terça-feira, 15 de outubro de 2019
A FORÇA DOS PARTIDOS É A VITÓRIA DA DEMOCRACIA::O CASO TABATA AMARAL - Gabriel Cassiano
Fui bolsista do RenovaBR em 2018. Foi ali que conheci a hoje deputada federal Tabata Amaral e a convidei para vir ao PDT. Naquela data, pela força da narrativa de sua história, com o seu visível potencial eleitoral e com partidos antenados para garantir a própria sobrevivência (após a aprovação das novas cláusulas eleitorais), muitas siglas a sondavam para que ela pudesse se filiar e ser candidata.
A decisão de sua filiação em determinado partido estava praticamente tomada. Lideranças da agremiação em que ela possivelmente se filiaria (não vou nominar) já davam como certa a assinatura de sua ficha.
Os desafios da construção do PDT em São Paulo eram enormes. Sem ter presenciado as condições de nossa estrutura partidária, tanto no estado quanto na capital, ninguém pode ter ideia da dimensão das lacunas que nos separavam das mínimas condições para difundir um “Projeto Nacional de Desenvolvimento”. Trata-se de um extenso e habitado território que é chave para compreender a desindustrialização tanto na sua percepção teórica quanto na vivência prática de suas consequências mais graves, como o desemprego por exemplo.
As causas que explicam esse angustiante cenário são as mais variadas possíveis. Do antagonismo histórico ao trabalhismo e a construção do Brasil Moderno, representados pela velha república capitaneada por São Paulo, até as frustrações pelos erros de apostas em lideranças que se revelaram verdadeiros descompromissados com o futuro da nação e do povo.
Mas há de imperar o ditado popular: “Quem não arrisca não petisca” e infelizmente para nós trabalhistas a vida será sempre mais dura e a proporcionalidade do estrago do “prêmio de risco” muito mais intensa.
O paradoxo intrínseco na lógica desta sabedoria beira a imensurabilidade, ou seja, o ápice da imprevisibilidade. No entanto, como sou operador da política e não um estudioso dessa maravilhosa arte, preciso agir e fazer, e o tempo, bem como a variação quase diária dos cenários, são inimigos.
Mas voltemos à cronologia dos fatos.
Marquei um café com a famosa Tabata na lanchonete da ALESP após conhecê-la durante as formações do RenovaBR. Algo muito informal e despretensioso. Já sabia um pouco sobre sua história por artigos e matérias de televisão. Queria conhecê-la melhor. O que pensava sobre os diversos assuntos. Ela também iria me apresentar e me falar um pouco mais sobre o movimento “Acredito”, que confesso, desde aquela época já via com maus olhos, muito por endossar o discurso da nova política e por enxergar existir uma contradição colossal na gênese de sua concepção.
Interessante ressaltar que não tinha conhecimento do que era o tal de RenovaBR. Foi um amigo de infância que estagiava na instituição que me mandou o link de inscrição e explicou os detalhes em uma conversa por telefone.
Algo me chamou muita atenção: a bolsa que seria paga durante o período de realização do curso. Para mim, que queria tirar aquele ano para a construção do partido, para auxiliar a campanha presidencial de Ciro Gomes e, quem sabe, lançar uma candidatura para representar nossa juventude, seria perfeito. Precisava de dinheiro para me manter e pagar minha faculdade e se tivesse que trabalhar fora e estudar ao mesmo tempo não teria a menor condição de fazer nenhuma das três coisas.
Até então era um militante pedetista desde 2016, com 20 anos de idade, estudante de economia e que tinha se convencido a entrar no partido após a palestra do Ciro na PUC-SP que organizei junto com o movimento que tocava na FEA. O projeto que Ciro expôs naquela ocasião, bem como sua nítida paixão pelo Brasil, foram pontos cruciais para minha decisão.
Após essa digressão para o interlocutor conhecer um pouco mais sobre minha história, voltemos ao café na ALESP.
Fui ouvindo o que Tabata falava e gostando bastante, apesar de notar que ela não era propriamente trabalhista. A trajetória de vida e a força da bandeira pela educação pública eram latentes e grandes chamarizes. Havia muita verdade naquilo que ela falava. O fato de o PDT ser também o partido da educação pública e integral, ter Brizola e Darcy como referências históricas e o modelo de educação básica do Ceará e Sobral como trunfo presente, começaram naquele instante a evidenciar para Tabata a ligação entre Ciro, o PDT e a sua principal bandeira política, a Educação.
Naquele momento percebi que chegara ao ápice da conversa e que Tabata redobrou a atenção. A partir daí, abriu-se caminho para que, de forma audaciosa e até mesmo um pouco precipitada, eu fizesse uma pergunta que mudaria a minha história, a dela, a do PDT, a de Ciro e, de certo modo, a da política nacional.
Considerei precipitada porque no mesmo instante carregava em minha mente a enorme vontade de auxiliar no crescimento do PDT em São Paulo e como sou político e portanto antenado principalmente nos movimentos da sociedade e suas demandas, minha intuição previa que a “renovação política” teria boa aceitação por parte do eleitorado. Mas também sou jovem e por isso inexperiente, o que me levou a crer que as incompatibilidades de Tabata com o trabalhismo poderiam se desdobrar em consequências que não conseguiria dimensionar.
Perguntei se após tudo o que tínhamos conversado, ela não achava que o PDT seria sua melhor casa, tanto para desenvolver sua candidatura quanto para construir um ambicioso plano de educação para São Paulo com respaldo dos melhores técnicos do Ceará e a chancela de Ciro.
Seu semblante foi único e inesquecível. Era nítido que ela ficara maravilhada com o horizonte político que poderia ser moldado. A famigerada “Experiência de Sobral” estava assentada como um oásis no nordeste setentrional (Ceará) e consequentemente, na vitrine do PDT. Mas era preciso de um, ou melhor dizendo, de uma representante em São Paulo.
Nesse aspecto a vinda de Tabata para o PDT “faria todo sentido”.
As contradições aparentes entre nosso norte ideológico e sua nítida formação social-liberal teriam condições de serem fustigadas à medida que ela fosse envolvida com a estrutura partidária, o “PND”, nossas principais lideranças, a base da militância e também pela futura justa cobrança dos eleitores que definiram a opção de voto por sua vinda para o PDT.
Uma possível vitória de Ciro e uma acolhida solidária, franca e genuína também seriam fatores preponderantes para pesar na balança ideológica de disputa e aposta do “quadro Tabata”.
Estava latente que caso fosse eleita em um futuro não muito distante chegaria o momento de fazer uma escolha.
A imponderável e singular ocasião mostraria quem teve mais força na batalha, mas de longe seria capaz de alcunhar aos responsáveis as insígnias de ingenuidade ou equívoco.
O caminho da disputa é o mais árduo e conflitante, mas se tratando de jovens sempre será imperativo!
Voltemos…
Ela não decidiu pela filiação imediatamente. Daquela conversa até a data de sua filiação transcorreriam mais de 30 dias. Muitos encontros e reuniões.
Nesse intervalo, corri para apresentar Tabata à direção do PDT de São Paulo. Também fiz a ponte entre ela e o nosso companheiro de JS, Túlio Gadelha. Consegui um breve diálogo entre ela e nosso presidente Nacional, Carlos Lupi, e também, pasmem, coloquei ela e o Ciro para se falarem novamente.
A última vez que isso ocorrera havia sido na famosa palestra de Ciro em Harvard, em que Tabata se apresenta como estudante de astrofisíca e ciências políticas e faz uma pergunta sobre o mundo político para ele. Com muito bom humor, Ciro disse: “Astrofisíca e Política? Oh Inveja!”
