quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Artigo de Lula na Folha de São Paulo


No jogo de xadrez em que se transformaram os lances do Ministério Público conduzidos por Moro e a defesa do ex-presidente Lula das acusações que lhe são feitas, Lula parece que se encontra em xeque.
Já tinha apelado para a ONU e, na terça, dia 18, publicou um artigo em sua defesa na Folha de São Paulo que, como alertamos em A METADE SUL, parece ter tido muito pouca repercussão.
A seguir, antes aliás que tardiamente pudesse ter, é anunciada a prisão de Cunha que toma conta do noticiário.
De qualquer modo a leitura da carta de Lula é imprescindível como peça movida por ele dentro do tabuleiro. (P.R.Baptista).

CONFIRA A ÍNTEGRA


segunda-feira, 17 de outubro de 2016

PT vs PSDB - em 2002 o Brasil era vermelho - P.R.BAPTISTA

Na eleição presidencial de 2002, disputavam novamente PT e PSDB. Lula concorria pela terceira vez depois de ter perdido sucessivamente para Collor e FHC por duas vezes.
FHC deixava os oito anos de governo com um prestígio de tal forma deteriorado que foi deixado escondido na campanha presidencial de Serra.
As privatizações das grandes empresas estatais que eram preconizadas pelo receituário neoliberal do FMI semanalmente presente no país com sua equipe de técnicos e especialistas , não tinham impedido que o país mergulhasse num período extremamente desastroso para a economia e para sociedade em geral.
O resultado desse quadro se viu nas urnas.
Lula passou a ter depositada em si a confiança da nação e superando a rejeição que tinha de setores conservadores e de segmentos da classe média, venceu o candidato José Serra do PSDB com uma superioridade espantosa.
Lula totalizou 53 milhões de votos (percentual de 52%) contra 33 milhões de Serra ( percentual de 39%), votação que tornou Lula, até aquele momento, o presidente mais votado do mundo, atrás apenas de Ronald Reagan nas eleições estadunidenses de 1980.
Mais impressionante ainda é o resultado por estados.
Lula venceu em 26 estados incluindo o Distrito Federal enquanto Serra em um único, o estado de Alagoas!
Nem por isto o PSDB acabou.
Continuou concorrendo em 2006, 2010 e 2014 embora sempre perdendo para o candidato do PT.
Em 2010 houve algum movimento para possibilitar a Lula um terceiro mandato o que teria sido uma forma de casuísmo cheirando a golpe, até surgir a indicação de Dilma que venceu lidimamente as duas eleições seguintes.
Finalmente em 2014  é o mais próximo que o PSDB chegou de voltar a eleger seu candidato mas essa possibilidade, com mais uma derrota,  poderia estar sendo postergada para muito adiante.
O golpe tornou-se um atalho para barrar a perspectiva de mais uma eleição, em 2018, em que fosse derrotado.
Mas algo me diz que quando tivermos novamente um presidente eleito e o atual governo golpista se afastar, esse presidente não será nem do PT nem do PSDB pois o PT chega enfraquecido e o PSDB continua sem uma liderança convincente ainda que possa contar, na vice-presidência!, com o apoio nada confiável do PMDB.
O fato é que parece estar na hora de serem feitas novas apostas.




domingo, 16 de outubro de 2016

Marilena Chauí com comentários de Reinaldo Azevedo



Este pensamento de Marilena Chauí é contestado, em grande parte de forma a procurar ridicularizá-lo, por Reinaldo Azevedo, conhecido porta voz da direita brasileira. Interessantes elementos para reflexão.

-O Minhocão pra que serve? Quase nunca fui lá. É tipo um viaduto, né? - BOB FERNANDES


Certas frases, mais ainda as que escapam à vigilância, se tornam tomografias de um Tempo, de seus líderes e seus próximos. Aprovada na Câmara a PEC 241, que limita investimentos públicos por 20 anos, Temer discursava. E deixou escapar: -O Brasil não é só de gente como nós... E, concluiu o presidente da República: -(No Brasil)... existe gente pobre... Esse é um Tempo em que se discute Previdência, aposentadoria. Temer, os ministros Padilha, Geddel, por exemplo, defendem aposentadoria aos 65 anos, no mínimo. Temer se aposentou aos 55 anos. Recebe R$ 30 mil ao mês como procurador inativo e R$ 27 mil líquidos como presidente. Padilha, aposentado como deputado aos 53 anos, ganha R$ 19 mil ao mês. Além do salário de ministro da Casa Civil... Geddel, ministro-secretário de governo, aposentou-se aos 51 e recebe R$ 20 mil. E o salário de ministro. O ditador Figueiredo dizia preferir " o cheiro dos cavalos" ao "cheiro de povo", e um dia deixou escapar: -Se eu ganhasse salário mínimo dava um tiro no coco... Fernando Henrique Cardoso foi compulsoriamente aposentado pela ditadura, aos 37 anos... ...Quando presidente, FHC disse: "Só vagabundo se aposenta antes dos 50 anos". Escândalo. Frases e mais frases de médicos e suas associações quando chegaram os médicos cubanos; esses que já atenderam mais de 60 milhões de pessoas. Sobre a PEC que congela gastos também na Saúde, nem um pio. Já Drauzio Varela, um médico-símbolo, não acredita no anunciado remanejamento de verbas que se daria para Saúde e Educação, e antecipa: -Vamos deixar grandes massas desassistidas. O SUS é uma conquista, não tem sentido reduzir ainda mais investimentos na Saúde... O deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP), em uma conversa gravada defendeu: "Quem não tem dinheiro não faz universidade". Diante do espanto provocado por sua frase concedeu: -...Vai estudar na USP... Na USP, como se sabe, costumam ingressar os que estudam nos melhores colégios, quase todos privados, pagos. À repórter Thais Bilenky, da Folha, João Dória confessou. Só teve noção da "dimensão da desigualdade" ao se tornar candidato a prefeito de São Paulo. Aos 58 anos. Já sua mulher, Bia Dória, perguntou ao repórter Silas Marti, da Folha: -O Minhocão pra que serve? Quase nunca fui lá. É tipo um viaduto, né? É...

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

"NÓS ESTAMOS FAZENDO HISTÓRIA!"

COMO A MÍDIA MANIPULOU A FAVOR DO GOLPE


por Luana Macieira, no Portal UFMG
Após meses de intenso debate nacional e de massivas manifestações, o Senado brasileiro destituiu a presidente Dilma Rousseff, processada por crime de responsabilidade na gestão do orçamento nacional. O caso, ainda que recente, já serve de objeto de estudo para muitos pesquisadores do campo da análise do discurso, que buscaram entender como, em tão pouco tempo, a então presidente perdeu o apoio parlamentar e de boa parte da população.
O Portal UFMG conversou com Teun van Dijk [foto], professor da Universidade Pompeu Fabra, de Barcelona, e analista especializado em mídia e estudos de linguagem do discurso político. Docente visitante do Instituto de Estudos Políticos e Sociais (Iesp), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), ele participou do IV Simpósio Internacional sobre Análise do Discurso (Siad), realizado no campus Pampulha, neste mês. No evento, van Dijk ministrou conferência sobre manipulação política, apresentando os resultados de pesquisa em que analisou estratégias de manipulação do discurso de editoriais do jornal O Globo.

