professora de história, só é possível (com a leniência institucional da própria UFPEL, sob o título de “liberdade de cátedra” ou “liberdade acadêmica”) porque estamos em um processo de decadência intelectual e moral há décadas.

É somente porque a própria instituição está decaída que algo assim ocorre nela e é aceito, inclusive, pela administração superior (embora certamente a maioria dos estudantes e professores repudie tal ato: o senso moral é, afinal, parte do senso comum). Há muito tempo a universidade e as humanidades estão distantes de seus fundamentos, especialmente essas últimas.

E isso me leva ao outro aspecto de minha resposta ao aluno. Se por um lado eu defendo a importância das Humanidades na universidade, por outro compreendo as iniciativas para se eliminar tais cursos.

Embora esteja em um curso que seria afetado diretamente por tal medida, me sinto impelido pelo bom senso a conceder aos nossos algozes que eles estão certos em considerar que há desperdício de recursos públicos e tempo nas humanidades. E isso não apenas pelas universidades, mas, mesmo, por agências de fomento. Exemplos?

Em 2014 houve alguma repercussão nacional do desfecho de um evento realizado, com recursos públicos, na Universidade Federal Fluminense (UFF), intitulado “Corpo e resistência — 2º seminário de investigação & criação”.

O “evento” foi encerrado com a festa “Xereca Satânik”, na qual, dentre as diversas bizarrices ocorridas, uma militante feminista costurou a vagina após enfiar em seu interior uma bandeira do Brasil.

Além disso, temos teses e dissertações (muitas com fomento estatal) que vão desde a trajetória intelectual de Mano Brown (Unicamp), passando pela discussão das “interações homoeróticas em banheiros públicos” (UFBA), até a “grande pensadora contemporânea Valesca Popozuda” (UFF).

Basta uma breve visita a repositórios de dissertações e teses na área das humanidades, e isso nas diversas universidades (especialmente nas públicas), para que tenhamos uma ideia do atual estado de coisas. O princípio adotado nesse tipo de dissertação e tese é claro: quanto mais agressivo à inteligência e ao senso moral (e, mesmo, estético), tanto melhor. Não surpreende que isso tenha efeito na avaliação de nossas pós-graduações. Na avaliação realizada pela CAPES referente ao quadriênio 2013-2017 todas as áreas tiveram um crescimento em programas de pós-graduação de excelência, exceto as humanidades (na área de ciências humanas).

A área das “ciências” (termo que muitas vezes lhe é atribuído meramente por mera cortesia) humanas o crescimento foi “zero”. Enquanto as ciências exatas, a física, a biologia, crescem, decrescem as humanidades. Trata-se da mais abjeta estultificação dos estudantes, que são diuturnamente colocados sob discursos que vão contra seu bom senso e sua bússola moral. E tudo isso em nome de algumas ideologias e posições político-partidárias. Por essa razão abundam atualmente eventos, disciplinas, etc, sobre ‘ideologia de gênero’, ‘construção do saber” (como se não houvesse Verdade), e, é claro, sobre o suposto “golpe de 2016”, um tema mais na moda no atual momento.

Sem entrar no mérito do tema, o que demandaria profundo conhecimento não apenas de filosofia política, mas de direito constitucional e de outras questões atinentes ao caso e seu desdobramento na Câmara dos Deputados e no Senado Federal (muito desse processo, aliás, está descrito em Impeachment - O julgamento da presidente Dilma Rousseff pelo Senado Federal, editado em 2016 pelo Senado Federal e disponível em seu site) eis um exemplo de como “construir uma narrativa” sem qualquer preocupação com os fatos, sem qualquer honestidade intelectual.

Aqui na UFPEL, tal como está ocorrendo em outras IES, haverá um seminário sobre o tema. E ele foi intitulado justamente “O Golpe de 2016 e o Futuro da Democracia no Brasil”. Trata-se um típico evento panfletário. Aliás, curiosamente a referida professora “natural Born killer” vai participar do evento. Pergunto-me o que ocorreria se alguém decidisse participar e questionar a tese/ “narrativa” (infundada: se ela possui algum fundamento eles ainda não o apresentaram) do “golpe”.

