segunda-feira, 6 de junho de 2022

segunda-feira, 30 de maio de 2022

ASSEMBLÉIA DO SINASEFE DISCUTE GREVE POR TEMPO INDETERMINADO - Prof. Paulo Baptista


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Em Assembleia Geral marcada para hoje 30/05 o SINASEFE coloca em pauta a greve que o campus Pelotas mantém por tempo indeterminado
A assembleia está marcada para às 14h (primeira chamada) e 14h15 (segunda e última chamada) e é virtual.
Até agora o Comando de Greve vinha procurando estender a paralisação aos outros campi do IFSul conforme exposição no vídeo de Hernesto Brito integrante do comando. 
Registre-se que o movimento recebe oposição dos estudantes que conforme noticiado pelo Diário Popular foram até à Reitoria em protesto.
Esta oposição tem a ver com o fato que a greve coincide com o retorno das aulas presenciais justamente logo após uma prolongada suspensão destas aulas ao longo da pandemia.      


domingo, 29 de maio de 2022

sábado, 21 de maio de 2022

JOSÉ RICARDO CAETANO COSTA está lançando seu livro CUBA, A ILHA QUE RESISTE.

 

JOSÉ RICARDO CAETANO COSTA  está lançando seu livro CUBA,  A ILHA QUE RESISTE. 
Vamos estudar a possibilidade de uma sessão de autógrafos na GALERIA CÂMARA CLARA.  

quarta-feira, 18 de maio de 2022

HOMENS MAIS RICOS DO PAÍS AGEM PARA PRIVATIZAR ELETROBRAS E LUCRAR COM ISSO

Homens mais ricos do país agem para privatizar Eletrobras e lucrar com isso






















Homens mais ricos do país agem para privatizar Eletrobras e lucrar com isso
O Tribunal de Contas da União (TCU) retoma nesta quarta-feira (18) o julgamento do processo sobre a privatização da Eletrobras, e alguns dos homens mais ricos do Brasil devem monitorar atentamente a decisão da corte sobre o futuro da estatal.
Seis dos 22 maiores bilionários do país são acionistas da Eletrobras. Parte deles, aliás, atua para que o controle da maior empresa de energia do país passe do Poder Público para o capital privado para que assim eles possam ficar ainda mais ricos.
Jorge Paulo Lemann, por exemplo, é dono de uma parte relevante da Eletrobras. Ele já tem uma fortuna de cerca de R$ 75 bilhões e também é o brasileiro mais rico da atualidade, de acordo com ranking da revista Forbes.
Sua empresa, a 3G Capital, detém cerca de 11% de um tipo das ações preferenciais da Eletrobras, algo avaliado em cerca de R$ 760 milhões, segundo a própria companhia. As ações preferenciais, conforme marcado em seu nome, têm preferência no recebimento de dividendos da estatal.
Os dividendos são parte dos lucros de uma empresa distribuídos a acionistas. Só nos primeiros três meses deste ano, a Eletrobras lucrou R$ 2,7 bilhões – 69% a mais do que no mesmo período do ano passado. Lemann ficará com parte disso. Mas não só ele.
Seus sócios na 3G Capital também são donos de parte da Eletrobras. Marcel Herrmann Telles tem fortuna de cerca de R$ 47 bilhões e é o terceiro mais rico do Brasil; Carlos Alberto Sicupira tem R$ 40 bilhões, quinto mais rico; Alexandre Behring, com R$ 5,1 bilhões, é o nono mais rico.
Todos, junto com Lemann, atuaram para a privatização da Eletrobras. A 3G Capital indicou Elvira Cavalcanti Presta para o conselho de administração da empresa em 2018, enquanto a empresa se preparava para a capitalização. Em 2019, Elvira virou diretora financeira e de relações com investidores. Durante 2021, chegou a presidir a companhia por dois meses.
Segundo a advogada Elisa Alves, que representa o Coletivo Nacional dos Eletricitários em ações judiciais contra a venda da Eletrobras, a 3G Capital provavelmente será uma das compradoras de ações da Eletrobras caso o governo as ponha à venda. Com maior participação na empresa, homens entre os ricos do país devem pressionar a administração da empresa por mais lucros e mais dividendos.
Procurada pelo Brasil de Fato, a 3G Capital não se pronunciou sobre seu eventual interesse na privatização da Eletrobras.

Banqueiro elege rumos da estatal
Por meio do Banco Clássico, o bilionário José João Abdalla Filho, o Juca Abdalla, também é um dos maiores acionistas da Eletrobras. 18º homem mais rico do Brasil, ao fim de 2021, ele tem mais de 5% de todas as ações ordinárias da estatal, avaliadas em mais de R$ 1,6 bilhão. Todo seu patrimônio foi estimado em R$ 13 bilhões pela Forbes.
As ações ordinárias dão direito a voto sobre os rumos da Eletrobras. Depois de instituições ligadas ao governo federal, Abdalla é quem mais tem capital votante na estatal. Seu voto teve peso considerável na assembleia que aprovou a privatização da empresa, realizada em fevereiro deste ano.
E já teve ainda mais. Quando a desestatização foi anunciada, em 2017, Abdalla tinha 12% da Eletrobras. Eram tantas ações que só a valorização delas por conta das notícias da privatização deixou Abdalla R$ 1 bilhão mais rico.
Abdalla, aliás, fez crescer sua fortuna justamente comprando ações de empresas estatais em processo de privatização. Em 2020, ele era dono de cerca de 10% da Engie. Essa empresa cresceu no Brasil ao comprar a Gerasul, privatizada em 1998.
Abdalla também é dono de cerca de 1% da Petrobras. No mês passado, indicou-se e foi eleito para o Conselho de Administração da estatal, aumentando a pressão de acionistas minoritários pela alta dos preços dos combustíveis e do lucro da companhia.
Procurada pelo Brasil de Fato por meio do Banco Clássico, Abdalla não se pronunciou sobre seus negócios envolvendo a Eletrobras e a Petrobras.

