Na manhã nublada de sábado, ato promovido pela candidatura Haddad tem a presença de Manuela D'Ávila acompanhada no palanque por.Miguel Rosetto, que ficou fora da disputa para governador, e Fernando Marroni recém eleito deputado estadual. Uma corrida contra o tempo na tentativa de alcançar Jair Bolsonaro por enquanto, segundo as pesquisas eleitorais, mantendo vantagem
sábado, 13 de outubro de 2018
sexta-feira, 12 de outubro de 2018
BOLSONARO É UMA AMEAÇA AO MEIO AMBIENTE - Sandro Miranda
BOLSONARO É UMA AMEAÇA AO MEIO AMBIENTE, CIÊNCIA, TECNOLOGIA E TRATADOS INTERNACIONAIS
Sandro Ari Andrade de Miranda (*) advogado, mestre em ciências sociais.
Quem espera apenas violação aos direitos humanos numa eventual vitória do candidato neofascista brasileiro está enganado. Em todas as suas entrevistas o político do PSL/RJ tem demonstrado a sua rejeição ao meio ambiente, às comunidades tradicionais, ciência, tecnologia e a uma série de tratados e convenções internacionais em que país é signatário, especialmente as que versam sobre o clima.
Se nas últimas décadas o Brasil tem assumido a dianteira na construção de acordos multilaterais em defesa do meio ambiente, uma das primeiras propostas do ex-militar carioca é a renúncia ao Acordo de Paris, de 2015, no qual estão firmadas uma série de medidas para a redução da temperatura da Terra em 1,5º C. Tal postura resultou em pesadas críticas de uma série de organizações internacionais, inclusive de Erik Solheim, responsável pelo tema na ONU.
O Climate Home News, site que acompanha o andamento das políticas voltadas à defesa do clima do planeta foi expresso, em artigo assinado por Megan Derby: “A retirada de um importante país em desenvolvimento, que abriga a maior floresta tropical do mundo, seria um duro golpe para a cooperação climática internacional. Embora não tenha sido confirmado, o Brasil deveria sediar a cúpula climática da ONU em 2019”. O mesmo caminho seguiu o jornal britânico The Guardin, em 09 de outubro, para quem a “Amazonia em Risco Pelo Severo Ataque de Bolsonaro ao Meio Ambiente”.
Bolsonaro, por sinal, também pretende extinguir com o Ministério do Meio Ambiente e submeter o tema à Agricultura, como defende boa parte da bancada ruralista. O líder da União Democrática Ruralista, Luiz Antônio Nabhan Garcia e aliado do carioca, critica o que chama de “indústria de multas” aplicadas pelos órgãos ambientais. No seu entendimento o imenso volume de crimes e condenações pelo desmatamento do Cerrado e da Amazônia Legal seriam derivados de desconhecimento da Lei pelos ruralistas. Outra pauta sustentada pelo candidato e por seus seguidores é o fim do repasse de recursos para as organizações da sociedade civil.
Mas os problemas não param aí, o militar da reserva Oswaldo Ferreira (PSL), cotado para uma eventual pasta dos transportes criticou abertamente a atuação do IBAMA, do Ministério Público e demais órgãos ambientais na defesa do meio ambiente: “Eu fui tenente feliz na vida. Quando eu construí estrada, não tinha nem Ministério Público nem o Ibama. A primeira árvore que nós derrubamos (na abertura da BR-163), eu estava ali… derrubei todas as árvores que tinha à frente, sem ninguém encher o saco. Hoje, o cara, para derrubar uma árvore, vem um punhado de gente para encher o saco” [SIC].
Outras vítimas permanentes do candidato do PSL são as comunidades tradicionais, especialmente indígenas e quilombolas. Afirmou em entrevista à Folha de São Paulo nesta semana (09/10/2018) que pretende acabar com o “ativismo ambiental xiita” dentro do Governo Federal e com o que chama de “indústria da demarcação de terras indígenas”.
Quanto aos quilombolas, ele está sendo processado pela Procuradoria Geral da República por racismo, depois que declarou em plenário que os membros da Comunidade de Eldorado (SP), “não servem nem para procriar” e que o menor membro do grupo “pesa no mínimo quinze arrobas”.
Com relação à ciência e tecnologia ele propõe a extinção do Ministério e do pagamento de bolsas aos pesquisadores. No seu projeto as universidades devem se alinhar ao interesse das empresas para formar “futuros empresários”, empresas estas que financiariam as pesquisas. Obviamente, o campo das pesquisas sociais e não mercadológicas seria abandonado. Aliás, ainda no último dia 10 de outubro, o filho do Deputado, eleito Senador pelo Rio de Janeiro, Eduardo Bolsonaro (PSL), propôs abertamente a privatização das Universidades Federais.
Além do radicalismo contra a liberdade científica e a defesa do meio ambiente, o programa de Bolsonaro é cheio de erros grosseiros e desinformação. Ele pretende usar o “potencial inexplorado” do Nordeste para a produção de energias solar e eólica, seguindo modelo de países da Ásia. Ocorre que o Brasil é um dos 30 países que mais geram energia solar no planeta e o 8º em energia eólica e o Nordeste é um dos grandes responsáveis por isto. O Ceará é líder nacional na produção de energia solar distribuída pelo uso de placas locais e a Bahia o vice-líder.
Já com relação à energia eólica, dos 5 maiores produtores do país, apenas o Rio Grande do Sul não está no Nordeste. O primeiro colocado é Rio Grande do Norte, seguido da Bahia, do Ceará e o Piauí é o quinto. Aliás, este é um dos motivos pelo qual esta região tem sido a principal impulsionadora do PIB do país nos últimos 16 anos.
(*) advogado, mestre em ciências sociais.
Sandro Ari Andrade de Miranda (*) advogado, mestre em ciências sociais.
Quem espera apenas violação aos direitos humanos numa eventual vitória do candidato neofascista brasileiro está enganado. Em todas as suas entrevistas o político do PSL/RJ tem demonstrado a sua rejeição ao meio ambiente, às comunidades tradicionais, ciência, tecnologia e a uma série de tratados e convenções internacionais em que país é signatário, especialmente as que versam sobre o clima.
Se nas últimas décadas o Brasil tem assumido a dianteira na construção de acordos multilaterais em defesa do meio ambiente, uma das primeiras propostas do ex-militar carioca é a renúncia ao Acordo de Paris, de 2015, no qual estão firmadas uma série de medidas para a redução da temperatura da Terra em 1,5º C. Tal postura resultou em pesadas críticas de uma série de organizações internacionais, inclusive de Erik Solheim, responsável pelo tema na ONU.
O Climate Home News, site que acompanha o andamento das políticas voltadas à defesa do clima do planeta foi expresso, em artigo assinado por Megan Derby: “A retirada de um importante país em desenvolvimento, que abriga a maior floresta tropical do mundo, seria um duro golpe para a cooperação climática internacional. Embora não tenha sido confirmado, o Brasil deveria sediar a cúpula climática da ONU em 2019”. O mesmo caminho seguiu o jornal britânico The Guardin, em 09 de outubro, para quem a “Amazonia em Risco Pelo Severo Ataque de Bolsonaro ao Meio Ambiente”.
Bolsonaro, por sinal, também pretende extinguir com o Ministério do Meio Ambiente e submeter o tema à Agricultura, como defende boa parte da bancada ruralista. O líder da União Democrática Ruralista, Luiz Antônio Nabhan Garcia e aliado do carioca, critica o que chama de “indústria de multas” aplicadas pelos órgãos ambientais. No seu entendimento o imenso volume de crimes e condenações pelo desmatamento do Cerrado e da Amazônia Legal seriam derivados de desconhecimento da Lei pelos ruralistas. Outra pauta sustentada pelo candidato e por seus seguidores é o fim do repasse de recursos para as organizações da sociedade civil.
Mas os problemas não param aí, o militar da reserva Oswaldo Ferreira (PSL), cotado para uma eventual pasta dos transportes criticou abertamente a atuação do IBAMA, do Ministério Público e demais órgãos ambientais na defesa do meio ambiente: “Eu fui tenente feliz na vida. Quando eu construí estrada, não tinha nem Ministério Público nem o Ibama. A primeira árvore que nós derrubamos (na abertura da BR-163), eu estava ali… derrubei todas as árvores que tinha à frente, sem ninguém encher o saco. Hoje, o cara, para derrubar uma árvore, vem um punhado de gente para encher o saco” [SIC].
Outras vítimas permanentes do candidato do PSL são as comunidades tradicionais, especialmente indígenas e quilombolas. Afirmou em entrevista à Folha de São Paulo nesta semana (09/10/2018) que pretende acabar com o “ativismo ambiental xiita” dentro do Governo Federal e com o que chama de “indústria da demarcação de terras indígenas”.
Quanto aos quilombolas, ele está sendo processado pela Procuradoria Geral da República por racismo, depois que declarou em plenário que os membros da Comunidade de Eldorado (SP), “não servem nem para procriar” e que o menor membro do grupo “pesa no mínimo quinze arrobas”.
Com relação à ciência e tecnologia ele propõe a extinção do Ministério e do pagamento de bolsas aos pesquisadores. No seu projeto as universidades devem se alinhar ao interesse das empresas para formar “futuros empresários”, empresas estas que financiariam as pesquisas. Obviamente, o campo das pesquisas sociais e não mercadológicas seria abandonado. Aliás, ainda no último dia 10 de outubro, o filho do Deputado, eleito Senador pelo Rio de Janeiro, Eduardo Bolsonaro (PSL), propôs abertamente a privatização das Universidades Federais.
Além do radicalismo contra a liberdade científica e a defesa do meio ambiente, o programa de Bolsonaro é cheio de erros grosseiros e desinformação. Ele pretende usar o “potencial inexplorado” do Nordeste para a produção de energias solar e eólica, seguindo modelo de países da Ásia. Ocorre que o Brasil é um dos 30 países que mais geram energia solar no planeta e o 8º em energia eólica e o Nordeste é um dos grandes responsáveis por isto. O Ceará é líder nacional na produção de energia solar distribuída pelo uso de placas locais e a Bahia o vice-líder.
Já com relação à energia eólica, dos 5 maiores produtores do país, apenas o Rio Grande do Sul não está no Nordeste. O primeiro colocado é Rio Grande do Norte, seguido da Bahia, do Ceará e o Piauí é o quinto. Aliás, este é um dos motivos pelo qual esta região tem sido a principal impulsionadora do PIB do país nos últimos 16 anos.
(*) advogado, mestre em ciências sociais.
quinta-feira, 11 de outubro de 2018
sábado, 6 de outubro de 2018
DANÇA À BEIRA DO ABISMO? - P.R.Baptista
Vamos relembrar, Hitler começa sua ascenção ao poder na Alemanha através de uma eleição.
O resto da história todos conhecemos.
Atualmente, pelo mundo, a direita tem avançado em países como a própria Alemanha entre outros.
Parece, agora, ter chegado a vez do Brasil.
Com isso Lula não contava quando do alto de sua profunda auto-confiança faz piada sobre o fim da direita e da permanência apenas do que considera como esquerda ou, no máximo, como direita civilizada representada basicamente pelo PSDB
A mesma direita com a qual foi fazendo sucessivos acordos especialmente com os partidos PMDB e PP alojados no governo e que alimentaram o golpe de 2016
Mas baseado na ampla popularidade que disfruta ou disfrutava voltaria, pensou, novamente ao governo
Só que surgiu uma prisão no caminho
As tentativas para que pudesse concorrer foram esgotadas até o último recurso, até o último segundo na realidade..
Finalmente restou correr e, às pressas, para apresentar um candidato.
Mas alguma coisa não está acontecendo exatamente como se pensava dentro da cúpula do PT
Não pelo candidato mas pelas circunstância gerais que cercam o processo e que não foram, talvez, devidamente analisadas e previstas.
O clima de euforia na manifestação Elenao logo cessou quando, a seguir, a intenção de voto em Bolsonaro cresceu como um efeito imediato.
E não parou de crescer embora o candidato tenha cessado com a campanha de rua.
Este pode ter sido, finalmente, o sinal de alerta até então desconsiderado.
Passou-se a falar, inclusive, em Bolsonaro ganhar no primeiro turno. o que não parece provável
mas no segundo a possibilidade é real não só pelo voto dos que apóiam suas propostas mas, o que é terrível, pelo voto também dos não querem a volta do PT
Chegamos, assim, a uma situação, ao se ter perdido a oportunidade de uma frente de esquerda, cujo desfecho por enquanto imprevisível pode não ser muito agradável.
E o mais irônico é que a corrente democrática dispõe de um candidato, Ciro Gomes, que pode desatar este nó indo para o segundo turno no qual, segundo as análises, sairia vitorioso.
Seria o resgaste da memória de Getúlio Vargas e Leonel Brizola que são as referências mais importantes na política brasileira da defesa dos interesses nacionais e de nossa independencia econômica, social e cultural.
Enfim, os deuses deixaram em nossas mãos decidir se nos afastamos do abismo enquanto resta algum tempo.
Abismo no qual já mergulhamos durante vinte anos.
O resto da história todos conhecemos.
Atualmente, pelo mundo, a direita tem avançado em países como a própria Alemanha entre outros.
Parece, agora, ter chegado a vez do Brasil.
Com isso Lula não contava quando do alto de sua profunda auto-confiança faz piada sobre o fim da direita e da permanência apenas do que considera como esquerda ou, no máximo, como direita civilizada representada basicamente pelo PSDB
A mesma direita com a qual foi fazendo sucessivos acordos especialmente com os partidos PMDB e PP alojados no governo e que alimentaram o golpe de 2016
Mas baseado na ampla popularidade que disfruta ou disfrutava voltaria, pensou, novamente ao governo
Só que surgiu uma prisão no caminho
As tentativas para que pudesse concorrer foram esgotadas até o último recurso, até o último segundo na realidade..
Finalmente restou correr e, às pressas, para apresentar um candidato.
Mas alguma coisa não está acontecendo exatamente como se pensava dentro da cúpula do PT
Não pelo candidato mas pelas circunstância gerais que cercam o processo e que não foram, talvez, devidamente analisadas e previstas.
O clima de euforia na manifestação Elenao logo cessou quando, a seguir, a intenção de voto em Bolsonaro cresceu como um efeito imediato.
E não parou de crescer embora o candidato tenha cessado com a campanha de rua.
Este pode ter sido, finalmente, o sinal de alerta até então desconsiderado.