E foi no meu celular que em março de 2018 Ciro me ligou após pousar no aeroporto de Londres para uma palestra em Oxford, para falar com Tabata e convencê-la a se filiar no PDT. Lembro até hoje desse dia. Estávamos no diretório estadual do partido, na Brigadeiro, e Tabata ficou muito feliz e entusiasmada com o aceno de Ciro. Isso foi decisivo.
Dias antes de ir ao diretório do PDT para entregar definitivamente a ficha de filiação assinada, Tabata nos encaminhou uma carta compromisso do Acredito para ser assinada por ela em conjunto com a direção do PDT.
O Secretário Geral do PDT-SP assinou a “polêmica” carta. E digo mais. O PDT cumpriu exatamente tudo o que foi assinado. Todos os tópicos.
No segundo item, o PDT foi além. O acordo preconizava que os “Representantes cívicos do Acredito terão a chancela do partido para concorrerem aos cargos eletivos, com igualdade de condições em relação aos demais filiados ao partido.”, mas Tabata teve uma condição privilegiada no repasse de recursos pelo Diretório Nacional, no tempo de televisão de suas propagandas eleitorais e, acima de tudo, na dedicação de Ciro para divulgar sua imagem.
Ciro fez campanha para Tabata como para nenhum outro candidato. Veio até no lançamento de sua candidatura.
Agora, não há nenhum parágrafo neste acordo que apregoa que Tabata teria independência para votar como quisesse ou para votar de acordo com as orientações e fechamentos de questões do Movimento Acredito.
Por isso, utilizar o conteúdo dessa carta para justificar qualquer tipo de conduta ou votação da deputada que desrespeite as decisões internas, soberanas e democráticas do PDT é absolutamente irrelevante e inócuo, tanto do ponto de vista moral como legal.
De antemão, toda essa contextualização foi muito importante para de imediato afastar duas ilações de quem não vive no mundo político: a suposta “conspiração/ infiltração” de Tabata por Lehman para desestabilizar e neutralizar o único partido que resguardava a última trincheira de luta nacionalista no país e a de que o PDT estaria trazendo ela para ganhar votos e aumentar a sua bancada na câmara federal.
O primeiro absurdo foi difundido por uma respeitosa blogosfera de nacionalistas, mas não faz o menor sentido tendo como base a verídica sequência de fatos que narrei até aqui. A não ser que também achem que sou algum tipo de infiltrado do Leahman, por ter participado do RenovaBR. Acredito, contudo, que o conteúdo deste texto e minha trajetória de militância afastam essa hipótese.
O que pode ser válido questionar é a intensidade com que determinadas lideranças do PDT, me incluo aqui, defenderam e recrutaram Tabata na linha da tentativa de disputa. Mas uma sofisticada engenharia de penetração, pelo menos no momento de sua filiação, reitero, jamais ocorreu.
Inclusive, muita gente dos movimentos de renovação e que orbitavam a futura parlamentar foram contra sua vinda para o PDT e tentaram convencê-la até o último instante a rever a decisão. Não vou citar nomes.
Outra questão foi o boato espalhado pelos defensores de Tabata e membros dos movimentos paralelos com o objetivo de desmoralizar o PDT e dizer que nos aproveitamos eleitoralmente de Tabata e a usamos para benefício próprio.
Esse é um boato que pode ser desmentido pela própria deputada. Ela mais do que ninguém sabe das dificuldades encontradas para convencer a direção do PDT de que sua candidatura teria muito sucesso. Apesar de eu ser um entusiasta e ter convicção disso.
Na primeira reunião da executiva estadual, após o término do período da janela de filiações partidárias, em abril, alguns membros estimaram que ela teria no máximo 30 mil votos. Outros a chamaram de “blogueira”.
Se fizermos um comparativo entre os recursos do fundo eleitoral ou partidário recebidos por ela e alguns outros candidatos de São Paulo, veremos que ela não foi a maior beneficiada, apesar de estar muito acima da média. (Ainda mais se levarmos em conta a proporção do recurso sendo que já estava em vigência a legislação que garantia a cota de no mínimo 30% dos recursos do fundo para campanhas femininas).
Mas enfim. Toda essa introdução para que eu pudesse elucidar meus argumentos e finalmente me posicionar publicamente sobre o tema.
Vamos lá!
Partidos fortes e coesos são os responsáveis em primeiro grau pela vitória das democracias e o êxito de suas instituições.
Os partidos não podem servir de enfeites e devem possuir mecanismos internos que garantam a manutenção de suas ideologias bem como a retidão de seus quadros.
Não há melhor meio para se combater a corrupção dos agentes públicos, a malversação, a negociata, as chantagens, os lobbies indevidos e a roubalheira generalizada do que estimular que os partidos estejam ancorados e guiados pela fortaleza de seus ideais.
A democracia no Brasil, queira-se ou não, é representativa. Os partidos políticos representam partes e não o inteiro da sociedade.
Candidaturas independentes caracterizam os mais altos níveis de egoísmo e truísmo existentes. Significam criar uma casta de déspotas esclarecidos que julgam saber o melhor e único caminho para a nação. Todo e qualquer contraditório “faz parte de um conjunto de mentiras proliferado por agrupamentos obsoletos e que são escravos das suas amarras ideológicas ultrapassadas”.
Cria-se um discurso pseudo-técnico para justificar a implementação de uma agenda política e econômica que não tem nada de independente. Em doses cavalares isso pode beirar o fascismo.
O discurso da nova política dá origem a verdadeiras armadilhas ao estado de direito. Ele é vazio e superficial. Cria monstros onde não existem. De forma perniciosa, surfa na caricatura da ineficiência para travestir Lobos em Cordeiros e perpetuar as profundas desigualdades em nosso país.
E o mais deletério é que a nova política acaba se tornando um grande monstro indomável que se vira contra as figuras que a pariram num piscar de olhos. Basta ter deixado um pequeno rastro de incoerência, por mais digno e legalmente respaldado que seja, mas que colide diretamente com a caricatura forjada de um purismo messiânico.
Infelizmente, Tabata não só fez uma escolha equivocada como acabou sendo porta-voz direta ou indiretamente de todos os tópicos que acabei de citar acima.
Afirmou e reiterou em vídeo postado em suas redes sociais e artigo de opinião publicado no jornal “Folha de S. Paulo” que votou a favor da reforma da previdência por convicções pessoais e não eleitorais e que sua postura estaria motivando perseguições políticas oriundas de “partidos que já não representam a sociedade, mas somente alguns de seus nichos.”
Foi além e disse ainda: “as siglas ainda ostentam estruturas antigas de comando, e na maioria faz falta mais democracia interna. Muitas vezes, consensos sobre pautas complexas não são construídos de baixo para cima, e cartilhas antigas se sobrepõem aos estudos e evidências.”
Essas palavras vão justamente na contramão das ações e práticas do PDT.
Em convenção nacional do partido realizada no início do ano com a presença de Tabata colocamos em votação a proposta para fechamento de questão contra a reforma da previdência. Ninguém se manifestou de modo contrário. O encaminhamento foi aprovado por unanimidade. Isso é sinônimo de democracia.
Fomos o único partido na Câmara a apresentar um substitutivo ao projeto encaminhado pelo governo. Não somos irresponsáveis e fazemos uma oposição propositiva. Nosso projeto de reforma é fundamentado em muitas evidências e dados estatísticos, pra além de ser socialmente justo e sintonizado com nossos princípios.
Não queremos ver o circo pegar fogo e o povo morrer queimado. O PDT lutou nas comissões Especial e de Constituição e Justiça para melhorar o texto. Isso não significa que a PEC ainda não estava repleta de perversidades. Por isso, o PDT votou contra o texto base que foi aprovado e posteriormente apresentou destaques para redução de danos. Uma oposição mais propositiva que essa eu não vejo. Isso é democracia.
