sábado, 28 de setembro de 2019

CHARGE


WEINTRAUB E A "ZEBRA GORDA"


Weintraub ataca professores com salários mais altos: “Vou atrás da zebra gorda”
Ministro da Educação criticou, ainda, a quantidade de servidores do MEC: “Eu tenho que enfrentar este exército. Dentre outras coisas, doutrinação, metodologia de alfabetização totalmente errada”

Abraham Weintraub, ministro da Educação do governo de Jair Bolsonaro, voltou a atacar professores. Ele declarou, durante o 21º Fórum Nacional de Educação Superior Particular, nesta quinta-feira (26), que precisa “atacar a zebra mais gorda”: o salário de professor universitário federal.

Ele fez a afirmação ao defender que cobrar mensalidade dos alunos das universidades públicas não resolveria o problema do ensino superior no Brasil, que, segundo ele, é o gasto de “uma fortuna de dinheiro com uma pequena quantidade de pessoas”.

“Cobrar mensalidade de quem pode pagar não vai resolver nada. Eu tenho que ir atrás de onde está a zebra mais gorda, que é o professor de uma federal, com dedicação exclusiva, que dá oito horas de aulas por semana e ganha de R$ 15 mil a R$ 20 mil por mês”, disse.

Weintraub criticou, ainda, a quantidade de servidores do Ministério da Educação (MEC). Segundo o ministro, são cerca de 300 mil.

“Mais de 80% do ensino superior está na iniciativa privada e o MEC tem uma folha de pagamento com professores federais que cresce 8% ao ano sem eu fazer nada. Metade dos 600 mil servidores da República está no MEC, 300 mil. Eu tenho que enfrentar este exército. Dentre outras coisas, doutrinação, metodologia de alfabetização totalmente errada, gasta-se fortunas em universidades enquanto o filho do pobre não vai para a pré-escola”, declarou.

Ele também defendeu um sistema de autorregulação das universidades privadas. “O que o governo vai fazer por vocês? Nada. Vocês têm que se virar. Vou começar por essa provocação: façam autorregulação. Mercado financeiro tem. Vocês têm que se reunir e buscar soluções”.

terça-feira, 24 de setembro de 2019

RONALDO FOSSATI : CONVERSA COM O ARTISTA - P.R.Baptista

Fonte das Nereidas, as quatro musas instaladas no chafariz 
A exposição que Ronaldo Fossati traz a Pelotas, no acolhedor Ágape Espaço de Arte , reúne pinturas do pintor pelotense, ex-estudante do Colégio Gonzaga mas que se transferiu e morou muitos anos em Porto Alegre onde se graduou em Engenharia antes de mergulhar por inteiro na sua vocação artística.e constituir uma obra particularmente interessante.e coerente tanto do ponto de vista estético quanto conceitual.
Dois aspectos, entre outros, chamaram-me a atenção.
O primeiro sua fidelidade ao figurativismo desenvolvido predominantemente com a técnica da pintura a óleo ou acrílica
O outro é a predisposição em levar suas concepções estéticas ao plano, nem sempre muito frequente entre os artistas, da discussão.
Estas concepções estão em parte concentradas num blog que desenvolve a partir de 2006, permitindo, a par do acompanhamento visual de seu trabalho, o entendimento de suas ideias, não só no plano estético, mas também filosófico e político

A mostra atual, intitulada Estratificação, alusão às várias camadas de tinta que se sobrepõem na pintura , reúne trabalhos com diferentes temas e produzidas em diferentes momentos
Parece, desta forma, uma espécie de retrospectiva de sua obra
Mas nada mais oportuno e adequado para esclarecer o seu trabalho do que resgatar trechos de seu pensamento que expõe durante vários anos neste blog.

Em agosto de 2006 escreve : O que eu faço é Pintura! 
Executo uma pintura figurativa e realista, atenta a regras de composição e de luz e sombra que reproduz tonalidades próximas as cores reais, com pinceladas estudadas e vigiadas, nem sempre obedientes, mas mais comportadas que descontroladas, que se inclina mais para o hiper-realismo que para o resultado de obras feitas com pinceladas gestuais, enérgicas e soltas como as do expressionismo. Alem do simbolismo do corpo desejo a simulação da realidade visível executada com minha "caligrafia".

Mais adiante, em 2008, por ocasião da exposição "Porque pintura" com seis artistas , conta que suas obras são representações de fotografias, utilizadas como referente, de onde a imagem principal é "recortada". "Procuro dar personalidade ao resultado pictórico em busca de uma marca pessoal", comenta. Em alguns dos trabalhos, o artista utiliza a justaposição de objetos à tela, procurando reforçar a mensagem visual.


Carreiras Elétricas, 2005
acrílico sobre tela, 97 X146 cm
Noutro momento, na 5ª edição da Bienal do Mercosul (2005) , escreve :"tivemos um módulo intitulado “A Persistência da Pintura” em que o grupo organizador da Bienal, ao dar esse nome ao módulo, evidenciou o seu desconforto com a pintura, que teimava em existir em 2005, em pleno século XXI, no terceiro milênio da era cristã. Já decretaram a morte da pintura quando da invenção da fotografia e ela se multiplicou em movimentos. Na fase minimalista consideraram não haver mais sentido para a pintura e ela se mostrou revigorada em novas manifestações pós-pop como o pujante neo-expressionismo. Com a popularização das mídias digitais os apressados voltaram a considerar a pintura obsoleta. Sempre se enganam. Pintar é um impulso primal, atávico. Desenhamos e pintamos antes de escrevermos. Foi assim na época das cavernas, é assim hoje e sempre será. Com o desenvolvimento tecnológico a pintura deixa de ser a mídia principal da atualidade da humanidade mas será sempre fundamental como expressão do homem, queiram ou não os agentes culturais mais “up to datados”.

Ao fim de nossa entrevista, que se transformou num bate-papo agradável , retornamos a pé, já noite, da galeria até o centro. Durante o trajeto, que é um pouco longo, damos continuidade aos aspectos discutidos até então. Na conversa vão-se entremeando comentários relativos tanto à experiencia de Porto Alegre onde Fossati tinha se radicado e onde morei durante 6 anos, quanto às lembranças de Pelotas.
E se estende até uma parada para um chopp no Mercado.
Ao final descobrimos que somos vizinhos.nas imediações da Católica.
Talvez esta zona esteja se tornando um reduto de artistas.

LOCAL  Galeria JMMoraes , Espaço Ágape , Rua Anchieta, 4480 Pelotas
PERÍODO: até 11 de outubro de 2019

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

APROVAÇÃO DA LEI DAS PPPs - O VOTO DOS VEREADORES - Lúcio Hecktheuer


A Lei das Parcerias Público Privadas (PPP) foi votada no dia de hoje (17/9) na Câmara de Vereadores tendo como resultado 14 votos favoráveis e 5 não favoráveis.
O vereador Marcola, do PT, não compareceu à Sessão e Fabrício Tavares, do PSD, por ser o Presidente da Mesa, não votou.
Com a votação de hoje, algumas leituras a respeito da conjuntura política municipal podem ser feitas, entre elas:
a) O Governo Municipal detém ampla maioria dos votos na Câmara;
b) Partidos como o PDT e PSB, o primeiro de oposição e o segundo aliado ao Governo Municipal, não consideram o tema das PPPs como sendo de importância para a cidade visto que não discutiram o assunto internamente.
Ou seja, não tiram posição fechada para a votação. PDT e PSB, ambos com 3 vereadores, tiveram votos diferenciados.
c) Vereador Marcola, do PT, subestima a inteligência da sociedade não indo votar temas importantes para a cidade.
d) Partidos considerados de direta (PSDB, DEM, PP, PRB, PTB, MDB) fecharam questão na votação sendo favoráveis às PPP.
e) Partidos considerados de esquerda (PDT e PSB) não conseguem se posicionar a respeito de assunto de extrema importância para a cidade votando cada vereador por si próprio sem definição partidária. No PT como se mencionou um dos dois vereadores não compareceu.
f) o PSol que tem uma cadeira votou contra

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quarta-feira, 11 de setembro de 2019

OPINIÃO - "FAKE NEWS" - Alexandre Pauli Bandeira


Acho impróprio denominar notícias falsas ou mentiras de "fake news". 
A principio, pode parecer bobagem minha. 
Mas me parece um modo de suavizar o significado, simplificando-o, destituindo-o de sua compreensão. ..É quase que inventar-lhe uma outra significação, mais amena ou mesmo diferente de mentira! 
Fico pensando nas capacidades cognitivas das grandes maiorias dos brasileiros e também nas relações entre linguagem e entendimento e cultura. ...
Como certos termos tem sido incorporados ao cotidiano dos brasileiros e em que contextos. ...fake news é expressão idiomática da língua e cultura inglesa....entro no vocabulário brasileiro num contexto determinado de extrema polarização, mas e seu significado no âmbito dos pólos? 
E no âmbito das diferenças culturais e de alcance cognitivo e cultural distribuídos em diversos níveis da população?
Dá pra pensar...

