quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

O MASSACRE DO LAMI - Marcos Rolim

“Até há pouco tempo, armas com esse calibre eram
classificadas como de uso restrito pelas Forças Armadas” 
 Um jovem de 24 anos, sem antecedentes criminais, sem histórico de doença mental, ex-militar, membro de uma “família estruturada”, defendia o porte de armas para “se defender de bandidos” e se declarava evangélico e temente a Deus. Após discussão banal de trânsito no Lami, zona sul de Porto Alegre, assassinou três pessoas de uma mesma família (marido, esposa e filho). O autor do triplo homicídio, atirador treinado, mirou nas cabeças das vítimas, acertando vários disparos, com uma pistola 9mm. Depois de trucidar a família, fugiu do local, tendo sido preso nesta terça-feira (28).

No texto anterior nessa coluna (“As palavras no jornalismo”), mostrei que fatos criminais costumam ser divulgados de forma muito diferente no Brasil a depender da classe social das vítimas e dos autores. O massacre do Lami o confirma amplamente. O tom geral das notícias foi extremamente cuidadoso. Aliás, não houve matéria que tenha sequer chamado o massacre de massacre.  Ninguém empregou a palavra “bandido” tão ampla e rapidamente empregada em outros contextos e não houve quem propusesse “caçada ao assassino”. O responsável pelo crime foi designado, pela polícia e nas matérias jornalísticas, como “suspeito” o que, tecnicamente, é o tratamento correto visto que apenas o Poder Judiciário pode definir quem são os culpados. A polícia não divulgou o nome do suspeito, o que também deveria ser procedimento padrão.

Esses cuidados só se fizeram presentes, entretanto, porque o autor é considerado um “cidadão de bem”. “Gente como a gente”, um rapaz de “boa família”. Essa abordagem está presente, inclusive, na fala do delegado que disse: “ele cometeu o maior erro da vida dele. É melhor ele assumir a responsabilidade do que viver se escondendo”. Sim, o autor cometeu “um grande erro”. Segundo o Código Penal, esse “erro” se chama triplo homicídio duplamente qualificado, por motivo torpe e pelo uso de meio que impossibilitou a defesa das vítimas. Pode-se descrever o delito de forma simples e técnica, sem permitir que a indignação que atravessa a alma de qualquer pessoa normal aflore e estimule sentimentos de vingança, OK, mas não se deveria chamar um crime de tamanha gravidade de “erro”, nem usar a imprensa para aconselhar o foragido.

A pistola 9mm, arma predileta do FBI, é anunciada pela Taurus como tendo “um cartucho poderoso, com bom desempenho, que fará o trabalho, desde que tenha o posicionamento adequado para o tiro. Uma arma compacta com boa mira, um gatilho decente e controles ergonômicos é uma companheira fiel em tempos difíceis.”  Muito fiel. Até há pouco tempo, armas com esse calibre eram classificadas como de uso restrito pelas Forças Armadas, mas decreto do presidente Bolsonaro (Dec. nº 9.847, de 25 de junho de 2019), estabeleceu, para alegria da indústria, que pistolas .40, .45 e 9mm podem ser compradas amplamente. O atirador não possuía porte, fato que tem sido divulgado como se isso fizesse alguma diferença. O que importa, entretanto, é saber: o que o impediria de ter o porte? Ou: se ele fosse abordado pela polícia e flagrado portando arma sem autorização legal deveria ser preso, como determina o art. 14 do Estatuto de Controle de Armas, ou essa medida seria uma violência contra o “cidadão de bem”? Antes do Estatuto, é bom lembrar, porte ilegal de armas era considerado uma contravenção e tratado como fenômeno banal. O ideal almejado pelo presidente e por todos os que ao longo da última campanha eleitoral posaram fazendo “arminhas” com seus dedos, em uma espécie de regressão à infância, não é, exatamente, o de “armar o cidadão de bem”?

O fato é que a retórica pró-armas, que caracteriza o discurso do lumpesinato que chegou ao poder no Brasil, tem estimulado, concretamente, a compra de armas de fogo em uma escala impressionante. O aumento no número de armas em circulação trará consigo o aumento dos casos de furto e roubos de armas (nos EUA, criminosos furtam ou roubam 237 mil armas de fogo a cada ano), o aumento do uso irregular de armas de fogo – como foi o caso do atirador do Lami – e o aumento das ocorrências criminais com armas pelos chamados “cidadãos de bem”. Um dos mais recentes estudos nos EUA (Right-to-Carry Laws and Violent Crime: A Comprehensive Assessment Using Panel Data and a State-Level Synthetic Control Analysis) mostrou que leis que autorizam o porte de armas de fogo estão associadas a um aumento médio entre 13 a 15% dos crimes violentos em um espaço de dez anos. Aqueles que adquirem armas para defesa pessoal imaginam que, assim, evitarão crimes. Na vida real, poucos terão a chance de prevenir qualquer crime (How Often Do People Use Guns In Self-Defense?). Entre esses poucos, a maior parte será vitimada em casos de reação. Agravando o quadro, uma parcela maior entre os que adquirem armas para defesa as usará, efetivamente, para o ataque em disputas banais, em feminicídios (Disarming Domestic Abusers), e para a prática do suicídio (Suicide, Guns, and Public Policy)

O que o massacre do Lami evidencia é aquilo que já foi demonstrado exaustivamente desde que Hannah Arendt assinalou, em “Eichmann em Jerusalém”, que, para se cometer um crime monstruoso, não é necessário monstros. Basta alguém incapaz de refletir. Vivemos um momento histórico mundial onde a irreflexão se tornou orgulhosa. O que já seria grave o suficiente, está se tornando bem pior no Brasil, porque muitos entre os que se negam a pensar estão, agora, armados. Todos nós sempre desejamos um País melhor e penso que, independente das posições políticas e do tóxico contencioso ideológico em curso, sempre demandamos a redução da violência. A verdade, entretanto, é que fomos arrastados para dentro de um filme de Tarantino e ele está apenas no começo.

