quarta-feira, 11 de março de 2015

Escândalo e escândalos !

Clóvis Veronez – Cientista Político

O vocábulo escândalo deriva do grego skandalon, que significa obstáculo o que na Bíblia se denomina de “pedra de tropeço”.
Um escândalo ocorre quando, uma figura ou grupo de figuras reconhecidas, são expostos e acusados, publicamente, de forma continuada. As acusações características de um escândalo remetem a pratica de ações que ferem normas de conduta moral, ética, cultural ou simplesmente aquelas previstas na lei como ilícitas.
Outra modalidade de ocorrência é quando empresas públicas ou privadas realizam determinadas operações – ou toleram práticas consideradas como corrupção-.
Trago aqui, a definição etimológica, para argumentar sobre sua inconsistência para a definição do fenômeno do ponto de vista, agora, sociológico e político. Isto afirmo, por que essa, carece de um elemento fundamental a caracterização do fato social escândalo - Uma vez noticiado, o escândalo é normalmente amplificado ou reduzido pela mídia o chamado "total descrédito da fonte e Falência" e, muita vez, promovido por ela própria, desde o seu início, tratando-se como uma questão ética, de interesse geral.
Assim, a noção de escândalo, tal qual presenciamos na atual realidade brasileira, não representa novidade alguma, do ponto de vista cultural, ético e moral percebidos mediante abordagem, mesmo que superficial, da história do país.
Desde o saque das riquezas naturais, devastação de florestas, escravização e de índios e negros só para citar fatos remotos até uma lista recente que lanço mão para esclarecer a hipótese que, aqui, exponho:
Lista de Escândalos políticos no Brasil que cobre fatos políticos marcantes chamados de escândalos, grandes investigações, leis controversas, e diversos. Os casos estão listados de acordo com a data do fato investigado ou acontecido.
Anos 70
1. Caso Lutfalla (1977)
2. Caso Roberto Farina
Anos 80
1. Escândalo da Mandioca (1979 e 1981)
2. Escândalo da Proconsult (1982)
3. Caso Chiarelli (1988)
Anos 90
1. Caso Jorgina de Freitas
2. Caso Edmundo Pinto (1992)
3. Caso Nilo Coelho
4. Caso Eliseu Resende
5. Caso Queiroz Galvão
6. Caso Ney Maranhão
7. CPI do Detran (em Santa Catarina)
8. Dossiê da Pasta Rosa (1995)
9. Escândalo dos Anões do Orçamento
10. Caso Rubens Ricupero (também conhecido como "Escândalo da Parabólica").
11. Escândalo do Sivam
12. Escândalo do Banestado
13. Escândalo da Encol
14. Escândalo da Mesbla
15. Dossiê Cayman (ou Escândalo do Dossiê Cayman ou Escândalo do Dossiê Caribe)
16. CPI do Banestado
17. Banco Nacional de Minas Gerais
18. Banco Noroeste
19. Banco Econômico
20. Bancos Marka e Fonte Cindam
21. Escândalo da SUDAM e da SUDENE
Década de 2000
1. Caso Luís Estêvão
2. Caso Toninho do PT
3. Caso Celso Daniel
4. Operação Anaconda
5. Escândalo do Propinoduto
6. Escândalo dos Bingos (ou Caso Waldomiro Diniz)
7. Caso Kroll
8. Escândalo dos Correios (Também conhecido como Caso Maurício Marinho)
9. Escândalo do IRB
10. Escândalo do Mensalão
11. Mensalão mineiro
12. Escândalo do Banco Santos
13. Escândalo dos Fundos de Pensão
14. Escândalo do Mensalinho
15. Caso Escândalo da Quebra do Sigilo Bancário do Caseiro Francenildo)
16. Escândalo das Sanguessugas (Inicialmente conhecida como Operação Sanguessuga e Escândalo das Ambulâncias)
17. Operação Confraria 1
18. Operação Dominó
19. Operação Saúva
20. Escândalo do Dossiê
21. Escândalo da Renascer em Cristo
22. Operação Hurricane (também conhecida Operação Furacão)
23. Operação Navalha
24. Operação Moeda Verde
25. Caso Renan Calheiros ou Renangate
26. Caso Joaquim Roriz (ou Operação Aquarela)
27. Escândalo dos cartões corporativos
28. Caso Bancoop
29. Esquema de desvio de verbas no BNDES
30. Máfia das CNH's
31. Caso Álvaro Lins, no Rio de Janeiro
32. Operação Satiagraha ou Caso Daniel Dantas
33. Escândalo das passagens aéreas
34. Escândalo dos atos secretos
35. Caso Gamecorp
36. Escândalo dos Correios
37. CPI das ONGs
38. Operação Faktor
Década de 2010
1. Caso Erenice Guerra
2. Operação Tsunami
3. Esquema do Plano Safra Legal
4. Operação Esopo ou Escândalo do Ministério do Trabalho
5. Caso Siemens (e Caso Alstom)
6. Operação Maet (Judiciário corrompido no TJ-TO)
7. Caso Ana Cristina Aquino (Escândalo do PDT)
8. Operação Lava Jato | Petrolão
Nossa! Se colocarmos o titulo destacado em qualquer site de busca será possivel descobrir, em detalhes, as circunstâncias, vou repetir, culturais, eticas e morais afrontadas em cada um dos fatos. Relata-las, aqui, seria dispendioso e desnesseçario a sequencia do argumento.
Antes de concluir, cumpre lembrar que: escandalos já derrubaram governantes, ou quase, vou lembrar apenas de um deveras peculiar, aquele da Monica “chupinsk”, ops Monica Lewinsky. O mais famoso escândalo sexual da história recente quase derrubou um presidente dos Estados Unidos. Em 1995, a jovem Monica Lewinsky foi aceita como estagiária na Casa Branca e nos anos seguintes teve um caso com o então presidente Bill Clinton. A história ganhou peso com a gravação de um telefonema no qual ela dava detalhes do relacionamento em conversa com uma amiga. Clinton inicialmente negou o affair, mas acabou admitindo "relação física imprópria" diante das novas evidências, como seu sêmen em um célebre vestido azul de Lewinsky. Acusado de falso testemunho, quase foi alvo de um impeachment no Senado, mas pôde concluir seu mandato. Depois do caso, Bill continuou casado com sua mulher Hillary, que atualmente ocupa o cargo de secretária de Estado no governo de Barack Obama.
No caso, situação tão corriqueira recebeu, de forma hipócrita e descarada, uma cobertura estendida e prenhe de “falso moralismo” tão ao gosto da sociedade americana.
Hoje assistimos no Brasil situação, digamos, análoga aonde, pela primeira vez se vai a fundo à moral fétida da cultura política da nação e, boa parcela do jornalismo trata o assunto com interesse velado e oportunista, produzindo recorte temporal e valendo-se da sua condição, atua no firme propósito de criar e/ou recriar, como preferirem, a atmosfera para o retrocesso institucional.

sábado, 7 de março de 2015

A respeito do Museu Interativo de Pelotas

Éder Oliveira  (*)