Investidor atua com banco
Quem também lucrou com notícias sobre a privatização da Eletrobras foi Lírio Parisotto, 22º colocado na lista dos mais ricos do Brasil, com fortuna de R$ 11 bilhões. Parte desse patrimônio está aplicado no fundo de investimentos Geração Futuro L Par, que aplica em ações da estatal e rendeu 121% em 12 meses encerrados em junho de 2021.
Parisotto chegou a ser denunciado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por supostamente ser destinatário de informações privilegiadas sobre a privatização da estatal por conta de sua amizade com o senador Eduardo Braga (MDB-AM), que foi favorável à venda em votação no Congresso. Parisotto sempre negou qualquer benefício com a amizade.
Seu fundo de investimento é “abrigado” pela corretora Geração Futuro, ligada ao Banco Genial. O Banco Genial foi contratado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para estruturação da venda do controle governamental da Eletrobras.
A participação da Genial, acionista da Eletrobras, na privatização da empresa já foi questionada em ação judicial movida pelo Coletivo Nacional dos Eletricitários. Procurado pelo Brasil de Fato, o Banco Genial não se pronunciou sobre o assunto.
“Quem está interessado na Eletrobras são os bancos nacionais e internacionais, que inclusive já têm participação na estatal”, afirmou Leonardo Maggi, membro da coordenação nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), que é contra a privatização. “Eles já controlam boa parte do setor elétrico brasileiro.”
A advogada Elisa Alves confirma esse interesse do setor financeiro na Eletrobras devido a sua alta lucratividade, a qual deve aumentar caso ela deixe de ser uma estatal e passe a operar somente visando o máximo retorno aos seus acionistas.
O Ministério das Minas e Energia informou aoBrasil de Fato que a privatização da Eletrobras é necessária para que a empresa, sob controle privado, possa manter investimentos no país.
“A Eletrobras tem capacidade de gerar 30% da energia e detém 44% das linhas de transmissão do país, mas não dispõe de capital para investir e se manter nesse patamar. A empresa precisa ser capitalizada. Seu controlador, a União, não consegue fazer os aportes necessários”, informou o órgão.
“Considerando que a economia brasileira atingirá níveis de crescimento mais elevados e, consequentemente, haverá aumento de demanda de energia, o quanto antes a Eletrobras estiver capitalizada, mais capacidade ela terá de participar de novos investimentos”, complementou o MME.
O Ministério da Economia e a própria Eletrobras não se pronunciaram.

Fonte: Rede Brasil Atual / Imagem: Eletrobras Divulgação 






Assembleia Geral do Sinasefe-IFSul aprova adesão à Greve por tempo indeterminado

 

 Após meses de tentativas de negociação com o governo, sem sucesso, o Sinasefe-IFSul aprova a adesão ao movimento nacional de Greve do Sinasefe, que luta pela reposição imediata das perdas inflacionárias da categoria!

A inflação está corroendo os salários, congelados há mais de 05 anos, e o governo se nega a abrir negociação com os(as) servidores(as) da educação.

Chega de desrespeito. Agora é GREVE! 

segunda-feira, 16 de maio de 2022

segunda-feira, 9 de maio de 2022

quarta-feira, 4 de maio de 2022

PARANOIA - Enio Andrade


         A noite tinha sido ótima, era a primeira vez que eu tocava naquela casa. Mesmo cansada, estava me sentindo muito bem. Pode parecer clichê dizer isso,  mas, me sentia como alguém que cumpriu uma espécie de missão. Fui saindo da festa recém terminada, o pessoal que trabalhou estava no final do serviço, cada um pensando em ir para sua casa descansar. A boate ficava ali no centro, na volta da praça, como dizemos por aqui, próxima ao mercado. Já tinha ligado para a Aparecida, combinamos que ela me levaria para casa, era uma tradição nossa, gostávamos de ir para casa conversando sobre a festa e de como nos sentíamos sobre nós e tudo o que nos cercava.
           Naquela noite ela não pudera vir à festa porque estava estudando, tinha uma prova importante na segunda, mesmo assim combinamos que no final da noite nos encontraríamos. O telefone tinha tocado algumas vezes e nada de ela atender, deixei uma mensagem e nem esquentei, vai ver ela dormiu ou algo assim. Olhei para cima e percebi que já começava a amanhecer. Ali no centro à essa hora tem bastante movimento. Pensei que não teria perigo nenhum se eu fosse caminhando até minha casa, afinal de contas moro pertinho do centro, umas dez quadras, se tanto. Nem seria preciso dizer que pensei que poderia ser perigoso, claro né, sendo mulher nunca se tem essa sensação de segurança absoluta.
           Nessas todas já tinha caminhado duas quadras, uma na rua XV de novembro e outra na rua Tiradentes, me aproximava do prédio dos correios na esquina da Félix da cunha. Foi quando percebi que uma espécie de neblina começou a baixar e me cercou de tal maneira que num primeiro momento não conseguia enxergar nada. Aos poucos foi melhorando e eu conseguia divisar cerca de vinte metros a minha frente, foi quando eu a avistei. Que bom pensei, uma mulher ia a cerca de uns dez metros de distância. Poxa que bom, o natural seria me aproximar e irmos juntas até quando fosse possível e necessário, dada à situação. Não sei porque não a chamei, acho que foi uma coisa de intuição.
          Em seguida a tal mulher olhou para trás pela primeira vez. Me deu a sensação de que ela começou a acelerar o passo. Parecia a mim que a tal mulher procurava disfarçar uma preocupação que começava a sentir, como se não quisesse que a outra parte percebesse que fora descoberta. Não se passou nem um minuto e a mulher olhou para trás outra vez, dessa vez não se preocupou em disfarçar, acelerou o passo com desfaçatez.
          Foi aí que comecei a me preocupar de verdade. Mas, o que essa mulher está vendo que eu não consigo enxergar. Olhei para trás e não via nada, aquela neblina parecia ser cúmplice de quem quer que estivesse produzindo aquela súbita desconfiança. Agora que a mulher não precisava mais disfarçar começou a olhar para trás a cada dez segundos, era o que eu pensava, afinal de contas quem prestaria atenção em alguma coisa naquela situação. Depois desse momento parece que não existia mais nada no mundo, éramos só eu, a mulher, a neblina e a tal “aparição”.
          A mulher acelerou tanto o passo que já parecia a mim que ela corria. Comecei a sentir um medo tão grande que também acelerei o passo, minha intenção era me aproximar da mulher o suficiente para que ficássemos juntas na hora derradeira. Meu sentimento era de derrota, mas, também era de empatia, queria que estivéssemos juntas naquela situação que já parecia irremediável. Fiquei me culpando, se eu não fosse tão teimosa, para que eu fui me expor a tamanho perigo.
          Agora a situação parecia fora de controle, a mulher corria sem olhar para trás, parecia que começava a gritar, digo que parecia porque eu não conseguia mais raciocinar, tal era o medo que estava sentindo. Meu coração desandou a bater descompassado, minha cabeça latejava, não sabia como minhas pernas estavam aguentando tudo aquilo. Foi quando eu parei de correr, não sei o porquê, era uma coisa estúpida a fazer, naquela situação desesperadora. De repente estaquei e disse quase gritando, peraí !!
          Neste instante tudo se esclareceu, a neblina se desvaneceu e pude enxergar a mulher correndo, já ia longe, ouvi uma buzina. Era a Aparecida que dizia com um sorriso, desculpe, cochilei. O carro andou um pouco e ao passarmos pela mulher pedi à Aparecida que parasse por um momento, olhei para a mulher e dei um tchauzinho irônico, afinal nós duas sabíamos o que havia acontecido. Depois contei tudo à Aparecida e nos rimos daquela estória, até hoje.