LITERATURA - "Mássimo" - Valtencir Moraes (*)


Mássimo se considerava um escritor. Herdara da mãe, que nunca conheceu, a predileção por poetas russos, o alcoolismo e a tragédia literária. Aquela que lhe dava o amargo privilégio de nunca conseguir publicar nada do que escrevia.
Não que não tentasse, mas diante de tanto sucesso em ser ignorado, resignou-se à sua condição de serviçal na Prefeitura, que lhe garantia o aluguel de uma água-furtada numa viela pouco iluminada numa rua antiga no centro da cidade, e o que comer, mesmo modestamente.
Ele tinha uma companheira, que ninguém jamais viu, que só aparecia à noite depois das 22 horas. Era rotineiro e infalível: Todas as noites, exatamente às 22 horas, ele diminuía a luz do abajur e fechava qualquer livro que estivesse lendo. Ao cabo de alguns segundos, sua atenção era atraída para um roçar de chave na fechadura da porta de entrada, o girar do mecanismo da fechadura, o girar da maçaneta e o ranger das dobradiças antigas da porta de madeira pesada.
Sem cerimônia, ela entrava, sorria para ele e, sem dizer nada, jogava o casaco e a bolsa na cadeira vitoriana ao lado do cabideiro e entrava na cozinha. Após algum bater de panela, um ou outro riscar de fósforo na cartela e o cheiro agradável, o café estava passado. Ela levava uma caneca para ele, que gostava forte e sem açúcar. Ficava bebericando.
Para Mássimo, ela era Maddie. Ele também a chamava secretamente e para si, quando conversava em monólogo, de Maddiemá.
Ela mudava constantemente. Alguns dias aparecia relaxada, suja e descuidada, falando palavras desbocadas e impacientes. Outras vezes, como dessa vez, aparecia alinhada, elegante e com gestos contidos. Ele desistiu de descobrir o porquê disso. Talvez ela avaliasse o ambiente, quem sabe?
Ele não se importava, porque a presença dela sempre o transportava a uma melancolia onde residia a sua arte. Com Maddiemá, a mente de Mássimo se abria e mundos eram criados. As palavras dançavam formando frases, às quais ele transpunha magnificamente para um papel.
Uma vez um professor de literatura que Mássimo conheceu no banheiro de um bar, vomitando a vodka que havia passado da cota, disse-lhe a verdade sobre o mercado de publicações e o sucesso literário. “Máximo, meu caro… o que você escreve é tragicamente belo. Mas isso não vende. As pessoas não gostam de comprar tristeza. Já são tristes por conta própria. Veja o que vende: livros de autoajuda cheios de clichês e romances adolescentes. Uma coisa ou outra de mundos mágicos. E só.”
Voltando de seu devaneio, Mássimo viu que Maddiemá estava sentada ao lado da cama dele e sorvendo seu café, esperando que ele adormecesse. Ela nunca permitiria que ele a tocasse se ele tentasse, mas ele nunca tentou. Mássimo limitava-se a sentir a presença dela, em meio a fumaça que saía de sua caneca de louça com café quente. Via a silhueta da mulher um pouco acima do peso, mas para ele incrivelmente sedutora.
Às vezes, ela ficava com ele até amanhecer e o acompanhava ao trabalho. Outras vezes, ao abrir os olhos assustados ao som do velho despertador movido a corda, sentia a sua solidão palpável. Então, nesses momentos, sob a embriaguez do perfume de Maddiemá, ele escrevia.
Ela o fazia sentir uma melancolia desavergonhada, um entrar dentro de si mesmo até as entranhas, onde morava seu amor próprio e seu espírito. Tomava conta de tudo que havia nele, desde os minutos do café, até os anos do seu meio século. Ele não lembra exatamente quando ela apareceu pela primeira vez. Sabe apenas que, até onde alcança sua memória, ela está lá. Às vezes desafiadora demais, às vezes crítica demais, jamais carinhosa, exceto pelo café que ela compartilhava com ele.
Ele tentou mandá-la embora, mas sempre acabava chamando-a de volta. Ela não era uma ressentida, ele pode descobrir, pois ela sempre voltava como se nada tivesse acontecido. Mássimo não sabia se ela tinha outros homens e nem queria saber. Achava-se dono dela por direito de antiguidade, só para massagear seu ego, porque no fundo ele sabia que Maddiemá não era mulher de ter donos.
Pois bem.
Consta que ultimamente, Mássimo tem faltado ao trabalho, ao ponto de obrigar seu superior a ir procurá-lo. O homem não o encontrou em nenhum lugar. Na porta do pequeno apartamento havia correspondência entulhada, na maioria contas a pagar e só. Dado ao insucesso da busca e expirado o prazo legal, Mássimo foi demitido por justa causa por abandono de emprego. As verbas rescisórias foram depositadas em juízo, pois não havia a quem as atribuir.
O tempo passou e toda a marca da passagem de Mássimo pela terra foi apagada. Ninguém mais se recordava dele. O que não se sabe e, a título de curiosidade, eu relato, é que no dia seguinte à noite em que o escritor frustrado desapareceu, dois garotos que caçavam passarinhos encontraram sob a ponte do rio que circunda a cidade, roupas de homem, perfeitamente dobradas em cima dos sapatos de verniz gastos, ao lado de uma pilha de papéis queimados, e que, no outro lado da cidade, um homem solitário esperaria, às 22 horas, o som de uma fechadura sendo aberta.


(*) Social Democrata, fotógrafo,escritor, judoca e aikidoca, mas pago minhas contas consertando carros.


terça-feira, 10 de setembro de 2019

"GURI", UM CAVALO TRATADO COM CARINHO

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"Guri" é o cavalo do charreteiro Vilmar.
Os cuidados que recebe são exemplares.
O local em que dorme, a baia ou cocheira, é um luxo.
Um local fechado, sempre limpo e forrado no piso com uma grossa camada de serragem.
Vilmar é charreteiro há muitos anos e é graças à sua atividade que tem mantido a família.
Preocupado com as notícias de que os charreteiros possam ser proibidos de exercer sua atividade tem saído menos e ainda não se decidiu a comprar arreios novos.
Guri está impaciente para ganhar.


Vilmar é um dos mais antigos charreteiros e sua charrete está emplacada com o número 1 !!!.
Uma vida!

"GURI", UM CAVALO TRATADO COM CARINHO

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"Guri" é o cavalo do charreteiro Vilmar.
Os cuidados que recebe são exemplares.
O local em que dorme, a baia ou cocheira, é um luxo.
Um local fechado, sempre limpo e forrado no piso com uma grossa camada de serragem.
Vilmar é charreteiro há muitos anos e é graças à sua atividade que tem mantido a família.
Preocupado com as notícias de que os charreteiros possam ser proibidos de exercer sua atividade tem saído menos e ainda não se decidiu a comprar arreios novos.
Guri está impaciente para ganhar.