Marcos Rolim - Doutor e mestre em Sociologia e jornalista. Presidente do Instituto Cidade Segura. Autor, entre outros, de “A Formação de Jovens Violentos: estudo sobre a etiologia da violência extrema” (Appris, 2016)

CHARGE


terça-feira, 28 de janeiro de 2020

LABRADOR QUE SAIU A PASSEAR


Labrador aparecido na Marina Ilha Verde. Aparentemente perdido, mansinho, com marca de coleira no pescoço. Está bem cuidado, se o dono não aparecer já tem quem adote


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domingo, 19 de janeiro de 2020

"De Outros Tempos" (Marambaia) - Uma foto de Camila Hein

De Outros Tempos - Camila Hein
Em contato comigo , por estes dias, a artista Camila Hein, prontificou-se a deixar para a Galeria de Fotografia "Câmara Clara" , neste momento em fase preliminar de estruturação, obras de sua autoria para o acervo. Umas das obras é a fotografia acima "De Outros Tempos" (Marambaia), exposta recentemente durante a exposição Nossas Águas na Galeria JM Moraes ( Espaço de Arte Ágape) 
Na ocasião escrevi um texto que reproduzo a seguir:
Em primeiro lugar cabe ressaltar a felicidade de promover a exposição de fotografias com esse tema.
A seleção dos participantes foi feita através de edital e avaliação por parte de um júri.
A fotografia no conjunto das artes ainda sofre uma certa resistência em ser equiparada a outras formas com técnicas mais clássicas de expressão .
Nem sempre é muito comodo comentar sobre fotografia porque está muito introjetado no inconsciente do público a concepção de que uma fotografia tem qualidade quando podemos dizer que é  "bonita" ou é "linda". 
No caso de fotografias de paisagens isto sempre está fortemente presente.
Não há foto de por-do--sol, por exemplo, que não desperte atenção e elogios.
Do mesmo modo o simples fato de uma foto ser em P&B não a transforma em uma foto artística.
Há muitos outros elementos a considerar.
Outro aspecto que costuma confundir o espectador é o emprego de efeitos ou , outra situação, recorrer a um extremo rigor técnico o que, considerando os recursos hoje disponíveis pode-se mais facilmente obter o que no entanto, se encanta o público, pouco pode dizer  sobre a qualidade artística do trabalho.,.
Estes recursos até ficaram banalizado pela facilidade com estão disponibilizados.
Como reverter isto?
Trata-se de um desafio que os cursos de arte e  as galerias de fotografia devem enfrentar.
Analisando as fotos da exposição chama a atenção a foto "De Outros Tempos" (Marambaia) de Camila Hein. 
Ela se destaca, a meu ver, por justamente colocar em questão o conceito de fotografia.
Conforme analisei com a própria autora a foto transita por um domínio muito próximo da pintura.e levanta, por conseguinte, uma discussão de quais são os limites da fotografia e em que pode ou deve se distinguir no caso da pintura.
É uma discussão antiga, que surge já a partir da próprio surgimento da Fotografia.
Deixo portanto, neste momento, esta reflexão para os visitantes da exposição pensaram a respeito.
Em tempo, observei no conjunto das fotos a ausência da presença humana.
Esta presença procurei enfatizar nesta foto minha "Pescador"





quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

BARÃO VOLTA, NECESSITAMOS DE TI

Ajude Barão a voltar prá casa

O charreteiro Luiz Antonio,  morador na Rua do Pântano, precisa de auxilio para enfrentar a situação em que se encontra.
Seu cavalo, o BARÃO,  foi apreendido no dia 29 de dezembro numa ação que merece o devido esclarecimento
Sua única forma de sobrevivência é a atividade de charreteiro que exerce dignamente como trabalhador há muitos anos e lhe permite manter a família, mulher e filho, mas inclusive uma filha que necessita de cuidados especiais.
Neste momento, portanto, enquanto se define a situação, propomos através de A METADE SUL uma campanha para auxiliar a família.
Contato pode ser feito com a Andrea, whats 9106-1447

Quando o cavalo é o meio de subsistência

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

O MASSACRE DA SALDANHA MARINHO E O SILÊNCIO DA OPOSIÇÃO - P.R.Baptista

Enquanto avança o corte impiedoso das centenárias árvores da Saldanha Marinho e as manifestações unanimes são de perplexidade, a oposição política ao governo atual segue silenciosa como se estivesse de férias.
Os partidos que se propõem a fazer uma frente de centro- esquerda e sempre muito críticos ao governo municipal atual seguem calados
Pelo PDT apenas Marcelo Dutra, ambientalista e professor da FURG, tem se engajado nesta luta.
Do PSB que agora está fora do governo municipal  não se sabe o que esperar
Desde o apoio ao impeachment da Dilma após  morte de Eduardo Campos. o apoio a Aécio Neves e participação nos governos estaduais e municipais, que não acha o rumo.
Neste momento, portanto, a Frente não existe.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

ADEUS PELOTAS QUE RESPEITA SEUS VALORES - P.R.Baptista

Pelotas, ao findar o ano, foi surpreendida por um ato de devastação.
Um ato autorizado oficialmente pela Prefeitura Municipal.
Isto em nome de um desconhecido pela população "projeto urbanístico" dito de "requalificação".
Qual o custo deste projeto? Quem se responsabiliza? Quem executa?
Ao se revelaram alguns pontos do projeto é averiguado que as árvores~, na maioria conforme ficou constatado saudáveis ou recuperáveis, são apontadas como "exóticas".
"Exótico", isto sim, é o projeto que não respeita, talvez até por desconhecer, o quanto aquele recanto da Saldanha Marinho está presente na vida e no imaginário da cidade.
Para Oscar Clasen, arquiteto e responsável como secretário durante o governo de Anselmo Duarte por iniciativas renovadoras, " Pelotas têm conjuntos emblemáticos como a Saldanha Marinho e a Duque de Caxias que são grandes exemplos"
A foto de 1928 mostra o aspecto do local, há quase um século, podendo-se ver as árvores, ainda bem jovens.
Mal se podia sequer imaginar que , passado um século, pudessem ser cortadas na raiz como lenha e carimbadas como "exóticas".
Pelo menos a população, conforme está demonstrado nas manifestações, está revoltada, entristecida, até sem entender muito bem o que acaba de acontecer.
Para os que costumavam fazer o trajeto, é quase como perder um ente querido.
Um detalhe, finalmente, a marcar a crueldade do ato é ter sido perpetado, ao som das motosserras,
nos dias mais quentes do ano com temperaturas da ordem de quarenta graus.
Pois matou-se, entre tantas coisas, a sombra que as árvores, frondosas, ofereciam e criou-se no lugar um deserto
Triste registro para encerrar um ano, por tantos acontecimentos, tão difícil.