ENIO ANDRADE é um consistente escritor pelotense 
se destacando como romancista que surge no cenário literário.
Recentemente lançou o romance "Dandara e a Princesa" a respeito do qual já comentamos em  A METADE SUL .
Acesse o link para ler 

 

sábado, 23 de abril de 2022

quarta-feira, 20 de abril de 2022

MARIA MARTINS - Ângela Becker

 

A brasileira Maria Martins tem uma história artística incrível. E uma extraordinária vida pessoal.                   

Está presente em grandes museus como o Museu da Filadélfia, MoMA em Nova York, no MALBA Argentina, na Bélgica e na França. Em São Paulo no MAC e Rio de Janeiro(MAM). No Palácio Itamaraty, em Brasília. Isto já é um baita cartão de apresentação! Conviveu com os grandes nomes da época, Breton, Max Ernst, Chagall, Picasso. Foi amiga de Brancusi. Com Mondrian dividiu uma exposição em NY. Extraordinário foi o caso que teve com Marcel Duchamp, por mais de uma década. As cartas que trocaram mostram a união caliente que ligava os dois e como respiravam juntos o amor pela Arte. Duchamp tem duas obras importantes que dialogam direta (e ocultamente) com a obra dela,impactado com a beleza e sensibilidade vibrante da artista. É preciso dizer que Duchamp foi o artista mais importante nascido no séc. XX. Foi quem mudou a arte do seu tempo. 

Nas últimas décadas de sua vida, trabalhou com o pensamento voltado à brasileira Maria Martins. Maria Martins foicasada com o diplomata brasileiro Carlos Martins que conheceu na França(1920) e este foi seu segundo casamento. Em função disso, morou em Paris, Bélgica, EUA e Japão, onde o marido foi embaixador. Carismática, erudita, poliglota, frequentava os artistas que estavam no topo dos movimentos. Como André Breton, autor do manifesto surrealista. Ela se alinhou desde logo ao surrealismo. Trabalha com escultura em madeira em Paris, mas muda a técnica para “cera perdida”, quando vai morar em NY. Esta técnica sobrepõe camadas sobre camadas de cera que será substituída por bronze no derretimento quando escorre para fora, se perdendo. Daí o nome. Esta técnica pede a “mão na massa”. É visceral, orgânica. Maria (preferia ser chamada pelo pelo primeiro nome) tem uma obra de sensibilidade e metamorfose tropical. 

O surrealismo lhe caia como uma luva. "Não esqueça que venho dos trópicos" é o nome de uma obra dela. Prezava os títulos, certamente influenciada por Duchamp (a quem mais influenciou do que foi influenciada). A Amazônia é o seu motivo básico. Faz uma exposição em NY com este título. Neste lugar-amazônia- tudo é úmido e em estado de transformação. A matéria é o magma que ainda não é. Tudo palpita de vida na sombra crepusculareterna da floresta e q ainda traz a memória do caos. 

A escultura de Maria é assim como a Amazônia. É o resultado do fluxo entre as formas vegetais, animais e humana. Não se sabe onde começa, nem onde termina. Algas, raízes, lama, formas sexuais, viscerais, corpóreas. Este clima é o próprio fazer de sua escultura. A vida está no sombrio, no crespo, no indomado. É arrebatador. Ela esculpe os mitos deste Brasil mágico e indomado e no mito fundador da Amazônia reza que todo o ano o rio deve fecundar a floresta. O rio sai do leito pela noite à procura da mulher mais bela entre as belas. Sai e desliza em meio à floresta enrosca-se em troncos, folhagens, raízes e segue "derrotando animais, enlouquecendo os pássaros" à procura da mais bela morena do crepúsculo da mata. Com a cópula anual, vivifica a floresta. 

Assim é a escultura de Maria Martins. Assim é a própria Maria Martins, esta artista que ressurge agora com força, a mesma força que arrebatou Duchamp já na maturidade e coberto de fama. Vai ficar para a próxima a descrição dos trabalhos que ele moldou no corpo mesmo de Maria e que está voyeuristicamente oculto/exposto numa sala do Museu de Arte da Filadélfia.

sábado, 16 de abril de 2022

segunda-feira, 4 de abril de 2022

ANITTA REPRESENTA O FEMINISMO?

sábado, 5 de março de 2022

UM TIME QUE FICOU NA HISTÓRIA

 

Registro de uma época em que os jogadores eram oriundos, na maior parte, aqui mesmo da região, moravam aqui, viviam aqui. E morriam aqui.
Isto não impedia que se tornasse possível formar equipes de grande qualidade.
Esta formação do Xavante, de 1962, é um exemplo disto.
Grande time! 