Com muita dor no coração, admito que todos esses elementos me levam a ter certeza de que Tabata não tem mais lugar no PDT. Ao assumir essa postura, Tabata se colocou avessa a valores elementares do trabalhismo e da subordinação partidária. Colocou sua opinião pessoal como mais inteligente e racional do que toda uma estratégia democraticamente postulada por um coletivo e, também, mentiu ao classificar o PDT de modo pejorativo.
Assumiu uma espécie de “dupla militância” e provou que quando a situação apertar, não estará junto conosco.
Me dói escrever cada palavra. Gosto muito da Tabata. Uma menina que aprendi a admirar e respeitar por sua grandiosa história. Jamais seria capaz de dizer uma vírgula sobre sua pessoa.
Eu errei. Se tem um culpado por tudo isso sou eu. Não queria colocar Tabata nessa situação. Sei que está sendo muito difícil pra ela. Talvez se não tivéssemos tomado aquele café na ALESP, nada disso estaria acontecendo agora. Nossos destinos seriam bem diferentes.
Mas como voltar no tempo é impossível, sigo o imperativo da coerência por mais duro que seja. Dou razão aos meus valores ideológicos e nada mais tenho a declarar.
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Gabriel Cassiano, estudante de economia da PUC-SP, membro do diretório nacional do PDT, membro da executiva estadual do PDT, presidente da JS-PDT da cidade de São Paulo e deputado estadual suplente.
sábado, 12 de outubro de 2019
USTEDES SON RESPONSABLES POR LO QUE VA VENIR- Pepe Mujica
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El ex presidente uruguayo José "Pepe" Mujica instó hoy a los estudiantes del Colegio Nacional Buenos Aires a “pelear contra ese egoísmo que nos amenaza de un holocausto ecológico”. Asimismo, auguró que “la Argentina va a salir de la angustia que tiene”, en una charla que ofreció junto al candidato presidencial del Frente de Todos, Alberto Fernández, en el Colegio Nacional Buenos Aires.MMMM
El ex presidente uruguayo José "Pepe" Mujica instó hoy a los estudiantes del Colegio Nacional Buenos Aires a “pelear contra ese egoísmo que nos amenaza de un holocausto ecológico”. Asimismo, auguró que “la Argentina va a salir de la angustia que tiene”, en una charla que ofreció junto al candidato presidencial del Frente de Todos, Alberto Fernández, en el Colegio Nacional Buenos Aires.MMMM
sexta-feira, 11 de outubro de 2019
O FANTÁSTICO GAVIÃO REAL
O gavião-real é um pássaro tão grande que as pessoas acham que é um humano em uma fantasia
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quarta-feira, 9 de outubro de 2019
CASO AMARILIS: COMUNIDADE EXIGE EXPLICAÇÕES
Algo de muito errado acontece nas liberações de licenças ambientais para grandes empreendimentos em Pelotas. Não nos pequenos pedidos de moradores ou pequenos comércios, que tem negado pedidos de retiradas de árvores que colocam em risco suas casas.
Como o caso do comércio de aviamentos na José Maria da Fontoura que viu seu local de trabalho destruído por um grande eucalipto que caiu em cima do estabelecimento. Isso depois dos donos recorrem durante meses a SQA avisando que a árvore estava podre e nada ser feito. Ou no caso do Deck do Pontal da Barra, um parklet público de baixo impacto que não agredia a área de dunas, muito pelo contrário, as protegia.
Mas sim a liberdade dada aos grandes construtores, que parecem contar na SQA como uma extensão do departamento interno de suas empresas. Onde na mesa do Secretário Felipe encontravam-se até canetas com o logotipo da empresa Navarini, como presenciaram moradores do Amarillis que se reuniram na secretaria exigindo providências e saíram com a certeza de que o órgão que deveria proteger o meio ambiente de Pelotas está, aparentemente, protegendo outra coisa.
O caso Amarillis, caso que o SOS Laranjal denunciou há dois anos e nesse ano de 2019, novamente voltou a tona assim que a SQA liberou o " novo projeto" pois o desmatamento da Mata Atlântica continuou, só que em outra parte da mata. Desde a primeira denúncia, já se passaram quase dois meses. Apenas quando o SOS Laranjal, chamado por moradores da rua Tapes foi até o local fazer imagens aéreas e escreveu o texto " QUANDO NINGUÉM VÊ ", amplamente divulgado e compartilhado nas redes que o caso voltou a tona nas redes e na mídia tradicional. Nesses dois meses, a mata veio quase toda abaixo. E o cheiro de animais mortos soterrados incita a tristeza dos moradores quando passeiam com seus cachorros, que o sentem.
Foi através das novas imagens e das denúncias dos moradores que a Comissão de Meio Ambiente, com ambientalistas de diversas ONGs como CEA e representante de órgãos como IBAMA, FEPAM e COMPAM que as ações iniciaram de fato, apesar do secretário fugir da reunião com a Comissão há semanas, desmarcando-a por duas vezes. Como também fugiu da reunião com o Compam, a qual foi chamado a dar explicações.
A SQA usa o subterfúgio de uma lei municipal, que diz que construções desse porte devem preservar 18% da mata existente e doar mudas de árvores ao horto municipal. Diz que a empresa Navarini está " protegendo" 28% da mata. Porém " esquece " da lei Federal que protege os resquícios de mata Atlântica no Brasil e PROÍBE a derrubada dessas áreas, caso em que se encaixa a mata do Amarillis. Penúltimo resquício de uma mata que já circundou todo o Laranjal, mas que agora só é encontrada ali e na mata do TOTÓ .
Aos que perguntam "cadê o MP? Já foi acionado pelos moradores, que chegaram a se reunir com o promotor André, que nada fez, ao menos de imediato. Atitude que nos decepciona muito. Pois a população confia no MP e exige do órgão agilidade em casos como esse, em que cada dia conta.
Ao fim fazemos coro com o COMPAM, que exige resposta da SQA a uma única pergunta:
"Qual é a justificativa para a SQA autorizar a supressão de área com características de mata Atlântica , protegida por lei federal e reconhecida pela Unesco como uma Reserva da Biosfera da Mata Atlântica ?"
E aí secretário Felipe? Pode nos explicar?
SOS LARANJAL
O CASO AMARILIS - DESMATAMENTO, DENÚNCIAS E MOBILIZAÇÃO - Prof. Marcelo Dutra da Silva
O direito de propriedade não é absoluto! Portanto, ser dono não te dá o direito de descumprir a Lei, de ser insensível ao bem coletivo e degradar o patrimônio público, de interesse social.
E como bem estabelece o Art. 225 da nossa Constituição Federal: “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.”
Portanto, atentar contra o meio ambiente pode trazer consequências e quem concorre para a prática de condutas e atividades lesivas está sujeito às sanções penais e administrativas, conforme a Lei 9.605/98, que dispõe sobre Crimes Ambientais.
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| FOTO PAULO ROSSI |
As atividades do empreendimento ficaram dois anos paralisadas, sob interdição. Justificativa: descumprimento da licença ambiental.
Mas, se naquela época o avanço sobre a mata se deu de forma irregular, agora a história é diferente e a SQA autorizou algo muito estranho. O empreendedor recebeu uma nova licença e deu início aos acessos e parcelamento dos novos lotes, todos sobre o espaço coberto pela mata, que restou dentro dos lotes e que será derrubada, na medida que forem comercializados para construir.
Enfim, um prática terrível, resultante do nosso modelo atrasado de aprovação dos empreendimentos imobiliários. Também, talvez seja hora de revisarmos o nosso licenciamento municipal, que apesar de pleno, pode estar reproduzindo erros de forma sistemática.
A mata do Amarílis compreende um remanescente de mata de restinga, um refúgio relictual da vida silvestre, que naquele ponto está associado ao limite da barreira arenosa do Pleistoceno, antigo leito marinho, que marca o processo evolutivo da Planície Costeira. É parte integrante do complexo de matas do Laranjal, que reúne Totó e Balneário dos Prazeres, e que se estende até às dunas, mais ao sul, alcançando as margens do Canal São Gonçalo.