domingo, 29 de dezembro de 2019

E ASSIM VAMOS PERDENDO... Supressão de árvores na Av. Sald. Marinho - Prof. MARCELO DUTRA


Pelotas insiste em andar para trás. A cada intervenção que se anuncia, um novo golpe nas árvores do caminho. Mas, o que poucos não percebem e quase ninguém se dá por conta, é que árvores bem estabelecidas e com porte compõe a qualidade de vida e as boas condições do nosso conforto urbano.
Arvores oferecem serviços ambientais diversos (sombra, filtro, proteção, redução de ruídos, controle térmico...). Precisam ser mantidas, substituídas e sua área de cobertura ampliada. Reduzidas nunca!
A supressão de árvores adultas por razões estéticas ou pela beleza de um projeto não se justifica. O motivo precisa ser mais nobre e o replantio garantido. Até quando vamos tolerar essa prática sem fiscalização? Onde está o planejamento desta cidade?
Sabe-se que a quantidade mínima preconizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é de 12 m² de área verde por habitante, e a ideal de 36 m², ou seja, cerca de três árvores por morador. No mundo, a referência é Estocolmo: são 86 metros quadrados de área verde por habitante. E já que estamos tão distantes, perto de 4 m², por que a Prefeitura insiste em exterminar o verde? Que coisa!
Estive no local no início desta tarde, conversei com os técnico e fiz o registro de algumas imagens. Justificaram a necessidade da supressão, defenderam que serão colocadas 600 mudas de arbustos e qua a cobertura arbórea da cidade está aumentando, pois árvores estão sendo plantaras em outras avenidas. O problema é que eu não vejo isso.
Na prática, enquanto a supressão de árvores adultas avança e novas mudas são plantadas o vandalismo ataca e o poder público nãos as repõe, tampouco se esforça para coibir e não investe na educação ambiental.
Segundo o Secretário Roberto Ramalho (Seplag) as intervenções nas árvores são realizadas por empresa especializada, contratada pela Construtora Pelotense, que executa as obras. Que todo o trabalho está fundamentado em laudos e conta com acompanhamento de biólogos e assistentes sociais (?). Que as árvores suprimidas (21) foram condenadas por decisão técnica, por estarem doentes e podres. No entanto, olhando de perto, o tronco cortado de algumas parecem saudáveis, mas como não sou especialista...
Enfim, acho que muita coisa falta nesta Administração, mas nada falta mais do que atenção e respeito ao coletivo. Seria bom que os nossos vereadores, fiéis representantes da comunidade, fiscais do Executivo, buscassem tomar conhecimento prévio das intervenções da Prefeitura, pois a cidade está ficando menos verde. E isso não é bom!

MP 914/2019, C0NSIDERAÇÕES - Lúcio de Almeida Hecktheuer


Com a publicação da MP 914/2019 que trata do processo de escolha dos dirigentes das universidades e dos institutos federais, o discurso de oposição a mesma vem se repetindo sem que aparecem novas alternativas.
Para as universidades pouco mudou no processo de escolha dos reitores. Um ponto que avançou foi a obrigatoriedade de realização de consulta a comunidade acadêmica para a formação da lista tríplice, prevista no Art. 2º da MP. Anteriormente não era obrigatória essa consulta podendo o conselho superior da universidade, por conta própria, organizar uma lista tríplice a ser enviada ao Presidente desde que esse fosse constituído por, no mínimo, 70% de docentes.
Agora, no que se refere aos institutos, as mudanças foram radicais. Acabaram as eleições para diretores dos campus, instituiu-se a lista tríplice para reitores e o peso dos votos dos docentes passou para 70%. Com essas colocações, fica claro que nos institutos estamos retrocedendo democraticamente na escolha dos seus reitores e diretores de campus.
Considerando que as universidades e institutos são instituições federais que têm como público alvo todos os brasileiros e o avanço da informática, inovo com a proposta de que a escolha de seus reitores se de através do voto universal e que todos os brasileiros possam, de forma facultativa, votar. Votar como? Voto pela internet por um período não superior a uma semana, com identificação pessoal e visual para que cada pessoa somente possa votar uma vez e que seja ela própria que esteja votando. Entendo também que seja salutar para a democracia e transparência das gestões públicas a rotatividade nos cargos sendo assim contrário a reeleição dos reitores e diretores gerais de campus.
Está lançado o desafio para uma maior democratização nas instituições de ensino. Como implementar essa ideia é uma questão a ser pensada e planejada!!! Lembrando, nada é impossível se tivermos vontade política para implementá-las.

(*) Professor do IFSul

TRAÇÃO HUMANA - P.R.Baptista

Com a crise econômica e o desemprego cresceu assustadoramente o número de pessoas que buscam sua sobrevivência na atividade de recolher material reciclável para vender.
É uma atividade inteiramente precária que não pode ser interrompida nunca, com frio, com calor, com chuva, com debilidade física.
Dela depende não só a sua própria sobrevivência mas, frequentemente, da família.
Hoje, por exemplo, a sensação térmica é de 42° sem qualquer previsão de condições de tempo mais favoráveis.
O noticiário privilegia informes e reportagens sobre as condições nas praias e os questões correlatas como as condições das estradas, etc..
O catador, puxando com dificuldade seu carrinho ( tem um décimo da força de um cavalo), leva um dia tendo que percorrer grande distância,  para recolher material que lhe permita, ao menos, ter alguma coisa para comer.
Nós, lulistas ou bolsonaristas, neste momento nos irmanamos preocupados com o preço da gasolina, do chopp e a espessura do fio dental.

sábado, 28 de dezembro de 2019

PODA NA SALDANHA MARINHO DEVASTA UM CARTÃO POSTAL DE PELOTAS - P.R.Baptista

 Cena inacreditável da devastação ( foto Marcelo Dutra)

A lembrança que não pode ser esquecida

A Prefeitura de Pelotas, não sabe bem o motivo ( o apresentado, do risco, não se sustenta) ou em nome de algum projeto não discutido, determina a EXTINÇÃO de um admirável renque de árvores remanescentes em Pelotas localizadas na Saldanha Marinho.
O risco apresentado por árvores antigas só justifica uma ação desta monta após um exame documentado comprobatório de suas condições.
Segundo informa a Prefeitura está à frente do projeto de revitalização da via, por meio da Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag). O secretário Roberto Ramalho declara que as intervenções nas árvores são realizadas por empresa especializada, contratada pela Construtora Pelotense, que executa as obras.
Das 96 árvores, 72 serão mantidas e, nelas, são realizadas intervenções de tratamento fitossanitário, que incluem poda e limpeza, e valorizam o espaço.
Das demais indicadas para supressão, 21 estão condenadas por doenças e apodrecimento. Para lembrar, parte de uma delas caiu por si só há poucas semanas.