Vilmar é um dos mais antigos charreteiros e sua charrete está emplacada com o número 1 !!!.
Uma vida!

ALERTA, DESPERTA - Ricardo Almeida


A derrota do movimento Diretas Já, em 1984, e o "movimento por direitos", de 2019, possuem algumas semelhanças para quem tem memória. Lá o movimento das ruas foi, aos poucos, canalizado para o parlamento e resultou no Colégio Eleitoral que elegeu Tancredo Neves, como presidente, e Sarney, como vice. Este movimento "por direitos" (abstratos, pois não diz quais são os direitos defendidos) teve a participação de diversos golpistas e de alguns representantes da esquerda (Flávio Dino) e centro-esquerda (Ciro Gomes).

Como o PT e o PSOL não enviaram representantes, o Luís Nassif, o The Intercept Brasil e algumas pessoas estão questionando a ausência "só do PT" e acusando o partido de querer manter a hegemonia dos movimentos. Em primeiro lugar é preciso deixar claro que ainda não se tratava de um movimento, mas de uma reunião de cúpula sem uma proposta clara e com a participação de vários golpistas. Em segundo, é fundamental destacar que no dia seguinte foi realizada uma ampla reunião com todos os partidos de esquerda, centro-esquerda e movimentos sociais (MST, MTST, UNE, UBES, ABI, Movimentos Negros etc.) que lançou um Manifesto e uma agenda de lutas nos estados EM DEFESA DA SOBERANIA NACIONAL.

Não dá para ignorar que no encontro por "direitos abstratos" foi proibido falar em Lula Livre e que somente o Flávio Dino acabou fazendo uma rápida referência ao prisioneiro político.

Em suma, enquanto as pessoas e as forças de esquerda e de centro-esquerda não se unirem em torno de um programa mínimo (soberania nacional é um dos eixos principais) não haverá unidade verdadeira e continuaremos depositando a nossa esperança nos velhos e conhecidos traidores.

Alerta, desperta, ainda cabe sonhar!

AS MULHERES DE GUEDES

CHARGE


sábado, 7 de setembro de 2019

DEPENDÊNCIA DO PT LEVOU OPOSIÇÃO Â APATIA , AFIRMA NOAM CHOMSKY

O linguista americano Noam Chomsky, durante lançamento de frente partidária de centro-esquerda, em São Paulo  Foto: JF Diorio/Estadão
Para linguista norte-americano, partido ficou desgastado e Ciro é ‘líder dinâmico’ capaz de liderar centro-esquerda

Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo
04 de setembro de 2019

Em entrevista ao Estado concedida na noite de segunda-feira, 2, quando participou do ato de lançamento de um movimento de oposição ao governo Jair Bolsonaro, em São Paulo, o linguista norte-americano Noam Chomsky, de 90 anos, disse que a dependência excessiva do PT, hoje desgastado, levou a oposição a uma situação de apatia diante das políticas “perigosas” do governo.

Chomsky, que é considerado uma das principais referências acadêmicas da esquerda mundial, disse que o ex-ministro e candidato derrotado à Presidência pelo PDT em 2018, Ciro Gomes, é um “líder dinâmico” com boas condições de encabeçar uma frente de centro-esquerda capaz de se contrapor a Bolsonaro.

Segundo o linguista, a falta de eficácia da oposição em relação às pautas do governo é uma consequência da centralidade que o PT ocupou nos últimos anos.

“Infelizmente, o componente central da esquerda é o PT e o partido ficou desacreditado, parte por motivos certos, parte por má propaganda e campanhas ultrajantes nas redes sociais das quais não se recuperou”, disse Chomsky.

O partido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso pela Operação Lava Jato, tem a maior bancada entre os partidos de oposição na Câmara, com 54 deputados, além de quatro governadores e o segundo colocado na eleição presidencial do ano passado, Fernando Haddad, que teve 47 milhões de votos, mas tem colecionado derrotas nas votações de medidas importantes como a reforma da Previdência e se isolado em relação a setores da oposição que rejeitam a pauta do ‘Lula Livre’.

Para Chomsky, o foco da oposição deve ser o combate às políticas de Bolsonaro, mas a esquerda não pode deixar de lado a defesa da liberdade de Lula que, segundo ele, é hoje o “mais importante preso político do mundo”.

“O papel da oposição é combater políticas muito perigosas, como a destruição da Previdência. O PT não teve uma posição forte e unitária e faltou explicar isso à população. Isso deveria ser complementar ao esforço de libertar Lula, que é o prisioneiro político mais importante do mundo”, disse o norte-americano.

Perguntado sobre quem estaria em condições hoje de liderar uma oposição mais eficaz, Chomsky disse que Ciro reúne as condições necessárias para compor uma frente de centro-esquerda.

“Um líder dinâmico como Ciro Gomes poderia muito bem organizar, liderar e desenvolver uma coalizão de centro-esquerda para fazer uma oposição poderosa às políticas perigosas do governo Bolsonaro”, disse.

Na semana passada, Chomsky visitou Lula na cadeia, em Curitiba. Na segunda-feira, no entanto, ele chegou ao ato de lançamento do movimento Direitos Já, que reuniu dezenas de lideranças de 16 partidos num arco que ia do PCdoB ao PL. O evento teve como mote a defesa da democracia e contra “ameaças de retrocesso” do governo Jair Bolsonaro. O PT não enviou suas principais lideranças.

No ato, o linguista fez um discurso voltado para as turbulências pelas quais passam várias democracias ao redor do mundo lembrando que duas das mais fortes e antigas delas, os EUA e o Reino Unido, estão sob controle de líderes populistas de direita, Donald Trump e Boris Johnson. “O fato de que duas das democracias mais antigas e estáveis do mundo estão sob ameaça não é nada trivial. Há muito a se dizer sobre a se dizer sobre ameaças à democracia ao redor do mundo, inclusive o Brasil, que fazem com que aquele relógio que marca a sobrevivência das espécies esteja marcando hoje, dois minutos para a meia-noite”, disse Chomsky.

FONTE >>>>


sexta-feira, 30 de agosto de 2019

101 ANOS DO CONSERVATÓRIO DE MUSICA

Os eventos do mês de setembro serão alusivos aos 101 anos do Conservatório de Música:

Dia 05/09 às 19h 30min. - Recital de Piano com Giovani Goulart;
Dia 11/09 às 19h 30min. - Recital com alunos do Curso de Acordeom;
Dia 12/09 - Recital com a flautista Mayara Araújo;

Dia 16/09 às 19h, na Câmara dos Vereadores (Rua Quinze de Novembro, 207) - Homenagem aos 101 do Conservatório de Música, através de Audiência Pública na Câmara dos Vereadores

Dia 18/09 às 19h 30min - Recital em Comemoração ao Aniversário do Conservatório de Música;
Dia 19/09 - Recital com o pianista Patrick Menuzzi;
Dia 30/09 - Sarau Pampeano do Conservatório de Música.

"CONTAMOS COM SUA PRESENÇA"

MELLO DA COSTA


Pintura de Mello da Costa registrada por Neco Tavares em sua pesquisa sobre o pintor pelotense falecido em  1993

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

A PREVISIBILIDADE DOS OPORTUNISTAS: DEMOCRACIA NÃO SE NEGOCIA - Pedro Hallal (*)



Democracia não é brincadeira. Democracia não é de conveniência. Democracia não se negocia. Democracia é coisa séria. Pessoas morreram para garantir que vivêssemos num estado democrático. Escrevo esse preâmbulo para declarar publicamente que os movimentos contra o plebiscito proposto pela administração da UFPel e aprovado no CONSUN são antidemocráticos e tem como único objetivo antecipar as eleições da UFPel no ano que vem.