Passou-se a falar, inclusive, em Bolsonaro ganhar no primeiro turno. o que não parece provável
mas no segundo a possibilidade é real não só pelo voto dos que apóiam suas propostas mas, o que é terrível, pelo voto também dos não querem a volta do PT
Chegamos, assim, a uma situação, ao se ter perdido a oportunidade de uma frente de esquerda, cujo desfecho por enquanto imprevisível pode não ser muito agradável.
E o mais irônico é que a corrente democrática dispõe de um candidato, Ciro Gomes, que pode desatar este nó indo para o segundo turno no qual, segundo as análises, sairia vitorioso.
Seria o resgaste da memória de Getúlio Vargas e Leonel Brizola que são as referências mais importantes na política brasileira da defesa dos interesses nacionais e de nossa independencia econômica, social e cultural.
Enfim, os deuses deixaram em nossas mãos decidir se nos afastamos do abismo enquanto resta algum tempo.
Abismo no qual já mergulhamos durante vinte anos.
quarta-feira, 3 de outubro de 2018
CHOMSKY PROPÕE QUE PT EXAMINE SEUS ERROS
PT deveria realizar 'comissão da verdade' para examinar seus erros, diz Noam Chomsky
Júlia Dias Carneiro
'Eles (PT) tiveram tremendas oportunidades. Algumas foram usadas em benefício da população, outras foram perdidas. É preciso perguntar por que isso ocorreu, e fazer isso publicamente', diz Chomsky, conhecido pelo ativismo de esquerda
Considerado um dos mais importantes linguistas do mundo, o filósofo e ativista de esquerda americano Noam Chomsky afirma que o PT deveria estabelecer "uma espécie de comissão da verdade" para analisar os erros cometidos pelo partido.
"Eles tiveram tremendas oportunidades. Algumas foram usadas em benefício da população, outras foram perdidas. É preciso perguntar por que isso ocorreu, e fazer isso publicamente. E realizar reformas internas que impeçam que aconteça outra vez", considera Chomsky, em entrevista à BBC News Brasil.
Conhecido por seu forte ativismo de esquerda, Chomsky tem saído em defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Assinou manifesto a favor do petista e participou, na última sexta-feira, em São Paulo, de um seminário organizado por Celso Amorim, ex-ministro de Relações Exteriores de Lula, na Fundação Perseu Abramo, ligada ao PT.
Por que juristas avaliam ser improvável que Lula seja perdoado e solto pelo próximo presidente
Para mandar no grupo da família: um guia de como checar se uma notícia é falsa
Nesta quinta-feira, ele deve visitar o ex-presidente na prisão em Curitiba.
Professor de linguística na Universidade do Arizona, Chomsky completa 90 anos em dezembro. Ganhou de presente adiantado da esposa brasileira um papagaio amazonense, verde e de cabeça amarela, batizado de Zé Carioca. O casal está ensinando-o a falar, em inglês, duas expressões-chave da teoria linguística de Chomsky: "language is a snowflake" ("a linguagem é um floco de neve") e "merge is basic" ("fundir é básico", em traduções livres).
Leia abaixo os principais trechos da entrevista.
BBC News Brasil - Lula nomeou Fernando Haddad como seu sucessor. Se ele vencer, terá que lidar com um forte sentimento anti-PT no país, que está muito polarizado. É possível superar essa polarização? É uma questão de diálogo e alianças?
Noam Chomsky - Se o PT reconquistar o poder político - ou mesmo se não chegar lá, de uma forma ou de outra -, uma grande tarefa que deve enfrentar é de estabelecer uma espécie de comissão da verdade para olhar com honestidade para o que ocorreu. Olhar com franqueza para as oportunidades que perderam. Isso teria um grande significado.
Eles tiveram tremendas oportunidades. Algumas foram usadas em benefício da população, outras foram perdidas. É preciso perguntar por que isso ocorreu, e fazer isso publicamente. E realizar reformas internas que impeçam que aconteça outra vez. Isso deveria ser feito independentemente de chegarem ao poder. O mesmo vale para todos os partidos, ninguém está imune a isso.
TRF-4, onde Lula foi condenado em segunda instância; para Chomsky, ex-presidente 'foi sentenciado de uma maneira completamente desproporcional'
BBC News Brasil - O senhor frequentemente elogia o período de crescimento e redução da pobreza na era Lula, mas seu governo incluiu práticas de corrupção, fisiologismo e toma-lá-dá-cá recorrentes na política brasileira, e que Lula antes condenava. Isso levou muitos a se desiludirem com o PT. Na sua visão, a inclusão social prevalece sobre esses problemas?
Chomsky - Houve isso e eu não justifico, não considero correto. Mas foi inevitável já que o PT tinha uma minoria no Congresso. Não poderiam operar sem fazer alianças.
O problema real foi outro. O problema real foi ter falhado em diversificar a economia. Naqueles anos, houve uma grande tentação em toda a América Latina de seguir a vocação tradicional de fornecer commodities a consumidores em outras partes do mundo, especialmente para a China, que se tornou uma grande compradora de soja, ferro. Manufaturados chineses baratos passaram a inundar o Brasil, inviabilizando a indústria de manufaturados local. Esse tipo de política não pode levar a um desenvolvimento de sucesso. A Venezuela também continuou dependendo completamente da exportação de energia.
Por outro lado, houve uma acentuada redução da pobreza, mais benefícios na saúde, mais oportunidade de educação. E o Brasil foi lançado para o centro do palco mundial, com as políticas de Lula e de Celso Amorim (o então ministro de Relações Exteriores) tornando-o um dos países mais respeitados do mundo. Então houve erros graves, mas houve também conquistas consideráveis.
BBC News Brasil - Mas essas conquistas começaram a entrar em declínio durante o governo do próprio PT.
Chomsky - Elas colapsaram quando a oportunidade fácil de produzir commodities para o que parecia ser um mercado insaciável se esgotou. E aí houve um grave problema. Que foi causado pela falta de diversificação. Mas a corrupção é real. É endêmica não apenas no Brasil, mas em todo o hemisfério.
BBC News Brasil - Então quando o senhor defende o PT, admite que houve corrupção?
Chomsky - Quem defende o PT?
BBC News Brasil - O senhor fala em defesa do Lula.
Chomsky - Falo em defesa do Lula de uma maneira muito especial. Digo que houve conquistas significativas, mas houve erros. E que ele agora foi condenado de uma maneira completamente desproporcional ao que fez ou deixou de fazer. Isso não é defender o PT, é descrever os fatos.
Embora Lula pareça ter se mantido afastado de corrupção pessoalmente, ele certamente tolerou muita corrupção no PT. Assim como o (Hugo) Chávez tolerou muita corrupção na PDVSA (a estatal de petróleo) na Venezuela. A corrupção no Brasil e em toda a América Latina é chocante, e isso já há muito tempo. É um problema sério, mas difícil de superar. Porque está entranhada no sistema eleitoral. É preciso desmantelar uma estrutura fortemente enraizada.
Chomsky defende que Lula concorra às eleições
BBC News Brasil - O senhor acha que Lula não tem responsabilidade pelos crimes de que foi condenado?
Chomsky - O crime específico pelo qual ele foi condenado foi a alegação de que um apartamento foi dado a ele, no qual ele nunca morou. Mesmo se assumirmos a versão mais extrema de que ele é culpado de todas as acusações, o que eu duvido, a sentença é completamente desproporcional.
O testemunho (do ex-presidente da OAS, Leo Pinheiro) inspira desconfiança por ter sido obtido em delação premiada. É evidente que a sentença é meramente punitiva e não tem relação com a natureza do crime. A negação ao habeas corpus (para que Lula pudesse recorrer em liberdade) reforça isso.
Ele sem dúvida deveria ter o direito de concorrer nas eleições, como recomenda o Comitê de Direitos Humanos da ONU (que em agosto recomendou que o Brasil garantisse os direitos políticos do ex-presidente, mesmo na prisão, como candidato às eleições de 2018).
BBC News Brasil - Mas a sentença a Lula foi confirmada em segunda instância, enquadrando-o na Lei da Ficha Limpa, que ele próprio sancionou durante seu governo.
Chomsky - Sim, é verdade, e uma boa parte da classe política deve ser submetida a essa lei, mas de uma maneira justa e correta. Assim, se vier à tona que um apartamento foi oferecido ao presidente Temer no qual ele nunca viveu, ele nunca deverá ser sentenciado a 12 anos de prisão por isso.
BBC News Brasil - O senhor acha que a sentença seria diferente para membros de outros partidos?
Chomsky - Radicalmente diferente. Acho que seria incomparável. O presidente (Fernando Henrique) Cardoso seria sujeitado a essa sentença de prisão por uma acusação semelhante?
Simpatizantes de Bolsonaro em São Paulo; linguista vê semelhanças entre o candidato brasileiro e Donald Trump
BBC News Brasil - Temos visto o avanço do candidato Jair Bolsonaro, que tem liderado as pesquisas. Há alguma especificidade brasileira nesse avanço da direita?
Chomsky - O mesmo está acontecendo em grande parte do mundo. O caso mais recente foi na Suécia (em eleições recentes, o partido de extrema-direita Democratas da Suécia teve sua maior votação e se firmou como terceiro maior partido do país, com 62 cadeiras no Parlamento). Na Europa, esse fenômeno costuma ser relacionado ao aumento recente da imigração. Entretanto, uma análise cuidadosa feita por cinco economistas suecos demonstrou que os motivos precedem a onda imigratória.
Reflete a imposição de políticas neoliberais que afetaram a profundamente as últimas gerações não só na Suécia mas no mundo todo, acompanhando reformas que decolaram a partir das eras (Ronald) Reagan (presidente norte-americano entre 1981 e 1989) e (Margaret) Thatcher (premiê britânica entre 1979 e 1990). O efeito dessas políticas foi concentrar a renda em círculos muito estreitos, expandir o poder corporativo e aumentar a tendência a monopólios. E deixar de lado a maior parte da população, que sofre com salários que não aumentam, empregos que tendem à precarização e sindicatos enfraquecidos.
Nos EUA, por exemplo, os salários de executivos aumentaram em 1.000% nesse período, mas funcionários sem cargos de supervisão ganham menos hoje do que ganhavam em 1979. Salários ficaram represados e benefícios foram cortados. O mercado de trabalho caminha propositalmente para a precarização, com cargos em meio expediente, sem vínculo empregatício, e assim vai.
Mas de volta à Suécia. O efeito que vemos é que as pessoas se sentem abandonadas, não mais representadas pelo sistema político, e foi isso que levou ao aumento do voto pela extrema-direita. Mas essa população que se sente excluída tem raiva, ressentimento, medo, e busca bodes expiatórios, que são os grupos mais vulneráveis. Na Europa atual, a culpa é colocada nos imigrantes.
BBC News Brasil - Bolsonaro costuma ser comparado a Donald Trump, às vezes chamado de 'Trump brasileiro'. A comparação faz sentido?
Chomsky - Há semelhanças. Até onde percebo, Bolsonaro não parece ter uma política econômica própria. Mas há pessoas ao seu redor que definitivamente têm. Seu economista chefe é um economista ultraliberal de Chicago (referência a Paulo Guedes, que coordena seu programa econômico e tem Ph.D. na Universidade de Chicago, bastião do liberalismo). Ele representa grupos semelhantes àqueles para os quais Trump faz uma espécie de cortina de fumaça nos EUA.
O papel de Trump no sistema político econômico é duplo: o de manter a atenção da mídia constantemente focada no que ele faz ou deixa de fazer e sustentar o apoio de seu eleitorado ao aparentar fazer coisas para eles; mas, enquanto isso, dar cobertura para programas republicanos selvagens que estão sendo implementados por pessoas como Paul Ryan (deputado pelo Partido Republicano e presidente da Câmara dos Representantes dos EUA) e Mitch McConnell (senador republicano).
Um bom exemplo é a maior conquista recente dos republicanos, a reforma tributária (aprovada em dezembro do ano passado). Foi um grande presente para o setor corporativo, para os ultra-ricos e para o setor imobiliário. Para o resto da população, o próprio Paul Ryan (presidente da Câmara dos Representantes dos EUA) explicou os efeitos: a reforma cria um déficit enorme e por isso será preciso cortar investimentos sociais. Saúde, educação, vale-alimentação para crianças pobres, essas coisas "irrelevantes".
Enquanto a mídia se concentra nas últimas mentiras ou no comportamento esquisito de Trump, esse tipo de coisa está acontecendo no background.
Com o Bolsonaro, imagino que poderíamos imaginar algo semelhante. Vai depender se ele tiver o mesmo talento de Trump, que está tendo uma atuação impressionante. Enquanto prejudica seu eleitorado de todas as maneiras possíveis, minando segurança social, direitos trabalhistas, ainda consegue se apresentar como seu defensor. E seus eleitores respondem não apenas com apoio, mas com veneração. Isso é um feito tremendo. É uma realização que demagogos alcançam de vez em quando, mas demanda habilidade política.
Militares em homenagem no Rio; 'Se a situação econômica, social e política se deteriorar o suficiente, poderia haver um apelo para que alguém intervenha (militarmente) de modo a preservar a ordem. Mas é muito diferente de 1964', opina Chomsky
BBC News Brasil - Três décadas depois da redemocratização, temos visto grupos publicamente defendendo intervenção militar no Brasil, algo que até pouco tempo atrás seria impensável. O senhor vê uma tendência à militarização na política no Brasil?
Chomsky - Se a situação econômica, social e política se deteriorar o suficiente, poderia haver um apelo para que alguém intervenha de modo a preservar a ordem. Mas é muito diferente de 1964 (ano do golpe militar). Os Estados Unidos tinham uma influência avassaladora sobre a América Latina na época.
O terreno para o golpe no Brasil foi preparado durante o governo Kennedy, e implementado pouco depois de seu assassinato (em 1963), com forte apoio dos EUA. O então embaixador Lincoln Gordon o descreveu como a maior vitória para a democracia em meados do século 20. E depois vieram os golpes no Chile, no Uruguai, na Argentina, o pior de todos, fortemente apoiados pelos EUA.
Hoje, os EUA não têm mais essa influência sobre a região. Um dos efeito das políticas de centro-esquerda foi o de reduzir o controle e a influência americana sobre a região em diversas maneiras. Uma delas, por exemplo, foi expulsar o FMI (Fundo Monetário Internacional).
BBC News Brasil - A influência do Brasil na região também diminuiu. Hoje estamos diante da maior crise de imigração na história recente da América do Sul, com o êxodo da Venezuela, mas não há uma liderança regional clara. Qual é o impacto político dessa crise para a região?