Chama a atenção o número de árvores abatidas, 24 ao todo!
Ou seja, isto leva a supor que as árvores nunca tiveram o cuidado que mereciam.
Tivessem tido este recanto integrante da paisagem natural e cultural da cidade certamente não daria motivos para uma ação tão drástica.

NOTA: A Ouvidoria, desde maio, também recebe as solicitações de supressões e podas. O atendimento antes era restrito à sede da SQA, na avenida Domingos de Almeida, 1490. Como forma de desburocratizar e facilitar o acesso à população, o cidadão pode dirigir-se diretamente ao saguão da Prefeitura para protocolar o pedido, ou pelo telefone 156.
É necessário apenas informar o endereço do imóvel. Na Secretaria, a aprovação ou não do pedido leva em conta o tipo de árvore, já que existem espécies protegidas por lei, além de condições fitossanitárias específicas e análise de risco de queda.


sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

CARGA VIVA - Tiago Ribas

:
Duas palavras que são um soco no meu estômago.
Na estrada, paro ao lado de um caminhão cheio de porquinhos, e me dou conta de que estão indo para festas nas quais não gostariam de comparecer. Todos reunidos assim, lavados sob os jatos de água que os aliviam do calor fatal da estrada, eles me lembram a que espécie bárbara eu pertenço.

No início, você come simplesmente... carne. Saboreia o bacon, a gordura assada... Que delícia. O prazer, o esquecimento... O acordo tácito com si mesmo para não lembrar.
Um dia então você começa a comer gritos, pânico, medo pavoroso de uma morte matada num corredor em fila, diante do assassino a revolta de quem não quer morrer, a perplexidade, a impotência. Você passa a comer as horas e os dias de viagem amontoados numa carreta, focinho de um no traseiro de outro, no calor insuportável... E aí então, quando você percebe o que você está comendo realmente, começa a ficar difícil digerir...

RAMILONGA - Vitor Ramil

QUERENCIA - Vitor Ramil

quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

Bolsonaro acaba com voto paritário para Reitor das Instituições Federais


O presidente Bolsonaro editou uma Medida Provisória na véspera de Natal mudando as regras para a escolha de dirigentes das instituições federais de ensino.

A principal mudança é o fim da paridade na comunidade acadêmica. A partir de agora, os votos dos professores tem peso muito maior, de 70% do total. Os estudantes representarão 15% e os técnicos administrativos, representarão os outros 15%.

Além disso a Lista Tríplice não será mais enviada pelo Conselho Universitário (composto por representantes da comunidade acadêmica), mas será diretamente formado pelos três primeiros votados dessa consulta.

Na prática, o presidente passará a decidir quem será o Reitor ou Diretor da Instituição. O escolhido poderá ser o segundo ou o terceiro colocado na disputa das eleições.

O Presidente da UNE, Iago Montalvão, comentou a MP pelo Twitter:

Bolsonaro não dá um segundo de paz. Esperou o povo estar nas festas de Natal para na surdina editar uma Medida Provisória que reduz a democracia nas universidades.

Alterou a forma de consulta para reitores nas UFs e IFs, reduzindo peso do voto de estudantes e técnicos.

É mais um caso de uso abusivo do instrumento da Medida Provisória, só em 2019 foram mais de 30 MPs, a maioria nem sequer chegou a ser votada.

A íntegra da MP está neste link .http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Mpv/mpv914.htm

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

O FIM DO SERVIÇO PÚBLICO? -Bolsonaro assina decreto que extingue cargos efetivos e veda abertura de concursos


Jair Bolsonaro assinou o decreto que extingue cargos efetivos vagos e que vierem a vagar; Além disso, vedou abertura de novos concursos públicos em diversos cargos do governo federal
Por Saulo Moreira ultima atualização 22/12/2019 às 10:49

O presidente da República, Jair Bolsonaro, assinou o decreto que extingue cargos efetivos vagos e que vierem a vagar dos quadros de pessoal da administração pública federal. Além disso, a medida veda a abertura de concurso público e o provimento de vagas adicionais para determinados cargos do governo federal.

De acordo com o decreto, publicado no Diário Oficial da União do dia 20 de dezembro, ficarão vedados concursos para cargos técnicos-administrativos em educação nas funções de Assistente de Direção e Produção, Confeccionador de Instrumentos Musicais, Editor de Imagens, Instrumentador Cirúrgico, Mestre de Edificações e Infraestrutura, Operador de Câmera de Cinema e TV, Revisor de Textos Braille, Técnico em Agrimensura, Técnico em Alimentos e Laticínios, Técnico em Artes Gráficas, Taxidermista, Técnico em Anatomia e Necropsia, Técnico em Audiovisual, Técnico em Cinematografia, Técnico em Edificações, Técnico em Eletrotécnica, Técnico em Eletromecânica, Técnico Equip – Médico Odontológico, Técnico em Geologia, Técnico em Herbáreo, Técnico em Higiene Dental, Técnico em Hidrologia, Técnico em Instrumentação, Técnico em Mecânica e Técnico em Metalurgia.

Além disso, ficarão vedados de abertura de concurso público os cargos de Técnico em Meteorologia, Técnico em Mineração, Técnico em Móveis e Esquadrias, Técnico em Música, Técnico em Nutrição e Dietética, Técnico em Ótica, Técnico em Prótese Dentária, Técnico em Química, Técnico em Restauração, Técnico em Segurança do Trabalho, Técnico em Som, Técnico em Telecomunicação, Técnico em Telefonia, Tradutor Intérprete de Linguagem de Sinais, Transcritor de Sistema Braille, Desenhista Técnico Especializado, Técnico em Eletricidade, Técnico em Estatística, Técnico em Manutenção de Áudio Vídeo,  Administrador de Edifícios, Assistente de Tecnologia da Informação, Auxiliar de Enfermagem, Cenotécnico, Locutor, Operador de Luz, Operador de Rádio-Telecomunicações, Programador de Rádio e Televisão, Técnico em Eletrônica, Assistente Técnico de Embarcações, Coreógrafo, Diretor de Artes Cênicas, Diretor de Fotografia, Diretor de Produção, Editor de Publicações, Jornalista, Músico-Terapeuta, Programador Visual, Publicitário, Redator, Regente, Relações Públicas, Roteirista e Sanitarista.