Um extenso e belo corredor ecológico, que associa áreas naturais diversas, de banhados, campos e dunas, todos fortemente pressionados pela ocupação irregular e expansão urbana desordenada.
Esta região abriga espécies vegetais em perigo e de elevado significado para a conservação da biodiversidade, bem como elementos importantes da fauna, incluindo espécies raras, endêmicas e/ou fortemente ameaçadas de extinção.
O estrago no Amarílis foi grande, mas não definitivo. É possível restabelecer a mata e o primeiro passo é conter os pontos de erosão que estão se formando no terreno.
O ambiente de restinga é protegido por Lei e está contemplado como área de interesse à conservação, pois se encontra listrada na Reserva da Biosfera e é protegida pela UNESC. Além disso, ela associa córregos, nascentes e pequenos banhados, o que a torna uma grande área de preservação permanente, que deveria estar protegida de cortes e sob a responsabilidade pública do município.
Enfim, o tema é polêmico e vem repercutindo com força. Os moradores do loteamento estão preocupados e enfrentam um processo judicial por outro descumprimento do empreendedor, que ameaça lhes tirar a praça (prévia no projeto original).
O que acontece no Amarílis vem se repetindo há anos e nos coloca em situação de alerta. Afinal, a política ambiental para ser bem sucedida depende da colaboração de todos.
sábado, 28 de setembro de 2019
WEINTRAUB E A "ZEBRA GORDA"
Weintraub ataca professores com salários mais altos: “Vou atrás da zebra gorda”
Ministro da Educação criticou, ainda, a quantidade de servidores do MEC: “Eu tenho que enfrentar este exército. Dentre outras coisas, doutrinação, metodologia de alfabetização totalmente errada”
Abraham Weintraub, ministro da Educação do governo de Jair Bolsonaro, voltou a atacar professores. Ele declarou, durante o 21º Fórum Nacional de Educação Superior Particular, nesta quinta-feira (26), que precisa “atacar a zebra mais gorda”: o salário de professor universitário federal.
Ele fez a afirmação ao defender que cobrar mensalidade dos alunos das universidades públicas não resolveria o problema do ensino superior no Brasil, que, segundo ele, é o gasto de “uma fortuna de dinheiro com uma pequena quantidade de pessoas”.
“Cobrar mensalidade de quem pode pagar não vai resolver nada. Eu tenho que ir atrás de onde está a zebra mais gorda, que é o professor de uma federal, com dedicação exclusiva, que dá oito horas de aulas por semana e ganha de R$ 15 mil a R$ 20 mil por mês”, disse.
Weintraub criticou, ainda, a quantidade de servidores do Ministério da Educação (MEC). Segundo o ministro, são cerca de 300 mil.
“Mais de 80% do ensino superior está na iniciativa privada e o MEC tem uma folha de pagamento com professores federais que cresce 8% ao ano sem eu fazer nada. Metade dos 600 mil servidores da República está no MEC, 300 mil. Eu tenho que enfrentar este exército. Dentre outras coisas, doutrinação, metodologia de alfabetização totalmente errada, gasta-se fortunas em universidades enquanto o filho do pobre não vai para a pré-escola”, declarou.
Ele também defendeu um sistema de autorregulação das universidades privadas. “O que o governo vai fazer por vocês? Nada. Vocês têm que se virar. Vou começar por essa provocação: façam autorregulação. Mercado financeiro tem. Vocês têm que se reunir e buscar soluções”.
terça-feira, 24 de setembro de 2019
RONALDO FOSSATI : CONVERSA COM O ARTISTA - P.R.Baptista
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| Fonte das Nereidas, as quatro musas instaladas no chafariz |
Dois aspectos, entre outros, chamaram-me a atenção.
O primeiro sua fidelidade ao figurativismo desenvolvido predominantemente com a técnica da pintura a óleo ou acrílica
O outro é a predisposição em levar suas concepções estéticas ao plano, nem sempre muito frequente entre os artistas, da discussão.
Estas concepções estão em parte concentradas num blog que desenvolve a partir de 2006, permitindo, a par do acompanhamento visual de seu trabalho, o entendimento de suas ideias, não só no plano estético, mas também filosófico e político
A mostra atual, intitulada Estratificação, alusão às várias camadas de tinta que se sobrepõem na pintura , reúne trabalhos com diferentes temas e produzidas em diferentes momentos
Parece, desta forma, uma espécie de retrospectiva de sua obra
Mas nada mais oportuno e adequado para esclarecer o seu trabalho do que resgatar trechos de seu pensamento que expõe durante vários anos neste blog.
Em agosto de 2006 escreve : O que eu faço é Pintura!
Executo uma pintura figurativa e realista, atenta a regras de composição e de luz e sombra que reproduz tonalidades próximas as cores reais, com pinceladas estudadas e vigiadas, nem sempre obedientes, mas mais comportadas que descontroladas, que se inclina mais para o hiper-realismo que para o resultado de obras feitas com pinceladas gestuais, enérgicas e soltas como as do expressionismo. Alem do simbolismo do corpo desejo a simulação da realidade visível executada com minha "caligrafia".
Mais adiante, em 2008, por ocasião da exposição "Porque pintura" com seis artistas , conta que suas obras são representações de fotografias, utilizadas como referente, de onde a imagem principal é "recortada". "Procuro dar personalidade ao resultado pictórico em busca de uma marca pessoal", comenta. Em alguns dos trabalhos, o artista utiliza a justaposição de objetos à tela, procurando reforçar a mensagem visual.
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Carreiras Elétricas, 2005
acrílico sobre tela, 97 X146 cm
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Ao fim de nossa entrevista, que se transformou num bate-papo agradável , retornamos a pé, já noite, da galeria até o centro. Durante o trajeto, que é um pouco longo, damos continuidade aos aspectos discutidos até então. Na conversa vão-se entremeando comentários relativos tanto à experiencia de Porto Alegre onde Fossati tinha se radicado e onde morei durante 6 anos, quanto às lembranças de Pelotas.
E se estende até uma parada para um chopp no Mercado.
Ao final descobrimos que somos vizinhos.nas imediações da Católica.
Talvez esta zona esteja se tornando um reduto de artistas.
LOCAL Galeria JMMoraes , Espaço Ágape , Rua Anchieta, 4480 Pelotas
PERÍODO: até 11 de outubro de 2019
quarta-feira, 18 de setembro de 2019
APROVAÇÃO DA LEI DAS PPPs - O VOTO DOS VEREADORES - Lúcio Hecktheuer
A Lei das Parcerias Público Privadas (PPP) foi votada no dia de hoje (17/9) na Câmara de Vereadores tendo como resultado 14 votos favoráveis e 5 não favoráveis.
O vereador Marcola, do PT, não compareceu à Sessão e Fabrício Tavares, do PSD, por ser o Presidente da Mesa, não votou.
Com a votação de hoje, algumas leituras a respeito da conjuntura política municipal podem ser feitas, entre elas:
a) O Governo Municipal detém ampla maioria dos votos na Câmara;
b) Partidos como o PDT e PSB, o primeiro de oposição e o segundo aliado ao Governo Municipal, não consideram o tema das PPPs como sendo de importância para a cidade visto que não discutiram o assunto internamente.
Ou seja, não tiram posição fechada para a votação. PDT e PSB, ambos com 3 vereadores, tiveram votos diferenciados.
c) Vereador Marcola, do PT, subestima a inteligência da sociedade não indo votar temas importantes para a cidade.
d) Partidos considerados de direta (PSDB, DEM, PP, PRB, PTB, MDB) fecharam questão na votação sendo favoráveis às PPP.
e) Partidos considerados de esquerda (PDT e PSB) não conseguem se posicionar a respeito de assunto de extrema importância para a cidade votando cada vereador por si próprio sem definição partidária. No PT como se mencionou um dos dois vereadores não compareceu.
f) o PSol que tem uma cadeira votou contra
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quarta-feira, 11 de setembro de 2019
OPINIÃO - "FAKE NEWS" - Alexandre Pauli Bandeira
Acho impróprio denominar notícias falsas ou mentiras de "fake news".
