sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Manoel Magalhães palestra no IFSul

Importante iniciativa promovida pelo IFSul de convidar o escritor Manoel Magalhães para falar acerca de seu trabalho literário para alunos da instituição, em palestra realizada ontem.

Manoel Magalhães, a nosso ver, é uma importante referência da literatura gaúcha e brasileira e mantém o blog Cultive-Ler de apurado sentido cultural. 

O evento está incluído na programação da 1a.Feira do Livro organizada pelo Prof. Gilnei Oleiro Correa, que prevê a participação de outros palestrantes.

A Metade Sul soma-se ao reconhecimento que a produção do escritor vem ganhando.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

O Perigo à Sombra das Árvores


A beleza e o ambiente agradável proporcionado por árvores nas cidades é algo sempre destacado. A arborização no entanto, especialmente quando as árvores atingem grande porte, esconde também um risco para os habitantes. Noticiário registra morte de pessoas em Montevidéu e Porto Alegre provocada pela queda de árvores e, decerto, em quaisquer outras cidades. Em Pelotas, recentemente, tombaram duas árvores na praça central que poderiam, por serem árvores grandes, ter tido consequências graves.
O que está passando despercebido, no entanto, é a existência no centro da praça de uma árvore de grande porte com grossos galhos amarrados com cabos de aço.
Como deve se tratar de um procedimento antigo, os cabos estão cortando os galhos causando já sulcos bem profundos.
O risco dos galhos se partirem é , pode-se facilmente observar, muito grande.
O fato parece, assim, exigir providências (P.R.Baptista)



quarta-feira, 23 de julho de 2014

Para Nobel de Economia, Banco dos Brics desafia controle dos EUA sobre economia mundial