O decreto informa, ainda, que 27.611 vagas em cargos efetivos serão extintos, no âmbito da administração pública federal direta, autárquica e fundacional.
Confira

sábado, 21 de dezembro de 2019

PROFESSOR DO IFSUL DESENVOLVE PESQUISA DE MATEMÁTICA


Objetivo é conectar a matemática e a física com situações reais, facilitando o aprendizado

Buscando auxiliar no desenvolvimento de conceitos básicos da geometria, o professor Gilmar de Oliveira Gomes desenvolveu ferramentas de ensino inovadoras, facilitando o aprendizado dos alunos. Empregados na disciplina de geometria analítica, ofertada aos cursos de engenharia química e elétrica, os protótipos ainda estão sendo testados em situações pontuais dentro da sala de aula e tem como principal finalidade conectar a matemática e a física com situações reais.

A motivação para a iniciativa veio das dificuldades percebidas pelo professor durante a disciplina, como a insuficiência de conhecimentos básicos, a transição entre o ensino médio e superior e a necessidade de estabelecer uma escolha profissional. Além disso, Gilmar destaca a situação de desistência, evasão e reprovação divulgada em artigos científicos, que analisam o ensino de engenharia em todo o país, retratando a assimetria entre o ensino da matemática e outras disciplinas.

Assim, em 2018 iniciou um projeto de ensino com o intuito de construir equipamentos didáticos para o recém criado Laboratório de Estatística, além de organizar um Laboratório de Ensino de Matemática. Buscando a viabilização desse espaço físico, em 2019 conseguiu a liberação de uma sala e iniciou os primeiros passos concretos do projeto.

“Atualmente estou empenhado em estudar as potencialidades educativas dos equipamentos construídos até aqui, em sua maioria protótipos, para posteriormente buscar financiamento e replicá-los, a fim de proporcionar acesso ao maior número possível de alunos”, destaca.

A criação e desenvolvimento dos equipamentos contou com a contribuição da equipe do Departamento de Manutenção e Estrutura (Deme) e suas instalações. Mas o processo foi difícil e esbarrou em limitações financeiras para aquisição de suplementos, necessários para a construção dos protótipos e compra de equipamentos já existentes. Além disso, também foram necessários recursos para a elaboração de réplicas, a fim de possibilitar pequenos grupos de alunos a desfrutar das oportunidades de aprender fazendo, desenvolvendo a criatividade e o espírito científico e desmistificando o medo de errar.

Recentemente, o professor criou também um projeto de ensino, que pretende produzir sequências didáticas para serem testadas em turma piloto. O trabalho será baseado na teoria da Matemática no Contexto das Ciências (MCC), desenvolvida por Patrícia Camarena a partir de 1982, no Instituto politécnico do México. Com o objetivo de refletir a respeito do ensino de Matemática em cursos de Engenharia, a teoria se fundamenta em três paradigmas: a matemática é uma ferramenta de apoio e disciplina formativa; a matemática tem uma função específica no nível universitário; e os conhecimentos nascem integrados.

“O intuito é que os professores interessados em utilizar esses equipamentos em suas aulas disponham das sequências didáticas associadas às ferramentas, estabelecendo em quais situações seria mais adequada a sua utilização”, finaliza Gilmar.

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

PROJETO DE PROIBIÇÃO DAS CHARRETES AMEAÇA TRABALHADORES E FAMILIAS - P.R.Baptista

foto P.R.Baptista
Em projeto a dar entrada para votação na Câmara de Vereadores, a vereadora Cristina Oliveira, vereadora do PDT e vice-presidente do partido,  submete à aprovação medidas relativas ao emprego de tração animal, charretes em especial, em nossa cidade.
Já na abertura estabelece

Art.1 Fica proibida nos limites do Municipio de Pelotas a utilização de veículos movidos a tração animal e a exploração animal para este fim.

O restante do projeto limita-se a estabelecer regras gerais relativas ao cumprimento da proibição.
Cabe esclarecer que já existe legislação precedente sobre a questão, em especial a Lei nº 4 604 de 18 de dezembro de 2000, assinada pelo prefeito Anselmo Rodrigues, que dá garantia aos trabalhadores
que dependem da utilização de tração animal trafegarem e a Lei n° 5678 de 8 de abril de 2010 que estabelece regras,inclusive apontando infrações e prevendo penalidades, para o exercício desta atividade.
Ou seja, sob este aspecto, a única novidade do projeto é a introdução do artigo primeiro citado acima.

O projeto, em nenhum momento , considera o fato, de suma importância , de ser a atividade neste momento o meio de sustento de um número considerável de trabalhadores ( 800 famílias segundo estimativa) que não dispõem de outro meio de manterem a si e aos familiares.
Este fato é agravado pelo momento econômico em que o desemprego alcança patamares alarmantes.

 Um projeto desta natureza voltado a eliminar de forma sumária uma atividade econômica tão estabelecida deve ser precedido de um estudo sério, aprofundado, de todo o contexto que está envolvido e, frequentemente, desconhecido totalmente pela maioria da sociedade.

E não há como desconsiderar, como ponto de partida, que os charreteiros são, antes de mais nada, trabalhadores, e que fazem da charrete, além da atividade de sustento, um veículo para uso geral, inclusive de transporte doméstico e de lazer, do mesmo modo que as famílias que possuem automóveis.

O caso dos que são também catadores, pois recolhem o material que vendem do lixo, o papel que desempenham tem uma dimensão toda especial pois contribuem de forma decisiva para o processo de reciclagem e tem dado, ao longo do tempo, uma contribuição fundamental para a sociedade..
Cabe lembrar que, neste particular, já estão direta e fortemente ameaçados pela presença de uma empresa que, a um custo altíssimo pago pela Prefeitura , custo este subvencionado pela taxa do lixo cobrada dos contribuintes, e que faz do lixo uma atividade lucrativa.