Notem que no dia 08 de agosto as três entidades (ADUFPel, ASUFPel e DCE) publicaram nota conjunta em que dizem textualmente não serem contrárias ao plebiscito, mas sim que entendiam que o momento para aprovar ou não sua realização não era aquele. Agora a ASUFPel e a ADUFPel mudaram de ideia? Resolveram agora ser contra o plebiscito, querem até VAR da decisão do CONSUN (virada no tapetão, para usar o jargão do futebol).

Não é novidade, pois algumas das pessoas que defendem isso são as mesmas que tentaram anular o segundo turno das eleições de 2016, usando a mesma técnica. Oportunistas, VAR é para corrigir decisões equivocadas, e não para fazer oposição moleque contra a reitoria.

A representante da ADUFPel na assembleia realizada pelo DCE conclamou os/as estudantes a ocuparem o gabinete do reitor até que o CONSUN mude de ideia sobre o plebiscito. Com todo o respeito a trajetória linda construída pela ADUFPel, é lamentável que uma de suas diretoras tenha publicamente tentado manipular alunos/as e dizer o que eles/as devem ou não fazer! Respeite a autonomia dos estudantes, professora!

Sorte que os/as estudantes da UFPel não são massa de manobra de meia dúzia de maus perdedores que não sabem aceitar o resultado das urnas, mesmo três anos depois. Na época da adesão ou não à EBSERH, as entidades ASUFPel e ADUFPel eram favoráveis ao plebiscito exatamente porque entendiam que ele era uma forma de privatizar as universidades públicas. Naquela época a opinião da comunidade importava. Por que mudou agora?

Numa democracia de alta intensidade, as decisões não são tomadas por um iluminado. Pasmem, mas existem universidades nas quais a adesão ou não ao FUTURE-SE será decisão ad-referendum do reitor ou reitora. Aqui na UFPel não será assim.

Numa democracia de alta intensidade, as decisões não são tomadas por alguns iluminados. Pasmem, mas existem universidades nas quais a adesão ou não ao FUTURE-SE será decisão exclusiva do conselho universitário, muitas vezes recheado de pró-reitores que sequer foram eleitos para lá estarem. Aqui na UFPel não será assim.

Numa democracia de alta intensidade, as decisões são tomadas por toda a comunidade. Na UFPel atual, felizmente, hoje é assim.

(*) Reitor da UFPel

terça-feira, 27 de agosto de 2019

CAMPANHA DA LEGALIDADE : O PDT NO TAPETE VERMELHO DE GRAMADO


O longa-metragem “Legalidade”estreou no Festival de  Cinema de Gramado, no Rio Grande do Sul. A sessão especial, realizada no Palácio dos Festivais, foi prestigiada por Ciro Gomes, pelo deputado federal Pompeo de Mattos, por Christopher Goulart, neto de João Goulart, e pelos netos do líder Leonel Brizola – personagem principal da trama –, o vereador Leonel Brizola Neto e a deputada estadual Juliana Brizola.

Dirigido pelo gaúcho Zeca Britto, o filme, que já recebeu vários prêmios, quatro no 42º Festival Guarnicê de Cinema, se passa em 1961, durante o Movimento da Legalidade, quando o então governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, organizou a resistência contra a tentativa dos militares de impedir a posse do vice-presidente João Goulart, na legítima Presidência do País, para dar início ao golpe, que foi consumado em 1964.

A estreia nas telas gaúchas, que registrou a presença de pessoas de todas as regiões do País, teve seus ingressos esgotados rapidamente e emocionou o público presente.

“Fiquei extremamente emocionada com o filme. Foi algo realmente muito importante para nós da família. Rememorar Brizola e mostrar para a população a coragem e a retidão de um homem como ele se faz de extrema importância nos dias atuais”, relata Juliana Brizola.

O filme é protagonizado pelo ator gaúcho Leonardo Machado, que faleceu em setembro do ano passado,  ganhou o prêmio póstumo de melhor ator, ao interpretar o papel de Leonel Brizola. Na ocasião, antes da exibição do filme, a equipe do longa o troféu à família do ator e o homenageou. O elenco conta com Cléo Pires, Fernando Alves Pinto, José Henrique Ligabue e Letícia Sabatella.


segunda-feira, 26 de agosto de 2019

BRASIL, UM PAÍS QUE ARDE EM CHAMAS DE CINISMO, ÓDIO E PERVERSIDADE - Jorge Eremites de Oliveira (*)


Para quem vivenciou e buscou compreender momentos recentes da história nacional, desde ao menos o processo de (re) redemocratização, com o fim do Regime Militar (1964-1985) e a eleição indireta de Tancredo Neves, até as eleições presidenciais de 2018, é com uma mistura de sentimentos e incertezas sobre o futuro que observo vários problemas se avolumarem e afligirem o Brasil no tempo presente: proliferação de notícias falsas no contexto de uma espécie de guerra híbrida; crescimento do desemprego e subemprego; destruição do meio ambiente; violação de direitos dos povos e comunidades tradicionais e de outras “minorias”; retrocessos impostos à educação superior, ciência, tecnologia e inovação; polarização política e ideológica; proliferação de movimentos da extrema direita e ascensão de forças ultraconservadoras ao poder central; privatização de setores estratégicos; ausência de um projeto nacional de desenvolvimento implementado pelo governo federal; escândalos de corrupção e nepotismo; insegurança jurídica; reformas trabalhista e da Previdência que comprometem o futuro de gerações; perseguição a servidores públicos; vingança contra desafetos e vozes discordantes; acusações levianas contra ONGs; balbúrdias a respeito da dinâmica política de outros países; liberação do uso de agroquímicos banidos em outras partes do mundo; formas anacrônicas de justiçamento; desdenho a estudos científicos sérios e apurados; tentativas de censura à imprensa e represálias a jornalistas; etc.
O mundo testemunha a uma espécie de contrarrevolução da imbecilidade e a elevação de idiotas pseudonacionalistas a postos de governantes, ideólogos, parlamentares e influenciadores no Brasil. Não se trata de tragédia ou farsa, mas de cinismo com ares de perversidade e condutas desrespeitosas e incompatíveis com nossa tradição diplomática. Enquanto isso, o país passa por acelerado processo de desindustrialização, diminuição de direitos sociais e de postos de trabalho, além de tentativas grotescas de estrangular instituições federais de ensino superior e agências de fomento à pesquisa, dentre outras ações de lesa-pátria. Nada disso ocorre ao acaso, verdade, tampouco faz parte de um projeto de nação, pelo contrário. Está ligado a um projeto de poder defendido por setores das elites apátridas, estúpidas, ecocidas, genocidas, parasitárias e subservientes ao colonialismo global. São os mesmos setores que nunca aceitaram as mudanças estruturantes protagonizadas a partir da Revolução de 1930 e seus desdobramentos na história republicana. Em um cenário desse tipo, não se pode descartar a hipótese do Brasil estar novamente à beira de mais uma situação histórica de exceção. Mesmo assim, o pulso ainda pulsa, como diz a canção dos Titãs.
No caso da destruição de florestas na Amazônia, assunto que chama à atenção da opinião pública internacional, importa dizer que este é um bioma importantíssimo para o desenvolvimento sustentável do Brasil e à própria existência da humanidade. Ocorre que as florestas tropicais e outras tantas existentes alhures influenciam no clima do planeta, minimizando, por exemplo, os efeitos do aquecimento global. A continuar dessa maneira, a própria produção de alimentos e a exportação de grãos, carnes e outras commodities sofrerão reveses. Definitivamente, não vivemos sozinhos na Terra, e as desastrosas e inconsequentes ações aqui executadas reverberam internamente e mundo afora.
A respeito do bioma amazônico, vale lembrar que a região abrange mais de 5 milhões de km2 na América do Sul e grande parte das áreas preservadas está situada no território nacional do Brasil. Em termos econômicos, suas florestas são mais importantes, valiosas e lucrativas em pé do que derrubadas. Seus solos jovens e sensíveis à degradação não podem mais ser descobertos ou desflorestados para mais dar espaço a pastagens de bovinos, monoculturas de soja, milho etc., minerações clandestinas e outras atividades nocivas ao meio ambiente e a diferentes modos de vida humana. A bem da verdade, a Amazônia e outras regiões não podem mais ser objeto da cobiça de grileiros, os quais buscam transformá-las, ao arrepio da lei, em propriedade privada da terra, incluindo áreas tradicionalmente ocupadas por comunidades indígenas.
Ao contrário do que muitos possam imaginar, biomas sul-americanos, como a Amazônia, o Pantanal, o Cerrado e outros existentes no país, a exemplo da Mata Atlântica, não são meras dádivas da natureza. Também resultam da presença milenar, superior a 12 mil anos, de diversas populações ameríndias. Ao longo de centenas de gerações, povos originários promoveram complexas formas de modificação das paisagens, como, por exemplo, manejos agroflorestais (palmeirais, pequizeiros, matas de araucária etc.) e intervenções nos terrenos para a formação de solos férteis (terras pretas amazônicas, aterros ou montículos de terra no Pantanal e outros).
Estabeleceram, pois, relações equilibradas, sustentáveis e sagradas para com os recursos ambientais, e promoveram sofisticados processos de semidomesticação e domesticação de plantas (açaís, mandiocas, frutíferas etc.), dentre outras ações. Significa dizer que a biodiversidade aqui existente também faz parte de um extraordinário legado dos povos indígenas às sociedades nacionais contemporâneas. Vistas no conjunto ou em partes, as florestas são herança cultural associada às trajetórias dos americanos nativos, muitos dos quais também contribuíram, ao longo das guerras verificadas desde tempos coloniais e imperiais, com a definição dos limites do atual território nacional do Brasil.
Diante da realidade sucintamente apresentada, nota-se que o país arde em chamas de cinismo, ódio e perversidade. Neste contexto, torna-se oportuno reconfortar as pessoas parafraseando Mario Quintana, no memorável Poeminha do Contra: Eles passarão… Nós passarinhos! A essas palavras somam a utopia civilizatória defendida por Darcy Ribeiro, em O Povo Brasileiro, que inspira a muitos de nós: “Estamos nos construindo na luta para florescer amanhã como uma nova civilização, mestiça e tropical, orgulhosa de si mesma. Mais alegre, porque mais sofrida. Melhor, porque incorpora em si mais humanidades. Mais generosa, porque aberta à convivência com todas as raças e todas as culturas e porque assentada na mais bela e luminosa província da Terra”.
Oxalá que tudo isso passe rápido e possamos dar as mãos e (re) encontrarmos o caminho para um Brasil próspero, justo, solidário, soberano, sustentável, inclusivo e menos assimétrico.
(*) Doutor em História/Arqueologia pela PUCRS – Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e docente da UFPel – Universidade Federal de Pelotas.