Volto a falar sobre o caso do "museu interativo de Pelotas".
Foi assinado recentemente um contrato entre a Prefeitura Municipal de Pelotas e a empresa Texto e Imagem para realizar a confecção de um projeto para a criação de um museu interativo, para contar a história da cidade através de recursos tecnológicos interativos.
O valor do projeto (somente o projeto) foi estimado em cerca de 514 mil reais, custeado com verbas do PAC Cidades Históricas.
Mesmo depois de tudo o que foi dito tratando da ilegalidade na contratação da empresa, a resistência ao esclarecimento persiste.
Deixo claro aqui que a ilegalidade não se trata somente da não ocorrência de licitação e sim das prerrogativas que a empresa deveria ter para poder prestar serviços na área museológica.
É ilegal porque contraria a normativa 5/2012 do Conselho Federal de Museologia (COFEM) que estabelece que uma empresa para poder prestar serviços museológicos deve ser de propriedade de um museólogo ou ter um como sócio, não adiantando contratar já que continuará ilegal da mesma forma.
Talvez pelo uso de uma linguagem polida (nem todos sabem o que é educação) ou a mídia local conseguiu distorcer tudo o que foi falado pelas pessoas que entendem realmente do assunto, continuam resistindo.
O fato é que ainda insistem em dizer que é uma disputa partidária, o que não é verdade.
O que está em questão são direitos garantidos por lei, normativas do COFEM que são de desconhecimento das pessoas que não fazem parte do meio.
Não as culpo porém, peço que acreditem quando eu enquanto Museólogo falo que o contrato é ilegal. Como o Coordenador do Curso de Bacharelado em Museologia, Dr. Diego Ribeiro bem disse "Há atualmente no Brasil centenas de Museólogos autônomos qualificados e mais algumas dúzias de empresas especializadas cadastradas nos 6 Conselhos Regionais de Museologia (COREM)".
Logo o país possui mão de obra preenchendo os requisitos legais, devidamente registrados quer como profissionais liberais, quer como empresas.
Se a empresa em questão conquistou a dita "notória experiência" isso foi antes da normativa do Conselho Federal. Existe a normativa nº 5/2012 do COFEM acabando com a farra de empresas sem o respaldo técnico.
Assim pergunto ao médico se não iria ficar contrário ao ver que existe exercício ilegal da profissão. Questiono o advogado se ao menos não se manifestaria contrário ao saber que têm pessoas atuando como advogados enquanto nem passaram sequer pelos exames da OAB. Farmacêuticos,
Dentistas, entre outras tantas profissões exercidas por pessoas que investiram anos de dedicação e estudo para poder conquistar o direito de trabalhar e ver tudo isso jogado na lama, ignorando a lei, desrespeitando as normativas dos Conselhos.
Ninguém do meio quer ver esse projeto levado a cabo por uma empresa que não atende as especificações já que isso agride tudo que foi conquistado pelos profissionais.

Além de tudo o que já foi falado, cabe a ressalva sobre a intenção de que o museu seja interativo por recursos tecnológicos de última geração.
O que temo é que não ocorra um equilíbrio sensato no museu quanto aos recursos tecnológicos e também não percebo qualquer compreensão do termo.
Tecnologia pode ser compreendida como qualquer inovação a fim de facilitar a vida humana.
Desta forma uma porta é um recurso tecnológico de segurança, já que não existem portas desde sempre.
A interatividade requerida no projeto do museu precisa de equilíbrio e racionalidade, coisa que por exemplo não ocorreu no museu da CBF, onde os recursos expositivos brilham mais que o acervo/conceito.
Para tanto é necessário que museólogos participem da concepção do museu para que em nome de repercussões e purpurinas das inovações high-tech desequilibradas que mostram a tecnologia por mostrá-la em si.
É o que fatalmente acontecerá se a discussão não tiver profissionais qualificados para tal finalidade.

(*) museólogo

OPINIÃO - Impedimento e democracia

Posicionando-se contra as manifestações que propõem o impedimento da presidente, Róger Albernaz de Araújo escreve em seu mural:
"Essa posição demonstra um conhecimento do conceito de democracia e, mais o respeito pelo regime democrático. 

O restante, desculpem-me os que pensam diferente, é flertar com um regime despótico. 
Ou desconhecem do que isso se trata ou capitalizam o caos. Se não estão contentes, expressem sua posição nas próximas eleições. 

Qualquer referência a impeachment neste momento, configura golpe.
Essa incitação ao rompimento com os princípios democráticos é inaceitável para quem viveu como país um regime ditatorial! 

Nada é mais desumano que a perda do direito de expressão, ou àqueles que desejam a ditadura pensam que terão espaço de manifestação.
Pura Ingenuidade e/ou ignorância. 

Àqueles que não desejam a ditadura, mas que apoiam, inconsequentemente um impeachment e desrespeitam as regras democráticas, deveriam informar-se sobre o que configura em lei esse processo, bem como suas consequências, inclusive no que tange a economia de uma nação.
Isso é assunto sério, não a opinião de cada um sobre algum post no facebook".

Não sei se elas sabem. Mas eu sei.

















Enilton Grill

Não sei, às vezes me pego pensando sobre aquelas pessoas que norteiam nosso jeito de ser de pensar e de viver.
Eu tenho algumas. Não mais que algumas.
Delas sei quase tudo.
Sobretudo o que me é preciso saber para que elas para mim sejam o que são.
Não sei quantas você tem.
Mas imagino que uma pelo menos você deva ter.
Acho que não exagero dizendo que o mundo hoje se curva à figura de José Pepe Mujica.
Eu também. Nada mais justo.
Até aí, tudo bem.
Porém, quando vejo um reacionário se derramando em odes e loas ao Mujica, me pergunto:
Será que essas pessoas sabem que o Mujica, entre otras cositas más, é contra a pena de morte e a favor do aborto, dos direitos humanos e da reforma agrária, sendo um profundo admirador do MST. Será que elas sabem que ele é ateu?
Não sei se elas sabem.
Mas eu sei.
Será que essas pessoas sabem que o Mujica participou de assaltos e sequestros e passou 14 anos na prisão, de onde só saiu no final da ditadura.
Será que essas pessoas sabem que o Mujica foi um líder tupamaro?
Será que essas pessoas sabem o que é um tupamaro?
Não sei se elas sabem. Mas eu sei.
Como também sei que quem diz que "bandido bom é bandido morto" e diz que o Mujica o representa (e o quer aqui neste país) ou não sabe o que quer ou não sabe o que diz.


A corrupção, que nunca existiu na história do Brasil, apareceu

Dep.Luiz Carlos Heinze
Acompanhando a evolução das mais recentes investigações sobre corrupção no Brasil observa-se, acompanhando as opiniões, que alguns ainda gostam de pensar que ela nunca existiu anteriormente no que costumam ser muito convictos.
Para os eles a corrupção nasceu agora, de preferência no governo atual, apenas por isso nunca foi investigada, denunciada e, óbvio, não teria como ser punida.
A tese contrária que vai buscar estudos para se fundamentar, é de que a corrupção nunca foi investigada  na profundidade e seriedade que vemos agora.
Isso demonstra que o país vive um momento novo no qual , pela primeira vez na sua história, esses fatos vem à público de forma tão consistente alcançando nas acusações os altos escalões da política e do empresariado.
Apresentada a denúncia sobre os envolvidos com a corrupção em contratos de empresas com Petrobrás, um fato chama a atenção.
São citados 47 políticos:
32 do PP, 7 do PMDB, 6 do PT, 1 do PSDB e 1 do PTB.
Na relação, há seis políticos do Rio Grande do Sul, todos ligados ao PP: os deputados Afonso Hamm, José Otávio Germano, Jerônimo Goergen, Luiz Carlos Heinze e Renato Molling e o ex-deputado Vilson Covatti.
Afonso Hamm, inclusive, é deputado federal eleito pela região sul.
Luiz Carlos Heinze é bem conhecido por suas posições bem marcadas de direita  e se tornou notícia principalmente depois de declarações em público em Vicente Dutra, no norte do Rio Grande do Sul, em novembro passado.
Na ocasião se referiu a índios, quilombolas e homossexuais como "tudo que não presta".
Mas voltando à lista de denunciados, dá prá dizer que o núcleo dessa denúncia é o PP.
Cabe lembrar que as origens do Partido Progressista estão ligadas à ditadura militar (1964–85), quando surgiu a Aliança Renovadora Nacional (Arena) — partido do governo, quando agrega partidários de partidos que apoiaram o golpe militar destacando-se a UDN de Jânio Quadros e Carlos Lacerda.
No momento em que se decidia a sucessão do presidente João Figueiredo (1979-1985), o Partido Democrático Social (PDS), então partido de apoio ao governo, conseguiu impedir, na Câmara dos Deputados, o restabelecimento das eleições diretas, mas não evitou a disputa interna pela candidatura presidencial. O PDS dividiu-se em dois grupos e dois candidatos, o então ministro Mário Andreazza e o ex-governador Paulo Maluf. Com a vitória de Maluf na Convenção, o partido se desagregou.
Uma de suas facções fundaria o PFL (Partido da Frente Liberal) e se aliaria ao PMDB para apoiar Tancredo Neves, enquanto a outra seguiria seu caminho até a derrota no Colégio Eleitoral.
A democracia brasileira deve esse favor a Maluf.
O PFL, é pertinente lembrar, vai passar por mudanças de identidade até se apresentar, atualmente, como Democratas.
Já o PDS, derrotado, vai passar de partido de governo ao declínio na oposição, à espera de melhores dias, preservando seus espaços.
A fragmentação do quadro partidário brasileiro, contudo, vai aumentando ao sabor das crises políticas pós-Constituinte de 1988.
Com a gradual normalização da vida política, após o impeachment de ex-presidente Collor de Mello, começa a nascer o atual Partido Progressista.
Em 1993, o PDS funde-se com o Partido Democrata Cristão (criado em 1988) e nasce o Partido Progressista Reformador (PPR) logo a seguir novamente rebatizado desta vez como PP ( Partido Progressista).
Ou seja, é um partido que identificado com a ditadura nos 20 anos de regime militar, poderia nesse momento  não estar representado quase que exclusivamente na lista apresentada essa noite pela Procuradoria Geral da República (PGR) ao Supremo Tribunal.
Talvez esteja na hora do partido mudar mais uma vez de sigla.

