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quarta-feira, 17 de maio de 2017

A CERIMÔNIA FÚNEBRE DE UM ANO DE GOLPE

Em cerimônia fúnebre, numa espécie de ritual machista no qual a inclusão da mulher só é visível no mural e em isolada presença entre os circunstantes, o supremo sacerdote Temer saúda um ano de golpe.
A vítima imolada em sacrifício é o povo.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

OS ESTADOS UNIDOS E O GOLPE DE 2016 - Brian Mier

O Conversa Afiada de Paulo Henrique Amorim reproduz artigo de Brian Mier, geógrafo norte-americano e editor da Brasil Wire (clique para ler o texto original em inglês):
Como os americanos ganharam com a queda da Dilma O que sabemos, o que não sabemos e o que podemos deduzir sobre o papel de hegemonia geopolítica no “golpe suave” que retirou a Presidenta Dilma Rousseff e seu governo

OS ESTADOS UNIDOS E O GOLPE DE 2016 - Brian Mier
Durante uma visita recente a Porto Alegre, o professor e escritor cubano Raúl Antonio Capote Fernandéz falou sobre o processo de 20 anos de recrutamento que resultou no Projeto Gênesis da CIA. O objetivo da CIA era de fomentar um “golpe suave” em Cuba, utilizando um aplicativo, parecido com Twitter, para gerar descontentamento com o governo cubano e, através do financiamento e capacitação para artistas, estudantes e professores (utilizando-se de ONG’s) criar um partido de oposição de falsa esquerda. Fernandéz falou que estratégias parecidas eram aplicadas na Venezuela, Irã e Líbia e continuavam a ser implementadas em muitos outros países no terceiro mundo. Ele falou, também, que uma estratégia-chave do “golpe suave” é solapar os pilares de um governo até que ele imploda, gerando caos. “Com o país em caos,” ele disse, “é possível recorrer a meios mais extremos.” Fernandéz relatou que o projeto Gênesis foi baseado nas teorias de Gene Sharp sobre o “golpe suave”. No caso cubano, o projeto da CIA enfraqueceu em 2006, quando Fidel Castro renunciou. De acordo com Fernandéz, os fatores que causaram o fracasso do plano em Cuba foram: 1) O Agente Darsi Ferrer desistiu dos seus planos de participar da geração de notícias falsas sobre o “caos em Cuba” que seriam espalhadas nas companhias de mídia americanas em 2006; 2) Os EUA subestimaram a inteligência do povo cubano; 3) a má compreensão sobre a revolução cubana, tida apenas como o culto à personalidade construído sobre Fidel Castro ao invés da expressão da vontade coletiva da grande maioria da população cubana; e 4) o fato de que a inteligência cubana sabia sobre o projeto o tempo todo e a CIA, inadvertidamente, contratou um agente duplo para gerenciar Projeto Gênesis. Por uma questão retórica vou supor que Fernandéz está falando a verdade e vou procurar fazer alguns paralelos entre a tentativa de “golpe suave” fracassado em Cuba e o “golpe suave” brasileiro de 2016, com o intuito de lançar alguma luz sobre o possível envolvimento do estado norte americano em todo este processo. Quando eu me refiro ao estado norte americano, penso no que Buci-Glucksmann chama de o “estado expandido” - não apenas o governo e suas instituições, mas a mídia comercial, o setor empresarial, partidos políticos e instituições de ensino que suportam tal estado. A primeira pergunta que farei é: Como os Estados Unidos podem se beneficiar de um golpe suave no Brasil? Algumas possíveis razões estão abaixo:

SEGUE  >>>>

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Tereza Cruvinel - A pintura da paisagem para o golpe


Por Tereza Cruvinel, em seu blog

Há alguns dias, o Brasil começou a parecer um país agradável nos telejornais, especialmente no Jornal Nacional, com notícias amenas e apresentadores serenos. Os jornais deixaram de falar de uma paisagem devastada e começaram a dar notícias boas: “Cresce o otimismo com a economia”, anunciou o Datafolha divulgando uma pesquisa pouco convincente, tanto em aspectos políticos como econômicos. Agora, 50% querem que Temer fique, contra 32% que preferem a volta de Dilma. Em abril o instituto apurou que a maioria não queria Dilma nem Temer. 61% aprovavam o impeachment dela, e 58% o dele. Alguma fada deve estar protegendo Temer porque nada mudou no cenário que justifique tal guinada do sentimento popular.