domingo, 25 de agosto de 2019

PROTESTOS, PEDRAS DE GELO E VAIAS NO FESTIVAL DE GRAMADO

Guacira Merlim/RBS TV
Caminhada de um grupo de diretores, produtores e artistas pelo tapete vermelho encerrou um festival marcado por um forte tom político
CARLOS ANDRÉ MOREIRA

Por volta de 20h30min, quando vários dos diretores e produtores participantes atravessavam o tapete vermelho em direção ao Palácio dos Festivais entoando um cântico de protesto às recentes declarações e medidas de Jair Bolsonaro tendo o cinema como alvo, como a suspensão de um edital para TVs públicas, frequentadores que lotavam os bares e cafés da Rua Coberta, nas margens do tapete vermelho, responderam com vaias, palavras de ordem e até pedras de gelo.

A passagem do cortejo de artistas deveria encerrar uma série de ações e manifestações políticas realizadas em Gramado durante esta 47ª edição do festival.

Na mesma tarde de sábado (24), já havia ocorrido um abraço simbólico ao Kikito gigante que adorna o saguão do Palácio dos Festivais. À noite, com cartazes de filmes nas mãos e segurando faixas com declarações contra a censura, os artistas se dirigiram em um grande grupo para a entrada do palácio entoando o cântico "pelo cinema /  pela cultura / por uma arte livre e sem censura". Parte dos espectadores que se aglomeravam desde cedo nos bares da Rua Coberta recepcionaram a passagem com vaias e gritos de apoio a Bolsonaro.

— Ao longo desta semana, nós articulamos uma Carta de Gramado assinada por 63 entidades contra esse desmonte das políticas públicas para a cultura. Esta manifestação deveria fechar a mobilização, mas quando passamos, as pessoas começaram a urrar "Viva o Mito", "Viva Bolsonaro" e a nos chamar de vagabundos e jogar coisas em nós, restos de comida e pedras de gelo. Nunca imaginei passar por isso. Era uma noite de festa, estávamos fazendo um ato que imaginamos que teria uma repercussão para refletir lá em Brasília, não na gente aqui. Foi muito chocante — conta Maira Carvalho, produtora e diretora de arte do filme O Homem Cordial, um dos longas brasileiros em competição.

Após esse começo, a recepção aos artistas foi várias vezes mencionada nos discursos dos vencedores. Um deles foi o realizador do longa gaúcho Raia 4, Emiliano Cunha.

— Estou tremendo aqui não pela emoção de receber um kikito, mas porque agora há pouco eu estava passando com minha filha de dois anos no colo e um cara nos jogou pedras de gelo. Quando eu me virei para ele mostrando que eu estava com minha filha, ele voltou a jogar. Só quando eu apontei a câmera aí ele se escondeu, como costumam fazer os covardes que realizam esse tipo de agressão — disse Emiliano Cunha no palco do festival, ao receber o prêmio de melhor fotografia concedido a Edu Rabin, da equipe do longa.

fonte >>>

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

SEQUESTRO NA PONTE RIO-NITERÓI

EXPOSIÇÃO "NOSSAS ÁGUAS" ( Comentários) - P.R.Baptista-

De Outros Tempos - Camila Hein
Aproveitando a ocasião da exposição Nossas Águas na Galeria JM Moraes ( Espaço de Arte Ágape) faço alguns comentários.
Em primeiro lugar cabe ressaltar a felicidade de promover a exposição de fotografias com esse tema.
A seleção dos participantes foi feita através de edital e avaliação por parte de um júri.
A fotografia no conjunto das artes ainda sofre uma certa resistência em ser equiparada a outras formas com técnicas mais clássicas de expressão .
Nem sempre é muito comodo comentar sobre fotografia porque está muito introjetado no inconsciente do público a concepção de que uma fotografia tem qualidade quando podemos dizer que é  "bonita" ou é "linda". 
No caso de fotografias de paisagens isto sempre está fortemente presente.
Não há foto de por-do--sol, por exemplo, que não desperte atenção e elogios.
Do mesmo modo o simples fato de uma foto ser em P&B não a transforma em uma foto artística.
Há muitos outros elementos a considerar.
Outro aspecto que costuma confundir o espectador é o emprego de efeitos ou , outra situação, recorrer a um extremo rigor técnico o que, considerando os recursos hoje disponíveis pode-se mais facilmente obter o que no entanto, se encanta o público, pouco pode dizer  sobre a qualidade artística do trabalho.,.
Estes recursos até ficaram banalizado pela facilidade com estão disponibilizados.
Como reverter isto?
Trata-se de um desafio que os cursos de arte e  as galerias de fotografia devem enfrentar.
Analisando as fotos da exposição chama a atenção a foto "De Outros Tempos" (Marambaia) de Camila Hein. 
Ela se destaca, a meu ver, por justamente colotar em questão o conceito de fotografia.
Conforme analisei com a própria autora a foto transita por um domínio muito próximo da pintura.e levanta, por conseguinte, uma discussão de quais são os limites da fotografia e em que pode ou deve se distinguir no caso da pintura.
É uma discussão antiga, que surge já a partir da próprio surgimento da Fotografia.
Deixo portanto, neste momento, esta reflexão para os visitantes da exposição pensaram a respeito.
Em tempo, observei no conjunto das fotos a ausência da presença humana.
Esta presença procurei enfatizar nesta foto minha "Pescador"