A principio, pode parecer bobagem minha.
Mas me parece um modo de suavizar o significado, simplificando-o, destituindo-o de sua compreensão. ..É quase que inventar-lhe uma outra significação, mais amena ou mesmo diferente de mentira!
Fico pensando nas capacidades cognitivas das grandes maiorias dos brasileiros e também nas relações entre linguagem e entendimento e cultura. ...
Como certos termos tem sido incorporados ao cotidiano dos brasileiros e em que contextos. ...fake news é expressão idiomática da língua e cultura inglesa....entro no vocabulário brasileiro num contexto determinado de extrema polarização, mas e seu significado no âmbito dos pólos?
E no âmbito das diferenças culturais e de alcance cognitivo e cultural distribuídos em diversos níveis da população?
Dá pra pensar...
LITERATURA - "Mássimo" - Valtencir Moraes (*)
Mássimo se considerava um escritor. Herdara da mãe, que nunca conheceu, a predileção por poetas russos, o alcoolismo e a tragédia literária. Aquela que lhe dava o amargo privilégio de nunca conseguir publicar nada do que escrevia.
Não que não tentasse, mas diante de tanto sucesso em ser ignorado, resignou-se à sua condição de serviçal na Prefeitura, que lhe garantia o aluguel de uma água-furtada numa viela pouco iluminada numa rua antiga no centro da cidade, e o que comer, mesmo modestamente.
Ele tinha uma companheira, que ninguém jamais viu, que só aparecia à noite depois das 22 horas. Era rotineiro e infalível: Todas as noites, exatamente às 22 horas, ele diminuía a luz do abajur e fechava qualquer livro que estivesse lendo. Ao cabo de alguns segundos, sua atenção era atraída para um roçar de chave na fechadura da porta de entrada, o girar do mecanismo da fechadura, o girar da maçaneta e o ranger das dobradiças antigas da porta de madeira pesada.
Sem cerimônia, ela entrava, sorria para ele e, sem dizer nada, jogava o casaco e a bolsa na cadeira vitoriana ao lado do cabideiro e entrava na cozinha. Após algum bater de panela, um ou outro riscar de fósforo na cartela e o cheiro agradável, o café estava passado. Ela levava uma caneca para ele, que gostava forte e sem açúcar. Ficava bebericando.
Para Mássimo, ela era Maddie. Ele também a chamava secretamente e para si, quando conversava em monólogo, de Maddiemá.
Ela mudava constantemente. Alguns dias aparecia relaxada, suja e descuidada, falando palavras desbocadas e impacientes. Outras vezes, como dessa vez, aparecia alinhada, elegante e com gestos contidos. Ele desistiu de descobrir o porquê disso. Talvez ela avaliasse o ambiente, quem sabe?
Ele não se importava, porque a presença dela sempre o transportava a uma melancolia onde residia a sua arte. Com Maddiemá, a mente de Mássimo se abria e mundos eram criados. As palavras dançavam formando frases, às quais ele transpunha magnificamente para um papel.
Uma vez um professor de literatura que Mássimo conheceu no banheiro de um bar, vomitando a vodka que havia passado da cota, disse-lhe a verdade sobre o mercado de publicações e o sucesso literário. “Máximo, meu caro… o que você escreve é tragicamente belo. Mas isso não vende. As pessoas não gostam de comprar tristeza. Já são tristes por conta própria. Veja o que vende: livros de autoajuda cheios de clichês e romances adolescentes. Uma coisa ou outra de mundos mágicos. E só.”
Voltando de seu devaneio, Mássimo viu que Maddiemá estava sentada ao lado da cama dele e sorvendo seu café, esperando que ele adormecesse. Ela nunca permitiria que ele a tocasse se ele tentasse, mas ele nunca tentou. Mássimo limitava-se a sentir a presença dela, em meio a fumaça que saía de sua caneca de louça com café quente. Via a silhueta da mulher um pouco acima do peso, mas para ele incrivelmente sedutora.
Às vezes, ela ficava com ele até amanhecer e o acompanhava ao trabalho. Outras vezes, ao abrir os olhos assustados ao som do velho despertador movido a corda, sentia a sua solidão palpável. Então, nesses momentos, sob a embriaguez do perfume de Maddiemá, ele escrevia.
Ela o fazia sentir uma melancolia desavergonhada, um entrar dentro de si mesmo até as entranhas, onde morava seu amor próprio e seu espírito. Tomava conta de tudo que havia nele, desde os minutos do café, até os anos do seu meio século. Ele não lembra exatamente quando ela apareceu pela primeira vez. Sabe apenas que, até onde alcança sua memória, ela está lá. Às vezes desafiadora demais, às vezes crítica demais, jamais carinhosa, exceto pelo café que ela compartilhava com ele.
Ele tentou mandá-la embora, mas sempre acabava chamando-a de volta. Ela não era uma ressentida, ele pode descobrir, pois ela sempre voltava como se nada tivesse acontecido. Mássimo não sabia se ela tinha outros homens e nem queria saber. Achava-se dono dela por direito de antiguidade, só para massagear seu ego, porque no fundo ele sabia que Maddiemá não era mulher de ter donos.
Pois bem.
Consta que ultimamente, Mássimo tem faltado ao trabalho, ao ponto de obrigar seu superior a ir procurá-lo. O homem não o encontrou em nenhum lugar. Na porta do pequeno apartamento havia correspondência entulhada, na maioria contas a pagar e só. Dado ao insucesso da busca e expirado o prazo legal, Mássimo foi demitido por justa causa por abandono de emprego. As verbas rescisórias foram depositadas em juízo, pois não havia a quem as atribuir.
O tempo passou e toda a marca da passagem de Mássimo pela terra foi apagada. Ninguém mais se recordava dele. O que não se sabe e, a título de curiosidade, eu relato, é que no dia seguinte à noite em que o escritor frustrado desapareceu, dois garotos que caçavam passarinhos encontraram sob a ponte do rio que circunda a cidade, roupas de homem, perfeitamente dobradas em cima dos sapatos de verniz gastos, ao lado de uma pilha de papéis queimados, e que, no outro lado da cidade, um homem solitário esperaria, às 22 horas, o som de uma fechadura sendo aberta.
(*) Social Democrata, fotógrafo,escritor, judoca e aikidoca, mas pago minhas contas consertando carros.
terça-feira, 10 de setembro de 2019
"GURI", UM CAVALO TRATADO COM CARINHO
.
"Guri" é o cavalo do charreteiro Vilmar.
Os cuidados que recebe são exemplares.
O local em que dorme, a baia ou cocheira, é um luxo.
Um local fechado, sempre limpo e forrado no piso com uma grossa camada de serragem.
Vilmar é charreteiro há muitos anos e é graças à sua atividade que tem mantido a família.
Preocupado com as notícias de que os charreteiros possam ser proibidos de exercer sua atividade tem saído menos e ainda não se decidiu a comprar arreios novos.
Guri está impaciente para ganhar.
Vilmar é um dos mais antigos charreteiros e sua charrete está emplacada com o número 1 !!!.

"Guri" é o cavalo do charreteiro Vilmar.Os cuidados que recebe são exemplares.
O local em que dorme, a baia ou cocheira, é um luxo.
Um local fechado, sempre limpo e forrado no piso com uma grossa camada de serragem.
Vilmar é charreteiro há muitos anos e é graças à sua atividade que tem mantido a família.