P.R.Baptista - Editor


quarta-feira, 4 de março de 2015

Estádios chilenos, memórias de tortura


Pelo menos três dos nove estádios que vão receber a Copa América 2015, que começa em 11 de junho, foram usados como centros de detenção e tortura durante a ditadura de Augusto Pinochet.

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terça-feira, 3 de março de 2015

Execuções sumárias da polícia americana

Comenta-se muito que a polícia brasileira é despreparada e que, em várias ocasiões, age com violência. Como explicar, no entanto, que nos Estados Unidos, país de primeiro mundo, ocorram casos de extrema gravidade, envolvendo policiais americanos abordando a maior parte das vezes negros, em que se cometem violências injustificáveis. Vários desses casos, na realidade, apresentam-se como de execução, pura e simples. O video mostra uma cena recente em que isto fica bem exemplificado. Cabe pergunta até onde a barbárie das execuções feitas pelo Estado Islâmico de reféns se distancia de uma cena como essa em plena rua de uma cidade americana.

Decks na rua, uma tendência para ficar?


Recentemente foi inaugurado em Pelotas um bar que aproveita, como espaço para mesas e cadeiras, além da calçada, um deck construído sobre a rua ao lado do meio-fio.
O resultado, tanto esteticamente quanto para os frequentadores, parece interessante.

Um ponto, no entanto, merece um esclarecimento.
Como o projeto, segundo declaração dos proprietários, tem aprovação da Secretaria Municipal de Gestão da Cidade e Mobilidade Urbana, supõe-se que a secretaria esteja, de acordo com a legislação vigente, cumprindo as normas existentes sobre essas situações.

Já de imediato deverá atender pedidos semelhantes que sejam submetidos por bares e outros comércios do ramo, e pode ser um número extremamente grande pois são inúmeros espalhados no âmbito da cidade.
Tampouco podemos esquecer situações, que costumam ser muito criticadas, de estabelecimentos de comércio que usam a calçada para expor produtos pois, a rigor não há tanto do que se diferenciem do caso apresentado.
Do contrário poderia estar caracterizado algum tipo de privilegiamento o que seria inaceitável.
Por fim, uma dúvida: incide sobre essa forma de ocupação algum tipo de imposto?
Quero presumir que sim pois se trata de área, embora pública, explorada privativamente.

A METADE SUL
  

segunda-feira, 2 de março de 2015

OPINIÃO - Por que é que a oposição rasgou a bandeira do impedimento?!

Clóvis Veronez

Após o deduramento de corruptos assumidos que fizeram acordos de delação premiada afirmarem que existia um “clube” de empreiteiras que fraudava licitações e pagava propinas, misteriosamente os, até então. defensores do impedimento da presidenta correram para o vestiário.
Há pouco tempo, o senador Aécio Neves (PSDB), aparecia barbudo e vociferando "histérico", tentava pautar a mídia aliada na Operação Lava-Jato para atacar o governo Dilma, lhe seguiam, os não menos histéricos
José Agripino (que se comprovou um cínico), Ronaldo Caiado, Alvaro Dias, só para citar alguns, escalados na linha de frente do 4/5/3, esquema ofensivo escolhido para atuar na prorrogação e virar o resultado do segundo turno, ops, segundo tempo. Vália tudo até gol de impedimento, visto que a geradora de imagens havia, com seu interesse patriótico, suprimido, da transmissão, o tira teima.
Mas, transmissões paralelas, permitiram a qualquer pessoa, até mesmo os pobres de amor a pátria, revelarem que o impeto ofensivo deixou a defesa desguarnecida e que, não dá para confiar, em dedo duro.
Flashes tímidos, em letras miúdas, no rodapé de páginas dos grandes jornais informam que o dono da UTC, empresa patrocinadora do escrete Tucano, Ricardo Pessoa, disse em depoimento à Polícia Federal que tinha contato mais próximo com o meio campista do time dos Bicos Longos, o Doutor Freitas, Sérgio de Silva Freitas, ex-executivo do Itaú que atuou na arrecadação de campanhas para os campeonatos em 2010 e 2014 e esteve com o empreiteiro na sede da UTC. Ainda de acordo com o depoimento, objetivo da visita do Doutor Freitas foi receber recursos para a campanha presidencial do avante Aécio.
Dados da Justiça Eleitoral desportiva sobre as eleições de 2014 mostram que a UTC doou R$2,5 milhões ao Time do PSDB para o campeonato presidencial e mais R$4,1 milhões ao mesmo time em São Paulo e em Minas Gerais, além de R$400 mil para outras franquias tucanas.
Depois dos depoimentos de dois executivos da Toyo Setal que fizeram acordos de delação premiada, e afirmaram que existia um “clube” de empreiteiras que fraudava licitações e pagava propinas, misteriosamente o centro avante dos Bicos Longos, Aécio Neves, alegando contusão, pediu para sair do jogo.
A falta de interesse do time oposicionista e de provas de envolvimento da técnica adversária no escândalo do jogo em Petrobras são alguns dos motivos apontados pelos especialistas para não alterar o resultado do jogo, no tapetão.

Paralisações de caminhoneiros se restringem ao RS e SC; governo reitera acordo

Em nota oficial, Secretaria-Geral da Presidência da República, informa que 80% dos focos de paralisação estão na região Sul

A Secretaria-Geral da Presidência da República, ministério que faz a intermediação de demandas sociais ao governo, divulgou nota neste domingo (1º), informando que "as manifestações seguem localizadas na região Sul do País com 80% dos bloqueios concentrados em rodovias federais no Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina".
O órgão reiterou ainda que o governo matém compromisso com "as propostas anunciadas esta semana e a disposição para o diálogo tendo como base o encerramento das interdições de rodovias".

Segundo o boletim de interdições da Polícia Rodoviária Federal (PRF), divulgado às 20h do sábado (28), havia 46 bloqueios nas estradas do País. Até às 10h, essa era a última atualização oficial.