EXPOSITORES
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Alberto Schwonke /Ana Carolina Puggina/Ana Teresa Vidal/Camila Hein/Camila Freitas/Cristina Dutra/Graça Gularte/Luciane Barbosa/Mara Nunes/Roberta Freitas/Luis Andre Sampaio
Sandra Sato/Verônica Lima/

A banca foi composta com profissionais de áreas distintas.
Jérôme Rehel, artista plástico, professor de desenho e professor de Francês;  Beatriz Karan Guimarães, 
Laura Cruz, atua na área da fotografia temática em várias áreas, Pedro Freuet, biólogo do Museu Oceanográfico de Rio Grande 

Conjuntamente ocorre a exposição "MUSEU DO BARCO: A Partilha do Último Vapor" organizada por Paulo Renato Baptista

Visitação - Galeria JM Moraes
segunda a sexta das 10h às 12h e das 14h às 19h ; sábado das 13h às 17h até o dia 31/08
Endereço - Rua Anchieta, 4480

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

EXPOSIÇÃO MUSEU DO BARCO : A Partida do Último Vapor

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Aspecto da exposição "A Partida do Último Vapor" com uma seleção de fotos, informações  e artefatos pertencentes ao MUSEU DO BARCO projeto desenvolvido por P.R.Baptista.

O expositor com o navegador Alberto Schwonke e Márcia Weymar

Conjuntamente ocorre a exposição de Fotografia "Nossas Águas". Na foto a premiação dos concorrentes.
Exposições abertas ao público na Galeria JM Moraes no Espaço de Arte Ágape.
Visitação - segunda a sexta das 10h às 12h e das 14h às 19h ; sábado das 13h às 17h até o dia 31/08
Endereço - Rua Anchieta, 4480

sábado, 17 de agosto de 2019

É urgente gestar o sindicato do futuro; o atual morrerá - Clemente Ganz Lúcio


Rapidamente, todas as atividades laborais passam a ser mediadas ou assistidas por máquinas e inteligência artificial. Em breve, e cada vez mais, as máquinas substituirão as atividades humanas e os humanos vão auxiliá-las.

As empresas estão mudando a estrutura e a organização do sistema produtivo. A propriedade empresarial vai passando para novos acionistas, que estão ávidos pelo máximo lucro. Para isso, terceirizam riscos e custos. Novas tecnologias para a energia, a comunicação e o transporte criam condições inéditas para outra concepção de cadeia produtiva, de logística e de localização. O custo hora de 1 metalúrgico europeu é 25 vezes maior do que o de 1 metalúrgico argelino.

A inteligência artificial e a internet geram a possibilidade, em velocidade alucinante, de as máquinas ocuparem cada vez mais espaços nas atividades produtivas e passam a transformar em atividades econômicas todas as atividades humanas. A industrialização transforma, potencialmente, todas as atividades humanas em produção econômica e consumo.

Rapidamente, todas as atividades laborais passam a ser mediadas ou assistidas por máquinas e inteligência artificial. Em breve, e cada vez mais, as máquinas substituirão as atividades humanas e os humanos vão auxiliá-las.

As empresas, em velocidade estonteante, disputam mercados e aceleram mudanças para competir e ganhar o jogo da concorrência! Para isso, domínio da vanguarda tecnológica, velocidade e intensidade na redução de custos laborais. Máquinas no lugar de gente, sem custo e sem resistência.

A legislação trabalhista muda para proteger as empresas, assegurando que as mudanças ocorram sem que haja passivo trabalhista, sem mediação coletiva do sindicato. Formas flexíveis de contrato, jornada e remuneração, redução dos direitos dão às empresas a possibilidade de ajuste estrutural da força de trabalho para promover a presença crescente da máquina.

O novo sistema produtivo emerge no atual velho mundo e ganha dominância. Os sindicatos são sujeitos coletivos que nasceram e fizeram história nesse sistema produtivo que definha, morre e, ao mesmo tempo, se transforma. Os sindicatos que conhecemos definharão e morrerão junto com esse sistema produtivo.

Mas não é só isso. Os sindicatos devem ser intencionalmente colocados fora do jogo social para não atuarem e disputarem essa mudança econômica. O mundo do trabalho deve ser flexibilizado no limite do necessário, sem resistência.

A lógica dominante é sair do emprego para o trabalho, da proteção social para o assistência, do direito para o mérito. Há um novo jovem trabalhador sendo ideologicamente formado, avesso ao outro e à solidariedade, individualista e sem utopia para o futuro.

O sindicato de hoje não é a organização que produzirá a resposta dos trabalhadores para esse novo sistema produtivo; os dirigentes atuais não conhecem esse novo mundo do trabalho e não serão capazes de, sozinhos, produzir a resposta sindical necessária. Sindicatos e dirigentes têm enorme dificuldade para dialogar com esses novos trabalhadores e não os compreendem.

Dramaticamente, é urgente acordar! Esses sindicatos têm data marcada para morrer!

É essencial olhar para o futuro! Para ser protagonista das mudanças que possibilitem aos trabalhadores, desde já, serem sujeitos da história das novas e difíceis lutas que esse outro mundo do trabalho exigirá. A utopia que leva à mudança, orientada pela justiça social, precisa do fermento da criatividade e da ousadia da invenção.

Não sejamos os coveiros da luta! Sejamos semeadores, no solo social da transformação econômica, dos novos instrumentos e da nova organização para as lutas sociais e políticas que ainda não somos capazes de imaginar, mas que virão.

(*)Clemente Ganz Lúcio, Sociólogo e Diretor-técnico do Dieese

S.O.S. ARROIO PELOTAS - Marcelo Dutra da Silva (*)


A ocupação indiscriminada do ambiente de margem é uma prática comum que acompanhou o processo de fixação do homem na cidade. Grandes civilizações nasceram e prosperaram explorando os serviços ambientais da margem dos
rios, o que inclui solo fértil e água doce em abundância. Grandes cidades do mundo moderno ostentam maravilhas da arquitetura e a instalação de infra-estruturas urbanas invejáveis, onde o espaço natural da margem e as funções do ecossistema foram substituídos por quilômetros de concreto armado e pavimentação, às vezes sem lugar para uma única árvore ou qualquer outro tipo de vegetação. Não se engane, nem todo lugar é lindo como o rio Sena, em Paris (França) ou rio Tâmisa, em Londres (Inglaterra), que já foi chamado de “o grande fedor”, mas que após um longo período de despoluição e re-naturalização das margens passou a abrigar diversas espécies de peixes, entre elas o salmão. A maior parte representa cenários de pura degradação, rios sufocados pelo avanço urbano, contaminados e sem vida, como o rio Ganges, na Índia e o rio Tietê, em São Paulo, no Brasil. Quem nunca ouviu falar da poluição do Guaíba, no entorno de POA? E Sinos, Gravataí e Caí te soa familiar? Os três estão entre os rios mais poluídos do país e refletem o modelo de desenvolvimento adotado pela metade norte, de crescimento econômico máximo e controle mínimo do Estado, no qual não se respeita a Lei, a natureza e nem as pessoas. E por aqui não se foge a regra, mas temos a chance de fazer diferente. Ainda não destruímos tudo e não precisamos destruir. Podemos crescer com características de sustentabilidade, sem repetir os erros de outras formas de desenvolvimento. Pelotas é a maior cidade da metade sul, que junto de Rio Grande formam uma população que supera os 500 mil habitantes (dados do IBGE Cidades). As demandas ambientais são gigantescas e tanto aqui, quanto ali, por falta de controle da administração pública, a expansão desordenada do espaço urbano avançou sobre as
margens e áreas de preservação permanente, destruindo habitats e as conexões espaciais entre os ecossistemas, reduzindo drasticamente as condições necessárias para a manutenção da biodiversidade. No arroio Pelotas, onde o espaço público de margem tornou-se privativo de poucos, a ocupação de luxo avançou e fez um estrago considerável. Patrimônio Cultural do Estado (Lei n° 11.895/03), por iniciativa do então Dep. Bernardo de Souza, vem tendo suas margens consumidas pela expansão urbana sem controle. No entanto, não é certo atribuir culpa exclusiva aos que adquiriram terrenos e lá edificaram suas casas. Margens de arroio são área de preservação permanente e zonas vulneráveis às enchentes. O administrador público jamais deveria ter permitido tal estabelecimento, a legislação é clara, nessas condições o parcelamento do solo é indevido, ou seja, não pode (consulte a Lei nº 6.766/79, que dispõe sobre o parcelamento do solo; a Lei nº 9.605/98, que dispõe sobre os crimes ambientais; e a Lei nº 12.651/12, que dispõe sobre a proteção da vegetação nativa). Mas a prefeitura aprovou, licenciou, concedeu o habite-se e realiza o recolhimento de taxas e impostos, como IPTU, água, esgoto e daqui há pouco o lixo. A maioria das pessoas não fazia ideia do problema, até que surgiram as primeiras denúncias. Muitos estão preocupados e com razão. O Executivo errou em não informar as pessoas e continuará errando se não impedir o avanço de novos empreendimentos, se não partir para uma fiscalização mais efetiva, e se não buscar alternativas viáveis para minimizar os danos e recuperar parte do que foi perdido. Pelotas precisa apostar na educação ambiental!