LEIA O TEXTO INTEGRAL >>

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

O JANTAR


Em época de ajuste fiscal para reequilibrar as contas públicas, o presidente Michel Temer (PMDB) ofereceu um jantar para mais de 200 parlamentares no último domingo. O objetivo do peemedebista era garantir apoio e quórum para a votação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do teto de gastos públicos, que foi aprovada com 366 votos favoráveis na noite desta  segunda-feira (10).
De acordo com estimativas de buffets de Brasília consultados por EXAME.com, para organizar o jantar, o governo federal desembolsou pelo menos R$ 50 mil.
Segundo informações do cerimonial, o jantar que aconteceu no Palácio do Planalto reuniu 281 convidados:  217 parlamentares – incluindo Maia e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) -, 33 ministros e assessores especiais e 31 esposas de congressistas. Temer estava acompanhado da primeira-dama, Marcela Temer.
O cardápio contava com salada com molho agridoce, risoto de shitake, filé ao molho madeira, salmão grelhado, legumes ao vapor e pene com tomate seco. Na sobremesa, as opções também eram variadas: frutas, pudim de tapioca e goiabada com queijo.
Para beber, além de água e refrigerante, foram servidos Chadornnay Casa Vadulga e o vinho Norton Cabernet Sauvignon.
Buffets consultados pela reportagem avaliaram que o gasto do governo com o jantar deve ter variado entre R$ 180 e R$ 200 por pessoa. Ou seja, o valor total desembolsado seria entre R$ 50,9 mil e R$ 56,6 mil.
Indagada sobre o valor que teria sido desembolsado para a realização do jantar, a assessoria da presidência afirmou que não possui essa informação.

Fonte: Revista Exame

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Meta golpista: recuar a 1888 (a sociedade da terceirização total) - RICARDO ANTUNES


Ricardo Antunes, Professor e sociólogo da Unicamp.
Trecho do debate "Direitos Trabalhistas - 100 anos de retrocesso?", ocorrido em 10/10/2016, organizado por Le Monde Diplomatique Brasil e Plataforma Política Social.

domingo, 9 de outubro de 2016

Nem terremoto, nem furacão, o Haiti é até hoje punido por sua revolução negra - Haroldo Ceravolo Sereza

Toussaint L’Ouverture
País foi excluído do comércio mundial e teve a base da sua economia destruída por não aceitar a escravidão e a dominação francesa

Em 14 de janeiro de 2010, logo após o terremoto que devastou o Haiti, escrevi uma reportagem-análise para o UOL partindo de uma declaração polêmica de um pastor e chegando às raízes da permanente devastação por que passa o país: o mundo ocidental até hoje pune o Haiti por sua histórica revolução.
Troque terremoto por furacão e tudo o mais segue valendo no texto abaixo.

SEGUE >>>

FURACÃO NA FLORIDA... OU É NO LARANJAL?

Devastador em sua passagem pelo Haiti, com centenas de mortes e destruição extensa, o furacão Matthews chegou aos Estados Unidos, na Florida, com força reduzida.
As mortes foram poucas, em torno de uma dezena, algumas causadas por árvores caídas e, inclusive, por casos em que as vítimas se propuseram a enfrentar a força do furacão.
Algumas cenas podem confundir.
A da foto, por exemplo, deixa a dúvida se não seria no Laranjal quando da última enchente.
Bem que poderia ser.
O carro é que não parece muito comum;;;;

NIETZSCHE, A ESQUERDA E O SOCIALISMO - P.R.Baptista

Nietzsche faz parte de um círculo de escritores em grande parte idolatrado por simpatizantes da esquerda política, muito mais, aparentemente, do que por outras correntes políticas, inclusive de direita.
Digo simpatizantes porque são pessoas que manifestam com frequência posições que se identificam como sendo de esquerda. 
É um fenômeno curioso pois, sabidamente, o pensamento de Nietzsche teria fornecido elementos de  inspiração para a composição do pensamento ideológico do próprio nazismo que se coloca como o paroxismo da extrema-direita.  
Como curioso seria ver adeptos da direita estarem citando com entusiasmo pensamentos de Marx.
a começar pela pouca propensão, dentro da direita, de trabalharem com questões teóricas.
É bem verdade que essa idolatria parece consistir basicamente em mencionar citações esparsas extraídas principalmente de "Assim falava Zaratustra" , de preferencia as carregadas de sentimentos de liberdade, de rompimento com valores burgueses, citações que estão já adrede à disposição na internet para quem quiser reproduzi-las .
Mas se deixa de lado ao agir assim, em se tratando de quem se coloca como alinhado com o pensamento de esquerda, todo um conjunto de aspectos envolvidos.
Um deles, que aproveito para lembrar, além do conteúdo do pensamento de Marx e Nietzsche , é a história de vida de cada um que pode ser uma boa referência especialmente considerando que foram contemporâneos com biografias bem distintas, praticamente opostas em todos os sentidos.   .
E, citação por citação, trago esta de Nietzsche: 
 "O socialismo é o fantasioso irmão mais jovem do quase decrépito despotismo, do qual quer herdar; suas aspirações são, portanto, no sentido mais profundo, reacionárias. Pois ele deseja uma plenitude de poder estatal como só a teve alguma vez o despotismo, e até mesmo supera todo o passado por aspirar ao aniquilamento formal do indivíduo: o qual lhe aparece como um injustificado luxo da natureza e deve ser transformado e melhorado por ele em um órgão da comunidade adequado a seus fins"

sábado, 8 de outubro de 2016

CHARGE


PRÉ-SAL - VOTAÇÃO DOS DEPUTADOS GAÚCHOS

O texto-base do projeto que libera multinacionais para explorar sem a Petrobras, foi aprovado na Câmara de Deputados por um placar de 292 votos a favor, 101 contrários e uma abstenção.
Ainda há emendas a serem analisadas
Importante acompanhar a votação dos deputados gaúchos.
Também merece atenção os votos do PSB, um contrário do deputado Heitor Schuch e outro
favorável do deputado José Stédile o qual tem obtido em Pelotas significativa votação.