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

DESTRUIÇÃO DO ANTONOV - A GUERRA SE ASSEMELHA À BÁRBARIE -


Além das centenas de mortes que o conflito na Ucrânia está causando, a maior aeronave do mundo, Antonov-225 Mriya, também foi destruída em ataque russo na Ucrânia. O considerado maior avião do planeta foi fabricado na Ucrânia e estava no aeroporto Hostomel, perto de Kiev, que foi atacado pela Rússia. Segundo o fabricante, a restauração do avião custaria mais de 3 bilhões de dólares e levaria muito tempo.

A aeronave possuía 84 metros de comprimento. Já a distância de uma ponta à outra da asa (a chamada "envergadura") tem o equivalente a um prédio de 29 andares ou 88 metros. "Mryia" significa "sonho" em ucraniano e o avião foi construído na década de 80 para transportar equipamentos da extinta união sovietica

sábado, 26 de fevereiro de 2022

Presidente do Iphan afirma que há 'supervalorização do patrimônio cultural' - CAROLINA MORAES E JOÃO PERASSOLO

 
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - "Há aqueles que supervalorizam o patrimônio cultural." Assim a presidente do Iphan, Larissa Peixoto, respondeu na semana passada a um pedido de reunião enviado a ela no final de janeiro pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural para debater uma série de pontos que, para eles, apontam desmonte e perseguição dentro do órgão.

O conselho é a instância máxima do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e regula a proteção do acervo cultural do país. O colegiado debate e dá o voto final para o encaminhamento e aprovação de tombamentos e registros de bens imateriais.

No pedido de reunião, 12 dos conselheiros listam ações recentes do órgão que, nas palavras deles, comprometem a preservação do patrimônio, tais como a diminuição do orçamento do Iphan a partir de 2019, a não realização do processo seletivo do mestrado em patrimônio, a possível venda do Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro, e também a retirada do apoio do órgão a peças e objetos de religiões afro-brasileiras agora sob guarda do Museu da República.

Na resposta, Peixoto diz que os pontos levantados pelos conselheiros são "desmedidos e desrespeitosos" e beiram a suposição de crime por parte da diretoria do órgão. Afirma ainda que as palavras deles foram duras e desrespeitam a dignidade de servidores do órgão.

Ela e os cinco diretores que assinam a carta pedem que os conselheiros se retratem e não respondem ao pedido de agendamento de uma data para a reunião.

"Há aqueles que supervalorizam o patrimônio cultural com meritórios estudos arrojados, todavia menosprezam a gerência na criação de protocolos eficientes para a consecução do fim tão almejado, qual seja, a preservação que todos coadunam", escreve.

O conselho enviou ainda uma tréplica em que afirma ter havido "um mal-entendido" e que lamenta "que uma atitude de respeito à missão do instituto seja considerada desrespeitosa".

Parte dos servidores do Iphan se manifestou com solidariedade ao requerimento dos conselheiros. Eles consideram "urgente e indispensável que os dirigentes do Iphan aprofundem o diálogo, a consulta e a observação dos ritos previstos na instância do conselho", como escrevem numa carta.

Ainda em apoio ao grupo consultivo, a carta diz que "a voz dos servidores do Iphan não pode ser invocada em contextos alheios aos dos debates e deliberações dessas esferas", em resposta ao trecho em que a direção afirma que o requerimento da reunião feria também a dignidade dos servidores.

Após a publicação desta reportagem, o Iphan enviou uma nota afirmando que a carta de Peixoto "destaca, de forma clara, a importância e necessidade de se valorizar o patrimônio ao mesmo tempo que os ritos administrativos necessários à sua preservação, seja por meio de tombamentos, registros, entre outros".

"Vale ressaltar que promover a eficácia administrativa é uma forma assertiva de assegurar a valorização e proteção do nosso patrimônio", diz o órgão.

O Iphan ressalta ainda que, nos últimos seis meses de 2021, avaliou 96 pedidos de tombamento contra somente oito durante todo o ano de 2018. Em relação à revalidação de registros de bens, apenas em 2021 foram nove revalidações contra apenas uma ao longo dos últimos 20 anos.

A troca de farpas acontece em meio a uma crise generaliza do Iphan, um alvo constante de críticas do governo de Jair Bolsonaro desde o começo de sua gestão.

Depois da paralisação do conselho consultivo por quase dois anos e da troca de funcionários do alto escalão, a instituição agora vê o reflexo disso numa série de medidas que podem tornar a principal entidade de preservação do patrimônio cultural do país num órgão-fantoche dos bolsonaristas.

Segundo especialistas que trabalham com patrimônio, esse é um desmantelamento inédito, que não se viu nem em períodos autoritários no Brasil.

provação expressa de licenciamento ambiental, distribuição de cargos-chave para aliados do governo, diminuição do orçamento, paralisação do mestrado e recentes anulações de tombamentos são algumas das situações que vêm abalando o instituto.

Fonte: Folha de São Paulo

RETALHOS DE UMA PAIXÃO - Victor Hugo Lautenschlager

 

O Vinicius Sinott diz "Olhar Para Frente". Confesso que depois do vexame que assisti no jogo em Vacaria, eu não consigo olhar para esse horizonte e me vislumbrar num futuro promissor. Fazer isso é sofrer antecipado. Nossa rotina de torcedor xavante tem sido massacrante. Ao apito do juiz no ponta pé inicial da partida já começa a acelerar e descompassar o coração do sofrido torcedor rubro negro. Sabemos por antecedência que é o apito do alerta avisando que serão mais noventa minutos de agonia profunda. Para nós, há muito, não existe jogo fácil, exceção ao do Guarani de Bagé que veio, além de desfalcado, abalado pelo surto de Covid que acometera seus profissionais. Afora tanta angústia, tem aquele dito que o jogo só termina quando o juiz dá o apito final. Aí que mora o perigo. Nosso time sofre do mal do "depois dos 40". Por ter um ataque incompetente, que não sabe definir a jogada em gol e por isso, "a pau e corda", consegue marcar, vez que outra, um golinho durante 80 minutos, entrega a rapadura quando os ponteiros ultrapassam esse tempo. Nosso time é instável. Não tem identidade. Não sabe aproveitar as chances de gol e se deixa vazar querendo fazer firula quando é hora de chutar a bola pro mato. Afinal, o que está motivando tal inconsistência dentro das quatro linhas? A jovem diretoria já mostrou competência e muita vontade de trabalhar. A torcida abraça o time com a paixão avassaladora de sempre. Os jogadores são de nível acima do que tínhamos no rebaixamento. E o técnico e sua plataforma de trabalho, seria ele a peça desajustada no conjunto da obra? Voltando as vacarias, ou melhor, as vacas magras, eu, torcedor que tantas loucuras feitas para não perder um jogo na Baixada, digo que minha preocupação começou quando o raio da bolinha definiu o Glória como adversário. Sabia que seria pedreira, coisas que essa turma nova que dirige o clube, o treinador, os atletas e o raio que o parta não sabiam. Não deu outra: faltou usarem as sandálias da humildade. Acho que se tivesse alguém da diretoria do tempo que chamavam de encarnado o vermelho da nossa cor, a história seria outra. A jornada continua. Chazinho de camomila, medidor de pressão à mão e no peito a mesma fé, o mesmo orgulho e a mesma paixão.