Receberia uma “voadora” “na alma”, “nas bolas”? Seria morto? Aliás, basta vermos a programação para percebermos que o tal seminário reproduzirá o tradicional discurso sobre os males do capitalismo, da malignidade do pensamento liberal, da ardilosa conspiração das “elites”, bem como, não poderia faltar, vão discutir também questões de gênero, direitos dos povos indígenas, imperialismo estadunidense e roubo de nossas riquezas naturais, etc.

Não tenho dúvidas de que vão também defender e enaltecer a “democracia”, o “pluralismo”, a “inclusão”, os quais, aliás, não se aplicam àqueles que não comungam de suas posições. Quase todos os temas clássicos, e já nauseantes, do universo das (des)humanidades estarão lá. E tudo sob a ideia geral de um “golpe”, o qual já está assumido como dado sem necessidade de qualquer justificação. Trata-se de um dogma já assimilado. Afinal, justificar tal tese demandaria estudo, pesquisa. Logo, é mais cômodo assumir a tese que se quer, independentemente de se ela se fundamenta ou não, e, então, “construí-la”.

E tal evento foi justificado, inclusive, pela administração da UFPEL, em nome, novamente, da “liberdade de expressão”, o que aponta para um total desconhecimento do que seja “liberdade de expressão”.

Aliás, essa ideia (“liberdade de expressão”) tem sido usada como um mantra que não denota coisa alguma (sendo, aqui, um pseudoconceito - assignificativo) especialmente quando são defendidas ideias de Esquerda (notem que tal direito não vale, por exemplo, para os estudantes da tal professora, os quais teriam causado tanto ódio nela em virtude de simpatizarem com ideias liberais e não considerarem que houve “golpe” em 2016. Eles cometeram aquele “crime” descrito no livro “1984”: um Thoughtcrime).

Mas em sua longa história, a qual podemos remontar à antiguidade grega, a ideia mesma de liberdade de expressão sempre esteve ligada a outras ideias fundamentais: “busca pela verdade” e “responsabilidade”. Noutros termos, temos, sim, liberdade de expressão. Mas temos esse direito em nossa “busca pela verdade” (a qual não é simplesmente o que gostaríamos que fosse o caso: muitas vezes a verdade conflita com o que queremos), e a ela está conectada a “responsabilidade” pelo que dizemos. Isso exclui, obviamente, discursos de ódio, como o da citada professora.

Há, pois, uma diferença entre um discurso de ódio e o uso da liberdade de expressão. Uma coisa é usarmos nossa liberdade de expressão para argumentarmos contra o sistema de cotas raciais, por exemplo. Outra coisa bem diferente é discursarmos em defesa da escravidão, do racismo. Apenas um psicopata não vê a diferença, tal ocorre quando é demandada a morte daqueles cujas ideias não se aceita (repudiando o “pacifismo”, nos termos da própria professora).

Nesse caso, da psicopatologia, não se pretende combater ideias, mas causar a morte daqueles que as possuem e defendem. Isso é psicopatologia pura e simples, o que aponta não apenas para a corrupção de algumas mentes, mas também das instituições que sustentam essas mentalidades.

Tais indivíduos e, eventualmente, instituições, seguem rigorosamente alguns princípios que encontramos em “1984”, de George Orwell: “He who controls the past controls the future. He who controls the present controls the past.” “War is peace. Freedom is slavery. Ignorance is strength.”

Trata-se de simplesmente criar uma narrativa e torná-la aceitável .. assentá-la no imaginário popular, especialmente do acadêmico (que acabará influenciando o senso comum em algum momento. Trata-se, como podemos depreender das palavras da tal professora, de incitar ao ódio e à violência como forma de gerar a paz ou algum outro bem (nos termos de Orwell esse é o “duplipensar”: “Doublethink means the power of holding two contradictory beliefs in one’s mind simultaneously, and accepting both of them”).