De acordo com informações do jornal "Zero Hora", de Porto Alegre, e "A Notícia", de Florianópolis, os bloqueios foram reduzidos de 18 para 13 de ontem para hoje, no primeiro Estado, e subiram de 12 para 18 nas rodovias catarinenses.

LEIA MAIS >>>> http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2015-03-01/paralisacoes-de-caminhoneiros-se-restringem-ao-rs-e-sc-governo-reitera-acordo.html


domingo, 1 de março de 2015

SP: protesto pró-impeachment leva apenas 70 pessoas ao MASP

De acordo com dados da Polícia Militar, apenas 70 pessoas participaram do ato no vão livre do MASP, região da Avenida Paulista.

A chuva que caiu na Zona Sul de SP nesta tarde de sábado (28), pode ter espantado os manifestantes da página “Fora Dilma”, que possui 46 mil seguidores no Facebook.

A militância defende o impeachment da presidente reeleita, como uma ação que seria uma forma de tirar do poder “um monstro chamado Partido dos Trabalhadores” e garantir que outros supostos escândalos envolvendo Dilma e o partido venham à tona.

No entanto, a PM paulista aponta que outro movimento conseguiu levar mais participantes às ruas de São Paulo.  O movimento “Aula Unificada Pública da Rede Emancipa” conseguiu atrair 250 pessoas para o MASP. Este movimento tende a unir estudantes de cursinhos pré-vestibulares oriundo de movimentos sociais.

As duas atividades estavam marcada para o mesmo horário, 14h.

Na página do Fora Dilma, apenas uma alusão duas horas antes do protesto é mostrada (foto acima). Além de uma postagem a favor dos movimentos dos caminhoneiros, que reclamam contra o aumento de combustíveis.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Professores de todos os dias

Nei Alberto Pies

"As verdadeiras questões da educação resultam de que nas escolas há pessoas jovens, que devem ser ajudadas, tanto quanto possível, a serem felizes. E em que a felicidade dessas pessoas, como a de todas as outras, consiste em satisfazerem a ânsia profunda que têm de verdade, de bem e de beleza. Não em terem coisas e conforto". (Paulo Geraldo)

Nós, professores e professoras de todos dias, mergulhamos no complexo desafio de humanizar crianças, adolescentes, jovens e adultos a partir da construção do conhecimento. Os tempos mudam, mas não mudou o papel da escola. A escola é o grande laboratório onde se geram a socialização e convivência interpessoal, bem como a construção do conhecimento, a partir das idéias e iniciativas inerentes à criatividade humana.

Abençoada seja a missão de educar. Abençoados sejam nossos propósitos, mesmo nem sempre compreendidos pelos alunos, pais e comunidade. Abençoadas sejam as famílias  dos professores que acompanham com quanta ousadia, paciência, preparo e persistência, se faz a vida de um professor  ou professora. Abençoada seja a saúde física e mental, pois não podemos adoecer e nem fraquejar. Abençoados sejam todos aqueles e aquelas que, por nossas mãos, mentes e coração aceitaram e aceitam o desafio de fazer-se gente, a partir dos seus potenciais e da superação de seus limites. Abençoados todos aqueles que acreditam no trabalho do professor.

Nada mais gratificante em nossa profissão do que o reconhecimento de alunos e alunas que, mesmo tardiamente, fazem questão de afirmar que a gente fez diferença em suas vidas. Não há como medir, no cotidiano da vida escolar, quando e como realizamos ações ou atitudes que marcaram positivamente a vida de um de nossos alunos. Afinal, a gente nunca foi e nunca será gênio para adivinhar; sempre seremos visionários para arriscar, mudar e ousar. Nisto, sempre fomos mestres.

O que entristece a nossa vida é que tanto cuidamos da vida, dos sonhos e dos problemas dos outros, mas nem sempre somos bem cuidados. Queríamos, sim, reconhecimento por nosso maior feito: preservar a importância da educação e da escola para o nosso país, para o mundo.

Muitos falam de educação, mas não são professores. Arriscam palpites sobre melhorias na educação, mas não perguntam sobre o que a gente tem a dizer. Não se importam com os baixos salários, muito menos com nossas dificuldades de lidar com as múltiplas dimensões e necessidades presentes nos nossos alunos. Nestes últimos quesitos, lutamos solitários. 
Embora não tenha mudado o papel da escola e da educação, mudaram as exigências para que possamos construir uma boa aprendizagem. Temos observado que nem todo aluno e nem todos os pais vêem a escola como uma forma de inserção na vida social e científica. Que as necessidades dos nossos alunos estão muito além para aquilo que a escola consegue oferecer. Que escolas e professores nem sempre estão em condições de dar conta de tudo o que está "depositado" neles.

O fato é que, a complexidade de nosso mundo é a complexidade da nossa escola; esta complexidade está nos distintos recantos de nosso país. O que muda de uma escola para o outra é o modo de conduzir os processos de aprendizagem e de interação social, mediados pelo conhecimento. A especificidade de cada escola e de cada contexto é que precisam ser sempre avaliados, reconhecidos e apoiados.

O professor, neste contexto, está fragilizado, exposto e pressionado por resultados e expectativas que não dependem somente de sua atuação. Mas professores e professoras resistem bravamente. Sabem que a dureza dos desafios cotidianos supera-se na disposição de lutar por melhores dias na educação, mas também na sua disposição de amar e sentir compaixão. Como escreveu Paulo Freire, " não é possível refazer este país, democratizá-lo, humanizá-lo, torná-lo sério, com adolescentes brincando de matar gente, ofendendo a vida, destruindo o sonho, inviabilizando o amor. Se a educação sozinha não transformar a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda".

Nossos dias se chamam "muito trabalho". Nosso alento, "esperança de dias melhores".

Nei Alberto Pies, professor e ativista de direitos humanos.


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Artistas nossos - Carmen Garrez


Carmen Garrez

Nasceu em Cacequi (RS). Arquiteta, urbanista e artista plástica, começou sua carreira como pontilhista - técnica caneta hidrocor sob papel telado.
Com esta técnica realizou várias exposições individuais e coletivas. 
Passou posteriormente a utilizar a técnica de acrílica sob tela, tendo como temática a natureza, sendo reconhecida como artista naïff (ou primitiva). 
Atualmente, ainda utilizando-se da mesma técnica, trabalha a figura humana tendo o universo feminino como temática.

Relatório da Anistia Internacional

La respuesta global a las atrocidades cometidas por los Estados y los grupos armados, “vergonzosa e ineficaz”

Amnistía Internacional publica su Informe Anual junto con una previsión de las tendencias en materia de derechos humanos para el próximo año
El informe sostiene que los gobiernos deben “dejar de fingir que la protección de civiles no está a su alcance”
Prevé un aumento del número de civiles en situación de riesgo de sufrir abusos a manos de grupos armados, la continuidad de los ataques contra la libertad de expresión y el empeoramiento de la crisis humanitaria y de refugiados; a menos que tenga lugar un cambio fundamental en la respuesta mundial a los conflictos
Pide medidas globales, incluida la renuncia al derecho de veto de los cinco miembros permanentes del Consejo de Seguridad de la ONU en situaciones de atrocidades masivas
Los dirigentes mundiales deben actuar con urgencia para hacer frente al nuevo rostro de los conflictos y proteger a la población civil de la horrenda violencia de Estados y grupos armados. Así lo ha afirmado Amnistía Internacional al presentar su evaluación anual de la situación de los derechos humanos en todo el mundo.