Vitor Hugo Lautenschläger é administrador do grupo XAVANTE - RETALHOS DE UMA PAIXÃO existente desde 24 de fevereiro de 2015 e que conta com quase 2000 membros. 

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022

Putin pode até perder ao fim, mas já venceu o Ocidente na guerra da Ucrânia - IGOR GIELOW

 

MOSCOU, RÚSSIA (FOLHAPRESS) - Independentemente do resultado final de sua audaciosa invasão da Ucrânia, Vladimir Putin já venceu o Ocidente nesta crise aguda, não vista em terras europeias desde que Adolf Hitler enviou suas últimas reservas atravessarem a floresta da Ardenas no inverno de 1944 para tentarem jogar os Aliados ao mar.

Diferentemente do ditador nazista, contudo, o presidente russo não parece estar na vazante terminal de seu poder, ainda que talvez não viva o zênite. Ao contrário, nesta prolongada contenda com o Ocidente, Estados Unidos à frente, deu as cartas desde o começo.

É uma história conhecida, que vai das humilhações sofridas pela Rússia na caótica década do pós-Guerra Fria às salvas de mísseis de cruzeiro da madrugada deste 24 de fevereiro. Putin emergiu como uma espécie de salvador da pátria e, para o russo comum até aqui, entregou um país melhor.

No caminho, contudo, ossificou o sistema político em torno de si. Em 2020, cedeu à tentação da perpetuação institucional, abrindo o caminho para ficar na cadeira até os 83 anos, em 2036. Agora, apresenta à Rússia a perspectiva de muitos anos de ostracismo político-econômico —se não coisa pior.

Os motivos de Putin são conhecidos e obedecem a uma lógica, que é retomar o controle político sobre a antiga periferia soviética para evitar a gula do Ocidente e suas estruturas associadas, a Otan e a União Europeia.

Ninguém pode dizer que o caminho era improvável: em 2008, ele atacou a Geórgia em uma mini-guerra que lembra mais a atual do que o conflito de 2014 na mesma Ucrânia, quando anexou a Crimeia de disparou a guerra civil que está no centro da crise atual.

Ainda assim, por todo seu histórico de jogador tático, limitado ao próximo movimento, em oposição a uma sofisticação estratégica de horizonte estendido, Putin surpreendeu a todos os observadores fora do círculo do alarmismo do complexo ocidental mídia-serviços de inteligência-governos.

Politicamente, Putin provou seu ponto de forma sombria. O mundo do pós-guerra, e aí falamos do conflito encerrado em 1945, está morto. Os espasmos da hegemonia americana do pós-Guerra Fria, que mantinham a estrutura anterior viva por aparelhos, já inexistem.

Não deixa de carregar simbolismo o fato de que a guerra começou enquanto senhores vetustos se digladiavam na mesma Organização das Nações Unidas que tanto Putin quanto o grande sujeito oculto da análise geopolítica do momento, Xi Jinping, defendem como grande palco de um multilateralismo necessário e respeitador das particularidades políticas de cada país.

Só que a Ucrânia, como o russo deixou claro de 2020 para cá, não entra na categoria de Estado. Na visão putinista de mundo, Kiev é um esbirro bolchevique do imperialismo russo, e deve retornar à categoria de "área histórica".

Assim, bombardeie-se, mesmo que isso pareça ilógico por alienar a população que deveria estar tentando conquistar. Mas o jogo de Putin é sobre a flacidez da musculatura do mundo liberal-democrático, e as implicações disso são assustadoras mesmo para brasileiros na periferia.

O presidente diz, com sua ação, que com força bruta pode impor sua vontade. Os adversários, afinal de contas, só conseguem prometer sanções cada vez mais incapacitantes —que até agora não mataram a economia russa e, dependendo da dose aplicada, podem vitimar também seus proponentes.

Se o mundo já era um lugar mais perigoso quando Putin impôs sua lógica à pequena Geórgia, hoje o "novo normal" anunciado pelo chefe da Otan tem a cara da guerra na Europa. Historicamente, regimes democráticos são mais adaptáveis e, por falhos, sujeitos a correções de rumo. Encarnavam aquilo que Churchill falava de a democracia ser a pior forma de governo, à exceção das outras.

Agora, assim como nos anos 1930, seu momento de crise é atacado com força por desafiantes iliberais. Há diferenças óbvias com aquela realidade, mas o cheiro de repetição é incômodo, e o cupim está na casa, como Donald Trump já provara.

Pior para o Ocidente que Joe Biden seja o homem do outro lado —ou Trump, para ficar no duopólio. Ambos não têm a energia para estabelecer um canal para lidar com esse novo normal, assim como Barack Obama errou ao permitir Putin ganhar musculatura ao salvar a ditadura síria na guerra civil.

Evidentemente, não se trata de sugerir que a Otan deva entrar na guerra, por riscos apocalípticos evidentes e o potencial apetite de Putin de também querer se provar crível nesse campo. A essa altura, melhor não duvidar, e esta é outra vitória dele.

Mas o caminho que misturou desprezo aos russos e falta de visão estratégica levou o Ocidente ao impasse atual, com suas instituições repetindo como autômatos os mesmos discursos. Falto diálogo de lado a lado, e aí o russo poderá sempre dizer que alerta sobre isso desde o famoso discurso de Munique em 2007.