Chomsky - O impacto é sério. As estruturas que começaram a ser desenvolvidas para lidar com tais situações erodiram. A Unasul (a União de Nações Sul-americanas, bloco de 12 países fundado em 2008) mal funciona. A Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos, fundada em 2010) não funciona de jeito nenhum.
Os movimentos para adquirir maior independência e desenvolvimento (na região, buscando maior integração entre países da América Latina) foram abortados e regrediram. Mas não acho que tenham sido perdidos. O que foi realizado proporciona um arcabouço para seguir em frente, o que acho que será feito, porque a situação não é tolerável.
BBC News Brasil - A seu ver, está na hora de lideranças da esquerda na região tomarem uma posição mais forte para condenar as violações de direitos humanos do governo Maduro?
Chomsky - Sim, e isso sempre foi necessário. Eu mesmo participei de fortes protestos contra violações de direitos humanos sob o regime de Hugo Chávez. É preciso se posicionar com firmeza contra as violações.
Lembrando, entretanto, que são uma parte muito reduzida das violações de direitos humanos que acontecem no mundo todo. As mais extremas no período moderno partiram dos Estados Unidos e da Inglaterra. A invasão do Iraque é o pior crime do século 21. Nada se compara àquela ação. Teve efeitos terríveis, não apenas destruindo o Iraque, mas alimentando o crescimento do Estado Islâmico e instigando conflitos étnicos que estão estraçalhando a região.
BBC News Brasil - O senhor está prestes a fazer 90 anos agora em dezembro, e acompanhou episódios marcantes da história do último século. O que lhe faz continuar, o que lhe traz esperança?
Chomsky - O que me faz continuar é a gravidade dos problemas. O que dá esperança é o fato de que há muita gente dedicada a fazer algo para resolvê-los. O nível de engajamento que vejo hoje está além do que vi em minha vida toda.
É preciso lembrar que os Estados Unidos tinham leis explícitas contra miscigenação até os anos 1960 - leis que nem os nazistas puderam adotar porque iam longe demais. A Inglaterra praticamente assassinou um grande matemático (Alan Turing) por homossexualidade, herói da Segunda Guerra por ter quebrado o código da Alemanha nazista. Ele foi submetido a um tratamento médico que o levou à morte. Inglaterra, um país avançado. Até 2003, ainda tínhamos leis anti-sodomia nos Estados Unidos.
Houve mudanças tremendas com os anos, e elas não vieram de presente. Vieram de ativismo constante, que está aqui, crescendo, com essas manifestações. Acho que esses são sinais de esperança. Olhando para as diferenças entre ontem e hoje, é um mundo muito diferente.
FONTE
https://www.bbc.com/portuguese/brasil-45582040?ocid=socialflow_facebook
Júlia Dias Carneiro
'Eles (PT) tiveram tremendas oportunidades. Algumas foram usadas em benefício da população, outras foram perdidas. É preciso perguntar por que isso ocorreu, e fazer isso publicamente', diz Chomsky, conhecido pelo ativismo de esquerda
Considerado um dos mais importantes linguistas do mundo, o filósofo e ativista de esquerda americano Noam Chomsky afirma que o PT deveria estabelecer "uma espécie de comissão da verdade" para analisar os erros cometidos pelo partido.
"Eles tiveram tremendas oportunidades. Algumas foram usadas em benefício da população, outras foram perdidas. É preciso perguntar por que isso ocorreu, e fazer isso publicamente. E realizar reformas internas que impeçam que aconteça outra vez", considera Chomsky, em entrevista à BBC News Brasil.
Conhecido por seu forte ativismo de esquerda, Chomsky tem saído em defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Assinou manifesto a favor do petista e participou, na última sexta-feira, em São Paulo, de um seminário organizado por Celso Amorim, ex-ministro de Relações Exteriores de Lula, na Fundação Perseu Abramo, ligada ao PT.
Por que juristas avaliam ser improvável que Lula seja perdoado e solto pelo próximo presidente
Para mandar no grupo da família: um guia de como checar se uma notícia é falsa
Nesta quinta-feira, ele deve visitar o ex-presidente na prisão em Curitiba.
Professor de linguística na Universidade do Arizona, Chomsky completa 90 anos em dezembro. Ganhou de presente adiantado da esposa brasileira um papagaio amazonense, verde e de cabeça amarela, batizado de Zé Carioca. O casal está ensinando-o a falar, em inglês, duas expressões-chave da teoria linguística de Chomsky: "language is a snowflake" ("a linguagem é um floco de neve") e "merge is basic" ("fundir é básico", em traduções livres).
Leia abaixo os principais trechos da entrevista.
BBC News Brasil - Lula nomeou Fernando Haddad como seu sucessor. Se ele vencer, terá que lidar com um forte sentimento anti-PT no país, que está muito polarizado. É possível superar essa polarização? É uma questão de diálogo e alianças?
Noam Chomsky - Se o PT reconquistar o poder político - ou mesmo se não chegar lá, de uma forma ou de outra -, uma grande tarefa que deve enfrentar é de estabelecer uma espécie de comissão da verdade para olhar com honestidade para o que ocorreu. Olhar com franqueza para as oportunidades que perderam. Isso teria um grande significado.
Eles tiveram tremendas oportunidades. Algumas foram usadas em benefício da população, outras foram perdidas. É preciso perguntar por que isso ocorreu, e fazer isso publicamente. E realizar reformas internas que impeçam que aconteça outra vez. Isso deveria ser feito independentemente de chegarem ao poder. O mesmo vale para todos os partidos, ninguém está imune a isso.
TRF-4, onde Lula foi condenado em segunda instância; para Chomsky, ex-presidente 'foi sentenciado de uma maneira completamente desproporcional'
BBC News Brasil - O senhor frequentemente elogia o período de crescimento e redução da pobreza na era Lula, mas seu governo incluiu práticas de corrupção, fisiologismo e toma-lá-dá-cá recorrentes na política brasileira, e que Lula antes condenava. Isso levou muitos a se desiludirem com o PT. Na sua visão, a inclusão social prevalece sobre esses problemas?
Chomsky - Houve isso e eu não justifico, não considero correto. Mas foi inevitável já que o PT tinha uma minoria no Congresso. Não poderiam operar sem fazer alianças.
O problema real foi outro. O problema real foi ter falhado em diversificar a economia. Naqueles anos, houve uma grande tentação em toda a América Latina de seguir a vocação tradicional de fornecer commodities a consumidores em outras partes do mundo, especialmente para a China, que se tornou uma grande compradora de soja, ferro. Manufaturados chineses baratos passaram a inundar o Brasil, inviabilizando a indústria de manufaturados local. Esse tipo de política não pode levar a um desenvolvimento de sucesso. A Venezuela também continuou dependendo completamente da exportação de energia.
Por outro lado, houve uma acentuada redução da pobreza, mais benefícios na saúde, mais oportunidade de educação. E o Brasil foi lançado para o centro do palco mundial, com as políticas de Lula e de Celso Amorim (o então ministro de Relações Exteriores) tornando-o um dos países mais respeitados do mundo. Então houve erros graves, mas houve também conquistas consideráveis.
BBC News Brasil - Mas essas conquistas começaram a entrar em declínio durante o governo do próprio PT.
Chomsky - Elas colapsaram quando a oportunidade fácil de produzir commodities para o que parecia ser um mercado insaciável se esgotou. E aí houve um grave problema. Que foi causado pela falta de diversificação. Mas a corrupção é real. É endêmica não apenas no Brasil, mas em todo o hemisfério.
BBC News Brasil - Então quando o senhor defende o PT, admite que houve corrupção?
Chomsky - Quem defende o PT?
BBC News Brasil - O senhor fala em defesa do Lula.
Chomsky - Falo em defesa do Lula de uma maneira muito especial. Digo que houve conquistas significativas, mas houve erros. E que ele agora foi condenado de uma maneira completamente desproporcional ao que fez ou deixou de fazer. Isso não é defender o PT, é descrever os fatos.
Embora Lula pareça ter se mantido afastado de corrupção pessoalmente, ele certamente tolerou muita corrupção no PT. Assim como o (Hugo) Chávez tolerou muita corrupção na PDVSA (a estatal de petróleo) na Venezuela. A corrupção no Brasil e em toda a América Latina é chocante, e isso já há muito tempo. É um problema sério, mas difícil de superar. Porque está entranhada no sistema eleitoral. É preciso desmantelar uma estrutura fortemente enraizada.
Chomsky defende que Lula concorra às eleições
BBC News Brasil - O senhor acha que Lula não tem responsabilidade pelos crimes de que foi condenado?
Chomsky - O crime específico pelo qual ele foi condenado foi a alegação de que um apartamento foi dado a ele, no qual ele nunca morou. Mesmo se assumirmos a versão mais extrema de que ele é culpado de todas as acusações, o que eu duvido, a sentença é completamente desproporcional.
O testemunho (do ex-presidente da OAS, Leo Pinheiro) inspira desconfiança por ter sido obtido em delação premiada. É evidente que a sentença é meramente punitiva e não tem relação com a natureza do crime. A negação ao habeas corpus (para que Lula pudesse recorrer em liberdade) reforça isso.
Ele sem dúvida deveria ter o direito de concorrer nas eleições, como recomenda o Comitê de Direitos Humanos da ONU (que em agosto recomendou que o Brasil garantisse os direitos políticos do ex-presidente, mesmo na prisão, como candidato às eleições de 2018).
BBC News Brasil - Mas a sentença a Lula foi confirmada em segunda instância, enquadrando-o na Lei da Ficha Limpa, que ele próprio sancionou durante seu governo.
Chomsky - Sim, é verdade, e uma boa parte da classe política deve ser submetida a essa lei, mas de uma maneira justa e correta. Assim, se vier à tona que um apartamento foi oferecido ao presidente Temer no qual ele nunca viveu, ele nunca deverá ser sentenciado a 12 anos de prisão por isso.
BBC News Brasil - O senhor acha que a sentença seria diferente para membros de outros partidos?
Chomsky - Radicalmente diferente. Acho que seria incomparável. O presidente (Fernando Henrique) Cardoso seria sujeitado a essa sentença de prisão por uma acusação semelhante?
Simpatizantes de Bolsonaro em São Paulo; linguista vê semelhanças entre o candidato brasileiro e Donald Trump
BBC News Brasil - Temos visto o avanço do candidato Jair Bolsonaro, que tem liderado as pesquisas. Há alguma especificidade brasileira nesse avanço da direita?
Chomsky - O mesmo está acontecendo em grande parte do mundo. O caso mais recente foi na Suécia (em eleições recentes, o partido de extrema-direita Democratas da Suécia teve sua maior votação e se firmou como terceiro maior partido do país, com 62 cadeiras no Parlamento). Na Europa, esse fenômeno costuma ser relacionado ao aumento recente da imigração. Entretanto, uma análise cuidadosa feita por cinco economistas suecos demonstrou que os motivos precedem a onda imigratória.
Reflete a imposição de políticas neoliberais que afetaram a profundamente as últimas gerações não só na Suécia mas no mundo todo, acompanhando reformas que decolaram a partir das eras (Ronald) Reagan (presidente norte-americano entre 1981 e 1989) e (Margaret) Thatcher (premiê britânica entre 1979 e 1990). O efeito dessas políticas foi concentrar a renda em círculos muito estreitos, expandir o poder corporativo e aumentar a tendência a monopólios. E deixar de lado a maior parte da população, que sofre com salários que não aumentam, empregos que tendem à precarização e sindicatos enfraquecidos.
Nos EUA, por exemplo, os salários de executivos aumentaram em 1.000% nesse período, mas funcionários sem cargos de supervisão ganham menos hoje do que ganhavam em 1979. Salários ficaram represados e benefícios foram cortados. O mercado de trabalho caminha propositalmente para a precarização, com cargos em meio expediente, sem vínculo empregatício, e assim vai.
Mas de volta à Suécia. O efeito que vemos é que as pessoas se sentem abandonadas, não mais representadas pelo sistema político, e foi isso que levou ao aumento do voto pela extrema-direita. Mas essa população que se sente excluída tem raiva, ressentimento, medo, e busca bodes expiatórios, que são os grupos mais vulneráveis. Na Europa atual, a culpa é colocada nos imigrantes.
BBC News Brasil - Bolsonaro costuma ser comparado a Donald Trump, às vezes chamado de 'Trump brasileiro'. A comparação faz sentido?
Chomsky - Há semelhanças. Até onde percebo, Bolsonaro não parece ter uma política econômica própria. Mas há pessoas ao seu redor que definitivamente têm. Seu economista chefe é um economista ultraliberal de Chicago (referência a Paulo Guedes, que coordena seu programa econômico e tem Ph.D. na Universidade de Chicago, bastião do liberalismo). Ele representa grupos semelhantes àqueles para os quais Trump faz uma espécie de cortina de fumaça nos EUA.
O papel de Trump no sistema político econômico é duplo: o de manter a atenção da mídia constantemente focada no que ele faz ou deixa de fazer e sustentar o apoio de seu eleitorado ao aparentar fazer coisas para eles; mas, enquanto isso, dar cobertura para programas republicanos selvagens que estão sendo implementados por pessoas como Paul Ryan (deputado pelo Partido Republicano e presidente da Câmara dos Representantes dos EUA) e Mitch McConnell (senador republicano).
Um bom exemplo é a maior conquista recente dos republicanos, a reforma tributária (aprovada em dezembro do ano passado). Foi um grande presente para o setor corporativo, para os ultra-ricos e para o setor imobiliário. Para o resto da população, o próprio Paul Ryan (presidente da Câmara dos Representantes dos EUA) explicou os efeitos: a reforma cria um déficit enorme e por isso será preciso cortar investimentos sociais. Saúde, educação, vale-alimentação para crianças pobres, essas coisas "irrelevantes".
Enquanto a mídia se concentra nas últimas mentiras ou no comportamento esquisito de Trump, esse tipo de coisa está acontecendo no background.
Com o Bolsonaro, imagino que poderíamos imaginar algo semelhante. Vai depender se ele tiver o mesmo talento de Trump, que está tendo uma atuação impressionante. Enquanto prejudica seu eleitorado de todas as maneiras possíveis, minando segurança social, direitos trabalhistas, ainda consegue se apresentar como seu defensor. E seus eleitores respondem não apenas com apoio, mas com veneração. Isso é um feito tremendo. É uma realização que demagogos alcançam de vez em quando, mas demanda habilidade política.