Notem que boa parte desses cursos - licenciaturas - forma professores. Qualquer ideia que se oponha a certas teses configura um “Thoughtcrime”: um crime de pensamento. Esse é o “delito” do suposto “fascista” (ou “coxinha”). Ele comete um Thoughtcrime. E logo será objeto de perseguição pela Thinkpol (Thought Police), a “polícia do pensamento”. Nesse momento parece, pelas palavras da dita professora e seus seguidores, que tal crime deve ser passível de pena capital (a qual, curiosamente, eles consideram – e nisso estamos em acordo – não se aplicar a criminosos homicidas).

Assim, as Humanidades, que pavimentaram o caminho para o avanço civilizatório, são, hoje, ironicamente, a causa de retrocesso nesse processo civilizatório. Em verdade, hoje elas colocam em risco os pilares da civilização ocidental, tendo já causado diversas rachaduras em seus pilares.

Assim, os acontecimentos nessas áreas nas últimas décadas deveriam servir para que resgatássemos, e reafirmássemos, os seus fundamentos. Voltemos aos clássicos, ao que é perene, às “artes liberais”, voltemos aos pilares da civilização. Ou fazemos isso ou nos aprofundaremos na barbárie vigente.

Tal aprofundamento na barbárie me faz considerar que o fim das “humanidades” pode ser a salvação da Humanidade. Ou o adiamento de seu fim. Dito de outra maneira, ou esses acontecimentos nos conduzem a uma reflexão imparcial ou as humanidades se tornam indefensáveis. Eis em que consiste o caráter paradoxal de minha opinião.

* Carlos Adriano Ferraz é professor do Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), sendo também coordenador adjunto do Programa de Pós-Graduação em Filosofia na mesma Instituição. Doutor em Filosofia pela PUC-RS, fez estágio doutoral junto ao Programa de Pós-Graduação em Filosofia da State University Of New York (SUNY). 

Fonte: Gazeta do Povo 

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domingo, 15 de abril de 2018

VILLA LOBOS - Prélude n.3


Young British Guitarist Alexandra Whittingham plays Heitor Villa-Lobos' Prelude No. 3.
Filmed in the Medeival town of Puy-l'Eveque, South-West France.

quinta-feira, 5 de abril de 2018

Anistia Internacional repudia declaração de General Villas Boas

A Anistia Internacional divulgou uma nota de repúdio às declaração do comandante do Exército, o general Villas Boas. Para a organização, a fala do militar é uma "afronta à independência dos poderes", além de sinalizar uma ameaça ao estado democrático.

A Anistia lembra que já havia manifestado sua preocupação com o uso das Forças Armadas como política de segurança pública. Ela lembra que a impunidade aos militares, que cometeram crimes durante a ditadura civil-militar, estimula a violência dos agentes do estado nos tempos atuais.

Além disso, a organização diz que Villas Boas foi contraditório ao se dizer "contra a impunidade", já que defendeu a não instauração de uma nova Comissão da Verdade durante a intervenção no Rio, que possivelmente investigaria os crimes cometidos pelo Exército.

Na véspera de julgamento do habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quarta, o general faz declaração nas redes sociais que repudia "a impunidade". Ele disse também que o Exército está ainda "atento às suas missões institucionais", sem detalhar a expressão.

Leia o texto na íntegra:

A Anistia Internacional vem a público manifestar seu repúdio às declarações do Comandante do Exército General Villas Boas. As declarações do General são uma grave afronta à independência dos poderes, ao devido processo legal, uma ameaça ao estado democrático de direito e sinalizam um desvio do papel das Forças Armadas no Brasil.

A Anistia Internacional já havia manifestado sua preocupação com o crescente uso das Forças Armadas como política de segurança pública. O avanço do militarismo através das operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) e, mais recentemente, com a intervenção federal no Rio de Janeiro são uma ameaça crescente ao estado democrático de direito.