 
Foto: columbia.edu
22/jul/2014

Juan Gonzalez e Amy Goodman, 
do Democracy Now *

Banco dos Brics irá financiar projetos de infraestrutura importantes para os países-membros, avalia Stiglitz|Foto: columbia.edu
Juan Gonzalez e Amy Goodman, 
do Democracy Now *
Na última terça-feira (16), um grupo de cinco países lançou seu próprio banco de desenvolvimento para fazer frente ao Banco Mundial e ao Fundo Monetário Internacional, dominados pelos Estados Unidos. Governantes dos países conhecidos por Brics – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – divulgaram a criação do Novo Banco de Desenvolvimento em reunião de cúpula no Brasil. O banco terá sede em Xangai. Juntos, os Brics têm 40% da população mundial e 25% do PIB global.
Em entrevista aos jornalistas Juan González e Amy Goodman, do Democracy Now, o economista ganhador do Prêmio Nobel Joseph Stiglitz, fala sobre o que significa esse fato. Stiglitz é professor da Universidade de Columbia e autor de diversos livros, sendo o mais recente Creating a Learning Society: A New Approach to Growth, Development, and Social Progress (Criando uma Sociedade do Conhecimento: uma Nova Abordagem ao Crescimento, Desenvolvimento e Progresso Social).
Fale sobre o significado desse banco
Ele é muito importante, por várias razões. Primeiro, a necessidade de mais investimentos, globalmente – em especial nos países em desenvolvimento – é da ordem de grandeza de trilhões, algo como dois trilhões de dólares por ano. E as instituições existentes simplesmente não têm recursos suficientes. Eles têm o suficiente para 2% a 4% disso. De modo que a criação desse banco vem somar recursos ao fluxo monetário que irá para financiar infraestrutura, adaptação às mudanças climáticas e outras necessidades muito evidentes nos países mais pobres.
Segundo, ele reflete uma mudança fundamental no poder econômico e político global, e a ideia por trás disso é que os Brics são hoje mais ricos que eram os países desenvolvidos quando o Banco Mundial e o FMI foram fundados. Vivemos em um mundo diferente, mas as velhas instituições não acompanharam as mudanças. O G-20 concordou com uma mudança na governança do FMI e do Banco Mundial, criados em 1944. Houve algumas revisões, mas o Congresso dos EUA recusa-se a implementar esse acordo. Estas instituições não foram capazes de acompanhar a noção básica de que, no século 21, seus líderes deveriam ser escolhidos na base do mérito – não apenas por serem norte-americanos. Na prática os EUA negaram o novo acordo. Por isso, essa nova instituição expressa a assimetria e o déficit democrático na governança global — e tenta repensá-la.
Por fim, houve muitas mudanças na economia global. A nova instituição reflete o conjunto de mandatos, as novas preocupações, os novos instrumentos financeiros que podem ser empregados. Espero que, ao percebendo as deficiências do antigo sistema de governança, esta nova instituição estimule a reforma das instituições existentes. Não se trata apenas de competição. É uma tentativa real de obter mais recursos para os países em desenvolvimento, de maneira consistente com os seus interesses e necessidades.
Qual a importância de países como a China, que tem enormes reservas monetárias, e o Brasil, que criou seu próprio banco de desenvolvimento há um bom tempo, serem peças-chave na nova organização financeira?
É muito grande, e vale lembrar alguns pontos interessantes. A China tem reservas internacionais no valor de 3 trilhões de dólares. Para os chineses, uma das questões centrais é como usar estes fundos melhor do que apenas transformando-os em títulos do Tesouro norte-americano. Meus colegas na China dizem que isto é como colocar a carne na geladeira e desligar a eletricidade – porque o valor real do dinheiro convertido em títulos do Tesouro dos EUA está declinando. Eles dizem, “Precisamos fazer melhor uso desses recursos”, certamente melhor do que aplicá-los na construção de, digamos, casas de má qualidade em meio ao deserto de Nevada. Você sabe, há necessidades sociais reais, e aqueles fundos não têm sido usados com esses propósitos.
Ao mesmo tempo, o Brasil tem o BNDES – um enorme banco de desenvolvimento, maior que o Banco Mundial. As pessoas não se dão conta disso, mas o Brasil demonstrou na prática como um país pode, sozinho, criar um banco de desenvolvimento muito efetivo. Há um aprendizado sendo feito. E essa noção de como se cria um banco de desenvolvimento efetivo, que promova desenvolvimento real, sem todas as condicionalidades e armadilhas que permeiam as velhas instituições, será uma parte importante da contribuição do Brasil.
E qual a diferença no funcionamento do novo banco, com relação a outros bancos de desenvolvimento do Norte?
Ainda não sabemos, porque ele está apenas começando. O acordo vem sendo construído há algum tempo. As discussões começaram há cerca de três anos. Firmaram um compromisso e, desde então, vêm trabalhando nele com muita firmeza. Havia alguma preocupação de que pudesse haver conflitos de interesses entre os países. Todos queriam sediar o banco, queriam a presidência. Haveria coesão política, solidariedade suficiente para fazer um acordo? A resposta foi: sim, há. A mensagem que está sendo transmitida é que, a despeito de todas as diferenças, os países emergentes podem trabalhar juntos, de maneira até mais efetiva do que alguns países desenvolvidos conseguem.
Você é ex-economista chefe do Banco Mundial. Qual é a sua avaliação do Banco Mundial sob a presidência de Jim Yong Kim? Acabamos de completar o segundo aniversário de seu mandato.
Ainda é muito cedo para dizer. Demora um pouco para alguém tomar pé do Banco Mundial. É como um grande navio. Há um grande interesse em que ele traga uma força muito positiva para o banco – o foco na saúde e a preocupação com outras questões sociais. Mas, para ser bem sucedida nos temas relacionados a desenvolvimento, a instituição terá de continuar a se concentrar em alguns dos velhos temas.
E Kim tem uma experiência um pouco menor nos fundamentos do crescimento econômico. Penso que ele é provavelmente mais sensível a alguns dos problemas que foram o açoite das instituições financeiras internacionais no passado, como as condicionalidades exigidas para a concessão de empréstimos. Mas ele enfrenta um problema de governança. O presidente do Banco Mundial é escolhido pelos EUA, ainda que Washington não desempenhe mais o papel econômico e de liderança que desempenhou no passado. Todos acreditamos em democracia, e a democracia diz que a presidência não deveria ser confiada exclusivamente a um país.
Durante a crise do Leste da Ásia, no final dos anos 1990, um dos altos funcionários do Tesouro dos EUA disse, “Vocês estão reclamando por dizermos aos países o que devem fazer? Mas quem paga a banda, escolhe a música.” E agora, ouço os países em desenvolvimento – a China e os outros – dizendo: “Estamos pagando a banda. Somos os principais atores, agora. Temos os recursos, as reservas. E mesmo assim vocês não querem deixar que desempenhemos, no jogo, um papel que refleta o tamanho de nossa contribuição na economia.” Essa é uma queixa real, e é difícil para uma instituição ser tão eficaz como poderia, quando a governança está tão fora de sintonia com as realidades políticas e econômicas atuais.
Quero lhe fazer uma pergunta sobre imigração. Temos uma situação em que há um esforço para criar barreiras ao fluxo livre do trabalho. Qual o impacto que isso tem na economia mundial?
Há alguns aspectos a serem apreciados. Por um lado, é absolutamente verdadeiro que a livre mobilidade do trabalho teria um impacto maior, sobre as rendas globais, que a livre mobilidade do capital. A agenda que os EUA tem perseguido, a da livre mobilidade do capital, não tem sido impulsionada com base na eficiência econômica global. Trata-se, na verdade, de interesses especiais. São os bancos que querem isso.
* Tradução: Inês Castilho

terça-feira, 22 de julho de 2014

Apesar de viés imperialista, Brasil precisa dos vizinhos, diz Mujica

Fernando Rodrigues
Do UOL, em Brasília 19/07/201406h00

O presidente do Uruguai, José Mujica, 79 anos, afirma que persiste na América Latina uma sensação sobre o Brasil ser um país imperialista. "A atitude imperial do Brasil pode ter sido consequência de sua história", afirma.

Em entrevista ao programa Poder e Política, do UOL e da "Folha", ele explica que "o mais inteligente do Brasil é que percebe que, embora seja grande, precisa de um todo para acompanhá-lo na tentativa de fazer algo na negociação mundial". O problema é que falta de integração brasileira interna prejudicaria a posição do país em foros internacionais. E ajudaria a manter a imagem de imperialista.

"Quando há a colheita do arroz no Uruguai, os caminhões começam a passar [em direção ao Brasil]. Há uma parte do Rio Grande do Sul que não gosta. Eles [os brasileiros] estão certos", diz Mujica, que falou na quinta-feira (17), na embaixada do Uruguai, em Brasília.