Militares em homenagem no Rio; 'Se a situação econômica, social e política se deteriorar o suficiente, poderia haver um apelo para que alguém intervenha (militarmente) de modo a preservar a ordem. Mas é muito diferente de 1964', opina Chomsky
BBC News Brasil - Três décadas depois da redemocratização, temos visto grupos publicamente defendendo intervenção militar no Brasil, algo que até pouco tempo atrás seria impensável. O senhor vê uma tendência à militarização na política no Brasil?
Chomsky - Se a situação econômica, social e política se deteriorar o suficiente, poderia haver um apelo para que alguém intervenha de modo a preservar a ordem. Mas é muito diferente de 1964 (ano do golpe militar). Os Estados Unidos tinham uma influência avassaladora sobre a América Latina na época.
O terreno para o golpe no Brasil foi preparado durante o governo Kennedy, e implementado pouco depois de seu assassinato (em 1963), com forte apoio dos EUA. O então embaixador Lincoln Gordon o descreveu como a maior vitória para a democracia em meados do século 20. E depois vieram os golpes no Chile, no Uruguai, na Argentina, o pior de todos, fortemente apoiados pelos EUA.
Hoje, os EUA não têm mais essa influência sobre a região. Um dos efeito das políticas de centro-esquerda foi o de reduzir o controle e a influência americana sobre a região em diversas maneiras. Uma delas, por exemplo, foi expulsar o FMI (Fundo Monetário Internacional).
BBC News Brasil - A influência do Brasil na região também diminuiu. Hoje estamos diante da maior crise de imigração na história recente da América do Sul, com o êxodo da Venezuela, mas não há uma liderança regional clara. Qual é o impacto político dessa crise para a região?
Chomsky - O impacto é sério. As estruturas que começaram a ser desenvolvidas para lidar com tais situações erodiram. A Unasul (a União de Nações Sul-americanas, bloco de 12 países fundado em 2008) mal funciona. A Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos, fundada em 2010) não funciona de jeito nenhum.
Os movimentos para adquirir maior independência e desenvolvimento (na região, buscando maior integração entre países da América Latina) foram abortados e regrediram. Mas não acho que tenham sido perdidos. O que foi realizado proporciona um arcabouço para seguir em frente, o que acho que será feito, porque a situação não é tolerável.
BBC News Brasil - A seu ver, está na hora de lideranças da esquerda na região tomarem uma posição mais forte para condenar as violações de direitos humanos do governo Maduro?
Chomsky - Sim, e isso sempre foi necessário. Eu mesmo participei de fortes protestos contra violações de direitos humanos sob o regime de Hugo Chávez. É preciso se posicionar com firmeza contra as violações.
Lembrando, entretanto, que são uma parte muito reduzida das violações de direitos humanos que acontecem no mundo todo. As mais extremas no período moderno partiram dos Estados Unidos e da Inglaterra. A invasão do Iraque é o pior crime do século 21. Nada se compara àquela ação. Teve efeitos terríveis, não apenas destruindo o Iraque, mas alimentando o crescimento do Estado Islâmico e instigando conflitos étnicos que estão estraçalhando a região.
BBC News Brasil - O senhor está prestes a fazer 90 anos agora em dezembro, e acompanhou episódios marcantes da história do último século. O que lhe faz continuar, o que lhe traz esperança?
Chomsky - O que me faz continuar é a gravidade dos problemas. O que dá esperança é o fato de que há muita gente dedicada a fazer algo para resolvê-los. O nível de engajamento que vejo hoje está além do que vi em minha vida toda.
É preciso lembrar que os Estados Unidos tinham leis explícitas contra miscigenação até os anos 1960 - leis que nem os nazistas puderam adotar porque iam longe demais. A Inglaterra praticamente assassinou um grande matemático (Alan Turing) por homossexualidade, herói da Segunda Guerra por ter quebrado o código da Alemanha nazista. Ele foi submetido a um tratamento médico que o levou à morte. Inglaterra, um país avançado. Até 2003, ainda tínhamos leis anti-sodomia nos Estados Unidos.
Houve mudanças tremendas com os anos, e elas não vieram de presente. Vieram de ativismo constante, que está aqui, crescendo, com essas manifestações. Acho que esses são sinais de esperança. Olhando para as diferenças entre ontem e hoje, é um mundo muito diferente.
FONTE
https://www.bbc.com/portuguese/brasil-45582040?ocid=socialflow_facebook
GOVERNAR O BRASIL SEM O PT - Jorge Eremites de Oliveira
No debate entre presidenciáveis promovido pelo SBT, no dia 26/09/2018, Ciro Gomes, candidato à presidência da república pelo PDT, disse que se puder prefere governar o país sem o PT. Isso significa administrar o Brasil sem se valer do modus operandi ou habitus do establishment petista, aqui entendido como núcleo duro ou cúpula do Partido dos Trabalhadores.
Na minha opinião, como etnógrafo que por cerca de vinte anos esteve a observar a legenda, administrar sem o referido establishment é possível, sim. Não obstante a esta ideia, não se pode negar que na legenda há nomes importantes que não estão envolvidos em escândalos de corrupção, como Eduardo Suplicy e Olívio Dutra, respectivamente de São Paulo e do Rio Grande do Sul. No próprio MDB há nomes de respeito, como Roberto Requião, senador pelo estado do Paraná, não envolvido no golpe de 2016. A questão central reside em não deixar que uma coligação, eleita para um mandado de quatro anos, possa ser confundida com o próprio Estado e venha a usar da confiança recebida nas urnas para implementar projetos hegemônicos de poder. A população não mais deseja ver o governo federal envolvido em escândalos de todo tipo: a) denúncias de licitações fraudulentas e malversação do dinheiro público; b) compra da governabilidade por meio de petrolões e outros esquemas espúrios análogos aos mensalões; c) gastos exorbitantes com obras faraônicas e desconexas de um projeto nacional de desenvolvimento, como a construção de arenas em lugares onde estádios desse tipo fazem pouco sentido e oneram os cofres públicos, o que foi feito em detrimento do completo abandono de nossos museus; d) destinação de bilhões do BNDES para beneficiar aliados de última hora, incluindo certo governo desastroso na América do Sul; e) esquemas de caixa dois para financiar campanhas eleitorais e outras coisas; f) compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, sem a conclusão da construção de refinarias de petróleo e outras obras no país; etc.
Neste momento, o retorno do PT à Presidência da República significa atraso na medida em que não possui um projeto nacional de desenvolvimento (a legenda, aliás, não é nacionalista) e, portanto, não planeja o país para o médio e o longo prazos a partir de possíveis macrocenários políticos e econômicos. Apesar disso tudo, segue a manter alianças estapafúrdias com vários golpistas que atuaram para alijar a presidenta Dilma Rousseff do poder, em 2016. “Não vai ter golpe” e “impeachment meus ovos”, retrucavam nas redes sociais; “Foi golpe, sim”, dissemos amiúde. Mesmo assim, o PT e sua cúpula mostram-se incapazes de promover qualquer autocrítica, ainda que intelectuais como Noam Chomsky tenham vindo à público chamar a atenção para a questão.
Nesta linha de argumentação, vale lembrar que o PT e o PSDB são, de fato, cabeças de uma mesma serpente, como aponta Mangabeira Unger, e o Brasil não mais aguenta o binarismo maniqueísta nascido no Sudeste. Ambos os partidos costumam implementar gestões neoliberais e antinacionais, com uma diferença básica para o campo progressista: o PT promove a alienação das massas e até mesmo de certa intelectualidade, que se apresenta como “cavalo de santo”, tornando-se a esquerda que a direita gosta, como diria Darcy Ribeiro. Costuma cacarejar para a Senzala e a Aldeia, mas bota os ovos na Casa Grande, parafraseando aqui Leonel Brizola e me inspirando em Gilberto Freire.
Esse pessoal permaneceu por longuíssimos 14 anos no planalto central, à frente de uma coligação plural de partidos políticos (da qual o PDT fez parte e tem promovido certa autocrítica), e não promoveu as reformas estruturantes de que tanto o Brasil precisa. O que Lula, o ex-presidente encarcerado, fez de bom com uma mão (e fez muito, como verificado no Nordeste e em outras regiões), praticamente desfez com a outra ao indicar uma pessoa sem a necessária experiência para substituí-lo. Por qual motivo não indicou, por exemplo, Tarso Genro, ex-prefeito de Porto Alegre, ex-ministro e ex-governador do Rio Grande do Sul para a presidência da república? Ora, desde fins do século passado que Tarso percebia o PT gaúcho como bolchevique, ao passo que asseverava que o PT paulista seria menchevique. Além disso, não faz parte do establishment que desviou o partido para outros caminhos a partir da segunda metade dos anos 1990. Por que ele mesmo, Lula, não foi candidato em 2014, haja vista que sabia que aquela eleição presidencial seria marcada pela polarização e à época estava em curso um verdadeiro estelionato eleitoral, com graves consequências para a nação? Não fez isso porque é um articulador pragmático, desde os tempos de sindicalista, a ponto de colocar o projeto hegemônico do establishment que lidera à frente dos interesses nacionais.
A turma mais sectária do ex-presidente costuma chamar seus desafetos de “direita”, “coxinhas”, “reacionários”, “neoliberais”, “fascistas” etc., mas não é capaz de olhar para o próprio umbigo. Alimenta a polarização com o movimento nazifascista, nutrido pelo antipetismo e representado pela candidatura do inominável e seu “jumento de carga"; brinca de fazer cavalinho de pau no precipício, correndo o risco de jogar o Brasil num abismo profundo.
Penso ainda que de pouco adianta dizer #EleNão para apenas um candidato, como se o establishment petista (Dilma, Gleisi, Cardozo e outros) não tenha as mãos sujas do sangue de mulheres Guarani e Kaiowá violentadas, torturadas e assassinadas em Mato Grosso do Sul, apenas para citar um exemplo pontual que conheço muito bem como pesquisador. O PT no poder é, sim, anti-indígena e implementa uma política indigenista de natureza genocida, algo que o PDT de Brizola, Darcy e Juruna jamais poderá fazer, sob pena de entrar em profunda contradição. Nesta reta final do primeiro turno das eleições, o mais coerente é bradarmos #ElesNão e escolhermos um nome para votar pelas propostas que defende e sua história de vida pública.
Neste sentido, vale registrar o que diz a cantora Alcione, a famosa Marrom, sobre Ciro Gomes. Para ela, o candidato trabalhista possui as seguintes qualidades: 1) inteligência (chega de votarmos em idiotas e estúpidos que pensam poder resolver problemas complexos a base de clichês e jargões); 2) experiência (foi prefeito de Fortaleza, governador do Ceará, ministro nos governos Itamar Franco e Lula, deputado estadual, deputado federal, secretário de estado de saúde etc., e nunca respondeu por um mal feito à frente desses cargos); 3) amor pelo Brasil (nacionalismo é bom e não pode ser reduzido à ideia de xenofobia ou de homogeneização cultural, mas percebido como sentimento de pertença, orgulho de ser o que somos e postura em defesa da soberania do país); 4) energia (determinação e disposição para governar, e bem, com uma equipe de notáveis, isto é, pessoas que tenham capacidade técnica, científica e administrativa e saibam articular, defender e implementar projetos voltados ao desenvolvimento econômico com sustentabilidade e inclusão social).
Por tudo isso e outras tantas razões, percebo em Ciro Ferreira Gomes o melhor candidato à presidente da República Federativa do Brasil. Quando o vejo falar em público, relembro do saudoso Brizola e penso assim: Até a vitória trabalhista, sempre!
No debate entre presidenciáveis promovido pelo SBT, no dia 26/09/2018, Ciro Gomes, candidato à presidência da república pelo PDT, disse que se puder prefere governar o país sem o PT. Isso significa administrar o Brasil sem se valer do modus operandi ou habitus do establishment petista, aqui entendido como núcleo duro ou cúpula do Partido dos Trabalhadores.
Na minha opinião, como etnógrafo que por cerca de vinte anos esteve a observar a legenda, administrar sem o referido establishment é possível, sim. Não obstante a esta ideia, não se pode negar que na legenda há nomes importantes que não estão envolvidos em escândalos de corrupção, como Eduardo Suplicy e Olívio Dutra, respectivamente de São Paulo e do Rio Grande do Sul. No próprio MDB há nomes de respeito, como Roberto Requião, senador pelo estado do Paraná, não envolvido no golpe de 2016. A questão central reside em não deixar que uma coligação, eleita para um mandado de quatro anos, possa ser confundida com o próprio Estado e venha a usar da confiança recebida nas urnas para implementar projetos hegemônicos de poder. A população não mais deseja ver o governo federal envolvido em escândalos de todo tipo: a) denúncias de licitações fraudulentas e malversação do dinheiro público; b) compra da governabilidade por meio de petrolões e outros esquemas espúrios análogos aos mensalões; c) gastos exorbitantes com obras faraônicas e desconexas de um projeto nacional de desenvolvimento, como a construção de arenas em lugares onde estádios desse tipo fazem pouco sentido e oneram os cofres públicos, o que foi feito em detrimento do completo abandono de nossos museus; d) destinação de bilhões do BNDES para beneficiar aliados de última hora, incluindo certo governo desastroso na América do Sul; e) esquemas de caixa dois para financiar campanhas eleitorais e outras coisas; f) compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, sem a conclusão da construção de refinarias de petróleo e outras obras no país; etc.
Neste momento, o retorno do PT à Presidência da República significa atraso na medida em que não possui um projeto nacional de desenvolvimento (a legenda, aliás, não é nacionalista) e, portanto, não planeja o país para o médio e o longo prazos a partir de possíveis macrocenários políticos e econômicos. Apesar disso tudo, segue a manter alianças estapafúrdias com vários golpistas que atuaram para alijar a presidenta Dilma Rousseff do poder, em 2016. “Não vai ter golpe” e “impeachment meus ovos”, retrucavam nas redes sociais; “Foi golpe, sim”, dissemos amiúde. Mesmo assim, o PT e sua cúpula mostram-se incapazes de promover qualquer autocrítica, ainda que intelectuais como Noam Chomsky tenham vindo à público chamar a atenção para a questão.
Nesta linha de argumentação, vale lembrar que o PT e o PSDB são, de fato, cabeças de uma mesma serpente, como aponta Mangabeira Unger, e o Brasil não mais aguenta o binarismo maniqueísta nascido no Sudeste. Ambos os partidos costumam implementar gestões neoliberais e antinacionais, com uma diferença básica para o campo progressista: o PT promove a alienação das massas e até mesmo de certa intelectualidade, que se apresenta como “cavalo de santo”, tornando-se a esquerda que a direita gosta, como diria Darcy Ribeiro. Costuma cacarejar para a Senzala e a Aldeia, mas bota os ovos na Casa Grande, parafraseando aqui Leonel Brizola e me inspirando em Gilberto Freire.