É tarde. Putin pode fracassar militarmente, ver sua própria população se mobilizar contra si, acabar engasgado pelas sanções. Ou vencer e ainda achar uma linha de salvação na China.

Seja como for, o resultado está aí: uma demonstração de poderio militar, realpolitik dura e completo desassombro na hora de justificar motivações com mistificações e verdades na mesma medida. O lobo, após tanto ter seu nome gritado, mordeu.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

SITUAÇÃO DE RISCO NA SUBESTAÇÃO DA CEEE - ENCAMINHAMENTO DO MINISTÉRIO PÚBLICO - Lúcio de Almeida Hecktheuer

 

Dando continuidade a material divulgado em A Metade Sul no dia 11 de novembro de 2021 (http://ametadesul.blogspot.com/2021/11/a-cidade-invisivel-situacao-de-risco-na.html), com o título “A Cidade Invisível – Situação de Risco na Subestação da CEEE”, informamos que foi realizado denúncia ao Ministério Público Estadual o qual acatou-a, solicitando providências, inicialmente da Prefeitura Municipal, para que a irregularidade seja solucionada.

Neste período de 93 dias, 3 meses depois da publicação da matéria em A metade Sul, o estado da cerca colocada pela concessionária de energia se deteriorou significativamente conforme pode ser observado na foto acima registrada no dia 07 de fevereiro de 2022.

 Outras denúncias a respeito do assunto poderão vir a acontecer junto a Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Rio Grande do Sul (AGERGS) e na Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). A AGERGS é a responsável pelo controle dos serviços de Energia Elétrica no Estado e a ANEEL em nível nacional.

O teor da denúncia junto ao Ministério Público Estadual pode ser consultada no link http://www.mprs.mp.br/atendimento/consulta-processo com protocolo 01520.000.039/2022


REABERTURA DA BIBLIOTECA DO CAMPUS PELOTAS-IFSUL - Uma notícia que merece destaque

 


Em meio a um quadro que vem nos acompanhando de dificuldades  o aviso da reabertura da Biblioteca do Campus Pelotas é extremanente animadora. 
Com a pandemia o IFSul vinha mantendo suas atividades à distância ou interrompidas. durante um longo tempo.
Agora é o momento de voltar a dar vida a uma instituição que dispõe, como poucas, de condições de infraestrutura e de recursos da maior qualidade.
E a reabertura da Biblioteca, dentro das negociações que vem sendo feitas para a retomada das atividades presenciais, é de um simbolismo muito grande.
A biblioteca é o espaço dentro dos estabelecimentos de ensino onde se vai buscar, principalmente alunos, o ambiente  favorável ao estudo e ao conhecimento.
Parabéns.
 


sábado, 5 de fevereiro de 2022

terça-feira, 25 de janeiro de 2022

sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

BOLSONARO IGNORA A MORTE DE ELZA SOARES

A QUESTÃO DO SANEAMENTO BÁSICO EM PELOTAS - Lúcio Almeida Hecktheur (*)

 


O novo Marco Legal do Saneamento Básico, sancionado em 15 de julho de 2020 através da Lei 14.026, estabelece o atendimento de 99% da população brasileira com água potável e 90% com tratamento e coleta de esgoto até o dia 31 de dezembro de 2033 (prazo de 13 anos, 5 meses e 17 dias). O Brasil, na data do sancionamento do Marco, tinha 35 milhões de pessoas sem acesso à água tratada e mais de 100 milhões sem coleta de esgoto.

Segundo dados da Confederação Nacional da Indústria, com a universalização dos serviços de água e esgoto, tem-se uma expectativa na redução dos custos anuais com saúde em até R$ 1,45 bilhão e, segundo a Organização Mundial da Saúde, para cada R$ 1,00 investido em saneamento, economiza-se R$ 4,00 na área da saúde.

Em Pelotas, segundo os últimos dados fornecidos pelo Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, referentes ao ano de 2020, temos 99,99% da população atendida com água potável e 59,91% com redes de esgoto. Do volume total de esgoto coletado através das redes nada é tratado no município em função de que Pelotas não tem hoje nenhuma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) em funcionamento, ou seja, as ETE do Porto e do Laranjal estão inativas a bastante tempo e a do Novo Mundo ainda em construção. Cabe aqui uma pergunta: Desde quando Pelotas, o quarto município mais populoso do Rio Grande do Sul e o septuagésimo nono do Brasil (de 5.570 municípios) não tem nenhuma ETE em funcionamento?

Os gráficos abaixo mostram as séries históricas do percentual de perda de água potável em sua distribuição e a extensão de redes de esgoto em Pelotas.

 



Como pode-se observar, a eficiência na distribuição de água potável em Pelotas é muito baixa chegando-se a ter mais de 60% de perdas em 2020. Com uma média anual de perdas de 47,26% podemos afirmar que quase metade da água tratada em Pelotas no período de 2001 a 2020 foi jogada fora.

No que se refere ao sistema de redes de esgoto, de 1996 a 2020 (25 anos) tivemos um acréscimo de 47,29% em sua extensão com uma taxa média anual de crescimento de apenas 1,63%. Considerando que Pelotas ainda tem 40,09% da sua população sem acesso ao serviço de esgoto, pode-se concluir que os investimentos nesta área ao longo dos anos são inexpressíveis.

O Poder Público Municipal de Pelotas começou a tentar melhorar as condições do saneamento básico na Gestão Bernardo/Fetter quando começaram as obras da ETE Laranjal e consequentes construções de redes coletoras; aprovou-se projeto e recursos para a construção da Estação de Tratamento de Água (ETA) São Gonçalo e ETE Novo Mundo. A Gestão Municipal 2009-2012 finalizou e vieram os governos de Eduardo Leite e Paula Mascarenhas o qual perdura até hoje. Neste período de aproximadamente 09 anos de Governo Tucano, o que foi feito de obras de saneamento? Não conseguiram finalizar nenhuma das obras ou projetos que herdaram mesmo declarando em suas campanhas eleitorais municipais que tinham o meio ambiente e saneamento básico como prioridades.