Mais conhecido por suas posições liberais na área de costumes –como o projeto que legalizou o plantio, venda e consumo de maconha–, Mujica é também a favor de mais integração comercial na América Latina.

Só que o Mercosul está "estagnado". Seus "organismos de arbitragem não funcionam", e tudo tem de ser feito via "chancelarias presidenciais". Para o uruguaio, "os interesses empresariais nacionais são muito fortes e não priorizam a busca da integração. O que existe de mais forte economicamente é a burguesia paulista".

Para ele, "o papel da burguesia paulista deveria ser unir aliados, tentar construir um sistema de empresas transnacionais latino-americanas. Pelo seu tamanho, tem a responsabilidade de conduzir. Mas comete um erro se quiser fagocitar porque, em vez de ganhar aliados, ganha inimigos que se opõem à integração".

"Fagocitar" é um termo emprestado da biologia. Trata-se do processo no qual ocorre a "ingestão e destruição de partículas", na definição do dicionário Houaiss –uma das funções da fagocitose seria a proteção do organismo contra infecções.

Há também a relação entre o Brasil e Argentina. "A Argentina se fecha demais. O Brasil tem paciência estratégica. Mas tudo tem o seu limite", diz Mujica. Para ele, o vizinho passa por uma situação "muito explosiva" por causa da crise com credores externos. "Somos obrigados a defender a Argentina. Se a Argentina entra em crise, todos vamos sentir (...) É uma questão estratégica".

A dificuldade da atualidade, diz Mujica, é que o mundo atravessa uma crise na política. "Não é um problema do Brasil. É um problema global. A política não governa. O processo de globalização anda solto, sem governança. E aqui as forças da economia e da política estão um pouco divorciadas". Ele diz entender os empresários, que precisam "se preocupar com todo fim de mês", mas "há necessidade de ir construindo coisas complementares".

Conhecido como Pepe Mujica, o uruguaio termina seu mandato no início de 2015, quando assumirá o presidente a ser eleito em novembro. Mujica cita o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como responsável pela maior presença do Brasil no plano externo. Diz ter sugerido uma vez ao brasileiro que comandasse a Unasul (União de Nações Sul-Americanas), mas ouviu um não como resposta.

"O Lula, que é muito astuto e inteligente, dizia-me: 'Olhe, Pepe, se eu for, eles vão dizer... o imperialismo brasileiro' ", relata Mujica. Há diferenças entre Lula e Dilma Rousseff? "Dilma é uma mulher muito trabalhadora, tenaz. Provavelmente, uma boa administradora. Não tem a personalidade política do Lula. E por algum motivo foi eleita pelo Lula, por algo foi eleita".

Se Dilma não for reeleita neste ano, Mujica não acredita "em qualquer cataclismo da política externa" ou que "signifique jogar fora todo o processo de integração".

Neste mês, ele anunciou que a implantação completa da lei que permite plantar, vender e consumir maconha será apenas em 2015, já durante o mandato de seu sucessor no comando do Uruguai. Ele não crê em recuo, mesmo se um opositor vencer.

E por que não colocar em vigor já? Por causa de uma questão agrícola: "É necessário plantá-la [a maconha] e produzi-la. As plantas têm o seu próprio ciclo. É necessário fazer estufas. Estamos fazendo as mudas. Fazendo a reprodução vegetativa. Poderão começar a florescer em janeiro, fevereiro".

Sobre o jogador de futebol Luis Suárez, suspenso depois de ter mordido um atleta da Itália durante um jogo da Copa do Mundo, Mujica se mostra compadecido.

 "Esse menino tem algum problema aqui [apontando para a cabeça]. Vem de um lar muito pobre. Tem a inteligência nas canelas. É brilhante nas pernas. A raiva o enfurece e ele não se domina. Era o caso de levá-lo a um hospital para tratá-lo com psiquiatra. É um problema que não se soluciona com sanções".

Acesse a transcrição completa e videos da entrevista em português ou espanhol.

Pelotas, capital da Zona Sul

Fotografia de Roberto Heiden de cena do entardecer em Pelotas, no entorno da praça central vendo-se em primeiro plano o antigo Grande Hotel e, mais ao fundo à esquerda, a cúpula da antiga sede do Banco do Brasil e, à direita, uma parte da fachada do prédio da Prefeitura Municipal. 
Em realce a pavimentação de paralelepípedos que tem sido agredida, em alguns pontos desnecessariamente, pela pavimentação asfáltica.
Segundo o Wikipedia, Pelotas é um município da região sul do estado do Rio Grande do Sul, no Brasil. Considerado uma das capitais regionais do Brasil, possui uma população de 327 778 habitantes e é a terceira cidade mais populosa do estado.

Está localizado às margens do Canal São Gonçalo que liga as Lagoas dos Patos e Mirim, as maiores do Brasil, no estado do Rio Grande do Sul, no extremo sul do Brasil, ocupando uma área de 1 609 km² e com cerca de 92% da população total residindo na zona urbana do município. Pelotas está localizada a 250 quilômetros de Porto Alegre, a capital do estado.

Na história econômica do município, destaca-se a produção do charque, que era enviado para todo o Brasil e que fez a riqueza de Pelotas em tempos passados.

O município conta com cinco instituições de ensino superior, quatro grandes escolas técnicas, dois teatros, uma biblioteca pública, vinte e três museus, dois jornais de circulação diária, três emissoras de televisão, um aeroporto e um porto flúvio-lacustre localizado às margens do Canal São Gonçalo.