Esse pessoal permaneceu por longuíssimos 14 anos no planalto central, à frente de uma coligação plural de partidos políticos (da qual o PDT fez parte e tem promovido certa autocrítica), e não promoveu as reformas estruturantes de que tanto o Brasil precisa. O que Lula, o ex-presidente encarcerado, fez de bom com uma mão (e fez muito, como verificado no Nordeste e em outras regiões), praticamente desfez com a outra ao indicar uma pessoa sem a necessária experiência para substituí-lo. Por qual motivo não indicou, por exemplo, Tarso Genro, ex-prefeito de Porto Alegre, ex-ministro e ex-governador do Rio Grande do Sul para a presidência da república? Ora, desde fins do século passado que Tarso percebia o PT gaúcho como bolchevique, ao passo que asseverava que o PT paulista seria menchevique. Além disso, não faz parte do establishment que desviou o partido para outros caminhos a partir da segunda metade dos anos 1990. Por que ele mesmo, Lula, não foi candidato em 2014, haja vista que sabia que aquela eleição presidencial seria marcada pela polarização e à época estava em curso um verdadeiro estelionato eleitoral, com graves consequências para a nação? Não fez isso porque é um articulador pragmático, desde os tempos de sindicalista, a ponto de colocar o projeto hegemônico do establishment que lidera à frente dos interesses nacionais.
A turma mais sectária do ex-presidente costuma chamar seus desafetos de “direita”, “coxinhas”, “reacionários”, “neoliberais”, “fascistas” etc., mas não é capaz de olhar para o próprio umbigo. Alimenta a polarização com o movimento nazifascista, nutrido pelo antipetismo e representado pela candidatura do inominável e seu “jumento de carga"; brinca de fazer cavalinho de pau no precipício, correndo o risco de jogar o Brasil num abismo profundo.
Penso ainda que de pouco adianta dizer #EleNão para apenas um candidato, como se o establishment petista (Dilma, Gleisi, Cardozo e outros) não tenha as mãos sujas do sangue de mulheres Guarani e Kaiowá violentadas, torturadas e assassinadas em Mato Grosso do Sul, apenas para citar um exemplo pontual que conheço muito bem como pesquisador. O PT no poder é, sim, anti-indígena e implementa uma política indigenista de natureza genocida, algo que o PDT de Brizola, Darcy e Juruna jamais poderá fazer, sob pena de entrar em profunda contradição. Nesta reta final do primeiro turno das eleições, o mais coerente é bradarmos #ElesNão e escolhermos um nome para votar pelas propostas que defende e sua história de vida pública.
Neste sentido, vale registrar o que diz a cantora Alcione, a famosa Marrom, sobre Ciro Gomes. Para ela, o candidato trabalhista possui as seguintes qualidades: 1) inteligência (chega de votarmos em idiotas e estúpidos que pensam poder resolver problemas complexos a base de clichês e jargões); 2) experiência (foi prefeito de Fortaleza, governador do Ceará, ministro nos governos Itamar Franco e Lula, deputado estadual, deputado federal, secretário de estado de saúde etc., e nunca respondeu por um mal feito à frente desses cargos); 3) amor pelo Brasil (nacionalismo é bom e não pode ser reduzido à ideia de xenofobia ou de homogeneização cultural, mas percebido como sentimento de pertença, orgulho de ser o que somos e postura em defesa da soberania do país); 4) energia (determinação e disposição para governar, e bem, com uma equipe de notáveis, isto é, pessoas que tenham capacidade técnica, científica e administrativa e saibam articular, defender e implementar projetos voltados ao desenvolvimento econômico com sustentabilidade e inclusão social).
Por tudo isso e outras tantas razões, percebo em Ciro Ferreira Gomes o melhor candidato à presidente da República Federativa do Brasil. Quando o vejo falar em público, relembro do saudoso Brizola e penso assim: Até a vitória trabalhista, sempre!
domingo, 30 de setembro de 2018
VENDAVAL EM PELOTAS
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.O vendaval que atingiu Pelotas no sábado causou vários danos e provocou a interrupção da energia elétrica em ampla área da cidade com o restabelecimento sendo feito ao longo do domingo.
Dos estragos causados chama a atenção o destelhamento da loja Jouglard no prédio onde está se instalando o Supermercado Guanabara.
O telhado voou sobre a avenida Ferreira Viana arrastando consigo as vigas de concreto da estrutura.
As fotos dão bem uma noção da proporção do fato tanto pelas dimensões da viga quanto da distância que o telhado voou desde a construção escura ao lado do prédio verde até atravessar a avenida.
.O vendaval que atingiu Pelotas no sábado causou vários danos e provocou a interrupção da energia elétrica em ampla área da cidade com o restabelecimento sendo feito ao longo do domingo.
Dos estragos causados chama a atenção o destelhamento da loja Jouglard no prédio onde está se instalando o Supermercado Guanabara.
O telhado voou sobre a avenida Ferreira Viana arrastando consigo as vigas de concreto da estrutura.
As fotos dão bem uma noção da proporção do fato tanto pelas dimensões da viga quanto da distância que o telhado voou desde a construção escura ao lado do prédio verde até atravessar a avenida.
quinta-feira, 27 de setembro de 2018
MANIFESTO - Ato unificado de Mulheres, Negros e LGBTs de Pelotas contra Bolsonaro -
![]() |
| Apostando numa geração fascista |
Somos minorias em direitos e maioria na população. Somos mulheres, negros e negras, LGBTs, indígenas, quilombolas e falamos também aqui em nome de homens que nos apoiam e por demais minorias que porventura não estejam aqui representadas. Ousamos falar em nome de sem-tetos, dos sem terra para plantar, dos sem emprego, dos injustiçados pela lei, dos indignados com a falta de democracia que emerge da desigualdade, das populações carcerárias que não encontram no aprisionamento espaço para reintegração social ou muitas vezes abarrotam prisões sem ter sequer a chance de um julgamento justo; somos os que desejamos segurança nas ruas e praças porque a cidade deve ser de todos e todas, dos moradores de periferia que morrem por bala perdida, dos refugiados que buscam aqui um lugar para viver com dignidade. Ousamos dizer que é numa sociedade cada vez mais amplamente democrática que queremos enfrentar estas questões, estas tristezas que nos enfraquecem enquanto sociedade e que por isso gritamos a uma só voz "Ele Não".
"Ele Não" às forças fascistas que querem nos tirar o direito de buscar alternativas para que todos e todas vivam com as prerrogativas dos Direitos Humanos. Dizer NÃO a tudo que pretenda que um ser humano valha menos ou mais que outro por sua cor, por seu gênero, por sua etnia, por suas crenças - religiosas ou não -, por suas escolhas sexuais, por suas condições sociais ou financeiras. À afirmação de que mulheres valem menos do que homens, nós dizemos NÃO. À afirmação de que um homem branco vale mais do que um afrodescendente, indígena ou de qualquer outra etnia, nós dizemos NÃO. À afirmação de que alguém valha menos do que outro alguém por suas escolhas afetivas, nós dizemos NÃO. À afirmação de que os despossuídos de terra, propriedade ou saber formal valem menos do que outros, nós dizemos NÃO. À afirmação de que é matando outros seres humanos que resolveremos as mazelas sociais, nós dizemos NÃO. Dizemos NÃO ao armamentismo, dizemos NÃO à tortura, dizemos NÃO a qualquer forma de preconceito. A qualquer forma de
ditadura, nós dizemos NÃO. À Ditadura do Estado Novo e à Ditadura Civil-Militar e do terrorismo de Estado das quais fomos vítimas, nós dizemos #EleNão, #EleJamais, #EleNunca. Bolsonaro jamais. Jamais às forças que representa.
E em nome dos que lutaram contra a opressão fascista neste país, em nome dos que morreram pela liberdade e em nome de todos e todas nós, dizemos SIM. Dizemos SIM a ela, dizemos sim à mais linda roseira que há, como já expressou por nós o cantor popular. Dizemos SIM à democracia. E é para juntar-se a nós neste grande e uníssono #EleNão que ecoa em todo o país (e até mesmo fora do país), que convidamos todos vocês a dizer "Ele Não" conosco. "Ele não" ao fascismo, "Ele não" ao desrespeito, "Ele não" à violência, "Ele não" a Bolsonaro. No dia 29 de Setembro, às 16h, em frente à Prefeitura esperamos você e sua bandeira, seja ela qual for e de que cor for. De partido ou movimento, até mesmo de time de futebol, de todos que entendem que sem liberdade e respeito uma sociedade atrofia. Te chamamos para uma grande festa suprapartidária, colorida e de luta. Vamos derrubar a ameaça fascista no Brasil. Pelotas dirá, envolta em primavera, num ato genuinamente popular e junto às mobilizações que ocorrem no mesmo dia em todo país, #EleNão.
Mulheres, Negros e LGBTs de Pelotas contra Bolsonaro
"Ele Não" às forças fascistas que querem nos tirar o direito de buscar alternativas para que todos e todas vivam com as prerrogativas dos Direitos Humanos. Dizer NÃO a tudo que pretenda que um ser humano valha menos ou mais que outro por sua cor, por seu gênero, por sua etnia, por suas crenças - religiosas ou não -, por suas escolhas sexuais, por suas condições sociais ou financeiras. À afirmação de que mulheres valem menos do que homens, nós dizemos NÃO. À afirmação de que um homem branco vale mais do que um afrodescendente, indígena ou de qualquer outra etnia, nós dizemos NÃO. À afirmação de que alguém valha menos do que outro alguém por suas escolhas afetivas, nós dizemos NÃO. À afirmação de que os despossuídos de terra, propriedade ou saber formal valem menos do que outros, nós dizemos NÃO. À afirmação de que é matando outros seres humanos que resolveremos as mazelas sociais, nós dizemos NÃO. Dizemos NÃO ao armamentismo, dizemos NÃO à tortura, dizemos NÃO a qualquer forma de preconceito. A qualquer forma de
ditadura, nós dizemos NÃO. À Ditadura do Estado Novo e à Ditadura Civil-Militar e do terrorismo de Estado das quais fomos vítimas, nós dizemos #EleNão, #EleJamais, #EleNunca. Bolsonaro jamais. Jamais às forças que representa.
E em nome dos que lutaram contra a opressão fascista neste país, em nome dos que morreram pela liberdade e em nome de todos e todas nós, dizemos SIM. Dizemos SIM a ela, dizemos sim à mais linda roseira que há, como já expressou por nós o cantor popular. Dizemos SIM à democracia. E é para juntar-se a nós neste grande e uníssono #EleNão que ecoa em todo o país (e até mesmo fora do país), que convidamos todos vocês a dizer "Ele Não" conosco. "Ele não" ao fascismo, "Ele não" ao desrespeito, "Ele não" à violência, "Ele não" a Bolsonaro. No dia 29 de Setembro, às 16h, em frente à Prefeitura esperamos você e sua bandeira, seja ela qual for e de que cor for. De partido ou movimento, até mesmo de time de futebol, de todos que entendem que sem liberdade e respeito uma sociedade atrofia. Te chamamos para uma grande festa suprapartidária, colorida e de luta. Vamos derrubar a ameaça fascista no Brasil. Pelotas dirá, envolta em primavera, num ato genuinamente popular e junto às mobilizações que ocorrem no mesmo dia em todo país, #EleNão.
Mulheres, Negros e LGBTs de Pelotas contra Bolsonaro
terça-feira, 25 de setembro de 2018
CIRO, BRIZOLA VIVE
O Brasil deixou de eleger Brizola, a maior liderança em defesa dos interesses nacionais surgida antes, durante e após o golpe de 64.
As consequências estamos vivendo até hoje.
Mas, pelo menos, não se pode dizer que não tivemos uma segunda chance.
segunda-feira, 24 de setembro de 2018
O DESFILE DOS CUSCOS
A data de vinte de setembro de 1835 marca a rebelião, denominada Revolução Farroupilha, promovida por fazendeiros do Rio Grande do Sul contra o Império em razão dos altos impostos aplicados à produção de charque.
A revolução,que durou dez anos , está submetida atualmente , à luz das pesquisas efetuadas, a uma interpretação diferente da que usualmente era transmitida apresentando os rebeldes ( farrapos) como idealistas que prometiam, inclusiva, a libertação dos escravos.
Seja como for a data oportuniza uma série de festejos nos quais é central a figura do gaúcho evocado nos desfiles a cavalo.
Nem sempre, contudo, está presente a figura dos cães (ao que parece Border Collie) que auxiliam o manejo do gado.
Esta foto, portanto ( cuja autoria infelizmente não identificamos) , é muito feliz em registrar sua participação.
A revolução,que durou dez anos , está submetida atualmente , à luz das pesquisas efetuadas, a uma interpretação diferente da que usualmente era transmitida apresentando os rebeldes ( farrapos) como idealistas que prometiam, inclusiva, a libertação dos escravos.
Seja como for a data oportuniza uma série de festejos nos quais é central a figura do gaúcho evocado nos desfiles a cavalo.
Nem sempre, contudo, está presente a figura dos cães (ao que parece Border Collie) que auxiliam o manejo do gado.
Esta foto, portanto ( cuja autoria infelizmente não identificamos) , é muito feliz em registrar sua participação.
terça-feira, 18 de setembro de 2018
BRIZOLA, O PRESIDENTE QUE FALTOU AO BRASIL - P.R.Baptista
A Rede Globo apoiou a ditadura, já se sabe, ela própria admitiu. Mas, afinal,ela foi um produto da ditadura.
Há muito tempo e, mais recentemente, a todo momento são feitas críticas à forma como influencia a opinião pública brasileira, por várias vezes com total parcialidade.
Nada impediu, contudo, que permanecesse intocada ao longo de vários governos, pode-se dizer de todos a partir das eleições, ou seja, de Collor ( que elegeu e depois depôs), FHC (8 anos), Lula ( 8 anos), Dilma ( 5 anos) que depôs e durante esse tempo só cresceu a sua influência e o seu poder.
Na realidade apenas Brizola teve a coragem de enfrentá-la de forma direta, aberta, por diversas vezes.
Infelizmente não chegou a presidente ,cargo que lhe daria condições de tomar medidas concretas.