LEIA O RESTANTE DO DOCUMENTO >>>

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terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

E tenho dito

Greve dos caminhoneiros no Chile em 1972
Por Enilton Grill 

Tive a sorte de nascer numa família profundamente politizada e o azar de nascer em plena ditadura militar. Sou de 1965 e cresci durante os anos de chumbo e sob o regime dos coturnos e do medo. Em 1973 eu tinha 8 anos de idade. Poderia dizer aqui que me lembro (nesta época) do meu pai (à meia voz) murmurando qualquer coisa com minha mãe sobre algo no Chile.
Mas não é verdade.
Não lembro de nada do dia 11 de setembro daquele ano.
O que não significa dizer que não sei o que aconteceu no dia 11 de setembro no Chile.
Sei o que aconteceu naquele dia e nos meses e anos que antecederam e que sucederam aquele dia. Sei, por exemplo, que em maio de 1973, os empresários chilenos patrocinaram uma greve no transporte urbano. E que um ano antes, em outubro de 1972, eclodiu a greve dos caminhoneiros que foi seguida por uma greve no comércio, nos transportes urbanos, nos hospitais particulares etc. Era uma greve insurrecional da burguesia.
Derrotada nas urnas, a direita não via outra alternativa a não ser inviabilizar o governo da Unidade Popular e pavimentar o caminho para o golpe.
Neste período mais de trezentas mil cabeças de gado foram contrabandeadas e dez milhões de litros de leite atirados nos rios para que não chegassem nas mesas das crianças pobres. A terra não foi semeada e a produção de alimentos quase parou.
Em pouco tempo começou a faltar alimentos nas grandes cidades.
Proliferou o mercado negro e incentivou-se o processo inflacionário.
Corre o vento e o rio passa e o que se passou lá se passa cá.
Desnecessário dizer (até porque eu já disse) que tudo isso (tanto lá como cá) foi tramado para desestabilizar os governos de lá e de cá e criar as condições para o golpe que se deu lá.
Mas que se depender de nós (e depende) não se dará por cá.
Isto eu ainda não tinha dito e resolvi dizer enquanto me é permitido dizer o que eu quiser dizer.
E tenho dito.


Museu da Cidade, visões diferentes

O anúncio da contratação de uma empresa para a criação do Museu da Cidade foi acompanhada de uma discussão na qual a Secretaria de Cultura defende os procedimentos escolhidos e profissionais vinculados à área de Museologia da UFPel , tendo à frente a Profª Noris Leal, contestam.

Para situar uma parte da discussão encaminhamos o link de matéria divulgada na televisão

A seguir reproduzimos, também, manifestação da ex-secretária de Cultura Beatriz Araújo, defendendo os critérios da Administração Municipal ao mesmo tempo em que faz acusações ao movimento de profissionais ligados à UFPEl.

"E pensar que um grupo da UFPel - ainda que pequeno - acredita que pode assumir a criação do Museu da Cidade! Ao contrário disso, deviam aproveitar a vinda de uma realizadora experiente, responsável pela criação de museus importantes no Brasil, a qual desde sempre afirmou que contratará profissionais de Pelotas para montar sua equipe de trabalho, e aprender sobre a criação, instalação e manutenção de museus. 
Minha experiência com a criação, instalação e manutenção do Instituto João Simões Lopes Neto, Jardim Lutzenberger (PoA), restauração da Bibliotheca Pública Pelotense e do Museu Histórico Farroupilha me credenciam a afirmar que não basta discurso e teoria pra realizar. Na vida real a coisa é bem diferente! 
Usar os "companheiros" para tentar inviabilizar uma das ações mais importantes que Pelotas terá na área da cultura é muito mesquinho e de uma pequenez inacreditável. 
Registros como este do Diário da Manhã podem contribuir para escancarar a real capacidade de realização deste grupo e até elucidar suas reais motivações neste movimento"

De sua parte Diego Lemos Ribeiro, Museólogo e Coordenador do Curso de Bacharelado em Museologia da UFPel , desenvolve a seguinte argumentação :

"Os museus são lugares privilegiados para a construção, gestão e apropriação de memórias e patrimônios. Nada mais gratificante para um profissional de museu do que acompanhar o nascimento e o amadurecimento de uma instituição museológica. Mas o museu também é um ato político, imbuído de ideologias e de escolhas – nunca um lugar de neutralidade. Nesse aspecto, há dois pontos que merecem destaque. Ponto um: como cidadãos, cabe a nós zelar pelo destino e uso da verba pública. Transparência hoje não é concessão, mas obrigação na condução da coisa pública. Ponto dois: o Curso de Museologia da UFPel representa uma área, que tem um lastro que remonta a 1932, quando foi criado o primeiro curso de graduação no Brasil. Cumpre mencionar também que a profissão de Museólogo é regulamentada por Lei Federal (Lei Nº 7.287, de 1984) e os museus brasileiros estão sob a égide do Instituto Brasileiro de Museu, autarquia criada pela Lei Federal Nº11.906, em 2009. Há atualmente no Brasil centenas de Museólogos autônomos qualificados e mais algumas dúzias de empresas especializadas cadastradas nos 6 Conselhos Regionais de Museologia (COREM). Aqui em Pelotas o Curso de Museologia é coirmão do Curso de Conservação e Restauro e do Programa de Pós-Graduação em Memória Social e Patrimônio Cultural, e já formou perto de 50 Museólogos. Unindo os pontos, temos todo o respaldo para questionar a contratação da empresa Texto e Imagem Ltda. para a elaboração de um projeto para o Museu da Cidade, por “módicos” meio milhão de Reais. Pois é. Não se trata de trazer para a Universidade a responsabilidade pela criação de um museu da Cidade, mas de cobrar, como cidadão e como profissional de museu, os parâmetros e os porquês da “escolha” que subsidiaram a contratação – e pior, sem licitação" 

O registro do jornal Diário da Manhã mencionado acima pode ser conhecido através do link.
http://diariodamanhapelotas.com.br/site/o-destino-do-malg/

Senador de Pernambuco inicia reaproximação do PSB com governo Dilma

Por Júnia Gama

 Ex-ministro do governo de Dilma Rousseff, o senador eleito Fernando Bezerra Coelho (PE) está comandando uma reaproximação de seu partido, o PSB, com o governo. Desde dezembro, ele conversou com ministros como Aloizio Mercadante (Casa Civil), Jaques Wagner (Defesa), Cid Gomes (Educação) e Gilberto Kassab (Cidades) com o objetivo de reconstruir pontes e deixar claro que a posição de independência do partido não é sinônimo de oposição. O PSB se afastou do governo quando ex-governador Eduardo Campos, falecido em agosto, candidatou-se à Presidência da República.

Em entrevista ao GLOBO, Bezerra defendeu que a posição de independência que a Executiva do partido decidiu adotar em novembro do ano passado seja revista, de olho nas eleições municipais do próximo ano.

SEGUE >>>

A sociedade dos velhos

Valter Hugo Mãe

A sociedade dos velhos é paralela. No cansaço físico dos velhos há um mutismo que parece tornar as suas questões assuntos para-humanos. Os velhos existem constantemente no absurdo.

Rejeitados e habituando-se à rejeição. Como a serem levados a pensar que valem menos e que representam menos a humanidade. Começar a perder direitos acontece no instante em que alguém se diminui diante dos outros. É a aceitação tácita de que se pode ser preterido, esquecido ou abreviado.

Todos nos acostumamos à dor. Em certa medida, buscamos uma estabilidade que se paga com o ganhar tolerância até àquilo que nos faz mal. Contudo, o pressuposto de que a velhice normaliza a desgraça é do foro da pura violência, do terror, e nenhuma sociedade estará madura sem obstinadamente corrigir isso.

A simples convicção do Estado de que alguém pode sobreviver com 150 euros num mês é fundadora de todos os preconceitos. Nenhum Estado com pensões de velhice desta ordem pode arrogar-se à ínfima ética no cuidado com os mais velhos.