(*) Ecólogo | dutradasilva@terra.com.br
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Publicação original de 2017

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

MORRE PETER FONDA


.O ator Peter Fonda, filho de Henry Fonda e irmão caçula de Jane Fonda, morreu na manhã desta sexta-feira (16/08/2019), aos 79 anos, vítima de um câncer de pulmão. 
A família confirmou ao portal americano People que ele sofreu uma falha respiratória, decorrente da doença.

EXPOSIÇÃO FOTOGRÁFICA "NOSSAS ÁGUAS"

 Hora Perfeita -Ana Teresa Vidal
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 De outros tempos - Camila Hein(Marambaia) 
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Daniela Meine, diretora da Ágape Espaço de Arte, dirigindo-se aos expositores 

EXPOSITORES
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Alberto Schwonke /Ana Carolina Puggina/Ana Teresa Vidal/Camila Hein/Camila Freitas/Cristina Dutra/Graça Gularte/Luciane Barbosa/Mara Nunes/Roberta Freitas/Luis Andre Sampaio
Sandra Sato/Verônica Lima/

Conjuntamente ocorre a exposição "MUSEU DO BARCO: A Partilha do Último Vapor" organizada por Paulo Renato Baptista

Visitação - segunda a sexta das 10h às 12h e das 14h às 19h ; sábado das 13h às 17h até o dia 31/08
Endereço - Rua Anchieta, 4480



quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Livro traz mais uma pista de ‘golpe branco’ pró-Bolsonaro na eleição


Temor do ministro Dias Toffoli, do Supremo, com 300 mil soldados expõe pressão militar pró-Bolsonaro e anti-PT
Na terça-feira anterior ao domingo da votação final na eleição de 2018, houve uma reunião no Tribunal Superior Eleitoral entre juízes da corte e o general então à frente dos órgãos de inteligência do governo, Sérgio Etchegoyen. A presidente do TSE, Rosa Weber, ainda hoje no cargo, havia sido xingada e ameaçada via redes sociais por um coronel bolsonarista, Antonio Carlos Alves Correia.

Quando a reunião terminava, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, também ainda hoje no cargo, avisou os presentes que iria ao TSE e queria dizer uma coisas. O que ele falou ali é relatado em um livro que acaba de ser lançado com histórias da mais alta corte, Os Onze – O STF, seus bastidores e suas crises.

“Toffoli descreveu um cenário sombrio”, escrevem os autores Felipe Recondo e Luiz Weber, ambos jornalistas. “Lembrou que o então comandante do Exército, general (Eduardo) Villas Bôas, tinha 300 mil homens armados que majoritariamente apoiavam a candidatura de Jair Bolsonaro.”

O relato do livro é outro tijolinho em um enredo que um dia a História com letra maiúscula contará sobre o Brasil e eleição de 2018. Sobram pistas de que as Forças Armadas deram um “golpe branco” pró-Bolsonaro, emparedaram o STF para impedir a soltura e a candidatura de Lula, algo até hoje a desanimar muito lulista quanto à libertação dele, e não aceitavam a volta do PT ao poder.

Em 9 de outubro de 2018, duas semanas antes de Toffoli falar no TSE dos 300 mil soldados, que é a tropa brasileira da ativa, um dos chefes da campanha de Fernando Haddad havia recebido um alerta. Todos os cardeiais do QG eleitoral petista estavam monitorados pelos órgãos de inteligência do governo, aqueles de Etchegoyen. Mais: Toffoli também estava, até havia um dossiê contra ele.

Seria um dossiê abastecido com investigações ilegais da força-tarefa da Operação Lava Jato reveladas recentemente pelo Intercept?

O alerta recebido pelos petistas foi relatado por CartaCapital na edição da revista que chegou três dias depois às bancas. A reportagem contava ainda que naquele momento circulava no gabinete de Toffoli no STF uma história espantosa.

Quando Bolsonaro tomou uma facada, em 6 de setembro, altos oficiais haviam se rebelado e decidido ir às ruas. A ameaça de golpe era real. Como o então presidente Michel Temer não tinha autoridade moral para enquadrá-los, sobrou para Toffoli, que assumiria o comando do STF uma semana depois, descascar o abacaxi.

Toffoli assumiu o comando da corte em 13 de setembro, tendo nomeado como assessor especial o número 2 do Exército na época, o general Fernando de Azevedo e Silva, que chefiava o Estado Maior do Exército. Era uma tentativa de ter um canal com o Exército. A indicação do general tinha partido de Villas Bôas, que era o número 1 do Exército, o chefe dos 300 mil bolsonaristas.

Azevedo e Silva é agora ministro da Defesa de Bolsonaro. Villas Bôas é assessor especial do GSI, o órgão de inteligência do Palácio do Planalto.

Autor de um artigo publicado em abril deste ano intitulado “Bolsonaro e os quartéis: a loucura com método”, Eduardo Costa Pinto, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), diz que o Exército pavimentou a vitória de Bolsonaro com um “golpe branco”, ao emparedar o Supremo. E que o maestro do golpe foi Villas Bôas.

Costa Pinto observa que ao empossar Azevedo e Silva como ministro da Defesa, Bolsonaro reconheceu enigmaticamente quem merecia: “Meu muito obrigado, comandante Villas Bôas. O que nós já conversamos morrerá entre nós. O senhor é um dos responsáveis por eu estar aqui”.

Ao deixar o comando do Exército para ser assessor especial da Presidência, Villas Bôas, hoje uma pessoa doente dependente de cadeira de rodas, disse publicamente ao presidente: “O senhor traz a necessária renovação e a liberação das amarras ideológicas que sequestraram o livre pensar”.

“O Villas Bôas deu um ultimato no Bolsonaro numa conversa: ‘Só temos você’”, disse a CartaCapital um general aposentado. Tradução: só ele seria um candidato palatável para o que o Exército achava certo fazer no País.

Para Costa Pinto, as manifestações públicas do general quando chefe do Exército, de 2015 a 2018, mostram que Villas Bôas impediu um “golpe clássico”, uma quartelada, com sua pregação de legalidade, de resolução eleitoral dos problemas do País. Mas foi “o grande armador” do “golpe branco” que levou Bolsonaro ao poder, ao agir para alijar Lula do páreo.

Na véspera de o Supremo decidir sobre a soltura de Lula, em abril de 2018, Villas Bôas ameaçou o tribunal via Twitter. “Asseguro à Nação que o Exército Brasileiro julga compartilhar o anseio de todos os cidadãos de bem de repúdio à impunidade e de respeito à Constituição, à paz social e à Democracia, bem como se mantém atento às suas missões institucionais.”