Tanto a zona urbana quanto a rural de Pelotas conta com monumentos, paisagens e belas vistas, que levaram a televisão brasileira a escolher o município já por três vezes como cenário para suas produções: Incidente em Antares, cuja locação foi feita na zona do porto; A Casa das Sete Mulheres, gravada numa charqueada na zona rural, e do filme O Tempo e o Vento, cujas filmagens ocorreram no fim de abril de 2012.

Em Pelotas, é realizada, todos os anos, a tradicional Fenadoce - Feira Nacional do Doce, festa de eventos ancorada pelos famosos doces de origem portuguesa que fazem a fama de Pelotas.
E neste breve, talvez desatualizado resumo, cabe acrescentar que a 15 km do centro, chega-se a praia do Laranjal junto a Lagoa dos Patos.

Mídia brasileira esconde nascimento de nova ordem mundial

Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul protagonizam principal fato econômico desde a crise de 2009. Criação do Novo Banco de Desenvolvimento e Acordo de Reservas de Contingência fura esquema financeiro global traçado em 1944, em Bretton Woods


Bretton Woods, 1944. Fortaleza, 2014. Setenta anos depois de terem sido traçadas as regras da governança financeira do mundo, um fato capaz de inserir outra cidade no mapa das grandes mudanças econômicas globais aconteceu.
Na capital do Ceará, nesta terça-feira 15, os cinco países que integram a sigla BRICS inauguraram, na prática, uma nova ordem para o mundo. Eles colocaram em prática a constituição de um bloco econômico repleto de afinidades políticas. A partir de agora, já se sabe que Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul terão o seu Novo Banco de Desenvolvimento, com capital inicial de US$ 50 bilhões, mas que poderá ser elevado a US$ 100 bilhões, para fazer frente ao Banco Mundial. E também formarão uma poupança de US$ 100 bilhões no Acordo de Reservas de Contingência, exatamente para não dependerem exclusivamente do Fundo Monetário Internacional para serem socorridos em crises. O jornal inglês Financial Times publicou análise da redação que dá a correta dimensão do conjunto desses fatos: “Notável demonstração de como a ordem econômica está mudando”.
VEJA TAMBÉM: A política econômica dos candidatos à Presidência no Brasil
Na mídia tradicional brasileira, no entanto, o assunto foi publicado, como se diz no jargão do jornalismo, com “má vontade”. A reunião de Fortaleza que impressionou o Financial Times e chama a atenção de todos os líderes mundiais não mereceu, na terça-feira 15, ocupar o espaço da manchete de nenhum dos jornais Folha de S. Paulo, Estado e Globo. Na tevê, a colunista Eliane Cantanhêde, na Globo News, registrou o acontecimento dentro do contexto da sucessão presidencial:
- A Copa acabou, mas a presidente Dilma Rousseff engatou uma segunda e já está de novo nas fotografias, registrou a comentarista. Ao final do comentário, lembrou que nesta quarta-feira, em Brasília, cerca de 20 presidentes do continente americano serão recebidos para ter informações sobre como irá funcionar o banco de desenvolvimento e o fundo de reservas. E pontuou:
- Será mais um momento de badalação e fotografias para a presidente que é candidato à reeleição.
Ideia estudada pela nata dos economistas dos governos dos BRICS há pelo menos dois anos, o Novo Banco de Desenvolvimento poderá emprestar dinheiro para projetos de infraestrutura em países em desenvolvimento a juros menores que os praticados pelo Banco Mundial. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, explicou que os recursos dos BRICS poderão ser aplicados em fundos especiais para renderem enquanto aguardam as demandas dos países.
Houve apostas nos jornais brasileiros de que uma briga de última hora entre as delegações da China e da Índia poderia matar a ideia de criação do banco de fomento. Não foi o que ocorreu. Os sócios acordaram rapidamente em que a sede será em Xangai, na China; o primeiro presidente será da Índia, inaugurando o rodízio de cinco anos no cargo; a presidência do conselho de administração será do Brasil; a Rússia ficará com a presidência do conselho de governadores; e a primeira sede regional da instituição ficará na África do Sul.
- A democracia é uma das marcas do BRICS, disse Mantega.
Com um mercado consumidor de 3 bilhões de pessoas e um PIB conjunto que equivale a 20% da riqueza mundial, o BRICS poderá adotar, no futuro, as moedas nacionais para transações comerciais entre seus cinco sócios. Na véspera da cúpula, 700 empresários assinaram carta em que pedem aos líderes políticos a adoção dessa medida, que substituiria o dólar e o euro em compras e vendas.
O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, estimou no encontro de Fortaleza que a demanda de recursos para projetos de infraestrutura em países em desenvolvimento chega, hoje, a US$ 800 bilhões. Há, assim, demanda suficiente para o banco do BRICS ter um grande papel na nova ordem mundial que o grupo está criando a olhos vistos – ainda que a mídia brasileira tenha má vontade em enxergar.

Fonte Pragmatismo Político
ECONOMIA16/JUL/2014

segunda-feira, 14 de julho de 2014

O resultado do jogo vai "sobrar para ela"?

(*) Texto de Manoel Magalhães publicado no blog Cultive-Ler

Fim de Copa.

Fim de festa.