E digo que a sociedade dos velhos é paralela porque ela decorre à margem de todas as grandes decisões. As televisões são lugares plásticos para figuras que aludam a uma generalidade da população activa. Vemos o que se supõe interessar a quem paga. Se retiramos o poder de compra dos reformados, retiramo-los das estatísticas do conforto, deixam imediatamente de ser alvo da grande maioria das empresas e das boas intenções.

O mais grave é que transformamos a velhice num não assunto, pejados de medo pela antevisão do nosso próprio futuro, e induzimos os mais velhos à vergonha e, depois, à culpa. A vantagem que lhes levamos na robustez física, e supostamente mental, cria a covardia com que tantas vezes actuamos, pressupondo que o padrão da normalidade diz respeito a idades jovens. A velhice, tão simples, tem de ser normalizada. Nem tanta conquista da medicina, e de todas as ciências quantas nos cuidam, seria coisa interessante se não houvesse uma lúcida ética em torno da oportunidade de se viver mais tempo.

A impressão de que os velhos vivem culpados é a que mais me magoa. O modo cordeiro como agem para que a família não se canse deles, para que não lhes gritem, para que lhes sirvam uma sopa que não se entorne, que não tenha demasiado sal, que não ferva como lava de comer à pressa. Impressiona-me que já entrem nas salas como meninos malcomportados, acanhados porque lhes dizem que só fazem asneiras. Tantas vezes escutando as coisas mais cruéis. Para que morram mais cedo, deixem de herança dois ou três pertences com valor comercial, para que não ocupem o espaço onde as crianças querem brincar. Porque as crianças são todas elas esperança e direitos.

A ridicularização dos velhos, guardados como animais domésticos de manta nas pernas diante da televisão, é um flagelo da contemporaneidade. Num tempo de tão grandes consciências e desenvolvimentos, não entendermos que as pessoas que temos em casa são o puro ouro da vida é um tiro no nosso próprio pé. Compactuamos com uma mentalidade que nos predará. Seremos nós, depois, aqueles que se sentam de manta nas pernas afundando a voz mais e mais por perder a vez. Como aberrações que teimam em perdurar.

Gloriosos os que conseguem perdurar. E, se emudecerem, espero que imaginem conversas exuberantes que os divirtam e instruam sempre, secretamente. Porque, no interior das ideias, a idade é uma equação que pode resultar em muita novidade e juventude. Sobretudo, espero que seja possível encontrar ideias que curem a violenta tristeza de se perceber a família como demasiado atarefada para o afecto. Demasiado urgente para dar espaço a quem, por definição, se espreme contra o tempo.

Gloriosos os que conseguem ainda amar. De sorriso transparente, como se, depois de tanta coisa, tivessem descomplicado a vida. O que vale a pena é invariavelmente cristalino. Turvos só mesmo os olhos de quem vê.

Fonte : A Sociedade dos Velhos 

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Tudo e nada com Petrobrás!

Nei Alberto Pies


"É mudando o mundo que a gente se transforma" (Frei Betto, frade dominicano)

Minha atividade social militante não me condena. Passei a vida, como muitos, defendendo bandeiras como a liberdade, o respeito aos direitos humanos fundamentais, a consolidação da democracia ativa, o acesso à cidadania através da geração de trabalho e renda, o respeito, a consideração e reverência às diferentes crenças, dentre outras. Não imagino que esta luta social, feita a tantas mentes e mãos, possa me impor qualquer responsabilidade sobre desvios éticos e morais de terceiros que se apropriaram dos bens mais sagrados: as instituições e os recursos públicos.
Sempre fui otimista com relação aos potenciais da cidadania e altivez dos brasileiros, apesar da insistente passividade que nos circunda e nos envolve cotidianamente. Nem os mais recentes e graves episódios envolvendo corrupção no Brasil abalaram minha crença nos brasileiros que, por sua diversidade e riqueza cultural, produzem uma nação gigante. Mas em função de uma intensa divulgação midiática - certamente intencionada - sobre corrupção, vivemos um tempo de "neuroses coletivas", envolvendo conceitos, julgamentos e condenações generalizadas sem a mínima sensatez que permita o senso crítico e discernimento.
Nas redes sociais ou nos relacionamentos interpessoais há pessoas que cegaram pontos de vista, agindo estupidamente com aqueles que imaginam próximos ou coniventes aos já publicamente julgados e condenados "malfeitores da nação". Grosseiramente, imputem a todos os lutadores sociais associação direta com estes. Desconsideram história pessoal, coletiva e organizada de milhares de pessoas que ajudaram este país a superar a vergonha da miséria e da fome, do preconceito e da discriminação, da falta de trabalho e oportunidades, da cidadania passiva (que sempre envolvia a noção de favores e não direitos).
Penso, como muitos, que poderemos passar a limpo endêmica e sistemática corrupção que grassa as relações pessoais e institucionais em nosso país. A corrupção que acontece a cada dia nas ruas, nos hospitais, nas organizações civis e de classe, nos poderes da República, na Petrobrás e demais empresas públicas e privadas pode ser enfrentada neste momento histórico.  Escolher a corrupção como um dos problemas brasileiros talvez seja o primeiro passo em direção ao seu enfrentamento, a ser efetivado todos os dias, em todos os espaços.
Eleger a Petrobrás, alguns governos ou a presidente Dilma como "bodes expiatórios" é uma forma equivocada de enfrentar o problema da corrupção no Brasil. As mudanças reais, de efetivo resultado, virão quando mudarmos a forma de pensar e organizar a vida em sociedade mudando nosso sistema político (falido e corrompido), nosso sistema econômico (excludente e seletivo), nosso sistema social (da estratificação social), nosso sistema jurídico (burocratizado e que favorece a impunidade), para citar alguns. Esta mudança exige outra postura dos cidadãos brasileiros: a vigilância, a denúncia e a cobrança por maior transparência em todos os atos e atividades que envolvem o interesse público. Exige em todos os espaços educativos: escolas, clubes, associações, sindicatos e partidos o estudo e o debate das implicações e problemas da corrupção para a nação. Exige cobrar que todos os que comprovadamente praticaram corrupção sejam punidos e que o dinheiro público seja ressarcido.
O pior a fazer é agir como expectadores, jogando como torcida: pior, melhor, mais corrupto, menos corrupto, mais ético, menos ético. Enfrentar a corrupção no Brasil deveria ser um dever cívico de todos, para o bem de toda nação brasileira.
Sou todo Petrobrás para defender a importância estratégica desta empresa para o desenvolvimento do país, mantendo-a pública, saneada e livre dos ataques predadores e privatizantes. Sou nada Petrobrás para transformá-la em "bode de sala", mantendo tudo como está para favorecer a corrupção generalizada e a concentração da renda neste país.

Nei Alberto Pies, professor e ativista de direitos humanos.

Praia do Rosa- SC


Foto de Elizabeth Bauer, com interessantes elementos de composição e de informação que lhe dão um autêntico conteúdo fotográfico.
Publicada originalmente a cores pareceu-me que a convertendo para preto e branco poderia melhor destacar esses pontos principais.
Decidi então fazer, a título de intervenção, essa conversão.
Eis o resultado.

P.R.Baptista

Inicia em março emplacamento com chapa do Mercosul

El 28 de febrero Mujica presentará de forma simbólica la chapa y desde marzo comenzarán a verse autos con la matrícula común al bloque regional.

Desde marzo comenzarán a empadronar vehículos con la chapa del Mercosur. Se trata de la matrícula común que utilizarán los países del bloque regional: Uruguay, Argentina, Brasil, Paraguay y Venezuela.

Según supo Subrayado, el 28 de febrero, último día de José Mujica como presidente de la República (el 1º de marzo asume Tabaré Vázquez), será presentada la nueva chapa en el Congreso de Intendentes.