Mas é importante que fique o registro, que não se esqueça o quanto o Brasil perdeu por não ter tido Leonel Brizola como presidente.
sexta-feira, 14 de setembro de 2018
“Quais são os riscos da sociedade conservadora vencer essa disputa?” - Ricardo Almeida (*)
“Para que meus inimigos tenham mãos e não me toquem.”
Jorge Ben Jor
Aprendi que certas ameaças políticas podem paralisar uma pessoa que tem medo da liberdade, mas que também servem para desafiar a sensibilidade e o raciocínio de quem tem uma inspiração revolucionária. Na maioria dos casos, o dilema está em ceder ou não ceder ao terror psicológico que a sociedade conservadora costuma patrocinar por meio das mídias sociais disponíveis.
No afã de interagir na internet, uma parte significativa da sociedade costuma compartilhar os seus fatalismos e medos, e assim acaba anestesiando a indignação de muitas pessoas. Elas não percebem que a sociedade conservadora utiliza os seus tentáculos para preservar e ampliar privilégios, e pra isso contrata os serviços de robôs, mercenários e jornalistas que multiplicam xingamentos, jargões e adjetivos nas mídias sociais.
No Brasil, a reação da sociedade conservadora ocorreu graças aos avanços que tivemos durante os governos Lula e Dilma. Com a crise de econômica e política de 2008 e de 2015, começou a propagar o medo, incentivar a demonização da política e a pregar um tipo de moralismo sem a mínima moral. Enquanto, a demonização buscava enfraquecer a atuação das lideranças que lhe faziam oposição, o moralismo unificou a sua base social reacionária e conservadora.
Por que apenas nestes últimos anos cresceram os discursos moralistas, acusações generalizadas, propagação de boatos e de fakenews? É preciso entender que por trás de todo esse simulacro nacional existe um forte poder econômico e de inteligência que se revela sutilmente por meio dos comerciais e programas de rádio e TV.
Quem são esses patrocinadores do caos e do medo? São as grandes empresas e bancos transnacionais, cujos lucros estavam sendo ameaçados pela nova ordem mundial, com o surgimento dos BRICs e com a perspectiva do Brasil ganhar autonomia na produção de energia (petróleo, gás, etc.), os quais estavam destinados aos investimentos nas áreas de saúde, educação, segurança, novas tecnologias etc.
Hoje, após cinco anos dos protestos de 2013, até uma criança é capaz de reconhecer que foi aproveitado um momento de descontentamento popular, provocado pela retração do consumo durante o segundo governo Dilma, para a Rede Globo iniciar uma campanha desenfreada “contra a corrupção generalizada dos governos do PT”, para bombardear os lares brasileiros com notícias negativas e para os porta-vozes da sociedade conservadora “ocupar” quase todos os principais veículos de comunicação do país. Também tomaram de assalto o Palácio do Planalto, o Congresso e o STF para aprovar medidas contra o povo brasileiro e a soberania nacional, criaram um clima de guerra nas fronteiras nacionais e acabaram gerando um caos social que trouxe enormes sacrifícios para a maioria da população, como o aumento do preço do gás, dos combustíveis, a perda de direitos históricos e a falta de perspectivas para com o futuro.
Em função dessa sede desenfreada provocaram a indignação generalizada de milhões de brasileiros e de brasileiras, que agora se revela no imenso apoio ao ex-presidente Lula nas pesquisas eleitorais, nas rodas de conversas nas feiras, bares, padarias, universidades e redes sociais. Contraditoriamente, principalmente a partir da prisão da maior liderança popular, esse processo também acendeu um sinal de alerta para as forças democráticas e populares do Brasil e do mundo livre.
O fato novo é que as forças de esquerda estão muito mais unificadas do que antes. Apesar das enormes perdas, dos medos e das ameaças, esse processo está servindo para aproximar diversas pautas políticas, realizar uma autocrítica (por enquanto) na prática e uma volta às organizações de base. Uma mudança na consciência individual e coletiva já está em curso, e podemos afirmar que está se gestando uma nova cultura política, baseada na pluralidade e na radicalidade democrática.
Quais são os riscos da sociedade conservadora vencer essa disputa? Vai depender do tamanho do medo ou da esperança que conseguirmos compartilhar nas nossas relações, pois se trata de uma disputa contraditória, de caráter local, regional, nacional e internacional, e não de uma corrida de cavalos em cancha reta.
Neste novo período eleitoral a sociedade conservadora voltou a comprar políticos, juízes, jornalistas e militares para promover ações de terror psicológico, com o objetivo de evitar que as pessoas reflitam sobre o essencial dessa disputa nacional e internacional. Uma parte da sociedade brasileira seguirá calada e vai preferir não se envolver nas disputas políticas… Mas existem milhões e milhões de pessoas já assimilaram os golpes e estão se manifestando ao seu jeito. Estas procuram identificar guerreiros e guerreiras que queiram enfrentar os dragões e transformar essa dura e triste realidade.
Como a sonhada primavera já está chegando, entramos no período mais agudo da disputa política-eleitoral. Se de um lado está a sociedade conservadora como uma cadela no cio, do outro estamos nós e as nossas referências políticas, vestidos com as roupas e as armas da coragem, da serenidade e da consistência. Estamos certos de que seguiremos questionando os caminhos, as propostas e os métodos que não levam a lugar nenhum, mas sabemos que para isso ocorrer precisamos virar essa página da história.
Quem foi capaz de aprender com as experiências que o destino nos reservou, também será capaz de traduzir cada realidade local/regional concreta, abandonar as zonas de conforto e ir pra rua beber as tempestades. Finalmente chegamos na hora de medir o poder real de cada força política para vencer estas eleições e depois ainda ter disposição para dar um, dois ou três passos adelante.
(*) Consultor em Gestão Projetos TIC
Jorge Ben Jor
Aprendi que certas ameaças políticas podem paralisar uma pessoa que tem medo da liberdade, mas que também servem para desafiar a sensibilidade e o raciocínio de quem tem uma inspiração revolucionária. Na maioria dos casos, o dilema está em ceder ou não ceder ao terror psicológico que a sociedade conservadora costuma patrocinar por meio das mídias sociais disponíveis.
No afã de interagir na internet, uma parte significativa da sociedade costuma compartilhar os seus fatalismos e medos, e assim acaba anestesiando a indignação de muitas pessoas. Elas não percebem que a sociedade conservadora utiliza os seus tentáculos para preservar e ampliar privilégios, e pra isso contrata os serviços de robôs, mercenários e jornalistas que multiplicam xingamentos, jargões e adjetivos nas mídias sociais.
No Brasil, a reação da sociedade conservadora ocorreu graças aos avanços que tivemos durante os governos Lula e Dilma. Com a crise de econômica e política de 2008 e de 2015, começou a propagar o medo, incentivar a demonização da política e a pregar um tipo de moralismo sem a mínima moral. Enquanto, a demonização buscava enfraquecer a atuação das lideranças que lhe faziam oposição, o moralismo unificou a sua base social reacionária e conservadora.
Por que apenas nestes últimos anos cresceram os discursos moralistas, acusações generalizadas, propagação de boatos e de fakenews? É preciso entender que por trás de todo esse simulacro nacional existe um forte poder econômico e de inteligência que se revela sutilmente por meio dos comerciais e programas de rádio e TV.
Quem são esses patrocinadores do caos e do medo? São as grandes empresas e bancos transnacionais, cujos lucros estavam sendo ameaçados pela nova ordem mundial, com o surgimento dos BRICs e com a perspectiva do Brasil ganhar autonomia na produção de energia (petróleo, gás, etc.), os quais estavam destinados aos investimentos nas áreas de saúde, educação, segurança, novas tecnologias etc.
Hoje, após cinco anos dos protestos de 2013, até uma criança é capaz de reconhecer que foi aproveitado um momento de descontentamento popular, provocado pela retração do consumo durante o segundo governo Dilma, para a Rede Globo iniciar uma campanha desenfreada “contra a corrupção generalizada dos governos do PT”, para bombardear os lares brasileiros com notícias negativas e para os porta-vozes da sociedade conservadora “ocupar” quase todos os principais veículos de comunicação do país. Também tomaram de assalto o Palácio do Planalto, o Congresso e o STF para aprovar medidas contra o povo brasileiro e a soberania nacional, criaram um clima de guerra nas fronteiras nacionais e acabaram gerando um caos social que trouxe enormes sacrifícios para a maioria da população, como o aumento do preço do gás, dos combustíveis, a perda de direitos históricos e a falta de perspectivas para com o futuro.
Em função dessa sede desenfreada provocaram a indignação generalizada de milhões de brasileiros e de brasileiras, que agora se revela no imenso apoio ao ex-presidente Lula nas pesquisas eleitorais, nas rodas de conversas nas feiras, bares, padarias, universidades e redes sociais. Contraditoriamente, principalmente a partir da prisão da maior liderança popular, esse processo também acendeu um sinal de alerta para as forças democráticas e populares do Brasil e do mundo livre.
O fato novo é que as forças de esquerda estão muito mais unificadas do que antes. Apesar das enormes perdas, dos medos e das ameaças, esse processo está servindo para aproximar diversas pautas políticas, realizar uma autocrítica (por enquanto) na prática e uma volta às organizações de base. Uma mudança na consciência individual e coletiva já está em curso, e podemos afirmar que está se gestando uma nova cultura política, baseada na pluralidade e na radicalidade democrática.
Quais são os riscos da sociedade conservadora vencer essa disputa? Vai depender do tamanho do medo ou da esperança que conseguirmos compartilhar nas nossas relações, pois se trata de uma disputa contraditória, de caráter local, regional, nacional e internacional, e não de uma corrida de cavalos em cancha reta.
Neste novo período eleitoral a sociedade conservadora voltou a comprar políticos, juízes, jornalistas e militares para promover ações de terror psicológico, com o objetivo de evitar que as pessoas reflitam sobre o essencial dessa disputa nacional e internacional. Uma parte da sociedade brasileira seguirá calada e vai preferir não se envolver nas disputas políticas… Mas existem milhões e milhões de pessoas já assimilaram os golpes e estão se manifestando ao seu jeito. Estas procuram identificar guerreiros e guerreiras que queiram enfrentar os dragões e transformar essa dura e triste realidade.
Como a sonhada primavera já está chegando, entramos no período mais agudo da disputa política-eleitoral. Se de um lado está a sociedade conservadora como uma cadela no cio, do outro estamos nós e as nossas referências políticas, vestidos com as roupas e as armas da coragem, da serenidade e da consistência. Estamos certos de que seguiremos questionando os caminhos, as propostas e os métodos que não levam a lugar nenhum, mas sabemos que para isso ocorrer precisamos virar essa página da história.
Quem foi capaz de aprender com as experiências que o destino nos reservou, também será capaz de traduzir cada realidade local/regional concreta, abandonar as zonas de conforto e ir pra rua beber as tempestades. Finalmente chegamos na hora de medir o poder real de cada força política para vencer estas eleições e depois ainda ter disposição para dar um, dois ou três passos adelante.
(*) Consultor em Gestão Projetos TIC
terça-feira, 11 de setembro de 2018
OPINIÃO - P.R.Baptista
A poucos dias da eleição o quadro político começa a se conformar.
Bolsonaro, quem diria, nesse momento sem sequer sair do lugar, parece garantir sua presença no segundo turno.
Algo que Lula nem imaginava quando, há algum tempo, em discurso triunfante, se jactava que não existia mais direita no Brasil.
Pois a que surgiu defende a ditadura militar.
Além disto ele próprio está excluído de participação direta.
Para disputar com Bolsonaro 4 candidatos. Marina, incansável em suas tediosas pregações religiosas de uma hora de duração, Alckmin mantendo o lugar mais uma vez do PSDB e do próprio governo Temer do qual faz parte, e pelo campo da centro-esquerda, Ciro e Haddad ( Lula) .
Como Ciro e Haddad (Lula) tem apoio em campos que se sobrepõem obviamente dividem os votos.
É o que Ciro denominou de "dança à beira do abismo".
Para a esquerda, claro, para a direita é tudo que ela estava à espera.
quinta-feira, 6 de setembro de 2018
quarta-feira, 5 de setembro de 2018
domingo, 26 de agosto de 2018
AS PREGAÇÕES DE MARINA SILVA
.
Uma das inúmeras pregações feitas por Marina Silva ao longo de sua vida. preleções longas de quem tem dedicado seu tempo a esse ministério.
Com o texto da Bíblia à sua frente, com inúmeras anotações, detém-se a buscar significados para a sua vida, a vida dos fiéis e, se eleita presidente, para a vida dos brasileiros. Amém.
Uma das inúmeras pregações feitas por Marina Silva ao longo de sua vida. preleções longas de quem tem dedicado seu tempo a esse ministério.
Com o texto da Bíblia à sua frente, com inúmeras anotações, detém-se a buscar significados para a sua vida, a vida dos fiéis e, se eleita presidente, para a vida dos brasileiros. Amém.
O APOIO DE TARSO GENRO A BOULOS - Filipe Strazzer, O Estado de S.Paulo
Em debate público realizado segunda-feira, 16 de julho, em Porto Alegre, o ex-ministro e ex-governador gaúcho Tarso Genro defendeu o apoio do PT ao pré-candidato do PSOL à Presidência nas eleições 2018, Guilherme Boulos, caso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso pela Operação Lava Jato, não possa se candidatar.
“Nós vamos defender que o PT lidere uma nova frente política e convide o companheiro Boulos para ser nosso candidato à Presidência da República”, disse Tarso durante debate denominado “Os Caminhos da Esquerda”, realizado no teatro da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. Tarso foi aplaudido por uma plateia composta principalmente por militantes de partidos e movimentos sociais de esquerda.
Tarso Genro disse que vem sinalizando desde outros debates seu apoio a Boulos. Para ele, o pré-candidato do PSOL representa “um espírito que a esquerda vinha perdendo” e que Boulos conseguiu constituir um “discurso de esperança”.
O ex-ministro também criticou o PT por não discutir alternativas conjuntas de esquerda caso Lula não seja candidato. “Vários quadros do Partido dos Trabalhadores vamos propor Boulos para a Presidência, se o PT ousar a fazer uma discussão, que até agora essa discussão não foi feita”, afirmou.
Em sua fala, Guilherme Boulos elogiou o que ele chamou de “generosidade e a coragem de Tarso Genro em construir pontes num momento que todo mundo está querendo dinamitá-las”. Da mesma forma, Boulos criticou a prisão do ex-presidente Lula e também pediu a unidade das esquerdas. “É necessário unidade. Unidade das forças democráticas, das forças de esquerda, em defesa da democracia e dos direitos sociais. Isso é um desafio histórico que está colocado para nós hoje”, disse.