Agora as atenções se voltam para as eleições. O brasileiro vai eleger o presidente e vice-presidente da República, deputados federais, senadores, governadores e vice-governadores, deputados estaduais; o governador e vice-governador do Distrito Federal e os deputados do Distrito Federal.

Bem, as primeiras notícias após a Copa do Mundo realizada no Brasil, a qual não foi a prometida catástrofe anunciada, dão conta de que os políticos da oposição vão aproveita-se do vexame brasileiro na competição para tirar vantagens políticas. O 7 a  1 da Alemanha frente ao Brasil vão pesar na balança política.

A revista Veja, por exemplo, em matéria de capa, pergunta se o resultado do jogo vai "sobrar para ela".

Eu respondo: vai sobrar para todos os presidenciáveis, que antes do jogo apostavam no Brasil.

Repito aqui: não sou PT e por essa razão não estou fechado com Dilma Rousseff.

Entretanto, acho uma baixaria os políticos, sejam eles quais forem, aproveitarem-se do resultado do jogo para auferir lucros eleitorais.

Acho que o eleitorado brasileiro já amadureceu o suficiente para pensar com sua própria cabeça. Não deixar-se-á conduzir por revistas e jornais que estão (e estarão) a serviço dos opositores do governo.

Quem eles pensam que enganam?!

O governo Dilma não é um modelo a ser seguido. Em alguns aspectos, inclusive, assemelha-se a um queijo suíço.

Cabe aqui, entretanto, uma pergunta. Desses presidenciáveis quem merece confiança? Basta olhar para os respectivos jeitos de fazer política para que tenhamos certeza de que não são, realmente, confiáveis.

Não sei se vou votar em Dilma. Mas nesses outros tenho certeza de que não votarei.

sábado, 12 de julho de 2014

Deslumbramento e humilhação: o jogo Brasil e Alemanha

10/07/2014

O jogo para as semi-finais entre Brasil e Alemanha do dia 8 de julho no grande estádio de Belo-Horizonte significou uma justa vitória da seleção alemã e uma arrasadora e vergonhosa derrota brasileira. Milhões estavam nas praças e ruas de todas as cidades. A atmosfera de euforia dos brasileiros, a maioria enfeitados de verde-amarelo, as cores nacionais, não toleraria jamais, sequer por imaginação, semelhante humilhação. E ela caiu como um raio em céu azul.

Vejo duas razões básicas que explicam o resultado final de 7×1 gols em favor da Alemanha. Os alemães, bem como outros times europeus, renovaram as estratégias e as formas de jogar futebol. Investiram, a meu ver, em três pontos básicos: cuidadoso preparo físico dos jogadores para ganharem grande resistência e velocidade; em segundo lugar, preparar craques individuais que pudessem jogar em qualquer posição e correr todo o campo e por fim criar um grande sentido de conjunto. Excelentes jogadores que não pretendem mostrar sua performance individual mas sabem se integrar no grupo formando um grupo coeso, tornam-se fortes favoritos em qualquer competição. Não que sejam invencíveis, pois vimos que, jogando com os USA, a seleção alemã teve grande dificuldade em ganhar. Mas as referidas qualidades foram o segredo da vitória alemã sobre o Brasil.

A grande questão foi a seleção brasileira. Criou-se quase como consenso nacional de que somos a pátria do futebol, que somos ganhadores de 5 copas mundiais, que temos o rei Pelé e craques excepcionais como Neymar e outros. Houve por parte da mídia corporativa e das agências de apoio, a criação do mito do “Jogador da Copa”, elevado a herói e quase a um semideus. Esta atmosfera de euforia que atendia ao marketing das grandes empresas apoiadoras,, acabaram contaminando a mentalidade popular. Poderíamos perder, mas por pouco. Mas, para a grande maioria, a vitória era quase certa, ainda mais que os jogos estavam se realizando no próprio país.

Essa euforia generalizada não preparou a população para aquilo que é próprio do esporte: a vitória ou a derrota ou o empate. A maioria jamais poderia imaginar, nem por sonho, que poderíamos conhecer uma derrota assim humilhante. A vitória era celebrada por antecipação. Grave equívoco, em grande parte, induzido pela mídia do oba-oba e da euforia, orquestrada por uma famosa rede de TV e seus comentaristas.

Mas houve também um penoso erro por parte da comissão técnica brasileira. Pelo nosso passado glorioso, ela julgou-se mestra a ponto de pretender ensinar aos outros como deve ser o futebol. Ficou sentada sobre as glórias do passado. Não se renovou.

Enquanto isso, em outros lugares, na Europa, especialmente na Alemanha e na Espanha mas também na América Latina como na Colômbia e em Costa Rica se desenvolvia uma nova compreensão do futebol, criaram-se novas táticas e formas de distribuir as posições dos jogadores em campo. Nada disso foi aproveitado pela comissão técnica brasileira, especialmente seu treinador Luis Felipe Scolari (chamado de Felipão). É uma figura paternal, severa e terna ao mesmo tempo, amada pelos jogadores e, em geral, respeitado pelo público. Mas é teimoso e persistente em suas fórmulas, boas para o passado, mas inadequadas e questionáveis para o presente. Ele não se deu conta de que o mundo do futebol havia se transformado profundamente, embora tenha trabalhado fora do Brasil.