Antes que as charretes sejam proibidas uma empresa privada já as terá excluído ( foto P.R.Baptista)

Quanto aos maus tratos que tem sido colocados como o argumento mais reiterado para o encerramento da atividade, ignora-se que :
1) já existe uma legislação para coibir, cabe portanto fiscalizar para que seja cumprida;
2)  restringem-se a casos isolados, nem de longe correspondem à prática da maioria;
3) conforme constatamos , in loco, não coincide com os cuidados e, inclusive, carinho, que os charreteiros tem pelos seus animais
O cavalo como parceiro de trabalho


Acaba-se, no entanto, da forma como estes ataques são feitos, ao promoverem uma campanha que joga os charreteiros contra a comunidade e que avança, nas redes sociais, por criar um clima de ódio a estes trabalhadores, incitando manifestações muito próximas ao linchamento..
Comentários de que são seres desprezíveis  e que deveriam ser postos, eles próprios, a puxar as charretes são frequentes.
Esquece-se, neste aspecto,  um dado elementar. Como um cavalo tem a capacidade de tração de 10 homens seria necessário um exército de homens para dar conta do mesmo volume de carga
Aliás, cabe mencionar que este exército já existe constituído por homens que de forma desumana puxam com as próprias forças reboques atravessando a cidade de ponta a ponta.

O "cavalo" invisível ( foto P.R.Baptista)

É o momento, a partir das considerações feitas, de analisar em profundidade a questão. 

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

PSB EM PELOTAS : COMO SE SUSTENTA?


A legenda partidária do PSB de Pelotas está em xeque
A partir de notícias surgidas na imprensa e rapidamente difundidas pelo meio político e às vésperas das eleições municipais, momento de agitação nos bastidores da política, o Partido Socialista Brasileiro (PSB) passa por um momento crítico e de incertezas na sua condução. O atual Presidente do Partido, Tony Sechi, acaba de ter sua prestação de contas relativa à candidatura para deputado federal em 2018 desaprovada, por unanimidade, pela Procuradoria Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul e acatada pelo Procurador Regional Eleitoral Luiz Carlos Weber. Além da desaprovação, houve a determinação da devolução ao Tesouro Nacional do total dos recursos públicos recebidos. Tony recebeu através dos fundos partidário e eleitoral do PSB R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais) para obter 6.849 votos (R$73,00 por voto) não atingindo sequer os 10% do quociente eleitoral que o habilitaria a pleitear uma vaga na cota de deputados do PSB.
A Procuradoria Regional Eleitoral emitiu Parecer Conclusivo apontando irregularidades na prestação de contas visto que Tony não apresentou documentos fiscais idôneos.
As inconsistências observadas correspondem a 94,5% da receita auferida por Tony (R$472.500,00 dos R$500.000,00 recebidos).
Por fim a Procuradoria Regional Eleitoral conclui que “Identificado indício de apropriação, pelo candidato, de bens, recursos ou valores destinados ao financiamento eleitoral, em proveito próprio ou alheio, cópia dos autos deve ser encaminhada ao Ministério Público Eleitoral para apuração do ilícito criminal previsto em Lei.” Simultaneamente a desaprovação da sua prestação de contas eleitoral, Tony Sechi sofre processo administrativo interno no PSB Estadual o qual aponta uma série de irregularidades na sua condução partidária do PSB em Pelotas. Dentre as principais irregularidades da sua gestão tem-se a inaptidão do CNPJ do Partido, a não prestação de contas anual à Justiça Eleitoral e uma dívida, já em cobrança cartorial, de mais de R$ 21.000,00 relativa ao aluguel da sede do Partido. Esse processo encontra-se na Executiva Estadual do PSB desde 01 de julho de 2019 mas esta ainda não se pronunciou a respeito.
A atual situação em que se encontra o PSB de Pelotas, segundo avaliações, o fragiliza para a composição da sua nominata de candidatos a vereadores para 2020 e possíveis coligações para a eleição majoritária à prefeitura de Pelotas.
Uma situação a exigir das instâncias superiores do PSB medidas que afastem a sombra que passa a pairar sobre a credibilidade do partido .

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Radiografia da Câmara aponta paralisia e ineficiência em programas do MEC

Levantamento indica baixo investimento e grande rotatividade de funcionários; comissão menciona diagnóstico ‘assolador’
Uma radiografia realizada no Ministério da Educação por uma comissão da Câmara dos Deputados indicou paralisia tanto no planejamento quanto na execução de políticas públicas por parte da pasta comandada pelo ministro Abraham Weintraub.

Na lista dos problemas identificados estão desde a falta de ações concretas para o fomento da alfabetização até a alta rotatividade de funcionários comissionados. O MEC alega que programas serão lançados em breve e o descontingenciamento de recursos é recente.

É a primeira vez que um grupo assim é formado no Legislativo para averiguar o trabalho de um ministério. “O diagnóstico é assolador e mostra que a fragilidade do planejamento e da gestão do MEC afetou diretamente a formulação e a implementação das políticas educacionais”, diz o relatório da comissão, com 265 páginas, obtido pelo jornal O Estado de São Paulo.

O grupo foi criado em abril pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia, a partir do requerimento de 50 deputados de 12 partidos diferentes – a maioria da oposição e do Centrão. O relator do trabalho é o deputado Felipe Rigoni (PSB-ES) e a coordenação está nas mãos da deputada Tabata Amaral (PDT-SP).

A comissão foi criada logo após Tabata protagonizar um áspero bate-boca com o professor Ricardo Vélez, o primeiro escolhido pelo presidente Jair Bolsonaro para comandar a pasta. Na ocasião, a deputada cobrou duramente o ministro. Dez dias depois, Vélez foi demitido e Weintraub assumiu o seu lugar.

Tabata e Rigoni são os mesmos escalados por Maia para elaborar o pacote de projetos na área social, antecipado pelo Estadão no mês passado. O presidente da Câmara busca protagonismo na agenda social justamente no momento em que o governo Bolsonaro se prepara para enviar ao Congresso medidas  amargas, desta vez com os pacotes fiscal e administrativo.

Na prática, o trabalho dos parlamentares mostrou que a Política Nacional de Alfabetização – única meta específica do MEC nos primeiros cem dias de governo – não resultou, até o momento, na apresentação de um plano de ação detalhado. Desta forma, municípios e Estados ainda não sabem  nem quando a iniciativa chegará às escolas e quais projetos e atividades terão prioridade.