La presentación simbólica la hará Mujica, y desde marzo comenzarán a empadronar los vehículos con la nueva matrícula.
Al menos la Intendencia de Montevideo ya tiene resuelto comenzar los empadronamientos con estas chapas el mes próximo. En 2016 será obligatorio para todos los países del Mercosur.

Fonte : http://www.subrayado.com.uy/

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Humanidade atropelada

Nei Alberto Pies

"Enquanto o tempo acelera e pede pressa, eu me recuso, faço hora, vou na valsa...a vida é tão rara" (Lenine)

O trânsito de nossas cidades revela o nosso comprometimento pessoal e coletivo com a esquizofrenia e a imposição dos números. Passo Fundo, a exemplo de outras cidades de médio e grande porte, viveu em 2014 a supremacia dos números, de carros. Segundo estudo do arquiteto e urbanista desta cidade, Daniel Bueno, nossa cidade dobrou o número de carros em relação ao número de habitantes, no período de 2006 a 2009. Estarrecedor!
Cabe, então, uma singela reflexão sobre o porquê da supremacia das máquinas e dos motores. O fato é que reduzimos nossas vidas a uma competição com o tempo. O que é a pressa senão a pretensão de reduzirmos tempo? O que é a correria senão querer fugir do lugar para chegar a lugares, e mais lugares? O que é a velocidade senão acelerarmos nossa louca correria.
Tudo corre muito ligeiro, mas o percurso e o desenrolar da vida segue regular. O tempo foi inventado pelos homens, mas a vida não. Enquanto aceitarmos que os números se imponham ao ritmo natural da vida, continuaremos lamentando o número de vítimas da pressa.
Aliás, o que são as vítimas além de números? Não nos assustamos mais saber que somente nos primeiros 05 meses do ano de 2014, 21 pessoas perderam suas vidas no nosso trânsito. Para ficarmos nos números, em 2013 foram 18 mortos. O que é que são 18 ou 21 pessoas mortas? O que elas representam diante de um total de quase duzentos mil habitantes?
Concordo com a afirmação das autoridades do trânsito de nossa cidade, de nosso estado e de nosso país de que os motoristas e pedestres são parte da culpa dos nossos acidentes. Que boa parte dos acidentes poderia ser evitada (sempre se...). Mas não posso ficar na mera constatação sem perguntar pelas causas. As causas, todos nós devemos investigar.
Cadê a nossa humanidade? Será que ela foi atropelada pelos números? Será que a organização do trabalho, da economia e do cotidiano das nossas cidades não está nos levando a uma mais completa loucura? Dizemos sempre que estamos correndo, mas nem sempre sabemos para onde nem atrás de que.
Fiquei pensando no que é mesmo esquizofrenia. Pesquisei e descobri que "esquizofrenia é uma doença psiquiátrica endógena, que se caracteriza pela perda do contato com a realidade. A pessoa pode ficar fechada em si mesma, com o olhar perdido, indiferente a tudo o que se passa ao redor ou, os exemplos mais clássicos, ter alucinações e delírios. Ela ouve vozes que ninguém mais escuta e imagina estar sendo vítima de um complô diabólico tramado com o firme propósito de destruí-la. Não há argumento nem bom senso que a convença do contrário.". (Dr. Dráuzio Varella, médico psiquiatra).
Concluí então: trânsito pode combinar com esquizofrenia. Não é louco?

(*) professor e ativista de direitos humanos.



'Abandonada' e perigosa, água da chuva ganha uso por moradores em São Paulo Paula Adamo Idoeta

Paula Adamo Idoeta
Da BBC Brasil em São Paulo
18 fevereiro 2015

Na Vila Mariana, água que corre pela rua é usada por alguns prédios 
Na rua Dr. Nicolau de Souza Queiroz, na Vila Mariana (zona sul de São Paulo), a água corre pela sarjeta praticamente dia e noite, segundo moradores, formando colônias de musgos sob ela no asfalto. Acreditando se tratar de um vazamento, alguns vizinhos já notificaram as autoridades, enquanto a água continua a escorrer rua abaixo.
Mas essa água, na verdade, vem de galerias pluviais da região - e alguns prédios da rua passaram a improvisar sua coleta, colocando canos para captá-la e bombeá-la da rua.
"Nossa conta de água caiu de R$ 500 para R$ 50", diz o porteiro de um dos condomínios à BBC Brasil. "Regamos as plantas, lavamos a garagem e o salão de festas."
Outro porteiro conta que já viu até moradores de rua tomando banho na água da sarjeta. Mas, segundo especialistas, apesar de sua aparência translúcida, essa água pode não ser limpa - e traz riscos à saúde.
Diante de cursos d'água como este ou mesmo para aproveitar a temporada de chuvas, muitos se perguntam como coletar e usar águas aparentemente desperdiçadas, em um momento de crise de abastecimento em São Paulo.

Leia mais: Conheça os negócios ameaçados de extinção pela falta d'água

O Primeiro Mundo


Fazendo fronteira com a Rússia, Eslováquia, Hungria, Rumênia e Polônia e bem próxima do resto da Europa (Alemanha,etc.) a Ucrânia enfrenta hoje uma guerra civil.
Avançando pelo século 21 vemos cenas que parecem saídas de filmes da Segunda Guerra.
Uma demonstração bem atual e inequívoca das dificuldades políticas que a Europa encontra e que, após guerras e mais guerras, continuam presentes, às quais é preciso acrescentar as provocadas pelo terrorismo.
Incertezas, inseguranças que não temos na América Latina.
Mas estes países são desenvolvidos, nós atrasados.





segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Falar mal do Brasil é hábito de colonizado


Pablo Villaça

Aplaudir a virtude alheia e vaiar os tropeços domésticos é um hábito de colonizado, não de sofisticação.

O brasileiro no exterior é um ser em constante estado de admiração pelo prosaico.
Um engarrafamento ganha o charme de ocorrer em pistas de direções opostas às nossas; o frio que enrijece as mãos é europeu, não vindo do vento das montanhas mineiras; a grosseria do atendente é divertida por ser em francês.

Apreciamos a pontualidade dos trens britânicos e invejamos sua organização – e nos esquecemos de que não possuem nosso calor humano ou algo como a Baía de Guanabara, o encontro do Rio Negro e do Solimões ou o pôr-do-sol visto do Mercado Modelo.
Babamos diante de seus ídolos pop e esquecemos de nossos Hermetos, de nossas Cássias e de nossos Emicidas. (Mas não nos culpemos: até Seu Jorge se esqueceu de nossos Seus Jorges.)

Não se trata, claro, de ser ufanista ou de fechar os olhos para nossos desalinhos, mas apenas de reconhecer o óbvio: todos os países possuem seus charmes e seus problemas.
Aplaudir a virtude alheia e vaiar os tropeços domésticos é um hábito de colonizado, não de sofisticação. O verdadeiro “cidadão do mundo” é aquele que, por muito viajar, percebe que somos todos os mesmos.

Em quinze dias fora do Brasil, por exemplo, fiquei preso no avião em Gotemburgo quando alguém se esqueceu de solicitar os ônibus que deveriam buscar os passageiros na pista; vi metade da frota de ônibus parada em greve em Londres; fui destratado gratuitamente por diversos funcionários de marcos turísticos franceses e vi pedintes mendigando sob o frio nos três países.
Li manchetes sobre um escândalo de nove milhões de libras (36 milhões de reais) envolvendo o prefeito londrino, escutei guias turísticos apontando obras que deveriam ter ficado prontas paras as Olimpíadas de 2012 e que permanecem inacabadas e ouvi relatos de corrupção em toda a Europa.

E, a cada experiência destas, podia imaginar inúmeros “só no Brasil” ditos com um tom de autodesprezo por quem mal pisou além de nossas fronteiras.

Pois o fato é que não há um “só no Brasil” – para o bem ou para o mal. Há apenas humanos tentando fazer seu melhor e cometendo atrocidades indizíveis movidas por ganância e fome de poder em todos os cantos do planeta.