Não conseguiu duas coisas que permitem entender o fracasso fragoroso da seleção brasileira. Scolari não desestimulou o tradicional e exacerbado individualismo dos jogadores. Cada qual quer mostrar sua boa performance, quer dar o seu show particular, até em vista de eventual contratação por grandes times estrangeiros. Em segundo lugar, não conseguiu criar um grupo coeso com espírito de grupo. Os jogos deveriam colocar  o ênfase no grupo e em seguida nas qualidades específicas de cada jogador. Deixou os jogadores dispersos. Criaram vácuos inadmissíveis no meio do campo. Não souberam marcar os principais craques do time adversário.

Os alemães se deram conta desta fraqueza estrutural da seleção brasileira. Souberam explorá-la com habilidade. Nos primeiros minutos marcaram já o primeiro gol aos 29 minutos do primeiro tempo já era 5 a 0.

Tal desastre futebolístico criou uma espécie de pane na seleção brasileira. Ficou totalmente desnorteada. Faltou-lhe a serenidade diante das dificuldades e deixaram-se tomar pela desorientação. O próprio treinador Felipão Scolari não soube fazer as substituições necessárias. Estas ocorreram apenas no segundo tempo.

O jogo parecia uma disputa de um time suburbano e popular enfrentando uma seleção de nível internacional. Isso não era o futebol que sempre conhecíamos, cujos dirigentes não quiseram aprender nada dos outros, fechados em sua arrogância. Perdemos por arrogantes e ignorantes.

Tivéssemos 11 Neymares em campo sem um grupo coeso e ordenado, o resultado não seria tão diferente. Perdemos porque jogamos mal e jogamos mal porque não soubemos nos apropriar do novo que se ensaiou fora do Brasil. E não formamos um grupo articulado e versátil.

Sinto, pessoalmente, grande pena dos “brasileirinhos”  que com entusiasmo torceram pela seleção, como bem escreveu o jornalista André Trigueiro. A maioria agora se sente órfã. Aqui, nesse país pluridiverso, com uma população hospitaleira e lúdica, para ela quase nada funciona bem nem a saúde, nem a educação, nem o transporte e nem a segurança. Tirando o carnaval, não somos bons em quase nada, dizem. Mas pelo menos somos bons no futebol. Isso dava ao simples povo o sentido de autoestima. Agora nem mais podemos apelar para o futebol. Por muitos e muitos anos esta terça-feira sinistra de 8 de julho de 2014 com 7 gols a 1 para a Alemanha nos acompanhará como uma sombra funesta. Mas o povo que suportou já tantas adversidades saberá dar a volta por cima. Ele detém uma resiliência histórica como poucos.

Espero apenas uma coisa: que a elite que, na abertura, vergonhosamente vaiou a Presidenta com palavrões indizíveis não volte a envergonhar o Brasil diante do mundo, quando ela entregar a taça ao vencedor. Como tais elites não costumam  frequentar  os estádios e têm pouco compromisso com o Brasil mas muito mais com seus privilégios serão capazes de renovar este  ato despudorado. Elas apenas mostrariam como se comportam diante do povo e do seu próprio país:com soberano desdém, pois sofrem por não viver em Miami ou em Paris e se sentirem condenadas a  viver acumulando aqui no Sul do mundo.

Menção honrosa merece a seleção alemã que foi discreta na celebração e não se prevaleceu sobre uma vitória tão deslumbrante. E o povo brasileiro soube  entender esta atitude  e  lhe reconheceu a dignidade na vitória aplaudindo-a, pois se mostrou realmente melhor.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Audiência da Copa: o que está em jogo?

 Eduardo Silveira de Menezes (*)

Medir índices de audiência é relativamente fácil. O Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope) explica, em seu site oficial, que a tecnologia utilizada para saber a média dos aparelhos de TV ligados a uma determinada emissora opera pelo uso dos peoplemeters. Trata-se de um serviço viabilizado pela utilização de um dispositivo eletrônico – o DIB – que, após ser instalado em domicílios dispostos a colaborar com a medição, permite a transferência dos registros da sintonia dos canais para o IBOPE. Com o objetivo de se obter um dado cientificamente válido, utilizam-se os relatórios do Painel Nacional de Televisão (PNT), responsável pela validação dos dados de um grupo fixo de residências ao longo dos anos. Estima-se que 25% da amostra são atualizados anualmente. Mas, sob o ponto de vista democrático, como seria possível medir o nível de confusão ideológica que está sendo provocado pela cobertura midiática da Copa do Mundo no Brasil?

Para início de conversa, é preciso identificar o que tem levado as pessoas a tomarem posicionamentos do tipo “sou contrário à Copa, pois amo o Brasil e quero vê-lo avançar em áreas tão necessitadas, como saúde e educação”, ou ainda “sou a favor da Copa e torço pela Seleção, mas não suporto o país onde vivo e só não tenho vergonha de ser brasileiro dentro de um estádio de futebol” – o conhecido “complexo de vira-latas”, prenunciado por Nelson Rodrigues, na década de 1950, e equivocadamente empregado pelo sociólogo Emir Sader em recente comentário, no Twitter, dirigindo-se ao Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST).