Em um ano marcado pelo contingenciamento de recursos da Educação, mesmo os valores que não sofreram bloqueio tiveram baixo índice de execução. Entre elas estão ações citadas como “apoio ao desenvolvimento da educação básica”, com repasse próximo a zero até julho. No mesmo intervalo, apenas 4,4% da verba reservada para investimentos do MEC foi executada – o relatório assinala que o montante gasto acabou sendo de “menos da metade no mesmo período de 2018 (11,7%)”. Em números absolutos foram R$ 184,06 milhões investidos em 2019, ante R$ 457,62 milhões em 2018.

“A baixa execução orçamentária em diversos programas denota a baixa capacidade de gerenciamento dos gestores responsáveis”, aponta o relatório.

Uma das razões para a lentidão no trabalho do MEC, segundo o relatório, é a alta rotatividade nos cargos comissionados. Nos nove primeiros meses, o tempo médio de permanência no mesmo setor foi de 112 dias. Em igual período  da gestão Temer, por exemplo, a média foi de 150 dias.

Para fazer o diagnóstico, o grupo afirma ter usado informações do MEC, além de ter feito visitas técnicas e obtido dados no Portal da Transparência. A comissão diz ter pedido audiência com Weintraub para discutir a avaliação, mas o ministro teria ignorado.

Procurado pelo Estadão na segunda-feira (25), o MEC informou que “lançará em breve programas e materiais sobre a Política Nacional de Alfabetização”.

EDUARDO LEITE DEFENDE PRIVATIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO.


O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (RS-PSDB), defendeu hoje que a contratualização de serviços na educação, transferindo para o setor privado essa responsabilidade na educação primária. Segundo ele, uma reforma no Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) deveria ser endereçada para que os recursos pudesse ser utilizados para esse fim.

Em evento do Centro de Liderança Pública (CLP), ele afirmou que, com a universalização de acesso à escola e creches, fixada no Plano Nacional de Educação, os municípios fazem novos concursos públicos mesmo diante do caixa apertado.

“Municípios fazem concursos públicos para um público que só vai reduzir nos próximos anos, pela queda da natalidade. E você vai ficar com o custo de professores e suas futuras aposentadorias. Você está contratando 100 anos de gasto”, disse.

Para Leite, o estado deve se ater a apenas algumas áreas, como na segurança pública. E, nas demais, atuar apenas na fiscalização e regulação. Segundo ele, o Estado tem que sair, por exemplo, dos setores de infraestrutura, como no saneamento e na operação de rodovias. E emendou: “Vamos conceder todas as rodovias para a iniciativa privada”, disse.

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

O NOME DISSO É BURRICE! - Árvores são retiradas do Largo de Portugal -PROF. MARCELO DUTRA


Que triste! Pelotas está andando para trás e nada parece ser tão ruim, em matéria de meio ambiente, quanto saneamento, cobertura arbórea e conforto urbano. A cada novidade um golpe na nossa qualidade de vida. Até quando vamos tolerar isso? Sabe-se que a quantidade mínima preconizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é de 12 m² de área verde por habitante, e a ideal de 36 m², ou seja, cerca de três árvores por morador. No mundo, a referência é Estocolmo: são 86 metros quadrados de área verde por habitante. E já que estamos tão distantes, perto de 4 m² ... Porque a Prefeitura insiste em exterminar o verde? O que ganhamos em eliminar árvores estabelecidas, que não atrapalham? Lembrando que, na medida que árvores saem de cena, por onde é asfalto ou pedra, fica mais quente e todos nós sofremos com o calor. Que burrice!
A Seplag explica que a medida faz parte das obras de revitalização do espaço e garante que outras 20 serão replantadas na cidade.
Fonte: Diário Popular
Acesse https://mla.bs/0bd9c6bb
Foto: Carlos Queiroz - DP

Cloudy day in Gotham City! - ADRIANA CUNHA


ACADEMIA CORPO & DANÇA - Apresentação


sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Rodrigo Maia. alternativa para ser vice de Lula?

“Ele é um ex-presidente da República e eu não recusaria o encontro. Mas agora é hora

de cuidar do meu projeto” declarou o presidente da Câmara


Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Ainda de acordo com Faria, o deputado José Guimarães, autor da proposta de encontro
 entre Lula e Maia, não esconde que gostaria de ver o atual presidente da Câmara como
 vice do ex-presidente.