O general praticamente reconheceu a ameaça, em entrevista à Folha em novembro de 2018. “Ali, nós conscientemente trabalhamos sabendo que estávamos no limite. Mas sentimos que a coisa poderia fugir ao nosso controle se eu não me expressasse. Porque outras pessoas, militares da reserva e civis identificados conosco, estavam se pronunciando de maneira mais enfática.”

Houve mais uma ação eleitoral digna de nota por parte Villas Boas. Quando o comitê de Direitos Humanos da ONU defendeu a candidatura de Lula, o general reagiu no Estadão: “Tentativa de invasão da soberania nacional”.

Cenas de um enredo à espera de entrar para os livros de História.


FONTE >>> CARTACAPITAL


SERVIDORES PÚBLICOS : A BOLA DA VEZ DE BOLSONARO


Antônio Augusto De Queiroz 

Tendo como pano de fundo a crise econômica e financeira do Estado brasileiro e também invocando a necessidade de racionalização da força de trabalho do Executivo federal, o governo Bolsonaro pretende promover ampla reforma administrativa, com medidas voltadas para a descentralização, a redução do gasto governamental e a revisão do tamanho e do papel do Estado.

O novo desempenho ou a reestruturação da administração pública, que incluiria medidas constitucionais e infraconstitucionais, algumas das quais já em tramitação no Congresso Nacional, deve focar na automação e digitalização dos serviços públicos e na redução de custos com estrutura e pessoal. O trabalho está sendo formulado e coordenado pela Secretaria Especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital, do Ministério da Economia, que tem sob sua subordinação a Secretaria de Gestão e Desempenho de Pessoal.

A ideia geral, dentro da lógica do ajuste fiscal, consistiria:

1)  no enxugamento máximo das estruturas e do gasto com servidores, com extinção de órgãos, entidades, carreiras e cargos;
2) na redução do quadro de pessoal, evitando a contratação via cargo público efetivo;
3) na redução de jornada com redução de salário;
4) na instituição de um carreirão horizontal e transversal, com mobilidade plena dos servidores;
5) na adoção de critérios de avaliação para efeito de dispensa por insuficiência de desempenho;
6) na ampliação da contratação temporária; e
7) na autorização para a União criar fundações privadas, organizações sociais e serviço social autônomo – cujos empregados são contratados pela CLT –para, mediante delegação legislativa, contrato de gestão ou mesmo convênio, prestar serviço ao Estado, especialmente nas áreas de Seguridade (Saúde, Previdência e Assistência Social), Educação, Cultura e Desporto, Ciência e Tecnologia, Meio Ambiente, Turismo e Comunicação Social, entre outros.

Além da redução das estruturas e de pessoal, bem como da adoção dessas novas modalidades de contratação, algo que iria absorver as atividades dos órgãos, das entidades e de carreiras extintos, o governo também pretende:

1) intensificar a descentralização, mediante a transferência de atribuições e responsabilidades para estados e municípios;
2) criar programas de automação e digitalização de serviços, especialmente no campo da seguridade social;
3) terceirizar vários outros serviços públicos, inclusive na atividade-fim, como previsto na Lei 13.429/2017; e
4) regulamentar, de modo restritivo o direito de greve do servidor público.
Esse novo desenho, na verdade, já vinha sendo implementado, ainda que de forma tímida, porque burlava o princípio do Regime Jurídico Único. A temática vem sendo abordada desde os governos Fernando Collor, que criou o serviço social autônomo Associação das Pioneiras Sociais (APS); Fernando Henrique, que qualificou como Organização Social a Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto, passando pelos governos Lula, que criou, como serviço social autônomo, a Agência de Promoção de Exportações (Apex); e a Associação Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI); e Dilma, que enviou ao Congresso o Projeto de Lei Complementar (PLP) 92/2007 autorizando a criação de  fundações estatais de direito público ou privado para o exercício de atividades não-exclusivas de Estado, criou novas organizações sociais, entre elas a Embraii, criou o serviço social autônomo Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater) e enviou ao Congresso proposta de criação de outros dois (Agência de Desenvolvimento do Matopiba e do Instituto Nacional de Saúde Indígena), até chegar ao governo Michel Temer, que retomou com força as privatizações por meio do Programa de Parcerias e Investimentos, propôs a criação da Agência Brasileira de Museus e apoiava o Projeto de Lei 10.720/2018, do senador José Serra (PSDB-SP), atualmente em tramitação na Câmara dos Deputados, que escancara a qualificação de entidades como organizações sociais, habilitadas a prestar serviço ao Estado em diversas áreas.

Entretanto, no governo Bolsonaro, o que era exceção, tende a virar regra. Além da elaboração de emenda à Constituição, de medida provisória, de projeto de lei e decretos do Poder Executivo, o plano governamental é aproveitar alguns projetos em tramitação no Congresso para acelerar a implementação da reforma administrativa. Entre estes, o governo deve apoiar a aprovação dos projetos de Lei Complementar nº 248/1998, em fase final de tramitação na Câmara, e o PLP nº116/2017, da senadora Maria do Carmo (DEM-SE), em regime de urgência no Senado, que tratam da quebra da estabilidade no serviço público; do PLP nº 92/2007, do governo Dilma, que autoriza a criação de fundações estatais; o PL 10.720/2018, do senador José Serra (PSDB-SP), que prevê novas formas de contrato de gestão, por intermédio de organizações sociais; e do PLP nº 268/2016, do ex-senador Valdir Raupp (MDB-RO), que reduz a participação dos segurados e assistidos na governança dos fundos de pensão.

Dentro dessa nova lógica, o governo Bolsonaro já anunciou o fim dos concursos públicos e dos reajustes salariais, propôs dura reforma da Previdência, que retira direito de segurados, aposentados e pensionistas, e também editou a MP 890/2019, que autoriza o Poder Executivo a instituir serviço social autônomo denominado Agência para o Desenvolvimento da Atenção Primária à Saúde (Adaps), que será responsável pela execução do Programa Médicos pelo Brasil.

O programa Future-se, anunciado pelo Ministério da Educação, também será criado e administrado por meio da constituição de serviço social autônomo. No Distrito Federal, ainda no governo Rollemberg, o Hospital de Base de Brasília, um dos principais da cidade, foi transformado em 2017 em serviço social autônomo, responsável pela prestação de assistência médica à população e de atividades de ensino, pesquisa e gestão no campo da saúde, com o beneplácito do Tribunal de Justiça do DF, que considerou constitucional a medida. Trata-se, porém, de entidades regidas pelo direito privado, que não integram a administração e não se submetem aos regramentos gerais do Serviço Público, com pessoal contratado pela CLT e sem a necessidade de concurso público, mas apenas processo seletivo.

A visão do governo sobre os servidores e o serviço público é a pior possível. Os primeiros são vistos pelo governo como “parasitas”, que ganham muito e trabalham pouco, além de serem aliados e estarem a serviço da esquerda. O segundo é associado à ineficiência e à corrupção.

Na lógica do atual governo, ressuscitando teses caras ao neoliberalismo e à “Nova Gerência Pública”, adotada por FHC em 1995, e que foram implementadas à larga pelos governos tucanos em todo o Brasil, adquirir bens e serviços no setor privado é mais eficiente e mais barato que produzir diretamente pelo Estado. Por isso, esse preconceito e investida sobre os serviços públicos.

A julgar pelas declarações e ações do atual governo, a reforma administrativa será a bola da vez, ou seja, o servidor e o serviço público serão escolhidos como a variável do ajuste. Aliás, o aumento de alíquotas e a progressividade da contribuição previdenciária, combinados com a contribuição extraordinária e o fim dos reajustes, já são sinais mais que suficientes do período de dificuldades que se avizinha para o funcionalismo público. É a tempestade perfeita pela combinação da crise fiscal, do congelamento de gasto público determinado pela EC 95/2016 e do preconceito governamental para com o serviço e o servidor público.