DEM
Onyx Lorenzoni RS Sim

PDT
Pompeo de Mattos RS Não

PMDB
Alceu Moreira RS Sim
Darcísio Perondi RS Sim
Jones Martins RS Sim
José Fogaça RS Sim
Mauro Pereira RS Sim

PP
Afonso Hamm RS Sim
Covatti Filho RS Sim
Luis Carlos Heinze RS Sim

PR
Cajar Nardes RS Sim
Giovani Cherini RS Sim

PSB
Heitor Schuch RS Não
Jose Stédile RS Sim

PSD
Danrlei de Deus Hinterholz RS Sim

PT
Bohn Gass RS Não
Henrique Fontana RS Não
Marco Maia RS Não
Marcon RS Não
Paulo Pimenta RS Não
Pepe Vargas RS Não

PTB
Sérgio Moraes RS Sim

REDE
João Derly RS Não

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

CANTANHEDE, COLUNISTA DO DIÁRIO POPULAR, SEGUE ATROPELANDO

Eliane Cantanhede, que criou a expressão "massa cheirosa" e o Diário Popular mantém com uma coluna, presume-se paga, segue com seus atropelos.
Não se sabe se pensa se por choro de má perdedora  a colunista, atualmente na Globonews, arrumou um bom pretexto para justificar a acachapante derrota de Eduardo Paes, no Rio de Janeiro.
Segundo ela, o prefeito não fez seu sucessor, Pedro Paulo, porque não quis.
A derrota, portanto, teria ocorrido de maneira proposital.
A razão, sugeriu, é que a situação financeira e administrativa da Prefeitura do Rio é tão caótica que ele preferiu transferir o problema para outro grupo político a ter que enfrentar o desgaste de uma crise como a que acomete o Estado.
A declaração, infeliz, foi dada durante programa na noite desta terça-feira.
O apresentador ainda tentou contemporizar, lembrando que, caso fosse verdade, Paes sofreria um desgaste inevitável porque a "imprensa" faria esta revelação - como se não conhecesse o lugar onde trabalha.
Eliane Cantanhede, ex-colunista da Folha, tem protagonizado momentos marcantes na TV.
Com uma predileção indisfarçável pelos partidos de direita, ela não perde oportunidade de espetar os partidos de esquerda.
Há dois anos deu declaração considerada preconceituosa.
Foi quando, se escudando em suposta declaração de um líder tucano, fez uma comparação entre trabalhadores que acompanhavam um movimento do PSDB e do PT.
Disse ela que, ao contrário um encontro nacional dos tucanos, embora estivesse repleto de pessoas do povo, reunia uma "massa cheirosa".
Para a colunista, os trabalhadores que representam o partido de esquerda cheiram algo equivalente ao que fala.
Na declaração desta terça-feira (4), Cantanhede conseguiu alguns feitos: ao tentar reduzir o impacto da acachapante derrota do PMDB Fluminense, Temer e de Eduardo Paes - seguramente o maior derrotado nestas eleições - ela tentou tirar o brilho da democracia no segundo turno do Rio.
Tentou. Mas vai aqui uma sugestão: caso o que disse tenha algo de verdadeiro, que tal virar jornalista e transformar a bobagem em apuração jornalística? 

FONTE >>>>http://www.conexaojornalismo.com.br/audiencia_na_tv/apresentadora-da-globonews-diz-que-paes-perdeu-eleicao-no-rio-porque-quis-86-45282 

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

PRECISAMOS FALAR SOBRE LULA - Luis Felipe Miguel

Precisamos falar sobre Lula.
Ninguém se iluda: passado o frenesi dos resultados do primeiro turno das eleições municipais, o cerco contra Lula retoma seu curso. A questão não é "se" ele será preso na Operação Lava Jato, mas "quando". Afinal, sua culpa foi determinada desde sempre. É uma operação que não nasce para investigar se há culpa, mas para encontrar algo que justifique uma culpa definida de antemão. Imagino que, nesse momento, Sérgio Moro e o alto comando de sua Wehrmacht curitibana estejam discutindo se a vitória da direita no pleito de domingo significa que Lula já pode ser preso sem risco de comoção popular ou se esse tipo de interpretação é só o discurso oficial a ser veiculado na mídia.
O antilulismo da direita tem razões claras. Lula é o mau exemplo, Lula é o operário que não soube seu lugar. Lula liderou o movimento que fez a classe trabalhadora ganhar protagonismo na política brasileira, a partir do final da ditadura militar. E Lula conduziu um governo que, com todos os seus problemas, contribuiu para reduzir a vulnerabilidade de milhões de brasileiros e para desafiar hierarquias centenárias. Embora sempre se lembre que a burguesia lucrou muito nos governos petistas, o antilulismo das elites brasileiras é perfeitamente razoável: para elas, manter a vulnerabilidade extrema da maioria da população e proteger as hierarquias sociais faz muito sentido.
Mais difícil é entender o antilulismo de parte da esquerda. Sim, Lula optou por um pragmatismo político exacerbado e apostou na conciliação de classes. Os governos petistas foram covardes no enfrentamento de muitos privilégios e, quando atacados, só conseguiam reagir fazendo mais concessões. Lula se tornou bem mais amigo de empreiteiros e outros capitalistas do que seria razoável. Há muito o que criticar em sua trajetória.
Mas a esquerda antilulista age não como quem analisa erros políticos e desvios de caminho, mas como quem sofreu uma desilusão amorosa. O maior pecado de Lula é não ter sido aquilo que projetavam nele. E é essa vingança, que se traveste de radicalidade política mas nasce do coração partido, que faz com que o cerco a Lula, a destruição de seu legado e de sua imagem, sejam vistos por alguns com alegria aberta ou disfarçada.
É um sério equívoco, eu creio. Com todos seus erros, Lula é uma liderança popular invulgar - e o que se quer destruir é essa liderança, não os erros. Lula buscou um caminho, que foi conciliatório, tortuoso e limitado, mas era um caminho para retirar da miséria e ampliar os horizontes dos brasileiros mais desprivilegiados. Pouco, talvez, para quem sonha com o fim da exploração e da alienação. Mas o caboclo do interior do Brasil que não tinha energia elétrica e viu chegar o Luz para Todos, aquele outro que botou comida na mesa com o Bolsa Família, o trabalhador na base da pirâmide que ganhou com o aumento real do salário mínimo, o menino pobre que chegou na universidade, será que trocariam esses ganhos, ainda que insuficientes, por um punhado de teses sem ressonância no mundo social, brandidas de intelectuais da extrema-esquerda?
Vamos criticar a experiência petista? Vamos. Ela acomodou, ela cedeu, ela não foi tão firme quanto devia na defesa da classe trabalhadora, dos direitos das mulheres, da cidadania de gays, lésbicas e travestis. Compactuou com a corrupção, contribuiu para a sobrevida de elites políticas carcomidas, em vários momentos deixou de avançar quando podia, por culpa de sua incontrolável pulsão pela conciliação. Acreditou na sua própria fantasia de transcendência do conflito social. Terminou por enfraquecer as forças populares, ao promover sua desmobilização como forma de mostrar aos grupos dominantes que permaneceria dentro dos estreitos limites pactuados. Mas vamos também reconhecer os ganhos que foram alcançados e, sobretudo, a tentativa real de dar uns passos para a frente, poucos que fossem, mas para a frente - nas condições adversas de um país atrasado como o Brasil.
E vamos reconhecer em Lula o que ele é: com seus limites, com suas contradições, com seus vacilos, com o diabo a quatro, ele é a maior liderança popular da história deste país. Alguém que, por mais críticas e discordâncias que possamos ter, está do lado de cá, não do lado de lá. Não se trata de endeusar Lula, nem torná-lo imune a críticas, mas de compreender quem ele é e o que ele simboliza. Por isso, defender Lula contra a perseguição criminosa que ele sofre, protestar contra a arbitrariedade de que ele é alvo, contribuir para, sim, incendiar o país quando ele for preso - esses são compromissos de qualquer pessoa que se queira de esquerda, progressista ou democrata no Brasil. 