As consequências da inoperância governamental com o saneamento básico acarreta problemas graves. Hoje, passamos novamente a correr o risco do desabastecimento de água potável em função da seca que incide no nosso Estado e temos uma praia, a do Laranjal, com muitos pontos impróprios para banho.

Em junho de 2020, mais precisamente no dia 11, o abastecimento de água potável em Pelotas quase chegou ao colapso. Nesta data o nível da barragem Santa Bárbara chegou a ficar 4,40 m abaixo da sua cota zero. Essa grande estiagem (2019-2020) começou a afetar a cota da barragem em 21 de novembro de 2019 (cota -2 cm) indo até 11 de junho de 2020 (cota -4,40 m) perfazendo um total de 203 dias de estiagem. Nesse período, a cota da barragem Santa Bárbara teve uma taxa de variação negativa de 2,16 cm por dia. Na atual estiagem que já perdura 77 dias, a taxa de variação negativa da cota da barragem é de 1,51 cm por dia.

Os gráficos abaixo mostram o avanço da seca, refletido nas cotas do nível da Barragem Santa Bárbara, para o período de 2019-2020 e para o período atual.

 



No tocante a balneabilidade das nossas praias do Laranjal, de acordo com o Boletim de Balneabilidade da Temporada 2021-2022, divulgado em 24 de dezembro de 2021 pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), dos 90 pontos monitorados, 06 apresentam condição imprópria. Destes 06 pontos impróprios em todo o Rio Grande do Sul, 03 deles encontram-se na praia do Laranjal. Confira em https://estado.rs.gov.br/relatorio-balneabilidade-divulga-pontos-proprios-para-banho-no-rs.

                Por fim fica o questionamento: saneamento básico é importante ou não? Se entendermos que é importante, por que a demora na conclusão de obras nesta área? Por que as obras da ETA São Gonçalo e ETE Novo Mundo se arrastam por tanto tempo?

(*)  Doutor em Energias Renováveis - UFRGS , Professor do IFSul, Campus Pelotas

sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

TAILLEUR - Enio Andrade



 Acordei atrasada, justo no primeiro dia, hoje começo uma nova etapa

em minha vida. Fui transferida há pouco, foram cinco anos de exílio

voluntário no interior do estado. Não é que eu não gostasse da vida mais

tranquila e previsível, eu até gosto, questão de temperamento. Poder ser

quem você é, pelo menos para mim. Desfrutar de uma certa proximidade

entre as pessoas, poder vestir-se sem querer impressionar ninguém, o ponto

mais próximo da informalidade que é possível de ser atingido.

Minha semana foi só atribulação, fiquei perdida entre a mudança e a

transferência de tudo o que eu estava fazendo ao meu substituto. O único

dia que sobrou foi o sábado. Decidi passar a tarde no shopping procurando

alguma coisa que eu pudesse vestir nos primeiros dias. Meu guarda roupas

estava entre roupas de festa, descobri cedo que teria poucas oportunidades

de usá-las, e roupas do dia a dia, minha Mãe as chamava “uniformes”,

essas com as quais a gente se acostuma.

Todo o meu esforço transformou-se em uma única roupa. Podia não

parecer, mas aquele tailleur sintetizava tudo o que eu precisava, pelo menos

era o que eu estava pensando, transmitia toda uma formalidade e era

discreto. Ainda mais naquela cor, se alguém não quer ser notado o cinza é a

cor perfeita.

Mesmo tendo acordado cerca de uma hora antes estava atrasada,

perdi um tempo precioso alisando meu cabelo, às vezes ele se revolta. Ah

que saudade, mas o que é isso, mal saí de lá e já quero voltar. Tentei pensar

que é pra frente que se anda, essas coisas de autossugestão que a gente usa

pra se convencer de que o pior pode ser bom pra gente.


O táxi me deixou aos pés da escadaria que conduzia ao foro. A

subida foi penosa, a falta de costume com aquele salto alto começava a

apresentar a sua conta. O caminho até o elevador foi de sofrimento e

estupefação, o prédio novo do foro não ficava devendo nada a nenhum

palácio. Em todos esses anos confesso que vim pouco a capital.

Cheguei ao elevador exausta, o sapato me matando, já nem

conseguia raciocinar direito. Mal entrei e me deparei com o lugar destinado

a ascensorista vazio. Aquele banquinho minúsculo nunca me pareceu tão

confortável, nem pestanejei, sentei logo e uma sensação de alívio me

envolveu. Nem pude aproveitar muito, logo apareceu um gaiato que sem

sequer me dirigir um olhar falou como um mandatário:

Oitavo !!

Que coincidência pensei, o mesmo andar, apertei o botão sem

pestanejar, afinal de contas também estava indo para lá e não custava nada.

Não pude deixar de notar que o homem estava vestido com esmero. Em

seguida entrou outro homem com o mesmo padrão e cumprimentou o outro

com um sorriso entre dentes e simplesmente falou:

Oitavo !!

A capacidade do elevador era para cerca de doze pessoas, foram entrando e

repetindo:

Oitavo !!

O que me surpreendeu não foi a forma breve em que se deu a

lotação, mas, a maneira como as pessoas se dirigiam a mim. Depois da

primeira vez em que apertei o botão do oitavo andar não achei que fosse

necessário repetir o gesto. No entanto, todos que entraram no elevador se

dirigiram a mim sem ao menos se dignarem a me lançarem um olhar. Que

gente mal educada pensei, alguns até demonstravam certa contrariedade ao

acharem que eu não apertara o botão. Ficaram cochichando entre si,

provavelmente reclamando da minha morosidade.

Mal chegamos ao nosso destino, assim que a porta abriu, e as pessoas

se evadiram em um tropel. Deu até medo de tentar sair e ser atropelada. Ao

passar pela porta da sala de audiências pude notar que metade daquelas

pessoas estava sentada ali, provavelmente esperando a sua vez de

testemunhar. Entrei por uma porta lateral e após me identificar para o

secretário de audiências me dirigi ao meu lugar. Assim que sentei na

cadeira dei um bom dia a todos e declarei aberta a audiência. Precisei

repetir a minha fala pois notei que todas aquelas pessoas estavam atônitas

me olhando. Não pude deixar de pensar que graças àquele tailleur pude

perceber que a minha vida de Juíza naquela cidade não seria nada fácil.


