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quarta-feira, 25 de novembro de 2020

AVANÇO CONSTRUTIVO AMEAÇA BANHADO DO BIG - Marcelo Dutra (*)


E assim, em silêncio, mais um remanescente ambiental vai sendo apagado do mapa. 
O Banhado do BIG, como ficou conhecido, será aterrado, em breve. 
A construtora ingressou com o pedido de licença prévia (licença de viabilidade do empreendimento) e no momento atende pendências formais, observadas na análise do processo. 
No local, verifiquei uma espécie de dreno e marcas que parecem ser de sondagem. Tentam provar que este remanescente úmido não corresponde a um banhado natural, o que de acordo com a nova resolução do CONSEMA torna a área apta ao avanço construtivo, sem restrições. 
No entanto, questiono essa hipótese e aponto que o local abriga espécies de aves características e realiza um importante serviço ambiental naquela região. 
O efeito esponja do banhado minimiza o impacto dos volumes aumentados de precipitação e reduz o risco de alagamentos. 
Portanto, retirar esta parcela de banhado pode significar um risco aos moradores do entorno, que já vivem em um espaço impermeabilizado e afetado pelos períodos de chuva. A área deveria ser integrada ao espaço urbano e servir de elemento estratégico. 
Falta qualidade ao avanço construtivo, que não prima pelos efeitos coletivos e princípios da sustentabilidade. 
Precisamos revisar os conceitos! 

(*) Professor da FURG

segunda-feira, 26 de outubro de 2020

LOTEAMENTO AMARÍLIS E OS CONFLITOS AMBIENTAIS - Marcelo Dutra (*)

 


O histórico de conflitos ambientais do loteamento Amarílis (Laranjal) impressiona pelos erros sucessivos da gestão pública, que começa no licenciamento equivocado, na falta de acompanhamento das obras, descontinuidades, embargos... e segue muito longe do ideal.

 No Amarílis temos um combinado de tudo, faltou técnica, atenção aos princípios ambientais tais e interesse dos empreendedores. Sobrou para os moradores mais interessados, que continuaram lutando pelo que foi prometido e não cumprido, entre outras demandas, que aos poucos vão surgindo. 

Infelizmente, a praça não surgiu, a área destinada a conservação não está cercada da forma adequada, a trilha não é uma trilha e a fase dois responde a litígio arqueológico, já que foram encontradas evidências de que os sítios foram destruídos na construção. 

Portanto, não podemos repetir os erros do Amarílis na aprovação de novos empreendimentos. E aos moradores, devemos oferecer todo apoio técnico possível, para que soluções sejam encontradas e viabilizadas da melhor forma possível. 

O Amarílis é um lugar lindo, que tem um potencial ambiental raro, que outros empreendimentos da cidade não tem. Só precisamos mudar a nossa forma de perceber o espaço.


(*) Professor da FURG

sábado, 10 de outubro de 2020

FIM DO BANHADO DO BIG - Marcelo Dutra (*)

 

Áreas úmidas são importantes, não só porque abrigam berçários de diversidade, mas porque também exercem uma importante função ecológica, que conhecemos como serviço ambiental. Banhados são receptores de água (esponjas) e quando aterrados essa função se perde. Ainda restam alguns banhados no entorno urbano de Pelotas, mas o avanço urbano, sem atenção aos princípios da sustentabilidade, está levando ao fim dos poucos banhados e áreas úmidas de campo encharcados que ainda temos. Portanto, saneamento precário, drenagem insuficiente e obstruída, aliados ao fim dos banhados... resulta na condição perfeita para que alagamentos se formem, sob qualquer chuva mais intensa. Poderia ser diferente!

(*) Prof. da FURG

quinta-feira, 11 de junho de 2020

COVID-19 :ACELERAÇÃO DE CASOS EM PELOTAS - Marcelo Dutra

Curva mostra acréscimo acelerado de infecções
Nesta quinta-feira, dia 11, confirmamos o nosso 147° caso de Infecção por COVID-19, em Pelotas. Estamos em um novo estágio da aceleração, que teve início no dia 13 de maio, quando registrávamos 41 casos. Desta data, até o presente, são 106 casos adicionais, e crescendo. Tenho acompanhado a evolução da pandemia, desde o princípio, a partir dos dados oficiais da Prefeitura. A curva parte do primeiro caso de COVID-19 no Brasil, em 26/fev., seguido do primeiro caso na cidade, em 25/mar. Estimo que o nosso período de exposição ao vírus tenha começado no dia 11/mar, 14 dias antes do primeiro registro (período de incubação). Tivemos, por um tempo, poucos casos notificados, mas a realidade mudou, completamente. O aumento da circulação de pessoas nas ruas pode estar contribuindo e as novas medidas de flexibilização deverão agravar o problema. Não é hora de relaxar as medidas. É loucura qualquer novo estímulo à circulação. O acréscimo de novos casos está muito maior que o projetado inicialmente. E na medida que diminuímos as restrições, aumentamos o risco de mortes.
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https://www.facebook.com/445094589628886/posts/741271696677839/?d=n