REFERENCIAS

DIÁRIO POPULAR, CANTANHÊDE E O GOLPE - P.R.Baptista

O Julgamento de Galileu
Conheço um círculo de pessoas, bem informadas, esclarecidas politicamente que, frequentemente, comentam e, ao que parece, gostam de comentar, que não leem o Diário Popular nem assistem a Rede Globo.
Eu ainda conservo o hábito de abrir o DP, que me chega mais ou menos no horário em que estou desperto e que pego assim que o entregador o deixa sob a porta.
Algumas vezes, inclusive, pego quase diretamente das mãos dele pois, quando está passando por um lado da porta eu estou quase pegando do outro.    
Tenho argumentado com as pessoas desse círculo que o DP é uma empresa privada, com acionistas, diretores, etc., e que possui, como todo bom jornal deve possuir, uma linha editorial.
Esta linha, ninguém desconhece, pela própria história do jornal, é conservadora, politicamente alinhada com um pensamento de centro-direita.
Esparsamente abre espaço para opiniões que se afastem desse eixo procurando, talvez, mostrar-se mais democrática.
Tenho argumentado, também, que os que discordam da linha do jornal já poderiam, há muito tempo, terem se proposto a criar um outro, talvez semanal, para dar vazão às suas idéias.
Atualmente produzir um jornal tornou-se uma atividade bem mais simples do que há tempos atrás.
Além disso resta a internet que, rapidamente, vai ganhando a preferência de muitas pessoas.
Resumindo diria que, se há algo a ser superado, não é o DP que, aliás, diga-se de passagem, emprega muitos profissionais de jornalismo e fotografia, mas , talvez isso sim, a falta de outros jornais com linhas editorias diferentes.
Por outro lado, no entanto, é óbvio que o DP carrega nas tintas em algumas coisas.
Uma delas foi a capa com a cabeça do ex-presidente Lula, como se decapitado.
Um episódio negro da história do jornal.
Mas, nesse momento, diria que nada se compara ao espaço reservado para Eliane Cantanhede.
Em seu artigo de hoje (5 de outubro, p.5) dedica-se a demonstrar, como uma pregadora fundamentalista, que não houve golpe já que, a seu ver, as eleições recentes teriam como diz, "enterrado" essa interpretação.
Talvez a colunista pudesse considerar a hipótese, em meio às suas elucubrações para sustentar que o Sol gira em torno da Terra como queriam os juízes de Galileu, que o resultado das eleições justamente reforça a existência do golpe pela carga midiática, com a Rede Globo liderando, imposta aos eleitores.
Por um momento lembrou-me aqueles que defendem não ter havido tortura no Brasil.
Só posso, nesse momento, recomendar a leitura do tal artigo por mais que , a meu ver, ele pouco colabore para o entendimento do momento político brasileiro, mas serve como um exercício de paciência e de se ter noção do que é mau jornalismo e, sobretudo, como uma aula da forma como a mídia reacionária  bombardeia a mente do brasileiro.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

CRÔNICA - Tiago Ribas

Hoje, lendo o escrito de um aluno, em que ele dizia da adrenalina que é estudar violino com o vizinho do ap de baixo dando socos no teto, lembrei das tantas janelas batidas com rancor quando eu começava meu estudo diário. Eu mal começava a afinar o violino e as janelas dos prédios vizinhos começavam a bater - e eram fechadas com tamanha violência que eu me intimidava a ponto de não conseguir relaxar e tocar com todo o som que eu poderia. Um dia, quando eu estava estudando corda solta, uma vizinha de baixo abriu a janela e gritou com toda a fúria: "que inferno essa flauta que não para nunca!!!" – o que me deixou momentaneamente inseguro quanto ao resultado do meu estudo. No entanto, nunca vi uma furadeira causar tanto incômodo, mesmo furando uma manhã toda. Por quê? Porque o cara da furadeira está trabalhando. Ah, bom. O mesmo aluno, ao passar com o estojo do violino na frente de uma fila de estudantes que esperavam o ônibus, ouviu este lisonjeiro comentário: “isso aí é a pior coisa que alguém pode fazer: ser músico”. Provavelmente essa pessoa foi depois no ônibus ouvindo música. O cara não gosta de músico, mas gosta de música. Afinal, alguém tem que fazer o trabalho sujo. Uma vez, de férias da faculdade, na minha cidade (eu estava no segundo ou terceiro semestre do curso de música na UFRGS), fui fazer exame médico pra piscina. Me atendeu uma médica tremendamente antipática e mal humorada. Mas quando ela viu minha pasta da UFRGS, subitamente ficou simpática, e perguntou, empolgada: “Você faz UFRGS?” “Sim, faço”, eu respondi também subitamente empolgado por tanto reconhecimento. “Que curso?” Quando eu respondi “música”, ela fez um sonoro “pfffffffff”. Por sinal, essa semana, uma médica, aqui em Pelotas, teve a capacidade de “convidar” a mim e meus alunos da orquestra para tocarmos – honrosamente e de graça! – na abertura do seu leilão de bovinos e eqüinos. O surpreendente é que ela parece não ter entendido o porquê de eu ter recusado e de ter dito que uma coisa dessas é um desrespeito à profissão do músico. Ela parece não ter entendido, porque, além de ter constrangedoramente continuado insistindo, acrescentou que a raça dos bois era Angus, uma das mais caras no mercado. (!) Casualmente, na mesma semana, aventou-se a possibilidade de excluir as artes do currículo do ensino médio... E, aproveitando o ensejo desse contexto tão favorável, um jornalista do jornal de maior circulação no estado aproveitou para escrever sua “opiniãozinha” de que arte na escola não serve pra nada, argumentando, cheio de razão: “afinal, não vi nenhum colega meu se revelar um Michelângelo”. Seu texto trazia o título: “arte pra quê?”. Logo abaixo, outro texto seu, abordando a questão das multas e educação no trânsito, com o título: “azuizinhos pra quê?” O interessante, fascinante até, é como essas pessoas desdenham daquilo sem o qual elas não vivem. A pessoa, por exemplo, acha o músico um coitado, mas deus a livre se no casamento dela não tiver um violinista – porque violinista no casamento é “chique”! Não é fascinante? O músico, que em si é praticamente um leproso quando está passando com seu instrumento rumo à faculdade de música (pffffff), se transforma num objeto de status quando “abrilhanta” (e as pessoas adoram esse termo) um evento. Mas isso não quer dizer que ele é respeitado nesse evento. Pelo contrário, quando um violinista toca do lado de uma porta de clube, enquanto os convidados passam por ele, ele é quase como a raça Angus. Afinal, como se respeita um músico? Prestando atenção à música. Porque o músico ama a MÚSICA mais que a si mesmo e, por isso, se sente desrespeitado na medida em que as pessoas desrespeitam a música. No entanto, até Joshua Bell foi ignorado quando, num experimento, tocou num metrô em Washington. Durante os 43 minutos em que tocou com seu Stradivarius 1713, ele arrecadou 32 dólares e apenas sete pessoas pararam para ouvi-lo (sem saber quem ele era, naturalmente). Pra encerrar com mais leveza, isso me lembrou uma história que Paganini adorava contar. Ele andava (incógnito) em Roma, quando viu uma menina tocando, sofrivelmente, violino na rua. Ele pediu para tocar e a menina deixou. Então começou a juntar gente, pois até que ele tocava bem. Quando ele parou, uma senhora disse: “Até que você toca bem”, ao que ele agradeceu. E ela acrescentou: “Claro, não chega a ser um Paganini”.