Nesta terça-feira, por sinal, ele deu um prazo de 20 dias para que seus ministros da área econômica apresentem medidas para estimular o crescimento. Tal prazo termina quando? Em agosto, ora, bolas. E tem a Olimpíada, que absorverá muita luz nas próximas semanas, deixando em segundo plano os problemas reais. Não há dúvida: começou a ser pintado, com cores suaves, um quadro de otimismo para favorecer a consumação final do golpe revestido de impeachment em agosto. Uma pintura em aquarela, com muita cor borrada e pouca nitidez das formas.

Na política, o governo emplacou Rodrigo Maia na presidência da Câmara para tocar sua agenda conservadora, começando pela PEC que aprisiona o crescimento do gasto publico no índice da inflação e pela reforma previdenciária. Da agenda de agosto Temer tratará esta noite num jantar com Rodrigo e Renan Calheiros, presidente do Senado. Quando o Congresso reabrir, no início de agosto, Meirelles e sua equipe estarão apresentando medidas pró-crescimento. Se elas fossem de fato possíveis e viáveis, já estariam sendo aplicadas, não estaria o governo perdendo um precioso tempo. Não importa o recheio do bolo, importa que tenha um glacê vistoso, que agora começará a ser preparado com muito açúcar.

Até o FMI apareceu neste início de semana informando que a recessão pode acabar sendo alguns décimos menor este ano, em relação ao que previra, e que em 2017 haverá crescimento, ainda que seja apenas de 0,5%. Mas nada como o Datafolha, ao informar que os otimistas com a economia são 38%, contra 30% de pessimistas. E numa contradição com os 60% que esperam aumento da inflação e do desemprego. Mas o que importa é a manchete, e ela falou de aumento do otimismo econômico.

Na linha do otimismo, apesar da inflação, do desemprego e do paradeira nos negócios, fomos também informados de que:

- A Caixa Econômica Federal voltará a financiar imóveis para a classe média.

- Temer pediu à equipe econômica que reduza os juros.

- As exportações podem ter um superávit de US$ 46,934 bilhões na balança comercial deste ano.

- Segundo a CNI, o Índice de Confiança do Empresário Industrial teve a terceira alta seguida em julho, passando de 45,7 pontos para 47,3.

- Segundo o Credit Default Swap (CDS), com a posse de Temer o risco Brasil caiu significativamente, passado de 495,09 pontos em dezembro passado para 294,35 neste mês de julho.

Muito mais pode ser encontrado numa garimpagem do noticiário econômico. Enquanto isso os congressistas aproveitam as férias e voltarão para trabalhar três dias por semana em agosto. No Senado, depois deste banho de cheiro e otimismo, será mais fácil confirmar a condenação de Dilma. A democracia? Seria problema se houvesse milhões nas ruas cobrando respeito ao voto, como na Turquia, mas aqui tudo segue na santa paz dos trópicos. O golpe não foi feito com tanques, o que gera indignação e revolta, mas com leis. Leis retorcidas e interpretações convenientes, mas com leis. E isso gera resignação e não revolta.