FONTE
“Nós vamos defender que o PT lidere uma nova frente política e convide o companheiro Boulos para ser nosso candidato à Presidência da República”, disse Tarso durante debate denominado “Os Caminhos da Esquerda”, realizado no teatro da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. Tarso foi aplaudido por uma plateia composta principalmente por militantes de partidos e movimentos sociais de esquerda.
Tarso Genro disse que vem sinalizando desde outros debates seu apoio a Boulos. Para ele, o pré-candidato do PSOL representa “um espírito que a esquerda vinha perdendo” e que Boulos conseguiu constituir um “discurso de esperança”.
O ex-ministro também criticou o PT por não discutir alternativas conjuntas de esquerda caso Lula não seja candidato. “Vários quadros do Partido dos Trabalhadores vamos propor Boulos para a Presidência, se o PT ousar a fazer uma discussão, que até agora essa discussão não foi feita”, afirmou.
Em sua fala, Guilherme Boulos elogiou o que ele chamou de “generosidade e a coragem de Tarso Genro em construir pontes num momento que todo mundo está querendo dinamitá-las”. Da mesma forma, Boulos criticou a prisão do ex-presidente Lula e também pediu a unidade das esquerdas. “É necessário unidade. Unidade das forças democráticas, das forças de esquerda, em defesa da democracia e dos direitos sociais. Isso é um desafio histórico que está colocado para nós hoje”, disse.
FONTE
DE COSTAS PARA NUESTRA AMÉRICA? - Ricardo Almeida
Cada vez que ouço alguém falar que vai reforçar a segurança nas fronteiras do Brasil, fico me perguntando se os países vizinhos não pensarão o mesmo... Aí eu também me questiono: será que o grosso do contrabando não se dá pelos portos e aeroportos? Por que ninguém fala nisso? Seria bem mais fácil vistoriar os containers que saem para os EUA e a Europa.
Vocês viram que o Departamento das Nações Unidas para Assuntos Econômicos e Sociais publicou um relatório que aponta que, de 2015 a 2017, houve uma migração bem maior de brasileiros para a Venezuela do que de venezuelanos vindo para o Brasil? Segundo essa pesquisa, foram 6.119 imigrantes brasileiros contra 3.515 venezuelanos que vieram para cá.
É necessário destacar que esse fenômeno não ocorre somente em relação à Venezuela, pois há muito tempo levas de brasileiros tentam a sorte nos EUA, e sabemos que Portugal está vivendo algo muito semelhante. No entanto, o pior é ignorarmos que, em quase todas as fronteiras nacionais, alguns brasileiros sentem-se no direito de migrar para o país vizinho, mas reclamam quando os "estrangeiros" vem viver e/ou trabalhar na terra abençoada por Deus e bonita por natureza.
O caso contraditório e mais emblemático ocorre na fronteira com a Guiana Francesa, pois aquele é um território que pertence à França, onde pagam salários em euro e possui bons sistemas públicos de segurança, de saúde e de educação... Também oferecem a qualidade de vida que muitos gostariam de ter (inclusive, os brasileiros que cruzam o Rio Oiapoque).
Mas existem casos que exigem uma análise mais profunda, como nas fronteiras em que brasileiros compram terras do lado de lá e exportam a língua, os hábitos e costumes y otras cositas más. No Paraguai, por exemplo, ocorreram verdadeiras invasões que provocam o assassinato de lideranças indígenas, o tráfico de armas, de drogas, de automóveis e também a sonegação escancarada de impostos. Esses “desbravadores” influenciam as decisões políticas daquele país, tendo em vista a compra de mais terras e o pagamento de menos impostos.No entanto, quando precisam de serviços públicos, atravessam a fronteira para usufruir dos sistemas de saúde e de educação do país vizinho - o Brasil.
Portanto, olhando mais atentamente, percebe-se que cada fronteira é singular e que as relações se dão de forma diferenciadas, sendo que as oscilações do câmbio e a diferença no valor dos impostos influenciam algumas pessoas a aceitar os estrangeiros, mas apenas em função da venda ou da compra de produtos, de terras etc. e tal. Não o fazem por solidariedade ou humanidade!
A fronteira mais fechada para os brasileiros é a da Argentina. Ali é possível perceber um controle maior da circulação de pessoas e de mercadorias, com uma forte presença do exército daquele país. Até dá pra desconfiar sobre os motivos de tal vigilância, mas apenas vejo pessoas responsabilizando "a rota dos paraguaios".
Apesar de a TV brasileira não noticiar, é fácil verificar que há uma falta de políticas públicas para melhorar a relação do Brasil com os estrangeiros. Analisem o caso da colônia boliviana em São Paulo, que foi levada por "gatos" (brasileiros e bolivianos) para trabalhar como escravos em confecções de algumas grifes famosas, ou dos vendedores haitianos espalhados por várias regiões do país ou, ainda, dos povos indígenas, cujas terras são invadidas pelo agronegócio. Ops, como assim? São os nossos povos indígenas!
Desculpem, pois eu me atrapalhei! Já estava ignorando que os povos indígenas são os verdadeiros donos desta Terra do Pau Brasil... Nós (outros) somos apenas os filhos e netos dos "viajantes" que vieram do além-mar, sendo que muitos foram trazidos à força, em navios manchados de sangue negro.
Se tudo isso não te faz pensar, e se os venezuelanos ainda serão tratados por ti como intrusos, é porque não entendeste quais são as disputas internacionais que estão por trás dessa bagunça criada em Roraima. Enfim, se formos honestos com a nossa consciência, vamos perceber que os brasileiros precisam mergulhar na sua memória mais profunda pra reconhecer o colonialismo que ainda existe por aqui.
Enquanto o gigante estiver de costas pra Nuestra América, nós não vamos reconhecer a nossa própria imagem no espelho. Eu acredito que lá de fora se enxerga melhor todas as nossas virtudes e também os nossos piores defeitos. Mas, para isso ocorrer, será necessário cantar em alto e bom som: hermano, dáme tu mano / vamos juntos a buscar / una cosa pequeñita / que se llama libertad...
Vocês viram que o Departamento das Nações Unidas para Assuntos Econômicos e Sociais publicou um relatório que aponta que, de 2015 a 2017, houve uma migração bem maior de brasileiros para a Venezuela do que de venezuelanos vindo para o Brasil? Segundo essa pesquisa, foram 6.119 imigrantes brasileiros contra 3.515 venezuelanos que vieram para cá.
É necessário destacar que esse fenômeno não ocorre somente em relação à Venezuela, pois há muito tempo levas de brasileiros tentam a sorte nos EUA, e sabemos que Portugal está vivendo algo muito semelhante. No entanto, o pior é ignorarmos que, em quase todas as fronteiras nacionais, alguns brasileiros sentem-se no direito de migrar para o país vizinho, mas reclamam quando os "estrangeiros" vem viver e/ou trabalhar na terra abençoada por Deus e bonita por natureza.
O caso contraditório e mais emblemático ocorre na fronteira com a Guiana Francesa, pois aquele é um território que pertence à França, onde pagam salários em euro e possui bons sistemas públicos de segurança, de saúde e de educação... Também oferecem a qualidade de vida que muitos gostariam de ter (inclusive, os brasileiros que cruzam o Rio Oiapoque).
Mas existem casos que exigem uma análise mais profunda, como nas fronteiras em que brasileiros compram terras do lado de lá e exportam a língua, os hábitos e costumes y otras cositas más. No Paraguai, por exemplo, ocorreram verdadeiras invasões que provocam o assassinato de lideranças indígenas, o tráfico de armas, de drogas, de automóveis e também a sonegação escancarada de impostos. Esses “desbravadores” influenciam as decisões políticas daquele país, tendo em vista a compra de mais terras e o pagamento de menos impostos.No entanto, quando precisam de serviços públicos, atravessam a fronteira para usufruir dos sistemas de saúde e de educação do país vizinho - o Brasil.
Portanto, olhando mais atentamente, percebe-se que cada fronteira é singular e que as relações se dão de forma diferenciadas, sendo que as oscilações do câmbio e a diferença no valor dos impostos influenciam algumas pessoas a aceitar os estrangeiros, mas apenas em função da venda ou da compra de produtos, de terras etc. e tal. Não o fazem por solidariedade ou humanidade!
A fronteira mais fechada para os brasileiros é a da Argentina. Ali é possível perceber um controle maior da circulação de pessoas e de mercadorias, com uma forte presença do exército daquele país. Até dá pra desconfiar sobre os motivos de tal vigilância, mas apenas vejo pessoas responsabilizando "a rota dos paraguaios".
Apesar de a TV brasileira não noticiar, é fácil verificar que há uma falta de políticas públicas para melhorar a relação do Brasil com os estrangeiros. Analisem o caso da colônia boliviana em São Paulo, que foi levada por "gatos" (brasileiros e bolivianos) para trabalhar como escravos em confecções de algumas grifes famosas, ou dos vendedores haitianos espalhados por várias regiões do país ou, ainda, dos povos indígenas, cujas terras são invadidas pelo agronegócio. Ops, como assim? São os nossos povos indígenas!
Desculpem, pois eu me atrapalhei! Já estava ignorando que os povos indígenas são os verdadeiros donos desta Terra do Pau Brasil... Nós (outros) somos apenas os filhos e netos dos "viajantes" que vieram do além-mar, sendo que muitos foram trazidos à força, em navios manchados de sangue negro.
Se tudo isso não te faz pensar, e se os venezuelanos ainda serão tratados por ti como intrusos, é porque não entendeste quais são as disputas internacionais que estão por trás dessa bagunça criada em Roraima. Enfim, se formos honestos com a nossa consciência, vamos perceber que os brasileiros precisam mergulhar na sua memória mais profunda pra reconhecer o colonialismo que ainda existe por aqui.
Enquanto o gigante estiver de costas pra Nuestra América, nós não vamos reconhecer a nossa própria imagem no espelho. Eu acredito que lá de fora se enxerga melhor todas as nossas virtudes e também os nossos piores defeitos. Mas, para isso ocorrer, será necessário cantar em alto e bom som: hermano, dáme tu mano / vamos juntos a buscar / una cosa pequeñita / que se llama libertad...
quinta-feira, 23 de agosto de 2018
terça-feira, 21 de agosto de 2018
O SAMBA DO JUDICIÁRIO DOIDO - Kiko Nogueira
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Cármen Lúcia, Raquel Dodge, Alcione e o samba do Judiciário doido.
A cena mais grotesca do últimos anos na República foi o encontro de Cármen Lúcia, Raquel Dodge e Alcione para cantar o clássico “Não deixe o samba morrer” num gabinete do STF.
As três participaram de um seminário chamado “Elas por elas – Mulher no Poder Estatal e na Sociedade”, promovido pelo Conselho Nacional de Justiça no prédio do Supremo.
Estavam presentes também a advogada-geral da União, Grace Mendonça, e a presidente do Magazine Luiza, Luiza Helena Trajano.
Luiza, aliás, tem o hábito de tocar Raul Seixas no final de suas palestras para políticos, pedindo que a acompanhem batendo palminhas. Eles obedecem direitinho.
No vídeo que compartilhou nas redes, a “Marrom” grita “vai, Cárrrmi Lúcia”, no que é secundada por espasmos por parte da presidente do Supremo.
Raquel Dodge estala os dedinhos numa releitura do personagem de Steve Martin no filme “O Panaca”, sobre um branco criado por negros que não sabe que é caucasiano.
Alguém manda um “chora, cabrocha!” “Estou desempregada”, afirma Alcione, fechando a tampa.
Tudo tão falso como uma nota de 7 reais. Ou seja, mais verdadeiro impossível.
Era o samba do Judiciário doido, retrato acabado do Brasil. Mostre a qualquer gringo e o sujeito volta correndo — ou fica para sempre.
A ideia de “humanizar” figuras diretamente responsáveis pela insegurança jurídica nacional passou longe, a não ser para os suspeitos de sempre.
O padre Fábio de Mello, um mané pretensioso e botocado, gostou: “Tão bonito ver a desconstrução positiva dos que vivem sob a rigidez sisuda do poder. Em última instância, somos todos humanos, necessitados das mesmas alegrias, vítimas das mesmas agruras”.
De marketing ele entende. Pode trocar “desconstrução positiva” por vergonha alheia, padre.
No máximo, as imagens mostram que as virtudes delas como cantoras são proporcionais ao talento em suas áreas de expertise.
Faustão abriu vaga em seu corpo de bailarinas. Ainda dá tempo.
Cármen Lúcia, Raquel Dodge, Alcione e o samba do Judiciário doido.
A cena mais grotesca do últimos anos na República foi o encontro de Cármen Lúcia, Raquel Dodge e Alcione para cantar o clássico “Não deixe o samba morrer” num gabinete do STF.
As três participaram de um seminário chamado “Elas por elas – Mulher no Poder Estatal e na Sociedade”, promovido pelo Conselho Nacional de Justiça no prédio do Supremo.
Estavam presentes também a advogada-geral da União, Grace Mendonça, e a presidente do Magazine Luiza, Luiza Helena Trajano.
Luiza, aliás, tem o hábito de tocar Raul Seixas no final de suas palestras para políticos, pedindo que a acompanhem batendo palminhas. Eles obedecem direitinho.
No vídeo que compartilhou nas redes, a “Marrom” grita “vai, Cárrrmi Lúcia”, no que é secundada por espasmos por parte da presidente do Supremo.
Raquel Dodge estala os dedinhos numa releitura do personagem de Steve Martin no filme “O Panaca”, sobre um branco criado por negros que não sabe que é caucasiano.
Alguém manda um “chora, cabrocha!” “Estou desempregada”, afirma Alcione, fechando a tampa.
Tudo tão falso como uma nota de 7 reais. Ou seja, mais verdadeiro impossível.
Era o samba do Judiciário doido, retrato acabado do Brasil. Mostre a qualquer gringo e o sujeito volta correndo — ou fica para sempre.
A ideia de “humanizar” figuras diretamente responsáveis pela insegurança jurídica nacional passou longe, a não ser para os suspeitos de sempre.
O padre Fábio de Mello, um mané pretensioso e botocado, gostou: “Tão bonito ver a desconstrução positiva dos que vivem sob a rigidez sisuda do poder. Em última instância, somos todos humanos, necessitados das mesmas alegrias, vítimas das mesmas agruras”.
De marketing ele entende. Pode trocar “desconstrução positiva” por vergonha alheia, padre.
No máximo, as imagens mostram que as virtudes delas como cantoras são proporcionais ao talento em suas áreas de expertise.