II SEMANA CULTURAL DA CATEDRAL


quarta-feira, 20 de novembro de 2019

A NEGRITUDE EM PELOTAS, POR QUE SE OCULTA? - César Brisolara

Pelotas é uma cidade com 328.275 habitantes segundo o último Censo de 2010 e tem cerca de 342.873 habitantes segundo a estimativa do próprio Instituto para 2015. Desta população se auto declararam negros e pardos no Censo um total de cerca de 25.000 pessoas, menos de 10% da população.
Podemos questionar os dados até por amostragem visual, mas é preferível identificarmos na própria proporção de negros que se auto declaram como tal a necessidade de entendermos os motivos que cercam esse reconhecimento da própria identidade.
Uma cidade que no censo de 2000 possuía cerca de 15% de sua população se auto declarando negra, cerca de 16% da população na época, perdeu população negra ou a própria auto imagem da cidade influencia o reconhecimento da própria etnia por parte da população?
A dúvida é pertinente se observarmos a própria composição étnica dos cargos da administração municipal, onde não há um negro sequer.
O que mudou na cidade que em 1814 possuía cerca de 25 mil negros, entre escravizados e livres, para 32 mil brancos; Em 2000 possuía cerca de 16% de sua população se reconhecendo negra e em 2010 esse percentual caiu para menos de 10% de reconhecimento entre negros e pardos?
Será que a população negra de Pelotas diminuiu, na contramão da população brasileira, ou será que a pressão da imagem da cidade, branca e cosmopolita, propagandeada nos cartazes, nas festas e eventos oficiais, na ideia da “Princesa do Sul” das charqueadas, onde fica o museu da Baronesa Branca e não o Fica Ahí Prá Ir Dizendo, impõe também uma ideia de que a cor negra não é exatamente algo que seja interessante adotar como identidade?
Pelotas, da torcida Xavante, a reconhecidamente mais negra do estado, é uma cidade onde a cor negra representa menos de 10% de sua população? No que a Pelotas do Centro Ethiópico, da Frente Negra Pelotense, do Depois da Chuva; Chove Não Molha; Fica Ahí Prá Ir Dizendo; Está Tudo Certo; Quem Ri de Nós Tem Paixão e do jornal A Alvorada se transformou? Sua identidade negra se diluiu, tornou-se branca, empalideceu, embranqueceu ou foi embranquecida a ponto de tornar-se invisibilizada?
As razões para que uma cidade com uma enorme população negra, reconhecida como a mais negra do Rio Grande do Sul, e com um associativismo negro reconhecido historicamente, amplamente estudado pela Universidade Federal de Pelotas, e demais universidades do Rio Grande do Sul, é algo a ser investigado, porém é inegável que uma cultura hegemônica que se entende como majoritariamente branca tem larga influência na própria percepção de identidade afrodescendente de Pelotas.
Passado o dia 14, 171 anos do vergonhoso Massacre de Porongos da Guerra civil farroupilha e as vésperas do dia 20 de Novembro é fundamental discutirmos porque a Pelotas negra se oculta, ou é escondida, de si mesmo e por quem culturalmente opta historicamente por preferir ser visto como parte da elite senhora de escravos a ver-se como uma sociedade multiétnica, poderosa e profundamente influenciada por uma africanidade orgulhosa. Africanidade essa que está ai nas ruas, todo dia construindo uma Princesa do Sul, uma princesa negra corajosa e não uma imagem de senhora pálida esposa do Barão.
Que Pelotas é a Pelotas de Verdade? A Pelotas Afrobrasileira ou a Pelotas cuja imagem branca influencia até o cotidiano de uma sociedade visualmente negra? Quem puder responder Fica Ahí Prá Ir Dizendo, porque nós, orgulhosos, vamos procurar A Alvorada, saindo desse Chove Não e honrando nossa identidade, a mesma do centro ethiopico e da Frente Negra Pelotense

A NEGRITUDE EM PELOTAS, POR QUE SE OCULTA? - César Brisolara


Pelotas é uma cidade com 328.275 habitantes segundo o último Censo de 2010 e tem cerca de
342.873 habitantes segundo a estimativa do próprio Instituto para 2015. Desta população se auto
declararam negros e pardos no Censo um total de cerca de 25.000 pessoas, menos de 10% da
população.
Podemos questionar os dados até por amostragem visual, mas é preferível identificarmos na própria
proporção de negros que se auto declaram como tal a necessidade de entendermos os motivos que
cercam esse reconhecimento da própria identidade.
Uma cidade que no censo de 2000 possuía cerca de 15% de sua população se auto declarando negra,
cerca de 16% da população na época, perdeu população negra ou a própria auto imagem da cidade
influencia o reconhecimento da própria etnia por parte da população?
A dúvida é pertinente se observarmos a própria composição étnica dos cargos da administração
municipal, onde não há um negro sequer.
O que mudou na cidade que em 1814 possuía cerca de 25 mil negros, entre escravizados e livres,
para 32 mil brancos; Em 2000 possuía cerca de 16% de sua população se reconhecendo negra e em
2010 esse percentual caiu para menos de 10% de reconhecimento entre negros e pardos?
Será que a população negra de Pelotas diminuiu, na contramão da população brasileira, ou será que
a pressão da imagem da cidade, branca e cosmopolita, propagandeada nos cartazes, nas festas e
eventos oficiais, na ideia da “Princesa do Sul” das charqueadas, onde fica o museu da Baronesa
Branca e não o Fica Ahí Prá Ir Dizendo, impõe também uma ideia de que a cor negra não é
exatamente algo que seja interessante adotar como identidade?
Pelotas, da torcida Xavante, a reconhecidamente mais negra do estado, é uma cidade onde a cor
negra representa menos de 10% de sua população? No que a Pelotas do Centro Ethiópico, da Frente
Negra Pelotense, do Depois da Chuva; Chove Não Molha; Fica Ahí Prá Ir Dizendo; Está Tudo
Certo; Quem Ri de Nós Tem Paixão e do jornal A Alvorada se transformou? Sua identidade negra
se diluiu, tornou-se branca, empalideceu, embranqueceu ou foi embranquecida a ponto de tornar-se
invisibilizada?
As razões para que uma cidade com uma enorme população negra, reconhecida como a mais negra
do Rio Grande do Sul, e com um associativismo negro reconhecido historicamente, amplamente
estudado pela Universidade Federal de Pelotas, e demais universidades do Rio Grande do Sul, é
algo a ser investigado, porém é inegável que uma cultura hegemônica que se entende como
majoritariamente branca tem larga influência na própria percepção de identidade afrodescendente
de Pelotas.
Passado o dia 14, 171 anos do vergonhoso Massacre de Porongos da Guerra civil farroupilha e as
vésperas do dia 20 de Novembro é fundamental discutirmos porque a Pelotas negra se oculta, ou é
escondida, de si mesmo e por quem culturalmente opta historicamente por preferir ser visto como
parte da elite senhora de escravos a ver-se como uma sociedade multiétnica, poderosa e
profundamente influenciada por uma africanidade orgulhosa. Africanidade essa que está ai nas ruas,
todo dia construindo uma Princesa do Sul, uma princesa negra corajosa e não uma imagem de
senhora pálida esposa do Barão.
Que Pelotas é a Pelotas de Verdade? A Pelotas Afrobrasileira ou a Pelotas cuja imagem branca
influencia até o cotidiano de uma sociedade visualmente negra? Quem puder responder Fica Ahí
Prá Ir Dizendo, porque nós, orgulhosos, vamos procurar A Alvorada, saindo desse Chove Não e horando nossa identidade, a mesma do centro ethiopico e da Frente Negra Pelotense

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

PDT FECHA QUESTÃO CONTRA TAXA DE ILUMINAÇÃO

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Em reunião realizada na sede o Diretório Municipal do PDT fechou questão contra a aprovação do projeto enviado à Câmara de Vereador pela Prefeitura de criação de taxa de iluminação.
A bancada do PDT, vale lembrar, tem 3 vereadores.
Resta saber a posição dos outros partidos de oposição e dos vereadores em geral.

FEIRA DO LIVRO - "ENEIDA TROPICAL" - Demetrius Ricco Ávila

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