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Militância do PSB se revolta contra o apoio do partido ao golpe

Roberto Amaral e Luiza Erundina
O PSB em 2013 saiu do Governo Dilma “ pela porta da frente”, como bem disse Eduardo Campos. Saiu pois não queria continuar compactuando com as diversas concessões a direita brasileira, não concordava com a presença do PMDB e demais partidos de direita no Governo Dilma. Passado o tempo, diversas lideranças de esquerda do PSB se viram coagidas a se retirarem do partido por não mais encontrarem respaldo para as bandeiras dentro do PSB – aqui lamentamos profundamente a saída do Companheiro Glauber, da Companheira Erundina e do Companheiro e ex-Presidente do PSB, Roberto Amaral –. Esses eram quadros socialistas, sonhadores e ícones da esquerda brasileira e para nós, independentemente de suas atuais legendas, serão sempre companheiros, pois nosso campo de batalha é nas trincheiras da resistência da esquerda brasileira
A Militância aguerrida, resistente e lutadora do PSB vem a público manifestar-se contraria à decisão da Executiva do Partido de apoiar um GOLPE de estado transvestido de impeachment. Sim, um golpe, pois atualmente não existe nada provado que leve a Presidenta da República a ser impedida de exercer seu mandato constitucional e legalmente investido. O crime de responsabilidade não está provado neste pedido. Por não estar provado e não existir fato concreto sobre absolutamente nada que comprove o crime de responsabilidade, o impedimento do atual mandato é golpe. Um golpe é caracterizado quando a ruptura da normalidade democrática é realizada. Por isso, nós da militância do PSB, não deixaremos de afirmar que o processo de impeachment tramitando no congresso é um cru e cruel golpe de estado.
Entendemos que o momento político atual é conturbado e confuso. A existência de escândalos de corrupção é inegável e diversas investigações apontam para todos os lados. Não sobram partidos. Todos, inclusive o nosso, receberam doações de empresas investigadas na Lava-Jato. Entretanto, devemos nos ater que o processo de impedimento aberto contra a Presidenta da República não é referente à operação em curso ou a qualquer escândalo de corrupção.
O que está posto hoje é um esquema generalizado de poderio econômico, lobby e todo tipo de interesses que só servem para uma pequena classe desse país, a classe política e empresarial. O dinheiro tomou conta dos partidos e as propinas correm solta nos corredores do nosso parlamento. Tudo isso está provado na Operação Lava-Jato. E temos de pontuar que esses esquemas surgiram desde Sarney – ou mesmo no período militar – e enraizaram-se na nossa República.
O escancaramento dessa corrupção sistêmica e endêmica nos leva a reflexão de que o nosso sistema representativo partidário está falido e que nossa jovem democracia está sendo sustentada pelo poderio econômico de grandes empresas e políticos corruptos. Recentemente tivemos uma grande vitória em relação a isto – o fim do financiamento privado de campanha –. Agora é o momento de a bandeira da reforma política ser levantada. Reforma essa que deve ser construída com a sociedade civil organizada, com as ruas e, principalmente, com os jovens.
Atualmente não vemos nossos representantes eleitos discutindo esse tema. O que está posto na cara da população brasileira é uma luta oca de poder pelo poder; cidadãos e partidos sem legitimidade e moral para levantar bandeiras anticorrupção; um fascismo crescendo exponencialmente; a grande mídia maculada com todos os interesses que prestam desserviços ao país.
É nesse somatório de forças avessas à democracia que o nosso PSB se alinhou nos últimos dias. Alinhamento esse contrariado por grande parte de sua militância orgânica; alinhamento esse que trai todo o seu projeto político partidário; alinhamento que coloca o pragmatismo à frente de qualquer ideologia.
A militância do Partido Socialista Brasileiro não concorda em ser peça desse golpe de estado perpetrado pelas forças mais conservadoras e esdrúxulas desse país. Não concordamos em trair o país. Não concordamos em ser uma massa de manobra nesse jogo odiento.
Nós temos um lado e ele com certeza não é o lado da mídia, não é o lado de Temer e Cunha, tampouco o lado de Bolsonaro e de viúvas da ditadura militar. Nosso lado é o lado do povo, o lado da democracia, o lado dos artistas e intelectuais, o lado da luta e da resistência.
Por isso, Senhores e Senhoras Dirigentes do PSB, Senhores e Senhoras parlamentares, O PSB NÃO COMBINA COM O GOLPE! NÃO VAMOS DESISTIR DA DEMOCRACIA !