Preocupado com as notícias de que os charreteiros possam ser proibidos de exercer sua atividade tem saído menos e ainda não se decidiu a comprar arreios novos.
Guri está impaciente para ganhar.
Vilmar é um dos mais antigos charreteiros e sua charrete está emplacada com o número 1 !!!.
Uma vida!
"GURI", UM CAVALO TRATADO COM CARINHO
.
"Guri" é o cavalo do charreteiro Vilmar.
Os cuidados que recebe são exemplares.
O local em que dorme, a baia ou cocheira, é um luxo.
Um local fechado, sempre limpo e forrado no piso com uma grossa camada de serragem.
Vilmar é charreteiro há muitos anos e é graças à sua atividade que tem mantido a família.
Preocupado com as notícias de que os charreteiros possam ser proibidos de exercer sua atividade tem saído menos e ainda não se decidiu a comprar arreios novos.
Guri está impaciente para ganhar.
Vilmar é um dos mais antigos charreteiros e sua charrete está emplacada com o número 1 !!!.

"Guri" é o cavalo do charreteiro Vilmar.Os cuidados que recebe são exemplares.
O local em que dorme, a baia ou cocheira, é um luxo.
Um local fechado, sempre limpo e forrado no piso com uma grossa camada de serragem.
Vilmar é charreteiro há muitos anos e é graças à sua atividade que tem mantido a família.
Preocupado com as notícias de que os charreteiros possam ser proibidos de exercer sua atividade tem saído menos e ainda não se decidiu a comprar arreios novos.
Guri está impaciente para ganhar.
Vilmar é um dos mais antigos charreteiros e sua charrete está emplacada com o número 1 !!!.
Uma vida!
ALERTA, DESPERTA - Ricardo Almeida
A derrota do movimento Diretas Já, em 1984, e o "movimento por direitos", de 2019, possuem algumas semelhanças para quem tem memória. Lá o movimento das ruas foi, aos poucos, canalizado para o parlamento e resultou no Colégio Eleitoral que elegeu Tancredo Neves, como presidente, e Sarney, como vice. Este movimento "por direitos" (abstratos, pois não diz quais são os direitos defendidos) teve a participação de diversos golpistas e de alguns representantes da esquerda (Flávio Dino) e centro-esquerda (Ciro Gomes).
Como o PT e o PSOL não enviaram representantes, o Luís Nassif, o The Intercept Brasil e algumas pessoas estão questionando a ausência "só do PT" e acusando o partido de querer manter a hegemonia dos movimentos. Em primeiro lugar é preciso deixar claro que ainda não se tratava de um movimento, mas de uma reunião de cúpula sem uma proposta clara e com a participação de vários golpistas. Em segundo, é fundamental destacar que no dia seguinte foi realizada uma ampla reunião com todos os partidos de esquerda, centro-esquerda e movimentos sociais (MST, MTST, UNE, UBES, ABI, Movimentos Negros etc.) que lançou um Manifesto e uma agenda de lutas nos estados EM DEFESA DA SOBERANIA NACIONAL.
Não dá para ignorar que no encontro por "direitos abstratos" foi proibido falar em Lula Livre e que somente o Flávio Dino acabou fazendo uma rápida referência ao prisioneiro político.
Em suma, enquanto as pessoas e as forças de esquerda e de centro-esquerda não se unirem em torno de um programa mínimo (soberania nacional é um dos eixos principais) não haverá unidade verdadeira e continuaremos depositando a nossa esperança nos velhos e conhecidos traidores.
Alerta, desperta, ainda cabe sonhar!
sábado, 7 de setembro de 2019
DEPENDÊNCIA DO PT LEVOU OPOSIÇÃO Â APATIA , AFIRMA NOAM CHOMSKY
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| O linguista americano Noam Chomsky, durante lançamento de frente partidária de centro-esquerda, em São Paulo Foto: JF Diorio/Estadão |
Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo
04 de setembro de 2019
Em entrevista ao Estado concedida na noite de segunda-feira, 2, quando participou do ato de lançamento de um movimento de oposição ao governo Jair Bolsonaro, em São Paulo, o linguista norte-americano Noam Chomsky, de 90 anos, disse que a dependência excessiva do PT, hoje desgastado, levou a oposição a uma situação de apatia diante das políticas “perigosas” do governo.
Chomsky, que é considerado uma das principais referências acadêmicas da esquerda mundial, disse que o ex-ministro e candidato derrotado à Presidência pelo PDT em 2018, Ciro Gomes, é um “líder dinâmico” com boas condições de encabeçar uma frente de centro-esquerda capaz de se contrapor a Bolsonaro.
Segundo o linguista, a falta de eficácia da oposição em relação às pautas do governo é uma consequência da centralidade que o PT ocupou nos últimos anos.
“Infelizmente, o componente central da esquerda é o PT e o partido ficou desacreditado, parte por motivos certos, parte por má propaganda e campanhas ultrajantes nas redes sociais das quais não se recuperou”, disse Chomsky.
O partido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso pela Operação Lava Jato, tem a maior bancada entre os partidos de oposição na Câmara, com 54 deputados, além de quatro governadores e o segundo colocado na eleição presidencial do ano passado, Fernando Haddad, que teve 47 milhões de votos, mas tem colecionado derrotas nas votações de medidas importantes como a reforma da Previdência e se isolado em relação a setores da oposição que rejeitam a pauta do ‘Lula Livre’.
Para Chomsky, o foco da oposição deve ser o combate às políticas de Bolsonaro, mas a esquerda não pode deixar de lado a defesa da liberdade de Lula que, segundo ele, é hoje o “mais importante preso político do mundo”.
“O papel da oposição é combater políticas muito perigosas, como a destruição da Previdência. O PT não teve uma posição forte e unitária e faltou explicar isso à população. Isso deveria ser complementar ao esforço de libertar Lula, que é o prisioneiro político mais importante do mundo”, disse o norte-americano.
Perguntado sobre quem estaria em condições hoje de liderar uma oposição mais eficaz, Chomsky disse que Ciro reúne as condições necessárias para compor uma frente de centro-esquerda.
“Um líder dinâmico como Ciro Gomes poderia muito bem organizar, liderar e desenvolver uma coalizão de centro-esquerda para fazer uma oposição poderosa às políticas perigosas do governo Bolsonaro”, disse.
Na semana passada, Chomsky visitou Lula na cadeia, em Curitiba. Na segunda-feira, no entanto, ele chegou ao ato de lançamento do movimento Direitos Já, que reuniu dezenas de lideranças de 16 partidos num arco que ia do PCdoB ao PL. O evento teve como mote a defesa da democracia e contra “ameaças de retrocesso” do governo Jair Bolsonaro. O PT não enviou suas principais lideranças.
No ato, o linguista fez um discurso voltado para as turbulências pelas quais passam várias democracias ao redor do mundo lembrando que duas das mais fortes e antigas delas, os EUA e o Reino Unido, estão sob controle de líderes populistas de direita, Donald Trump e Boris Johnson. “O fato de que duas das democracias mais antigas e estáveis do mundo estão sob ameaça não é nada trivial. Há muito a se dizer sobre a se dizer sobre ameaças à democracia ao redor do mundo, inclusive o Brasil, que fazem com que aquele relógio que marca a sobrevivência das espécies esteja marcando hoje, dois minutos para a meia-noite”, disse Chomsky.
FONTE >>>>
sábado, 31 de agosto de 2019
sexta-feira, 30 de agosto de 2019
101 ANOS DO CONSERVATÓRIO DE MUSICA
Os eventos do mês de setembro serão alusivos aos 101 anos do Conservatório de Música:
Dia 05/09 às 19h 30min. - Recital de Piano com Giovani Goulart;
Dia 11/09 às 19h 30min. - Recital com alunos do Curso de Acordeom;
Dia 12/09 - Recital com a flautista Mayara Araújo;
Dia 16/09 às 19h, na Câmara dos Vereadores (Rua Quinze de Novembro, 207) - Homenagem aos 101 do Conservatório de Música, através de Audiência Pública na Câmara dos Vereadores
Dia 18/09 às 19h 30min - Recital em Comemoração ao Aniversário do Conservatório de Música;
Dia 19/09 - Recital com o pianista Patrick Menuzzi;
Dia 30/09 - Sarau Pampeano do Conservatório de Música.