Final da Copa será nas urnas

Essa confusão encontra respaldo na cobertura do evento. Como resultado, evidencia-se um nacionalismo esquizofrênico; é o tal orgulho de “ser brasileiro com muito orgulho e muito amor” associado ao ódio pela presidenta da República, Dilma Rousseff, e por países vizinhos, como o Chile. E não podia ser diferente. A comoção provocada pela transmissão dos jogos, principalmente na TV Globo, é insuflada pelo mesmo saudosismo dos anos em que o “país do futebol” era, também, o “país das aparências” e, certamente, um “país de poucos”, que procurava histericamente copiar o american way of life. O país dos privilegiados, daqueles que podem fazer e falar o que bem entenderem, pois estão no topo da pirâmide social e julgam-se acima da média.

Mesmo que o Brasil esteja longe de vencer os desafios sociais, fez algo inaceitável aos olhos dos catequizados pela cartilha neoliberal do Consenso de Washington. Na última década, um operário e uma mulher ascenderam ao mais alto cargo da Nação. Para confundir, ainda mais, a média da população não abandonou as regras da política econômica insuflada por seus opositores. Mas foram competentes ao promover algumas políticas sociais. Dado o contexto, a revolta e perturbação mental só poderia dar em choradeira. Afinal, os “chorões” e “entusiasmados” responsáveis pela cobertura da Copa são os cabos eleitorais das forças políticas que torcem pelo fracasso do mundial e, paradoxalmente, pelo sucesso da Seleção Brasileira. O novo comentarista esportivo da Rede Globo Ronaldo Nazário disse “não ter estrutura emocional” para acompanhar um jogo eliminatório definido nos pênaltis, como ocorreu no confronto contra o Chile. Será que manterá essa postura no caso de um processo eleitoral definido em um possível segundo turno?

O troféu mais perseguido

A permanência da Seleção brasileira até a última fase do campeonato representa a possibilidade de índices de audiência ainda maiores e, consequentemente, lucros a perder de vista. De acordo com informações do Ibope, se forem consideradas apenas as duas emissoras de TV aberta, Globo e Band, o percentual de aumento da audiência, em relação ao ano de 2010, é de 29% e 18%, respectivamente. São milhões de pessoas que assistem não apenas a transmissão de um evento esportivo de nível internacional, mas ao sucesso ou fracasso de um governo, de corte keynesiano, cujas tímidas políticas sociais incomodam os que, hoje, podem ter o privilégio – concedido por este mesmo governo, é bom que se diga – de esquentarem um dos assentos dos 12 estádios construídos para atender os interesses comerciais da Federação Internacional de Futebol (Fifa).

O sucesso da Seleção, nos gramados, tem sido associado a um possível sucesso eleitoral do atual governo, nas urnas, até porque as tentativas tresloucadas de manchar a imagem do mundial – como à associação paranoide, promovida por um colunista da revista Veja, entre a utilização da cor vermelha, no logo da Copa, e uma suposta propaganda socialista – foi motivo de escárnio internacional. A principal crítica dos jornais estrangeiros à referida fantasia do periódico brasileiro esteve direcionada à falta de investigação jornalística para opinar sobre como se deu a confecção do emblema. A imagem resulta de um projeto criado pela agência de publicidade África, sendo selecionado por uma equipe escolhida pelo Comitê Local da Copa (COL) – conforme noticiado, recentemente, pela revista Fórum.

É inegável que os muitos séculos de patrimonialismo escravista – processo histórico que perpassa desde o absolutismo ibérico até o advento da liberal democracia – expressando-se, na contemporaneidade, pelo insucesso do neoliberalismo, influencia diretamente nas formas de conceber a informação. Por isso, é preciso saber separar os interesses que estão por trás da construção simbólica promovida pelos grandes grupos de comunicação. A estratégia eleitoral da oposição é antiga. Pretende, exclusivamente, fragmentar as forças políticas progressistas e promover uma sucessão presidencial a qualquer custo.

A visão maniqueísta da Copa, induzida pela fraca cobertura midiática, resulta na utilização de feedbacks confusos e pouco contextualizados, nas redes sociais, cuja aparente antítese dos movimentos ?#‎NãoVaiTerCopa e #VaiTerCopaSim sofre, em sua gênese, a infeliz coincidência de ignorar o quadro complexo das relações culturais, sociais e econômicas responsáveis por condicionar as lutas políticas em uma sociedade globalizada. Embora as urnas devam refletir o entendimento coletivo sobre os “campos” onde são travadas as disputas mais significativas, um “campo” se sobressairá em relação aos demais, tornando-se o único espaço possível para a realização do “jogo decisivo”. Não há dúvidas. O troféu mais perseguido é – e sempre será – o que leva ao poder.



(*) Publicado em 01/07/2014 na edição 805 do Observatório da Imprensa.
Eduardo Silveira de Menezes é jornalista, mestre em Ciências da Comunicação e pesquisador do Laboratório de Estudos em Análise do Discurso

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Beto Albuquerque nega stress com o PT

A cartelização mediocrizante da notícia

Luis Nassif  *


1.     TODOS os grupos de mídia fizeram a mesma cobertura negativa da Copa, com os mesmos tons de cinza, o mesmo destaque às irrelevâncias, prejudicando seu próprio departamento comercial pelo desânimo geral que chegava aos anunciantes.

2.     NENHUM grupo preparou uma reportagem sequer mostrando os detalhes de uma organização exemplar, que juntou governos federal, estaduais, municipais, Ministério Público, Tribunais de Conta, Polícia Federal, Secretarias de Segurança, departamentos de trânsito, construtoras, fundos de investimento. NENHUM!