Faustão abriu vaga em seu corpo de bailarinas. Ainda dá tempo.
CHICO BUARQUE E LULA LIVRE
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Apresentação de Chico Buarque no Auditório Araújo Viana ( Porto Alegre) em 19/08/2018.
Ao final da interpretação da canção "Tua Cantiga" alguém grita "Lula Livre" no que é seguido pela platéia.
Uma platéia, considerando o custo do ingresso de 480 reais, economicamente muito seleta.
Apresentação de Chico Buarque no Auditório Araújo Viana ( Porto Alegre) em 19/08/2018.
Ao final da interpretação da canção "Tua Cantiga" alguém grita "Lula Livre" no que é seguido pela platéia.
Uma platéia, considerando o custo do ingresso de 480 reais, economicamente muito seleta.
segunda-feira, 20 de agosto de 2018
SETE DE ABRIL, UM SÍMBOLO DO ABANDONO
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| Foto Amasete |
No Dia do Patrimônio, em Pelotas, Bruna, artista da dança,fez sua manifestação solitária e silenciosa diante do Theatro Sete de Abril. Limpando, incentivando os transeuntes a dar atenção ao abandono do prédio.
Por outro lado , em outros dias, não é incomum que o local sirva de pouso à noite para algum dos inúmeros moradores de rua que tem surgido pela cidade.
sexta-feira, 10 de agosto de 2018
DEUS SALVE A RAINHA - P.R.Baptista
Acima jantar no Castelo de Windsor local escolhido pela rainha Isabel II para assinalar um momento histórico com pompa e circunstância. Pela primeira vez, um chefe de Estado irlandês visita oficialmente o Reino Unido, retribuindo a viagem oficial que a soberana fez à Irlanda em 2011.
Acompanhados pelo príncipe Carlos e a mulher, Camilla Parker Bowles, Isabel II de Inglaterra e o marido, o príncipe Philip, brindaram aos seus convidados, especialmente ao casal presidencial irlandês, Michael D. e Sabina Higgins, num banquete que reuniu cerca de 160 pessoas.
Durante um breve discurso, a rainha sublinhou que o Reino Unido e a Irlanda estão a tornar-se “bons vizinhos” e “melhores amigos”. “Apesar de ter demorado a acontecer, posso assegurar-lhe, SuaMajestade, que a primeira visita de um presidente da Irlanda ao Reino Unidodemonstra claramente que a relação entre os dois países está mais calorosa emadura. E isso é algo que merece ser comemorado”, respondeu Michael D.Higgins.
Na foto seguinte pessoas fazem fila para a partilha de um pouco de alimento
terça-feira, 7 de agosto de 2018
FAKE NEWS - Hélio Freitag Jr
Esses dias vi e ouvi a prefeita Paula reclamar das Fake News, aconselhando o pessoal a não acreditar em notícias falsas.
Um dos maiores portais de produção de notícias falsas é o site da Prefeitura de Pelotas. É bem possível que seja a maior fonte de Fake News! Tem coisa séria e verdadeira lá, mas também tem muita, mas muita mentira e promessas não cumpridas.
Pra ficar só em alguns exemplos, temos a notícia da UPA da Bento, que ficaria pronta há uns dois anos. Não ficou. É FAKE!
Tem a licitação do transporte coletivo para a Zona Rural. Outra FAKE NEWS!
Tem o projeto das bicicletas de aluguel, o BikePel... Você já viu alguma das 15 estações prometidas? BAITA FAKE NEWS!
Tem a UPA Zona Norte, e sobre essa outra, há um silêncio sepulcral. No site da prefeitura tem uma declaração impagável, pura ficção ou Fake News: “Com segurança a entrega desta unidade acontecerá no primeiro semestre de 2016, mas com otimismo, pensamos no final de 2015”, disse o prefeito Eduardo Leite.
domingo, 5 de agosto de 2018
FUNDAMENTANDO O DEBATE - CIRO GOMES
A política pode ser um jogo muito cruel e, por isso, desperta muitas paixões e ódios. É ela quem revela os extremos da alma humana: a extrema nobreza e, nestes tempos estranhos que vivemos no Brasil, mais ainda, a extrema indignidade.
Escrevo no início da tarde desta sexta-feira, dia 03 de agosto do corrente e crítico ano de 2018. Os fatos estão correndo de forma tão frenética e surpreendente que preciso datar e dizer a hora. Até o presente momento ninguém do PSB me informou que decisão tomaram ou tomarão acerca de sua posição na sucessão presidencial.
Diz a grande imprensa, com certa euforia, que o PSB teria acertado um acordo com a cúpula do PT. Não, como seria natural, para apoiar o candidato do PT, mas para me isolar na luta, tirando-me segundos de tempo de TV. Em troca, a burocracia do PT cortaria o pescoço de sua jovem candidata a governadora de Pernambuco, Marília Arraes, e o PSB faria o mesmo com o seu candidato a governador em Minas Gerais, Marcio Lacerda.
Minha palavra agora é para a militância da minha candidatura e para os brasileiros e brasileiras, todos e todas que tem simpatia pela questão nacional, se preocupam com a injustiça de nossa sociedade profundamente desigual e todas as expressões de preconceito e violência que humilham amplas maiorias de nosso povo, mas especialmente as mulheres, os negros e os pobres.
Minha palavra se dirige aos progressistas, todos e todas. Aos que trabalham, por primeiro, e a quem produz.
Muita calma nesta hora!
A violência e o grosseiro equívoco desta atitude da cúpula do PT não devem nos retirar a atenção do que realmente interessa: estas eleições são a última chance, como País, de salvarmos o Brasil da legitimação, pelo voto, desta agenda antipobre, antinacional e antidecência que nos governa desde que o golpe usurpou o poder através de Michel Temer e sua gangue.
Me comprometi, já em meus primeiros movimentos nesta caminhada, a montar um Projeto Nacional de Desenvolvimento. Já há duras consequências de minha posição e, é claro, os grandes interesses da cobiça internacional, mancomunada com o baronato escravista que nos domina, estão atuando. Não sejamos ingênuos nem muito menos paranoicos. É coisa prática. Alguns exemplos:
1. Desapropriarei, com as devidas indenizações, os campos de petróleo entregues a preço de banana a multinacionais e a estatais (!) estrangeiras a partir da revogação da Lei de Partilha pelos golpistas;
2. Desfarei, se consumada, a criminosa entrega da EMBRAER aos norte-americanos, conforme consequência de carta que enviei à BOEING e à EMBRAER pedindo que aguardassem a decisão popular que se aproxima;
3. Revogarei as aberrações impostas pela selvagem Reforma Trabalhista (fui vaiado por isso na Confederação Nacional da Indústria, cujo presidente fez muitos elogios a Jair Bolsonaro);
4. Revogarei a Emenda Constitucional 95, a chamada PEC da morte, que congela os investimentos em saúde, educação, segurança, ciência e tecnologia, cultura e infraestrutura POR 20 ANOS!
5. Desfarei o cartel dos bancos que, nos últimos 15 anos, concentraram, em apenas 5 deles, 85% de todas as operações financeiras do País, impondo ao nosso povo e à nossa economia a maior taxa de juros do mundo!
6. Suspenderei ou reverterei, se necessário, a privatização da Eletrobras, que transferiria para o capital estrangeiro o controle do REGIME DE ÁGUAS em nosso país;
São apenas um dos poucos exemplos do que está de verdade em jogo nesta hora terrivelmente ameaçadora de nosso próprio futuro como Nação. É ao redor deste conjunto de valores que devemos exercitar a nossa militância.
Compreendamos com humildade e paciência o péssimo momento que a burocracia do PT está vivendo. Já não é mais política, é religião, culto à personalidade, pragmatismo da cúpula de uma organização que parece não querer aprender mais nada. Calma! Falemos com o povo, acreditemos nele, compreendamos a justa gratidão que imensos contingentes de nossa população têm com Lula. Ele foi um presidente bom para muita gente.
Não aceitemos a armadilha de nos empurrarem para o conservadorismo ou para a violação de nossos valores, muito menos por alguns - ainda que preciosos - segundos de propaganda na TV. Em nenhuma hipótese é o PT o nosso inimigo!
A cúpula do PT terá de se haver perante a história com as consequências de seus atos de agora. Lamentemos, mas nossas baterias devem permanecer apontadas contra a reação nazi-fascista ou o neoliberalismo entreguista da turma TEMER, PSDB, PMDB. Estes são os inimigos da Pátria, estes os traidores da Nação, estes os comandantes da roubalheira de alto coturno que parte deslumbrada da cúpula petista quis imitar para dar no que deu. É contra estes que devemos manter nossa luta, nossas energias e nossos entusiasmo! É a favor de uma corrente encantadora de mudanças, que devolva a esperança perdida por nosso povo, que devemos nos emocionar!
A viagem lisérgica da burocracia do PT tem data para acabar: pretendem enganar a boa gente que adora o Lula, com muitas razões, volto a repetir, de que ele será candidato. Se fosse, muito provavelmente como fiz ao longo dos últimos 16 anos, sem faltar nenhum dia, estaríamos juntos. Aliás, uma pitadinha de ironia do destino: fui convidado a sair do PSB, onde mantenho grande carinho, respeito e camaradagem, porque discordei de meu saudoso amigo Eduardo Campos para ser correto com o PT...
Não deixarão Lula ser candidato! Até as pedras do caminho sabem disso! Pior, a burocracia do PT também sabe muito bem disso. Ou seja, é para bailar à beira do abismo que os burocratas do PT convidam a Nação Brasileira.
Então fiquemos assim. Se for verdade que Lula será candidato, conversemos; se não for, por favor, Brasil: muita calma nessa hora! Nosso país não aguentará outra aposta no escuro.
sábado, 4 de agosto de 2018
BOLSONARO E REDE GLOBO APOIADORES DA DITADURA
Bolsonaro, ridicularizado pelo primarismo de suas declarações, aproveita, no entanto, instado a falar de seu apoio à ditadura militar que é notório, para passar a bola para o entrevistador questionando a postura da Rede Globo neste período.
O que se segue e culmina com a nota da Rede Globo ao final da entrevista acaba sendo, provocado por um candidato da extrema-direita, um momento constrangedor para a emissora.
Bolsonaro decerto sentiu-se à vontade em sua resposta pois não é o candidato da Globo.
E até consegue, mesmo que pontualmente, apresentar-se como um inesperado crítico da rede o que desde Brizola, passando pelos governos FHC e Lula, pelos quais a Globo passou muito bem obrigado, tinha-se evitado.
BOLSONARO E REDE GLOBO APOIADORES DA DITADURA
Bolsonaro, ridicularizado pelo primarismo de suas declarações, aproveita, no entanto, instado a falar de seu apoio à ditadura militar que é notório, para passar a bola para o entrevistador questionando a postura da Rede Globo neste período.
O que se segue e culmina com a nota da Rede Globo ao final da entrevista acaba sendo, provocado por um candidato da extrema-direita, um momento constrangedor para a emissora.
Bolsonaro decerto sentiu-se à vontade em sua resposta pois não é o candidato da Globo.
E até consegue, mesmo que pontualmente, apresentar-se como um inesperado crítico da rede o que depois de oisdesde Brizola, passando pelos governos FHC e Lula, pelos quais a Globo passou muito bem obrigado, tinha-se evitado.
quinta-feira, 2 de agosto de 2018
SOB OS ARCOS DA LAPA APOIO MUSICAL À LULA
Gilberto Gil e Chico Buarque, os ‘’monstros sagrados’ da música brasileira, se apresentaram sábado, no Festival Lula Livre organizado para reivindicar a liberação do ex-presidente preso desde abril por corrupção, e favorito nas intenções de voto para as eleições presidenciais de outubro. Para um público estimado em algumas dezenas de milhares de pessoas, de todas as idades – muitos, com máscaras de papelão com o rosto de Luis Inácio Lula da Silva – permaneceram durante cerca de 14 horas no Centro da cidade do Rio de Janeiro para ouvir quarenta artistas mobilizados para apoiar o líder da esquerda brasileira.
terça-feira, 31 de julho de 2018
RICARDO DARÍ, O ASSEDIADOR DA VEZ
Pasaron casi dos meses desde el día que Valeria Bertuccelli denunció públicamente que Ricardo Darín la había maltratado mientras compartían elenco en la obra Escenas de la vida conyugal. A pesar de que él ha salido a hablar en varias oportunidades, ella se llamó al silencio y no volvió a emitir ningún comentario al respecto. En el día de ayer, mientras ingresaba para grabar una entrevista junto a Iván Noble para su ciclo Proyecto Alma, la actriz fue abordada por la prensa que buscaba sumar su voz al debate.
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| Valeria Bertuccelli |
Consultada por uno de los noteros de Los Ángeles de la Mañana, Valeria anticipó que ya dará más detalles de lo ocurrido. "No quiero hablar a las corridas en la calle, pero no te preocupes que sí voy a hablar", respondió fugazmente antes de subirse a un taxi.
"No estoy exactamente enojado. Estoy dolorido. No termino de entender", dijo el actor en varias oportunidades, asegurando que no sabe que pasó realmente. "Me llamó la atención que usara la palabra 'destrato' y no 'maltrato'. 'Destrato' parece que hubo abandono.
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| Darin, acusado de assédio |
Las declaraciones de Bertuccelli
"Me trató de una manera que no se trata a una compañera de trabajo. La pasé muy mal. Hubo un par de veces que me desmayé en bambalinas. Muchas veces pasan situaciones así, pero yo intenté resolverlo de la mejor manera: hablando con él. Sin embargo, lo que pasó después fue muy tremendo", reveló Bertuccelli, en relación a cómo se manejó su alejamiento de la obra.
Además de su denuncia, la actriz Érica Rivas sumó su propia experiencia personal con el actor, alegando que ella también se sintió maltratada por él. "Para mí fue muy triste. Cuando recibí maltratos de Ricardo tanto laborales como personales y decidí rescindir el contrato para ir a hacer la obra a España, lo primero que me acordé cuando estaba en el medio de toda esa mierda fue de Valeria, y lo que hice fue llamarla para pedirle disculpas por no haberla llamado antes. No me quiero imaginar el dolor que debió haber sentido al sentirse tan sola con respecto a otra mujer que la estaba reemplazando; me duele como feminista y como mujer", confesó la protagonista de Casados con hijos.
Ambas declararon que el actor las destrataba, les pedía disculpas y les volvía hacer lo mismo. Desde ese momento, fueron varios los que salieron a apoyar al actor y otros a criticarlo..
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