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

O NOME DISSO É BURRICE! - Árvores são retiradas do Largo de Portugal -PROF. MARCELO DUTRA


Que triste! Pelotas está andando para trás e nada parece ser tão ruim, em matéria de meio ambiente, quanto saneamento, cobertura arbórea e conforto urbano. A cada novidade um golpe na nossa qualidade de vida. Até quando vamos tolerar isso? Sabe-se que a quantidade mínima preconizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é de 12 m² de área verde por habitante, e a ideal de 36 m², ou seja, cerca de três árvores por morador. No mundo, a referência é Estocolmo: são 86 metros quadrados de área verde por habitante. E já que estamos tão distantes, perto de 4 m² ... Porque a Prefeitura insiste em exterminar o verde? O que ganhamos em eliminar árvores estabelecidas, que não atrapalham? Lembrando que, na medida que árvores saem de cena, por onde é asfalto ou pedra, fica mais quente e todos nós sofremos com o calor. Que burrice!
A Seplag explica que a medida faz parte das obras de revitalização do espaço e garante que outras 20 serão replantadas na cidade.
Fonte: Diário Popular
Acesse https://mla.bs/0bd9c6bb
Foto: Carlos Queiroz - DP

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

O CASO AMARILIS - DESMATAMENTO, DENÚNCIAS E MOBILIZAÇÃO - Prof. Marcelo Dutra da Silva



O direito de propriedade não é absoluto! Portanto, ser dono não te dá o direito de descumprir a Lei, de ser insensível ao bem coletivo e degradar o patrimônio público, de interesse social.

E como bem estabelece o Art. 225 da nossa Constituição Federal: “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.”

Portanto, atentar contra o meio ambiente pode trazer consequências e quem concorre para a prática de condutas e atividades lesivas está sujeito às sanções penais e administrativas, conforme a Lei 9.605/98, que dispõe sobre Crimes Ambientais.

FOTO PAULO ROSSI
A supressão da mata nativa no residencial Amarílis, em 2017, foi um ato criminoso e deixou evidente que alguma coisa não vai bem na política ambiental de Pelotas.

As atividades do empreendimento ficaram dois anos paralisadas, sob interdição. Justificativa: descumprimento da licença ambiental.

Mas, se naquela época o avanço sobre a mata se deu de forma irregular, agora a história é diferente e a SQA autorizou algo muito estranho. O empreendedor recebeu uma nova licença e deu início aos acessos e parcelamento dos novos lotes, todos sobre o espaço coberto pela mata, que restou dentro dos lotes e que será derrubada, na medida que forem comercializados para construir.

Enfim, um prática terrível, resultante do nosso modelo atrasado de aprovação dos empreendimentos imobiliários. Também, talvez seja hora de revisarmos o nosso licenciamento municipal, que apesar de pleno, pode estar reproduzindo erros de forma sistemática.

A mata do Amarílis compreende um remanescente de mata de restinga, um refúgio relictual da vida silvestre, que naquele ponto está associado ao limite da barreira arenosa do Pleistoceno, antigo leito marinho, que marca o processo evolutivo da Planície Costeira. É parte integrante do complexo de matas do Laranjal, que reúne Totó e Balneário dos Prazeres, e que se estende até às dunas, mais ao sul, alcançando as margens do Canal São Gonçalo.

Um extenso e belo corredor ecológico, que associa áreas naturais diversas, de banhados, campos e dunas, todos fortemente pressionados pela ocupação irregular e expansão urbana desordenada.

Esta região abriga espécies vegetais em perigo e de elevado significado para a conservação da biodiversidade, bem como elementos importantes da fauna, incluindo espécies raras, endêmicas e/ou fortemente ameaçadas de extinção.

O estrago no Amarílis foi grande, mas não definitivo. É possível restabelecer a mata e o primeiro passo é conter os pontos de erosão que estão se formando no terreno.