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

FOTOGRAFIA - A Última Foto do Titanic

This photograph is the last known picture of RMS Titanic on the surface of the ocean.
It was taken during her maiden voyage at Crosshaven, Ireland, just after the vessel departed Queenstown where it had stopped before heading westwards towards New York.
Photo taken on April 12th, 1912.
Three days after this photo was taken 1,514 people would be dead and the Titanic would be on the bottom of the North Atlantic after colliding with an iceberg in one of the deadliest peacetime maritime disasters in history.

BRASIL DAS FRALDAS - Fernandes da Costa

O Brasil das fraldas Johnson cresceu lendo Zé Carioca e se recicla estudando Caras Viegas
Fernandes da Costa

O brasileiro tem complexo de Geni, aquela que é boa de se bater, boa de se cuspir. Reconhecimento no exterior, só se for montado em chuteiras ou sob a sombra de bananas. Chuteiras e bananas a gente aplaude, ovaciona, apulpa. Mas prestígio político, prestígio intelectual? Não pode, não dá!
Ainda que na Alemanha estudem Machado de Assis como uma referência da literatura internacional, para a maior parte dos brasileiros Machado não passa de um autor chato e criador de um tal de Bentinho, cujo maior interesse da academia é saber se foi ou não foi benzido pelos cornos.
Já Paulo Freire, coitado, sob a sombra da mangueira e nas páginas amarelas da revista cega é desancado a torto e a direito! Esquerdóide embusteiro que se meteu em África para ensinar a pobralhada, assim o pintam os analfabetos funcionais de plantão. Afinal, poderia um brasileiro de origem pobre e nordestino inventar um método de ensino capaz de alfabetizar pessoas pelo mundo inteiro e pelo mundo repartido também? Por certo que não! Educador bom chega balançando no bico da águia e cai do céu. Do chão tupiniquim só brota saúva e aipim (esta raiz típica da culinária germânica e açoriana, mesmo que por aquelas quebradas frias e ilhas atlânticas não brotasse aipim). Do chão tupiniquim só brota toco, jamais educador de renome. É assim que pensam aqueles que formam opinião a partir de Viena e Manhatan e se acham globais. Se aceitam Dumont como o pai da aviação, é porque este era chique, brasileiro com cidadania francesa, cão com pedigree, parido no barro que abrigava a semente de café tipo exportação.
Carregamos a sina de Pelé, se negros e pobres; de Carmen, se mulheres, como espelho fosco amarrado nas nossas fuças. Somos Zé Carioca, este uma homenagem do velho Walt. Preguiçoso, devedor, mentiroso, trapaceiro! Puta homenagem! Ziriguidum, dum, dum!
Não é diferente com o Inácio. Inácio não dá! Filho de bêbado, migrante boia-fria, arrastava os pés no chão de fábrica, mão mutilada, sem anel de bacharel no dedo. Inácio, o pária, o fodido, o arruaceiro, o egresso de curso técnico, o vagabundo do sindicato! Pobre fodido só pode ficar rico e famoso se for jogando futebol ou cantando sertanejo. História de cantor sertanejo, a gente sabe, é digna de cinema. Mas de político?
O Brasil das fraldas Johnson nunca aceitou Inácio na presidência. O Brasil das fraldas Johnson cresceu lendo Zé Carioca e se recicla estudando Caras. Como aceitar na Caras desta galera que vive em ilhas um nordestino boia-fria que ao invés de sobrenome, orgulha-se do apelido? Lula, porra! Não importa que tenha recebido Doutorado Honoris Causa no Brasil e fora do Brasil, Lula é visto sob as lentes de quem se alfabetizou lendo Zé Carioca. É uma questão de fé, bananas e chuteiras. Sem dedo para o anel, nordestino, macaxeira, caixinha de fósforo. Lula é ladrão, bêbado (afinal, filho de peixe, peixinho é), vagabundo, mentiroso e trapaceiro. Tão trapaceiro que o fato de não ser dono de algo prova que ele é dono deste algo, segundo rebuscada e rocambolesca tese jurídico-carnavalesca criada na sereníssima República de Curitiba. Lula tem cara de brasileiro, tem pinta de estereótipo. Se ao menos assumisse o Inácio, dava para engolir. Mas apelido a gente derruba até com pedalinho. É isso!
Os brasileiros somos mesmo uns miseráveis, bons de se bater, bons de se cuspir.

Postagem original do blog ALPHARRABIO

domingo, 25 de setembro de 2016

Carta de Eugênio Aragão a Rodrigo Janot sobre Ministério Público, Mensalão e Lava Jato

TRECHOS DA CARTA
Investigados e réus não são troféus a serem expostos e não são “meliantes” a serem conduzidos pelas ruas da vila “de baraço e pregão” (apud Livro V das Ordenações Filipinas). São cidadãos, com defeitos e qualidades, que erraram ao ultrapassar os limites do permissivo legal. E nem por isso deixo de respeitá-los.
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Na crítica à Lava Jato, entretanto, tenho sido franco e assumido, com risco pessoal de rejeição interna e externa, posições públicas claras contra métodos de extração de informação utilizados, contra vazamentos ilegais de informações e gravações, principalmente em momentos extremamente sensíveis para a sobrevida do governo do qual eu fazia parte, contra o abuso da coerção processual pelo juiz Sérgio Moro, contra o uso da mídia para exposição de pessoas e contra o populismo da campanha pelas 10 medidas, muitas à margem da constituição, propostas por um grupo de procuradores midiáticos que as transformaram, sem qualquer necessidade de forma, em “iniciativa popular”.
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Procuro viver com honra e, por isto, honestamente, educando seis filhos a comer em pratos Duralex, usando talheres Tramontina e bebendo em copo de requeijão, para serem brasileiros honrados, dando valor à vida simples.
Diferentemente do Senhor, não fiquei calado diante das diatribes políticas do Senhor Eduardo Cunha e de seus ex-asseclas, que assaltaram a democracia, expropriando o voto de 54 milhões de brasileiros, pisoteando-os com seus sapatinhos de couro alemão importado. Não fui eu que assisti uma Presidenta inocente ser enxovalhada publicamente como criminosa, não porque cometeu qualquer crime, mas pelo que representa de avanço social e, também, por ser mulher.