Esse contexto foi agravado diante de declarações das Forças Armadas de que precisavam de garantias legais para atuarem em ações de segurança pública sem que fossem julgados em tribunais civis por ilegalidades ou abusos cometidos. Ainda, a aprovação e sanção da Lei 13.491/2017, que entrou em vigor dia 16 de outubro de 2017, transferiu para a justiça militar os crimes cometidos por militares contra civis em operações de GLO. Esse foi já um passo assegurado pelos militares para garantir impunidade por crimes que possivelmente já tinham a intenção de cometer.

Não obstante a aprovação da Lei 13.491/2017, o General Villas Boas afirmou ainda que os militares precisavam de garantias de que não haveria uma nova "comissão da verdade" no futuro. Tal afirmação revela novamente a predisposição das Forças Armadas a alimentar o ciclo de impunidade, já que possíveis graves violações de direitos humanos ficariam sem julgamento.

Cabe lembrar ainda que a impunidade dos graves crimes e violações de direitos cometidos pelas forças armadas é uma das feridas abertas na histórias recente brasileira. O Brasil nunca julgou ou responsabilizou os militares e agentes do estado que cometeram execuções, desaparecimentos forçados, tortura, estupros, e todo tipo de violações durante o regime militar.

A impunidade dos crimes cometidos pelos militares e agentes do estado no passado alimenta e estimula a violência dos agentes do estado e militares no presente.

Este é um momento crucial na história do país. A Anistia Internacional se posiciona fortemente contra o militarismo, contra o desvio de função das Forças Armadas e abuso do uso da força, contra a impunidade das graves violações cometidas pelos agentes do estado. A sociedade brasileira precisa se posicionar a favor do estado democrático de direito, do devido processo legal e da garantia dos direitos humanos.

FONTE >>>>

quinta-feira, 29 de março de 2018

HUMOR

.- O que achas de experimentar um novo jogo?
Tu tens que adquirir riquezas e lutar contra forças diabólicas penetrando num mundo estranho e misterioso

- Velho, isto parece genial! 