O ambiente de restinga é protegido por Lei e está contemplado como área de interesse à conservação, pois se encontra listrada na Reserva da Biosfera e é protegida pela UNESC. Além disso, ela associa córregos, nascentes e pequenos banhados, o que a torna uma grande área de preservação permanente, que deveria estar protegida de cortes e sob a responsabilidade pública do município.

Enfim, o tema é polêmico e vem repercutindo com força. Os moradores do loteamento estão preocupados e enfrentam um processo judicial por outro descumprimento do empreendedor, que ameaça lhes tirar a praça (prévia no projeto original).

O que acontece no Amarílis vem se repetindo há anos e nos coloca em situação de alerta. Afinal, a política ambiental para ser bem sucedida depende da colaboração de todos.

sábado, 17 de agosto de 2019

S.O.S. ARROIO PELOTAS - Marcelo Dutra da Silva (*)


A ocupação indiscriminada do ambiente de margem é uma prática comum que acompanhou o processo de fixação do homem na cidade. Grandes civilizações nasceram e prosperaram explorando os serviços ambientais da margem dos
rios, o que inclui solo fértil e água doce em abundância. Grandes cidades do mundo moderno ostentam maravilhas da arquitetura e a instalação de infra-estruturas urbanas invejáveis, onde o espaço natural da margem e as funções do ecossistema foram substituídos por quilômetros de concreto armado e pavimentação, às vezes sem lugar para uma única árvore ou qualquer outro tipo de vegetação. Não se engane, nem todo lugar é lindo como o rio Sena, em Paris (França) ou rio Tâmisa, em Londres (Inglaterra), que já foi chamado de “o grande fedor”, mas que após um longo período de despoluição e re-naturalização das margens passou a abrigar diversas espécies de peixes, entre elas o salmão. A maior parte representa cenários de pura degradação, rios sufocados pelo avanço urbano, contaminados e sem vida, como o rio Ganges, na Índia e o rio Tietê, em São Paulo, no Brasil. Quem nunca ouviu falar da poluição do Guaíba, no entorno de POA? E Sinos, Gravataí e Caí te soa familiar? Os três estão entre os rios mais poluídos do país e refletem o modelo de desenvolvimento adotado pela metade norte, de crescimento econômico máximo e controle mínimo do Estado, no qual não se respeita a Lei, a natureza e nem as pessoas. E por aqui não se foge a regra, mas temos a chance de fazer diferente. Ainda não destruímos tudo e não precisamos destruir. Podemos crescer com características de sustentabilidade, sem repetir os erros de outras formas de desenvolvimento. Pelotas é a maior cidade da metade sul, que junto de Rio Grande formam uma população que supera os 500 mil habitantes (dados do IBGE Cidades). As demandas ambientais são gigantescas e tanto aqui, quanto ali, por falta de controle da administração pública, a expansão desordenada do espaço urbano avançou sobre as
margens e áreas de preservação permanente, destruindo habitats e as conexões espaciais entre os ecossistemas, reduzindo drasticamente as condições necessárias para a manutenção da biodiversidade. No arroio Pelotas, onde o espaço público de margem tornou-se privativo de poucos, a ocupação de luxo avançou e fez um estrago considerável. Patrimônio Cultural do Estado (Lei n° 11.895/03), por iniciativa do então Dep. Bernardo de Souza, vem tendo suas margens consumidas pela expansão urbana sem controle. No entanto, não é certo atribuir culpa exclusiva aos que adquiriram terrenos e lá edificaram suas casas. Margens de arroio são área de preservação permanente e zonas vulneráveis às enchentes. O administrador público jamais deveria ter permitido tal estabelecimento, a legislação é clara, nessas condições o parcelamento do solo é indevido, ou seja, não pode (consulte a Lei nº 6.766/79, que dispõe sobre o parcelamento do solo; a Lei nº 9.605/98, que dispõe sobre os crimes ambientais; e a Lei nº 12.651/12, que dispõe sobre a proteção da vegetação nativa). Mas a prefeitura aprovou, licenciou, concedeu o habite-se e realiza o recolhimento de taxas e impostos, como IPTU, água, esgoto e daqui há pouco o lixo. A maioria das pessoas não fazia ideia do problema, até que surgiram as primeiras denúncias. Muitos estão preocupados e com razão. O Executivo errou em não informar as pessoas e continuará errando se não impedir o avanço de novos empreendimentos, se não partir para uma fiscalização mais efetiva, e se não buscar alternativas viáveis para minimizar os danos e recuperar parte do que foi perdido. Pelotas precisa apostar na educação ambiental!

(*) Ecólogo | dutradasilva@terra.com.br
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Publicação original de 2017