>>> LEIA NA ÍNTEGRA

sábado, 24 de setembro de 2016

Entrevista com o sociólogo Aldo Fornazieri que analisa os procedimentos de Moro



O Juiz Sérgio Moro julga e conduz o processo penal de acordo com suas convicções ideológicas e não por mero estrito cumprimento penal e processual penal. Diversas nuances durante este processo foram suscitadas e levantadas no que tange as nulidades processuais. Ora, se o princípio da justiça e da magistratura é se afastar ao máximo da parcialidade, e sendo que este processo está sendo acompanhado por toda classe jurídica, e 95% desta classe jurídica ( doutrinadores, magistrados, advogados, defensores públicos e promotores) repudia a condução deste juiz no referido processo. O que esperar para que o próprio juiz reconheça a suspeição para julgar com isonomia e imparcialidade??? Ou o CNJ e o STF façam alguma coisa, ou essa classe jurídica irá se rebelar!!!
Thiago Delgado

domingo, 18 de setembro de 2016

DENÚNCIA DO MPF CONTRA LULA,Marisa Letícia e outras seis pessoas ( Documento na íntegra)

DENÚNCIA DO MPF CONTRA LULA,Marisa Letícia e outras seis pessoas ( Documento na íntegra)
TEXTO
http://s.conjur.com.br/dl/denuncia-lula-apartamento.pdf 

VIDEO
https://www.youtube.com/watch?v=z9epHji4syE

BRICS : A Luta é questão de vida ou morte


Pode ser apenas um ponto de vista, talvez até seja, mas pode explicar muita coisa... até o golpe...

QUESTÕES AOS CANDIDATOS À PREFEITURA DE PELOTAS

Em Pelotas há quatro candidatos com potencial de voto capaz de influir e decidir as eleições municipais desse ano.
Muitas são as questões formuladas pelas quais se procura , dentro de um processo eleitoral limitado como o atualmente adotado, obter respostas, o eleitor em especial.
A METADE SUL contribui com as seguintes.

JURANDIR SILVA
O PSOL tem procurado manter, de modo geral, a linha política de não fazer coligações. Dizemos de modo geral porque já existem várias situações nas quais essa conduta não foi adotada. No Rio Grande do Sul, por exemplo, já fez coligação com o PV quando esse já estava identificado com uma postura bastante reacionária. Mas, em Pelotas, talvez se possa dizer que tem sido a conduta adotada. Se não passar para o segundo turno o PSOL poderia tirar de suas bases uma definição de apoiar alguma outra candidatura? Ou, se passar, buscará apoio de outros partidos?


PAULA MASCARENHAS
Do ponto de vista ideológico é uma candidatura que não demonstra clareza. A candidata ingressa na política pelas mãos de Bernardo de Souza dentro do PSB, posteriormente segue-o para o PPS. É nessa sigla que compõe no governo Leite (PSDB) ocupando a vice-prefeitura. Ao final do governo busca aproximação com o PMDB e, a seguir , com o PSB. Em ambos os casos se depara com divergências internas dos partidos e recua. Finalmente, quando Leite decide não concorrer, filia-se ao PSDB. Publicamente, inclusive em entrevista, já se declarou socialista adepta do pensamento de Norberto Bobbio. Será que entende que socialismo identifica-se com o pensamento de esquerda ou discorda? Ou se considera de esquerda? Filia-se, contudo, ao PSDB que nada representa de socialismo, pelo contrário.  Não se pode ver, portanto, com clareza exatamente onde se situa ideologicamente. Isto talvez pudesse se fazer mais claro se, em algum momento, manifestasse sua opinião a respeito, o que não consta que tenha feito, do momento político brasileiro e externasse, por exemplo, qual o entendimento que tem do impedimento da presidenta. Entende que foi um golpe ou um procedimento, como defende o PSDB até por ter sido influente nesse processo, que correu dentro da normalidade institucional?


MIRIAM MARRONI
É acusada pelo prefeito Leite de ser meramente  sucessora de um tipo de dinastia "dos Marroni" considerando que seu marido, Fernando Marroni, já foi candidato e prefeito de Pelotas. Como se defende dessa acusação? Como justifica, também, candidatar-se considerando que vencendo a eleição teria que deixar o cargo que atualmente ocupa de deputada estadual e a cidade e a região tem uma representação reduzidíssima na Assembléia.



ANSELMO DUARTE
Qual a versão que apresenta para a cessão, em seu governo, por comodato ao SESI, por 99 anos, da área de 16 hectares do Parque do Trabalho. Como contrapartida, a Prefeitura teria garantido o direito de usar o espaço para a realização de programas sociais, educacionais, culturais, da área da saúde e eventos de interesse da comunidade. Esta área é privilegiada e, inclusive, foi cedida já com instalações entre as quais arquibancada junto a um campo de futebol. Pelotas vive, há anos, o dilema de não dispor de um local adequado para a realização de eventos como o Carnaval. Se a Prefeitura não tivesse cedido esta área, por 99 anos conforme o contrato, não poderia atender inclusive a esta finalidade assim como muitas outras ?

sábado, 17 de setembro de 2016

ENCONTRO CARTOLA E LECI BRANDÃO



Gravado em 1974, o programa traz Cartola e Leci Brandão cantando e contando fatos de suas vidas. Cartola conta do começo da carreira, da parceria com Dona Zica e da Mangueira. Canta "Alvorada no Morro", "Ao Amanhecer", "Disfarça e Chora" e "Acontece", entre outras.
Leci Brandão fala do preconceito que enfrentou por ser mulher e conta outras histórias.
Ela canta várias músicas. Entre elas "Pensando em Donga"

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

O INSÓLITO ÔNIBUS DE SOM DA CHAPA 45



Temos insistido em criticar a propaganda eleitoral sonora ainda hoje vista por muitos candidatos como eficiente para chamar a atenção.
Não se deram conta ainda, esses candidatos, que ela frequentemente, em vez de lhes ser favorável . causa, isto sim, irritação.
Até agora, no entanto, estava acostumado a ver automóveis, camionetas ou até bicicletas a fazer essa propaganda.
Surpreendeu-me, portanto, encontrar num dia de semana, na praia vazia do Laranjal, durante uma tarde extremamente ventosa, um ônibus a transitar lentamente fazendo propaganda da candidata Paula.
Primeiro pelo fato de ser um ônibus, um ônibus vazio.
E, depois, por não ter audiência, a não ser a dos cães sem dono que eternamente vagam pela praia.
Mas deve haver uma explicação ainda que, por enquanto, ela me fuja ao entendimento.
Até agora a impressão que me ficou é tratar-se de um ônibus fantasma.




segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Novidades do Nei A. Pies

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O menino e o sapinho

O menino e o sapinho

Categorias: Poema, Rosangela Trajano
Era uma vez um menino Amigo de um sapinho Que ninguém entendia O seu meigo jeitinho. Como ser amigo De um bichinho Que nada diz Nem faz carinho. Mas o menino sabia Que aquele sapinho Era o seu bom amigo O mais queridinho. Pois numa certa noite O sapinho desapareceu O menino procurou Nem adormeceu. Viu o dia raiar Nada …
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A utilidade da internet para os sábios

A utilidade da internet para os sábios

Categorias: Internet, Israel Kujawa, Meios de Comunicação, Utilidade
Por meio da internet podemos informar que a humanização da sociedade se dará com políticas de distribuição justa e sustentável dos bens naturais, materiais e culturais, produzidos por nossa civilização. Podemos entender que a crise política vivida no Brasil tem relações com o período de 1964-1985. Existem muitas coisas que poderiam ser feitas, mas deixam de ser realizadas por que …
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FAÇAMOS OS NOSSO MILAGRES - Ricardo Almeida

“Os únicos derrotados são os que deixam de lutar”.
José Pepe Mujica

Durante este período de crise econômica, moral e política que estamos atravessando no Brasil e no mundo é comum a gente analisar e interpretar o “discurso” que está sendo dito e publicado pelos jornais e também pelos parentes, amigos e amigas. Confesso que somente o da Rede Globo – pelo seu alcance territorial – está me tirando do sério. O meu desafio tem sido o de encarar essa adversidade com paciência, por mais confusa e dura que ela seja, pois entendo que existem vários elementos de análise e que nenhum deles pode ser considerado como definitivo. Também entendo que esse processo e as adversidades que estamos vivendo ensinam mais do que os velhos discursos eloquentes que estávamos acostumados a ouvir. O que vai sair daí? Nem Deus sabe.
Por maiores que tenham sido os nossos acertos, os nossos erros estão nos ensinando muito mais. Apesar disso, algumas pessoas seguem adotando explicações baseadas apenas no direito, na psicanálise e na psicologia, e querem nos enquadrar nas “normas jurídicas” e nas “doenças mentais”. Outras ainda adotam aquele viés economicista e, junto com os grandes meios de comunicação, fazem suas previsões catastróficas e bombásticas. Mas também existem aquelas idealistas que querem que o mundo pare, e não fazem nada para colaborar na busca de uma saída digna e coletiva. O problema delas, em sua imensa maioria, é que muitas preferem prever o futuro para depois morrer com a razão. Nenhuma delas reconhece a velha luta de classes e algumas, mesmo críticas do sistema, preferem acompanha-la à distância, na teoria e não na vida real.
São poucas as pessoas que adotam uma visão prática-humana-histórica e sensível da realidade. Talvez seja porque para adquirir uma compreensão sensível da nossa história e dos interesses que estão em jogo, seria necessário se valer de questões complexas, culturais, objetivas e subjetivas… E isso, além de paciência, exigiria muitas reflexões individuais e coletivas. Seria necessário responder algumas questões, como: quais foram as circunstâncias, os fenômenos e as “políticas” que nos trouxeram a viver até este momento atual? O que as pessoas que hoje criticam pensavam e debatiam até cinco anos atrás? O que essas pessoas fizeram até aqui para mudar as “coisas” e essas circunstâncias que elas tanto criticam? Qual é o canal de televisão e/ou emissora de rádio que essas pessoas costumam se informar? Entendo que somente ao refletir sobre estas questões será possível diferenciar uma opinião idealista de outra realista e comprometida com as mudanças. O resto é ficar discutindo sobre a razão, pela razão.
A razão não é tudo, já disse alguém. Mas além dela existem os simbolismos e as espiritualidades que se confrontam com o pensamento maniqueísta e preconceituoso dos colonizadores europeus, disse outra pessoa. Isso pode e deve ser utilizado como arma poderosa, capazes de enfrentar e desconstruir as narrativas idealistas e excludentes, disse uma terceira. Somente se essas reflexões forem consideradas parciais e as nossas decisões forem tomadas de forma coletiva, com serenidade, sabedoria e determinação, diremos nós.
Por quê? Porque ao debater sobre essas questões coletivamente não existirão mais surpresas se identificarmos as contradições entre a prática e o discurso, ao diferenciarmos as pessoas que se sentem representadas pela violência das polícias nas ruas e as que lutam por melhores dias. Saberemos, por exemplo, que muitas delas possuem interesses em manter a corrupção e a exploração, por que isso lhes trás alguma vantagem individual e egoísta. Mas outras são frutos de décadas e até de séculos da exploração que existe no nosso país, e foram embrutecidas pela tv, com suas lutas de UFC, filmes de Stallones e questões afins. Portanto, estas não são as mantenedoras da exploração e da desigualdade. Enquanto umas querem a volta de um passado sombrio ou deixar tudo com está, as outras apenas estão repetindo o que aprenderam por meio dos programas de televisão e de outros meios de comunicação.
É preciso assumir que o desafio é mais nosso do que delas, pois somos nós que queremos construir uma sociedade democrática, ética e humana, no sentido mais amplo dessas palavras. A maioria delas ainda não! E que, para isso acontecer, a nossa mínima ação, junto com uma boa comunicação, precisa funcionar. A boa novidade é que embora os recentes golpes tenham sido violentos contra os nossos direitos e a nossa dignidade, a reação nas ruas e nas redes sociais já está superando aquela primeira fase de disputas verbais, lamentações e perplexidades.
A primeira inovação foi a de reunir diferentes fóruns para refletir sobre os direitos ameaçados, como: a volta do arrocho salarial e o aumento de idade para as aposentadorias, o corte drástico de investimentos nas áreas da educação e da saúde, o fim das políticas de moradias populares e de mobilidade urbana, o reinício da guerra pela ocupação e uso do solo, às mudanças na legislação de demarcação das terras indígenas, a volta da violência do Estado sobre os cidadãos, a volta da desnutrição infantil e da pobreza extrema, o aparelhamento das TVs públicas e o desmantelamento das políticas culturais etc.. No entanto, hoje já podemos dizer que o nosso Propósito maior (#EmDefesaDosDireitosEDasNossasRiquezas) e os nossos Princípios (valores democráticos e universais) estão muito claros para a maioria da população e que estamos realizando um combate sem trégua aos diferentes tipos de discriminação política, religiosa, de gênero, étnica, cultural etc.
Nesse processo reconhecemos que houve um imenso massacre midiático, que a maioria dos atuais deputados e senadores não está do nosso lado, que o Poder Judiciário é seletivo e que também as polícias estaduais já estão mostrando as suas caras. Mas também nos ensinou que esse golpe nos pegou dispersos e pouco organizados, que essas duras contradições da vida fizeram com que milhares de pessoas começassem a dialogar com mais objetividade, criando e inovando suas próprias redes sociais (não só virtuais) e não se restringindo às disputas partidárias.
Esse reconhecimento e as atitudes de reunir representam, por si só, grandes avanços! Mas ainda temos um grande desafio pela frente: alinhar o máximo possível essas pautas diversificadas por meio de um processo democrático e cooperativo de organizações livres e plurais. Será que seremos capazes de construir e pactuar uma agenda comum e reconquistar a confiança de outras organizações existentes, além de incorporar a cidadania como protagonista dessas mudanças e conquistas?
É sempre bom lembrar que em tempos de mares agitados acontecem fatos que parecem milagres. Principalmente, se na outra margem do oceano que nos separa estão pessoas que não tem moral e nem apoio popular para levar em frente as suas tramóias. Portanto, façamos os nossos milagres! Não podemos ficar em silêncio, paralisados, apenas aguardando uma intervenção divina. Há momentos para refletir, mas este é um daqueles momentos em que precisamos raciocinar e também agir.