"CONTAMOS COM SUA PRESENÇA"
Dia 05/09 às 19h 30min. - Recital de Piano com Giovani Goulart;
Dia 11/09 às 19h 30min. - Recital com alunos do Curso de Acordeom;
Dia 12/09 - Recital com a flautista Mayara Araújo;
Dia 16/09 às 19h, na Câmara dos Vereadores (Rua Quinze de Novembro, 207) - Homenagem aos 101 do Conservatório de Música, através de Audiência Pública na Câmara dos Vereadores
Dia 18/09 às 19h 30min - Recital em Comemoração ao Aniversário do Conservatório de Música;
Dia 19/09 - Recital com o pianista Patrick Menuzzi;
Dia 30/09 - Sarau Pampeano do Conservatório de Música.
"CONTAMOS COM SUA PRESENÇA"
MELLO DA COSTA
Pintura de Mello da Costa registrada por Neco Tavares em sua pesquisa sobre o pintor pelotense falecido em 1993
quinta-feira, 29 de agosto de 2019
A PREVISIBILIDADE DOS OPORTUNISTAS: DEMOCRACIA NÃO SE NEGOCIA - Pedro Hallal (*)
Democracia não é brincadeira. Democracia não é de conveniência. Democracia não se negocia. Democracia é coisa séria. Pessoas morreram para garantir que vivêssemos num estado democrático. Escrevo esse preâmbulo para declarar publicamente que os movimentos contra o plebiscito proposto pela administração da UFPel e aprovado no CONSUN são antidemocráticos e tem como único objetivo antecipar as eleições da UFPel no ano que vem.
Notem que no dia 08 de agosto as três entidades (ADUFPel, ASUFPel e DCE) publicaram nota conjunta em que dizem textualmente não serem contrárias ao plebiscito, mas sim que entendiam que o momento para aprovar ou não sua realização não era aquele. Agora a ASUFPel e a ADUFPel mudaram de ideia? Resolveram agora ser contra o plebiscito, querem até VAR da decisão do CONSUN (virada no tapetão, para usar o jargão do futebol).
Não é novidade, pois algumas das pessoas que defendem isso são as mesmas que tentaram anular o segundo turno das eleições de 2016, usando a mesma técnica. Oportunistas, VAR é para corrigir decisões equivocadas, e não para fazer oposição moleque contra a reitoria.
A representante da ADUFPel na assembleia realizada pelo DCE conclamou os/as estudantes a ocuparem o gabinete do reitor até que o CONSUN mude de ideia sobre o plebiscito. Com todo o respeito a trajetória linda construída pela ADUFPel, é lamentável que uma de suas diretoras tenha publicamente tentado manipular alunos/as e dizer o que eles/as devem ou não fazer! Respeite a autonomia dos estudantes, professora!
Sorte que os/as estudantes da UFPel não são massa de manobra de meia dúzia de maus perdedores que não sabem aceitar o resultado das urnas, mesmo três anos depois. Na época da adesão ou não à EBSERH, as entidades ASUFPel e ADUFPel eram favoráveis ao plebiscito exatamente porque entendiam que ele era uma forma de privatizar as universidades públicas. Naquela época a opinião da comunidade importava. Por que mudou agora?
Numa democracia de alta intensidade, as decisões não são tomadas por um iluminado. Pasmem, mas existem universidades nas quais a adesão ou não ao FUTURE-SE será decisão ad-referendum do reitor ou reitora. Aqui na UFPel não será assim.
Numa democracia de alta intensidade, as decisões não são tomadas por alguns iluminados. Pasmem, mas existem universidades nas quais a adesão ou não ao FUTURE-SE será decisão exclusiva do conselho universitário, muitas vezes recheado de pró-reitores que sequer foram eleitos para lá estarem. Aqui na UFPel não será assim.
Numa democracia de alta intensidade, as decisões são tomadas por toda a comunidade. Na UFPel atual, felizmente, hoje é assim.
(*) Reitor da UFPel
terça-feira, 27 de agosto de 2019
CAMPANHA DA LEGALIDADE : O PDT NO TAPETE VERMELHO DE GRAMADO
O longa-metragem “Legalidade”estreou no Festival de Cinema de Gramado, no Rio Grande do Sul. A sessão especial, realizada no Palácio dos Festivais, foi prestigiada por Ciro Gomes, pelo deputado federal Pompeo de Mattos, por Christopher Goulart, neto de João Goulart, e pelos netos do líder Leonel Brizola – personagem principal da trama –, o vereador Leonel Brizola Neto e a deputada estadual Juliana Brizola.
Dirigido pelo gaúcho Zeca Britto, o filme, que já recebeu vários prêmios, quatro no 42º Festival Guarnicê de Cinema, se passa em 1961, durante o Movimento da Legalidade, quando o então governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, organizou a resistência contra a tentativa dos militares de impedir a posse do vice-presidente João Goulart, na legítima Presidência do País, para dar início ao golpe, que foi consumado em 1964.
A estreia nas telas gaúchas, que registrou a presença de pessoas de todas as regiões do País, teve seus ingressos esgotados rapidamente e emocionou o público presente.
“Fiquei extremamente emocionada com o filme. Foi algo realmente muito importante para nós da família. Rememorar Brizola e mostrar para a população a coragem e a retidão de um homem como ele se faz de extrema importância nos dias atuais”, relata Juliana Brizola.
O filme é protagonizado pelo ator gaúcho Leonardo Machado, que faleceu em setembro do ano passado, ganhou o prêmio póstumo de melhor ator, ao interpretar o papel de Leonel Brizola. Na ocasião, antes da exibição do filme, a equipe do longa o troféu à família do ator e o homenageou. O elenco conta com Cléo Pires, Fernando Alves Pinto, José Henrique Ligabue e Letícia Sabatella.
segunda-feira, 26 de agosto de 2019
BRASIL, UM PAÍS QUE ARDE EM CHAMAS DE CINISMO, ÓDIO E PERVERSIDADE - Jorge Eremites de Oliveira (*)
Para quem vivenciou e buscou compreender momentos recentes da história nacional, desde ao menos o processo de (re) redemocratização, com o fim do Regime Militar (1964-1985) e a eleição indireta de Tancredo Neves, até as eleições presidenciais de 2018, é com uma mistura de sentimentos e incertezas sobre o futuro que observo vários problemas se avolumarem e afligirem o Brasil no tempo presente: proliferação de notícias falsas no contexto de uma espécie de guerra híbrida; crescimento do desemprego e subemprego; destruição do meio ambiente; violação de direitos dos povos e comunidades tradicionais e de outras “minorias”; retrocessos impostos à educação superior, ciência, tecnologia e inovação; polarização política e ideológica; proliferação de movimentos da extrema direita e ascensão de forças ultraconservadoras ao poder central; privatização de setores estratégicos; ausência de um projeto nacional de desenvolvimento implementado pelo governo federal; escândalos de corrupção e nepotismo; insegurança jurídica; reformas trabalhista e da Previdência que comprometem o futuro de gerações; perseguição a servidores públicos; vingança contra desafetos e vozes discordantes; acusações levianas contra ONGs; balbúrdias a respeito da dinâmica política de outros países; liberação do uso de agroquímicos banidos em outras partes do mundo; formas anacrônicas de justiçamento; desdenho a estudos científicos sérios e apurados; tentativas de censura à imprensa e represálias a jornalistas; etc.