segunda-feira, 26 de março de 2018

PRENÚNCIOS SOMBRIOS - Tau Golin


A OPERAÇÃO FACEBOOK DO FASCISMO
O fascismo, além da histeria das ruas, está operando em diversas frentes. Inoculam vírus pela rede de computadores nas máquinas de quem não compactua com sua barbárie, seja de esquerda, ou qualquer cidadão que defende traquejos de convivência republicana. Todo o embate serve para eles, suas táticas anticidadãs espalham-se como uma fedentina de péssimo agouro. Meus textos estão na preferência deles. Por exemplo, montaram uma rede de “denunciantes” que infestam o Facebook, “denunciando” toda a manifestação crítica, cobertura jornalística que não lhes convêm etc, como publicação fora dos “padrões da comunidade”.
Hoje já é o lulismo, os movimentos sociais, o jornalismo ilustrado e quem manifesta opinião crítica. Amanhã... bem, tudo indica que o futuro será menos auspicioso se esta gente continuar sem freio. Todo o texto que eles bloquearem vamos denunciar e republicar como nossos, indicando o autor no final, não permitindo, assim, que eles cheguem a uma só origem pelo “compartilhamento”.
O fascismo conseguiu bloquear meu texto abaixo. Republiquem como se fosse de vocês e não pelo sistema de compartilhamento. Não passarão!!!
A DIFERENÇA ENTRE AS CARAVANAS DE LULA E BOLSONARO
A caravana de Lula pelo Rio Grande do Sul ainda vai produzir muitos trabalhos teóricos sobre o “desnível” de muitos grupos militantes para viver republicanamente em um pais democrático. Historicamente, a direita sempre foi violenta e covarde. O seu alimento é o ódio e suas próprias frustrações. As arruaças seu prazer. O que vemos é o alarido autoritário, a agressão gratuita, a negação de direitos elementares e constitucionais. Estas turbas que andam pelas ruas, alimentando as redes sociais, são marionetes de fascistas de longa história, que agora entram em êxtase com os acoos dos filhotes de suas ninhadas. São matilhas deste lúmpen ignorante e violento criado pelo autoritarismo. Está tudo com os conformes da história. São as classes sociais que dominam sociedades injustas e autoritárias, que criam a la farta os grupos abjetos de capangas, jagunços, lacaios, militantes abandidados, e correntes de ódios para impedir os direitos dos outros.
Há uma grande diferença com a esquerda em geral, com os republicanos e democratas.
Bolsonaro também fez a sua caravana recentemente pelo Rio Grande do Sul. Todo mundo conhece a sua história macabra e seus desejos de retorno do autoritarismo, negação de direitos republicanos, conquistas harmonizadoras das sociedades propostas pelos direitos humanos.
A caravana do Bolsonaro foi recebida efusivamente pelos seus correligionários. Fez sua pregação. Destilou ódios e mostrou sua vaga plataforma de um paizinho mixo de caserna. Todos que foram vítimas do que ele defende não foram perturbá-lo fisicamente e nem cercear o seu discurso. Os democratas e republicanos, a esquerda em geral e os movimentos sociais, inclusive com poder de mobilização muito maior que os apoiadores de Bolsonaro, não fizeram um só gesto para calá-lo ou impedir a sua mobilização. Vale lembrar que estes movimentos anti-Bolsonaro ultrapassam em muito o petismo.
Bolsonaro passou para deslumbre de seus partidários, deixou outdoors semeados com sua figura patética e ameaçadora; enormes audiovisuais reproduzem seu semblante ameaçador nas paredes dos prédios sem que tenha recebido uma pedrinha sequer...
As posturas radicalmente diferentes dos dois blocos constituem indicadores importantes sobre o Brasil que temos e, o mais assustador, a possibilidade de radicalizá-lo ainda mais no futuro. O que o anti-lulismo está fazendo é somente a antecipação de momentos ainda mais tensos e violentos. E tem revelado o quanto é torpe nas relações sociais e humanas, o quanto trabalha contra a formação de uma sociedade que divirja sob preceitos republicanos e democratas. (Tau Golin)

domingo, 25 de março de 2018

BRASIL EMPATA NO ÚLTIMO MINUTO - CORREIO DO POVO


                                                                                                                           Foto: Ricardo Giusti 
Transcrevemos a notícia saída no jornal CORREIO DO POVO que foi o primeiro a noticiar o empate do Xavante. Como fato digno de destaque, além do empate que traz a decisão da vaga para a final do campeonato gaúcho para o Bento Freitas com a vantagem do empate em zero a zero, é a presença da torcida lotando uma ala do estádio. Salvo engano havia no jogo tantos torcedores do Xavante quanto do time da casa. 

O Brasil de Pelotas estragou a festa do São José nos últimos minutos da partida deste domingo. O placar de 1 a 1 no Passo D'Areia deixa o Xavante com boa vantagem para avançar à final do Gauchão. Com o 0 a 0 em Pelotas, avançará, assim como qualquer vitória.
O Zequinha utilizou todos atalhos que conhece na grama sintética do Passo D'Areia na primeira etapa. Abafou a saída de bola do Xavante e colocou velocidade em meio à dificuldade do rival de conduzir a bola no piso diferenciado.
O gol surgiu já nos acréscimos da primeira etapa, com uma penalidade máxima cometida pela zaga do Brasil. O goleiro Fábio partiu confiante para a bola e anotou o 1 a 0 para a festa da torcida.
No retorno do intervalo, o Xavante fez tudo o que podia para igualar, pressionou, mas teve poucas chances claras de gol. A equipe ainda reclamou muito de uma penalidade em Alisson Farias, já aos 41 minutos.
Já na bacia das almas, aos 45 minutos, o Xavante conseguiu o que queria. Heverton recebeu nas costas da zaga e fulminou o 1 a 1 para correr para o abraço da torcida pelotense presente.
fonte : Jornal CORREIO DO POVO