ENIO ANDRADE é um consistente escritor pelotense 
se destacando como romancista que surge no cenário literário.
Recentemente lançou o romance "Dandara e a Princesa" a respeito do qual já comentamos em  A METADE SUL .
Acesse o link para ler 

quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

EM DISCUSSÃO A IMPLANTAÇÃO DE AEROGERADORES NA LAGUNA DOS PATOS - Lucio de Almeida Hecktheuer (*)

 


O governo do Estado, por meio da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema) abriu ontem a consulta pública para o futuro edital de concessão de uso de áreas da Lagoa dos Patos.

O objetivo seria implantar aerogeradores de energia elétrica (parque eólico)

Em tese a proposta permitiria oferecer soluções de médio e longo prazo para a geração de energia renovável e limpa.

Cabe salientar que a proposta, neste momento, é apenas especulativa dependendo para sua implementação de superar várias etapas que atentem não só para aspectos que possam ser de interesse imediatamente economicos mas, de forma muito importante, para as implicações ambientais.

O futuro da implantação de novos parques eólicos no Rio Grande do Sul

 A energia eólica no Brasil vem crescendo nos últimos anos e hoje já abastece milhões de residências. Em solo brasileiro temos mais de 520 parques eólicos totalizando 17,131 GW de potência instalada que produziu 57.051 GWh de energia elétrica no ano de 2020, energia essa equivalente a 9,18 % de toda energia elétrica gerada em 2020 segundo dados fornecidos pelo Balanço Energético Nacional de 2021. Atualmente 80% dos parques eólicos estão na região nordeste, sendo o Rio Grande do Norte e a Bahia os maiores Estados produtores. Desse total de parques eólicos brasileiros, apenas quatro deles são offshore (parques eólicos com as suas turbinas eólicas instaladas dentro dágua). São eles (offshore) o de Caucaia, o de Asa Branca, o de Jangada (Força Eólica do Brasil) e o de Camocim (Camocim Eireli). O maior deles é o Jangada, tanto em potência quanto em quantidade de turbinas. Os demais parques eólicos são onshore (turbinas eólicas instaladas em terra).


Dentre os principais parques eólicos no Brasil temos o Parque Eólico Giribatu localizado em Santa Vitória do Palmar (RS) com uma potência instalada de 258 MW; o Complexo Eólico do Alto do Sertão I localizado em Caetité, Guanambi e Igaporã (BA) com capacidade instalada de 293,6 MW e o de Osório (RS) com capacidade instalada de 300 MW.

Nesse contexto de geração de energia elétrica o Estado do Rio Grande do Sul, através da sua Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente (SEMA) está abrindo audiência pública para futuro processo de licitação de concessão da Laguna dos Patos para fins de geração de energia elétrica através de parques eólicos offshore. A SEME espera que, em fevereiro próximo, o processo licitatório já esteja ocorrendo.

Quanto a esse processo de concessão, cabe alguns questionamentos:

a)      Qual o potencial eólico da Laguna dos Patos?

Segundo o Atlas Eólico do Rio Grande do Sul, editado em 2014, o potencial eólico da Laguna dos Patos, com uma área de 9.427 km2, é de 24,5 GW. Para a elaboração do Atlas foram realizadas medições de ventos em 70 localidades do Estado com um período médio de medição de 2 anos mas nenhuma torre de medição foi instalada offshore na Laguna dos Patos o que adia a instalação de parques eólicos nesta laguna por 3 anos devido a exigências da ANEEL de medição de vento no local de instalação dos parques.


b)     Onde existem redes de transmissão próximas da Laguna dos Patos para futuras conexões dos Parques eólicos a serem instalados?



               A maior partes das redes de transmissão existentes perto da Laguna dos Patos estão localizadas no lado oeste. Essas redes poderão ser utilizadas para a conexão dos parques no sistema nacional de energia elétrica.

c)      Quais os impactos ambientais que poderão advir com a implantação de parques eólicos na Laguna e como podemos mitigá-los. O principal impacto é uma possível mortandade de pássaros mas esse fato deve ser melhor estudado e pesquisado a fim de quantifica-lo com maior acuracidade.

d)     Parques eólicos offshore têm suas instalações e manutenção necessitando mais cuidados e gastos que os onshore.

e)     Quais os custos de manutenção, operação e conexão na rede dos parques eólicos offshore? Com certeza são maiores que nos onshore.

f)       Quais as fontes de financiamento e condições serão oferecidas para a implantação desses parques eólicos pela iniciativa privada ?

g)      Por que parque eólicos offshore na Laguna dos Patos? Porque o bem do Estado a ser concedido é a Laguna e não as terras que a margeiam. Daí a concessão para a implantação das turbinas em água.

h)     Quais os benefícios da implantação de parques eólicos na Laguna? Incrementar atividades econômicas nas proximidades da Laguna. Hoje, nessa região, quase não existe atividade econômica. Além disso, o Estado contará com um acréscimo de geração de energia elétrica proveniente de uma fonte limpa que é a eólica, diversificando assim a matriz energética.

i)      Quais as vantagens de parques eólicos offshore em relação aos instalados em terra (onshore) ? Os parques offshore possibilitam, com um mesmo equipamento, gerar até 30% mais energia elétrica que os instalados em terra em função da não incidência de obstáculos e regime de ventos em alto mar. Normalmente esses parques offshore são instalados em oceanos distantes das margens.

j)      Quais as desvantagens de parques eólicos offshore em relação aos instalados em terra (onshore) ? Os custos de instalação, conexão a redes de energia, operação e manutenção mais elevados.

 Com base nos questionamentos abordadas, cabe agora esperar o processo de licitações e verificar se haverá empresas interessadas em investirem em parques eólicos offshore na Laguna dos Patos. A intenção do Estado em propiciar a concessão da Laguna dos Patos é boa, mas, com a falta de dados de ventos hoje existente e empreendedores sem condições de realizarem estudos de viabilidade econômica realista fica a pergunta: será que despertará interesse de algum empreendedor para essa atividade?

(*) Doutor em Energias Renováveis - UFRGS , Professor do IFSul, Campus Pelotas