SOBRE A FINALIDADE E A LEGITIMIDADE DA ATUAÇÃO DO CONPLAD/PELOTAS - Paulo Afonso Rheingantz


por Paulo Afonso Rheingantz 

Instituído pela Lei 5001/2003 o CONPLAD deveria ser o órgão colegiado fiscalizador e normativo e a principal instância de consulta do Poder Público para a gestão da política urbanística do Município. Suas atribuições englobam o controle e proteção da qualidade do espaço municipal, deliberar sobre a aplicação de diretrizes da política urbanística executada pelo Poder Público Municipal, assegurar a proteção, preservação e melhorias da qualidade de vida no Município, opinar sobre a realização de Estudo de Impacto de Vizinhança para obras e atividades, incentivar atividades que proporcionem a sustentabilidade do uso e ocupação do espaço municipal e, sempre que necessário, organizar plenárias e audiências públicas para a discussão de projetos e diretrizes do poder público.
Por natureza, órgãos colegiados por representação deveriam operar em um processo recursivo e recorrente de reflexão, discussão e proposição de políticas e ações relacionadas com a qualidade de vida e com a gestão da política urbanística do Município.
Por princípio, os membros representantes deveriam apresentar e discutir com seus pares as proposições e decisões de seus representados cuidando para não sobrepor ou privilegiar os interesses setoriais aos que são públicos. Por sua composição é natural e compreensível que suas reuniões, que são públicas, sejam permeadas por discussões e até mesmo embates em torno dos interesses setoriais.
Por dever de ofício, deliberações que impactam a sustentabilidade do uso e a ocupação do espaço municipal, deveriam ser precedidas de plenárias e audiências públicas organizadas para sua mais ampla discussão. Toda comunidade pelotense deveria ser informada sobre os impactos ambientais e na vida urbana que serão produzidos a partir das mudanças propostas.
Mas esta não tem sido a prática corrente no processo de revisão do texto da lei 5502/2008 – III Plano Diretor de Pelotas (III PDP), com vistas a corrigir erros de digitação e a eliminar ambiguidades que dificultam sua operacionalização por parte das instâncias técnicas do Poder Municipal.
Diferentemente do que fora acordado – as entidades representadas deveriam analisar e discutir documento-base reparado pela Secretaria Municipal de Gestão da Cidade e Mobilidade de modo a instruir seus representantes no CONPLAD nos encaminhamentos e votações – estão sendo aprovadas alterações oportunistas e desprovidas dos necessários estudos de impactos de vizinhança. A ponto das duas universidades representadas, a UFPel e a UCPel retirarem suas representações, entendendo que o CONPLAD estaria descumprindo acordo previamente estabelecido, aprovando alterações sem discutir, em audiências públicas, os reflexos na paisagem e na qualidade de vida de toda a comunidade pelotense; alterações que não estavam contempladas no documento-base de discussão e que não se "limitam às adequações à Norma de Desempenho NBR 15.575" como afirma a matéria "Conplad: Sinduscon defende legitimidade do Conselho" publicada neste jornal na edição de 7 de setembro de 2016. Diferentemente do que sugere o item 3 da mesma matéria – "as alterações do Plano Diretor votadas até o momento não aumentam, sob nenhum aspecto, o Potencial Construtivo da cidade" – até mesmo os paralelepípedos das ruas e os ladrilhos hidráulicos das calçadas de Pelotas sabem que a proposta aprovada, ao duplicar a altura dos edifícios da Avenida Domingos de Almeida, impacta diretamente a sustentabilidade, a qualidade da paisagem, a mobilidade urbana e as redes de infraestrutura.
O que está em jogo são interesses setoriais que se sobrepõe aos públicos, em flagrante desvirtuamento das funções técnicas e, principalmente, éticas, de um Conselho que, acima de tudo, deveria aconselhar o Poder Público e zelar pela qualidade de vida do Município.
Curiosamente a naturalização dos discursos desenvolvimentista e empreendedorista não considera nem relaciona questões importantes como a drástica redução do crescimento populacional, ou a generosa – e, para alguns, irresponsável – extensão dos limites da área urbana de Pelotas com o excedente de oferta de lotes urbanos e de habitações para as classes média e alta – estudos do Núcleo de Arquitetura e Urbanismo da UFPel indicam que o déficit habitacional de Pelotas é restrito às famílias com renda entre 1 a 3 salários mínimos, que não são atendidas pelo mercado.
Caso as modificações que possibilitam a verticalização e a densificação urbana venham a ser transformadas em projeto de lei pelo Poder Executivo a ser votado pela Câmara de Vereadores, estaremos diante de um paradoxo: a quem interessa verticalizar uma cidade sem avaliar e ponderar sobre seus impactos na malha viária e na infraestrutura urbana nem apresentar argumentos que fundamentam as alterações que estão sendo aprovadas com surpreendente velocidade e discutível legitimidade por um grupo de conselheiros que confunde o bem comum com interesses setoriais?
Se aprovadas essas mudanças, a gestão urbana de Pelotas corre sérios riscos de seguir na contramão das políticas e práticas de mobilidade, vitalidade e gestão democrática da cidade. Previsivelmente a paisagem urbana da avenida Domingos de Almeida será desfigurada com a construção de meia dúzia de edifícios altos que devem ser ocupados por famílias que devem desocupar imóveis existentes, ampliando de forma preocupante a quantidade de edifícios abandonados ou parcialmente ocupados. No andar da carruagem, é provável que em breve estas alterações sejam estendidas a outras artérias da cidade, como as Avenidas Duque de Caxias e Fernando Osório.
A quem interessam as decisões que estão sendo aprovadas pelo CONPLAD?
A quem interessa essa herança?