sábado, 25 de julho de 2026

PERDEMOS... SÃO TRÊS HORAS DA MADRUGADA E NÃO CONSIGO DORMIR - Rogério Peres.

 


Perdemos. E há derrotas que não cabem no placar: ficam rondando a madrugada como vitórias mal contadas, dessas que chegam vestidas de alívio mas deixam no chão a nudez da cobrança.

Foi na ida que a ferida se abriu: 1 a 0, um gol pequeno no número e enorme no peso, uma pedra no bolso de quem já atravessa a rua mancando. Na volta, o Brasil foi buscar o que a bola havia levado — 2 a 1, no dente, na unha, no sopro, com aquilo que sobra quando já não resta o corpo. Vencemos o jogo, sim, mas vencemos como quem sobe a escada com a perna engessada: chega ao alto, levanta os braços, sorri para a foto — e desaba de dor.
Porque a verdade, essa que ninguém gosta de encarar, é que falta técnica aos pés daqueles que deveriam decidir em campo. E falta, mais ainda, quem os organize. Um comando sem inspiração é como uma bandeira sem vento: está lá, mas não flameja. Atua sem imposição tática, sem visão para mudar o que não funciona e, pior, culpa os liderados pelos próprios pecados.
Na decisão, o time jogou como quem bebe água benta à espera do milagre. O milagre não veio. A decisão foi para os pênaltis. E, nos pênaltis, caro torcedor xavante, quem realmente chuta da marca da cal não são os garotos de chuteira — é a SAF. É ela quem está diante do goleiro do destino, é ela quem precisa converter o que os gestores prometeram e ainda não entregaram.
Uma nuvem paira sobre a Baixada. Não uma nuvem passageira, mas daquelas que não se importam com a estação e insistem em ficar. O tempo está fechado para quem administra o clube, como está fechada também a recuperação judicial: suspensa, num limbo de papel e promessa.
Fica o vice. E o vice, ironia bonita do futebol, abre a porta da classificação para a Copa Sul-Sudeste. O calendário do ano que vem já não é mais agenda vazia: a vaga na Série D do Brasileiro está assegurada, carimbada, real.
Perdemos a decisão. Isso é fato, é chão, é osso.
Que sigamos firmes, pois fidelidade é o que temos. E que, mesmo com o peito apertado e o ar curto, nunca — nunca — percamos a força da nossa voz.
São três horas da madrugada, e não consigo dormir

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