O mundo testemunha a uma espécie de contrarrevolução da imbecilidade e a elevação de idiotas pseudonacionalistas a postos de governantes, ideólogos, parlamentares e influenciadores no Brasil. Não se trata de tragédia ou farsa, mas de cinismo com ares de perversidade e condutas desrespeitosas e incompatíveis com nossa tradição diplomática. Enquanto isso, o país passa por acelerado processo de desindustrialização, diminuição de direitos sociais e de postos de trabalho, além de tentativas grotescas de estrangular instituições federais de ensino superior e agências de fomento à pesquisa, dentre outras ações de lesa-pátria. Nada disso ocorre ao acaso, verdade, tampouco faz parte de um projeto de nação, pelo contrário. Está ligado a um projeto de poder defendido por setores das elites apátridas, estúpidas, ecocidas, genocidas, parasitárias e subservientes ao colonialismo global. São os mesmos setores que nunca aceitaram as mudanças estruturantes protagonizadas a partir da Revolução de 1930 e seus desdobramentos na história republicana. Em um cenário desse tipo, não se pode descartar a hipótese do Brasil estar novamente à beira de mais uma situação histórica de exceção. Mesmo assim, o pulso ainda pulsa, como diz a canção dos Titãs.
No caso da destruição de florestas na Amazônia, assunto que chama à atenção da opinião pública internacional, importa dizer que este é um bioma importantíssimo para o desenvolvimento sustentável do Brasil e à própria existência da humanidade. Ocorre que as florestas tropicais e outras tantas existentes alhures influenciam no clima do planeta, minimizando, por exemplo, os efeitos do aquecimento global. A continuar dessa maneira, a própria produção de alimentos e a exportação de grãos, carnes e outras commodities sofrerão reveses. Definitivamente, não vivemos sozinhos na Terra, e as desastrosas e inconsequentes ações aqui executadas reverberam internamente e mundo afora.
A respeito do bioma amazônico, vale lembrar que a região abrange mais de 5 milhões de km2 na América do Sul e grande parte das áreas preservadas está situada no território nacional do Brasil. Em termos econômicos, suas florestas são mais importantes, valiosas e lucrativas em pé do que derrubadas. Seus solos jovens e sensíveis à degradação não podem mais ser descobertos ou desflorestados para mais dar espaço a pastagens de bovinos, monoculturas de soja, milho etc., minerações clandestinas e outras atividades nocivas ao meio ambiente e a diferentes modos de vida humana. A bem da verdade, a Amazônia e outras regiões não podem mais ser objeto da cobiça de grileiros, os quais buscam transformá-las, ao arrepio da lei, em propriedade privada da terra, incluindo áreas tradicionalmente ocupadas por comunidades indígenas.
Ao contrário do que muitos possam imaginar, biomas sul-americanos, como a Amazônia, o Pantanal, o Cerrado e outros existentes no país, a exemplo da Mata Atlântica, não são meras dádivas da natureza. Também resultam da presença milenar, superior a 12 mil anos, de diversas populações ameríndias. Ao longo de centenas de gerações, povos originários promoveram complexas formas de modificação das paisagens, como, por exemplo, manejos agroflorestais (palmeirais, pequizeiros, matas de araucária etc.) e intervenções nos terrenos para a formação de solos férteis (terras pretas amazônicas, aterros ou montículos de terra no Pantanal e outros).
Estabeleceram, pois, relações equilibradas, sustentáveis e sagradas para com os recursos ambientais, e promoveram sofisticados processos de semidomesticação e domesticação de plantas (açaís, mandiocas, frutíferas etc.), dentre outras ações. Significa dizer que a biodiversidade aqui existente também faz parte de um extraordinário legado dos povos indígenas às sociedades nacionais contemporâneas. Vistas no conjunto ou em partes, as florestas são herança cultural associada às trajetórias dos americanos nativos, muitos dos quais também contribuíram, ao longo das guerras verificadas desde tempos coloniais e imperiais, com a definição dos limites do atual território nacional do Brasil.
Diante da realidade sucintamente apresentada, nota-se que o país arde em chamas de cinismo, ódio e perversidade. Neste contexto, torna-se oportuno reconfortar as pessoas parafraseando Mario Quintana, no memorável Poeminha do Contra: Eles passarão… Nós passarinhos! A essas palavras somam a utopia civilizatória defendida por Darcy Ribeiro, em O Povo Brasileiro, que inspira a muitos de nós: “Estamos nos construindo na luta para florescer amanhã como uma nova civilização, mestiça e tropical, orgulhosa de si mesma. Mais alegre, porque mais sofrida. Melhor, porque incorpora em si mais humanidades. Mais generosa, porque aberta à convivência com todas as raças e todas as culturas e porque assentada na mais bela e luminosa província da Terra”.
Oxalá que tudo isso passe rápido e possamos dar as mãos e (re) encontrarmos o caminho para um Brasil próspero, justo, solidário, soberano, sustentável, inclusivo e menos assimétrico.
(*) Doutor em História/Arqueologia pela PUCRS – Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e docente da UFPel – Universidade Federal de Pelotas.
domingo, 25 de agosto de 2019
PROTESTOS, PEDRAS DE GELO E VAIAS NO FESTIVAL DE GRAMADO
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| Guacira Merlim/RBS TV |
CARLOS ANDRÉ MOREIRA
Por volta de 20h30min, quando vários dos diretores e produtores participantes atravessavam o tapete vermelho em direção ao Palácio dos Festivais entoando um cântico de protesto às recentes declarações e medidas de Jair Bolsonaro tendo o cinema como alvo, como a suspensão de um edital para TVs públicas, frequentadores que lotavam os bares e cafés da Rua Coberta, nas margens do tapete vermelho, responderam com vaias, palavras de ordem e até pedras de gelo.
A passagem do cortejo de artistas deveria encerrar uma série de ações e manifestações políticas realizadas em Gramado durante esta 47ª edição do festival.
Na mesma tarde de sábado (24), já havia ocorrido um abraço simbólico ao Kikito gigante que adorna o saguão do Palácio dos Festivais. À noite, com cartazes de filmes nas mãos e segurando faixas com declarações contra a censura, os artistas se dirigiram em um grande grupo para a entrada do palácio entoando o cântico "pelo cinema / pela cultura / por uma arte livre e sem censura". Parte dos espectadores que se aglomeravam desde cedo nos bares da Rua Coberta recepcionaram a passagem com vaias e gritos de apoio a Bolsonaro.
— Ao longo desta semana, nós articulamos uma Carta de Gramado assinada por 63 entidades contra esse desmonte das políticas públicas para a cultura. Esta manifestação deveria fechar a mobilização, mas quando passamos, as pessoas começaram a urrar "Viva o Mito", "Viva Bolsonaro" e a nos chamar de vagabundos e jogar coisas em nós, restos de comida e pedras de gelo. Nunca imaginei passar por isso. Era uma noite de festa, estávamos fazendo um ato que imaginamos que teria uma repercussão para refletir lá em Brasília, não na gente aqui. Foi muito chocante — conta Maira Carvalho, produtora e diretora de arte do filme O Homem Cordial, um dos longas brasileiros em competição.
Após esse começo, a recepção aos artistas foi várias vezes mencionada nos discursos dos vencedores. Um deles foi o realizador do longa gaúcho Raia 4, Emiliano Cunha.
— Estou tremendo aqui não pela emoção de receber um kikito, mas porque agora há pouco eu estava passando com minha filha de dois anos no colo e um cara nos jogou pedras de gelo. Quando eu me virei para ele mostrando que eu estava com minha filha, ele voltou a jogar. Só quando eu apontei a câmera aí ele se escondeu, como costumam fazer os covardes que realizam esse tipo de agressão — disse Emiliano Cunha no palco do festival, ao receber o prêmio de melhor fotografia concedido a Edu Rabin, da equipe do longa.
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