Ou melhor: há, sim, um “só no Brasil”. É só aqui que você e eu vivemos e construímos nossas trajetórias.

Então, o mais inteligente a fazer é aprender a perceber que somos lindos e feios como todo o resto. Mas também aprender a amar o fato de sermos brasileiros. Com tudo o que isso significa.

O que nos falta é enxergar que nosso prosaico também pode ser belo.

Publicado originalmente em https://www.facebook.com/pablovillaca01/posts/630671917038038

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

As mulheres e o "Discurso sobre a Felicidade"


Lilian Velleda (*)

A editora Martins Fontes publicou em 2002 um livrinho intitulado "Discurso Sobre a Felicidade", cuja autoria é de Émilie du Châtelet.
Comprado em balaio, de pequeno o volume não tem nada.
Vez em quando volto a ele e sempre me assombro.
As frases de abertura de seu "Discurso" dão bem o calibre daquela mulher, atrevida mulher que ousou dominar o manejo da reflexão e da escrita. Sim, uma pensadora num século dito das "Luzes" masculinas.
Um ser pertencente a metade feminina da humanidade, metade então (e ainda) condenada ao silêncio público e a servir.
E o que nos diz Émilie mais adiante? Ela diz ser o amor pelo estudo a paixão mais necessária para a nossa felicidade, porque com ela evitamos colocar a nossa felicidade na dependência do outro.
Mas isso é outra história.
Por enquanto, quero compartilhar o início, o fio que se desprende da pena de Madame du Châtelet. Ouçam, porque válidas as palavras escritas entre 1746/1747, e inútil a tarefa de (re)dizer o que foi tão bem posto:
" Acredita-se comumente que é difícil ser feliz, e tem-se razão mais que suficiente para acreditá-lo; no entanto seria mais fácil ser feliz se entre os homens a reflexão e o plano de conduta precedessem
suas ações.
Somos arrastados pelas circunstâncias, e entregamo-nos às esperanças, que sempre nos restituem apenas em parte o que nela depositamos: enfim, só percebemos com toda a clareza os meios de sermos felizes quando a idade e os entraves que nos conferimos opõem-lhes obstáculos".
Casada com um militar, companheira de Voltaire e aos 42 anos enamorada de um homem dez anos mais novo, de quem teve uma filha,
Madame du Châtelet morreu com os três homens em sua cabeceira.
Demonizada pela sociedade, inscreveu seu nome e rompeu, de certa forma, com a finitude que nos espreita,

(*) advogada e escritora


quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Comendo Poeira

Foto: Cassal - JL
A Prefeitura está anunciando asfaltamento em várias vias da cidade.
Alguns necessários, outros de difícil explicação.
É o caso da avenida Bento Gonçalves, asfaltada no governo anterior, e de outras vias que vão ser recapeadas pela má qualidade de serviços feitos anteriormente.
Dinheiro público mal empregado, frequentemente de forma eleitoral.
Enquanto isso obras que seriam essenciais vão ficando de lado, esquecidas durante anos, décadas;
É o caso da avenida Espírito Santo, no Laranjal, via de especial importância por ser empregada pelas linhas de ônibus.
Em matéria publicada no Jornal do Laranjal 
 MORADORES DO LARANJAL SOFREM COM BURACOS E POEIRA EM RUAS E 
AVENIDAS NÃO PAVIMENTADAS
* A poeira formada por pequenas partículas em suspensão no ar é algo incômodo que além de 
comprometer a limpeza nas casas prejudica a saúde e dificulta ainda mais a vida de pessoas 
portadoras de doenças respiratórias.
A circulação de veículos em vias não pavimentadas, especialmente no verão, provoca nuvens de 
poeira ao longo do dia.
Esta é a situação vivida diariamente pelos moradores de ruas e avenidas não pavimentadas dos 
balneários Valverde, Santo Antônio e Prazeres no Laranjal, por onde circula o transporte coletivo.
Getúlio Costa, 64, aposentado, mora há 11 anos na av. Espírito Santo e conta que é preciso manter a 
casa fechada o dia inteiro, mesmo assim, camadas de poeira cobrem seus móveis e utensílios 
domésticos. "a anos esperamos que esta importante avenida seja pavimentada mas, as administrações
 arrecadam e não investem nos bairros" disse o morador.
Teresa Nunes, 65, doméstica, mora há 30 anos na av. sen. Joaquim Augusto de Assumpção e 
familiares que residem no mesmo endereço possuem graves problemas respiratórios. "minha mãe 
precisa de oxigênio permanentemente está hospitalizada, pois respiramos essa poeira toda, o dia todo,
 todos os dias." comenta a moradora.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Alpino


A marcha pelo impeachment: entre a fórmula mágica e a preguiça

Foto: Reuters
Matheus Pichonelli

Antes de ir às ruas, seria producente, inclusive recomendável, analisar o próprio revide e notar que a crítica aos detratores igualmente se aplica aos salvadores. No limite, vale questionar o que queremos de fato – expor nossas antipatias ou encampar as reformas necessárias? Mais que isso: o que dizem os nossos representantes direitos, do vereador ao senador, passando pelo nosso prefeito, a respeito dessas reformas? E a liderança do nosso partido favorito? Quais os projetos eles apresentaram na última legislatura? Quais as suas proposta para dirimir o fosso entre ricos e pobres ainda assustadoramente largo no país? Quem bancou as suas campanhas? O que eles defendem em plenário? Como sensibilizá-los? Com cartazes erguidos em dias de folga? Com mensagens à caixa de e-mail? Com pedidos de audiência com a sociedade civil organizada da qual somos convidados a fazer parte?


Perdi as contas, nas últimas semanas, de quantos suspiros deixei escapar ao abrir a caixa de e-mail, os grupos de WhatsApp e as timelines do Twitter ou do Facebook. Reconheço estes suspiros: são a canalização dos mesmos cansaços, preguiças e desgostos de quando recebo correntes com fórmulas mágicas para problemas complexos. Contra estupradores, tome castração química. Contra a criminalidade, pena de morte. Contra a gravidez precoce, o fim do baile funk. Contra a corrupção, o impeachment, palavra da moda em dias recentes.
De uns meses pra cá, todos parecem preocupados, não sem certa razão, com o estado das coisas. Todos parecem dispostos a mudar o mundo. E todos parecem ter as soluções definitivas e infalíveis na ponta da língua. Nesses momentos, os riscos de se debater a revolução com quem até ontem não media palavras para dizer que não gosta, não se interessa, não tolera o noticiário político é assistir, num camarote literal (às vezes regado a espumante e corte nobre), a um festival de bobagens que na melhor das hipóteses se encerram na urgência de outras demandas (o desfecho da novela, por exemplo) e, na pior, ao velho preconceito de classes.
O tema, oficialmente, é a inabilidade, a imprudência e a inoperância do governo (federal, pois neste mundo paralelo o poder é absoluto e a federação, um corpo estranho), mas as cotoveladas e espetadas no olho são direcionadas aos beneficiários das esmolas, aos sobreviventes de currais eleitorais, às cabra cegas de tapa-olhos afirmativos. Entre discussões calorosas sobre a preguiça e petulância dos empregados, entre a defesa da meritocracia (não vale citar o emprego nem o lobby por filhos e conjugues em nossas bolhas privativas, nem sempre privadas), são colocados em pauta os desmandos da República para demonstrar, nas entrelinhas ou não, o desprezo contra os alvos de sempre. É difícil sair de uma conversa do gênero sem se chamuscar em algum “nada contra, mas…” E dá-lhe odes ao separatismo paulista, ao incômodo com as ondas migratórias em direção às nossas riquezas ou à vontade de se mudar para países menos generosos com a nossa gentalha.

SEGUE >>>