3.     Depois, TODOS fazem o mea culpa e passam a elogiar a Copa no mesmo momento.

4.     Na CPMI de Carlinhos Cachoeira TODOS atuaram simultaneamente para abafar as investigações.

5.     Na do “mensalão”, TODOS atuaram na mesma direção, no sentido de amplificar as denúncias e esmagar qualquer medida em favor dos réus, até as mais irrelevantes.

6.     Na Operação Satiagraha, pelo contrário, TODOS saíram em defesa do banqueiro Daniel Dantas, indo contra a tendência histórica da mídia de privilegiar o denuncismo.

7.     No episódio Petrobras, TODOS repetiram a mesma falácia de que a presidente Maria da Graça disse que foi um mau negócio e o ex-presidente José Sérgio Gabrielli disse que foi bom negócio. O que ambos disseram é que, no momento da compra, era bom negócio; com as mudanças no mercado, ficou mau negócio. TODOS cometeram o mesmo erro de interpretação de texto e martelaram durante dias e dias, até virar bordão.

8.     No anúncio da Política Nacional de Participação Social, TODOS deram a mesma interpretação conspiratória, de implantação do chavismo e outras bobagens do gênero, apesar das avaliações dos próprios especialistas consultados, de que não havia nada que sugerisse a suspeita. Só depois dos especialistas desmoralizarem a tese, refluíram - com alguns veículos ousando alguma autocrítica envergonhada.

É um cartel, no sentido clássico do termo.

Uma empresa jornalística que de fato acredite no seu mercado jamais incorrerá nos seguintes erros:

1.     Trabalhar sem nenhuma estratégia de diferenciação da concorrência, especialmente se não for o líder de mercado. A Folha tornou-se o maior jornal brasileiro, na década de 80, apostando na diferenciação inteligente.

2.     Atuar deliberadamente para derrubar o entusiasmo dos consumidores e anunciantes em relação ao seu maior evento publicitário da década: a Copa do Mundo.

3.     Expor de tal maneira a fragilidade do seu principal produto – a notícia -, a ponto de municiar por meses e meses seus leitores com a versão falsa de que tudo daria errado na Copa e, depois, ter que voltar atrás. Em nenhum momento houve uma inteligência interna sugerindo que poderia ser um tiro no pé. Ou seja, acreditaram piamente nas informações falsas que veiculavam - a exemplo do que ocorreu com a maxidesvalorização de 1999.

4.     Nos casos clássicos de cartel, um grupo de empresas se junta para repartir a receita e impedir a entrada de novos competidores. No caso brasileiro, a receita publicitária cada vez mais é absorvida pelo líder – a Globo – em detrimento dos demais integrantes do grupo. Para qualquer setor organizado da economia, essa versão brasileira de cartel será motivo de piada.

Tudo isso demonstra que há tempos os grupos de mídia deixaram de lado o foco no mercado e no seu público. Não se trata apenas da perda de espaço com a Internet. Abandonaram o produto principal – a confiabilidade da notícia – para atuar politicamente, julgando estar na política sua tábua de salvação.

A sincronização de todas as ações, em todos os momentos, mostra claramente que existe uma ação articulada, centralmente planejada. Visão conspiratória? Não. Provavelmente devido ao  fato de não existirem mais os grandes capitães de mídia, capazes de estratégias inovadoras individuais. Assim, qualquer estrategista de meia pataca passa a dar as cartas, por falta de interlocução à altura em cada veículo.

* Publicado no portal CGN em 23/06/2014

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Uma radiografia da nova direita brasileira

Que cara tem a nova direita brasileira? O que ela pensa ou faz? Que sentido dá à
vida? Quais são suas aspirações? Em que país ela imagina viver? São perguntas - não exatamente essas - que o autor do artigo abaixo se faz  tenta responder.
Do portal Brasil247. (M.M.)

Por Breno Altman*










O sr. Reinaldo Azevedo, a quem injustamente referiu-se a ombudsman da Folha de S. Paulo como rottweiler do conservadorismo, continua a desmentir sua colega de redação. Qualquer comparação com uma raça canina tão forte e cheia de personalidade é realmente despropositada. Se o nobre animal lesse jornal, provavelmente se sentiria insultado. O colunista, tanto pelas posições que defende quanto por estilo, está mais para cachorrinho de madame.

Deu-nos mais uma prova, no dia 6 de dezembro, em artigo intitulado "Direita já!", de qual é o seu pedigree. A ideia básica é que falta, no Brasil, uma força política que tenha competitividade eleitoral e, abraçando claramente valores de direita, faça oposição ao governo. Ou que acredite na hipótese de se tornar dominante exatamente por defender esses valores. Ainda mais longe vai o santarrão do conservadorismo: o PT provavelmente continuará a governar porque não seria possível "candidatura de oposição sem valores de oposição".

O que Azevedo esconde do leitor, por ignorância ou má fé, são as razões pelas quais a direita brasileira atua disfarçada. Esse campo ideológico, afinal, esteve historicamente comprometido com a quebra da Constituição, o golpismo e a instituição de ditaduras. Seus valores de raiz são o autoritarismo, o racismo de índole escravocrata, o preconceito social, o falso moralismo e a submissão às nações que mandam no mundo. Vamos combinar que não é fácil conquistar apoios com essa carranca.

Não é de hoje que direitistas recorrem a truques de maquiagem para não serem reconhecidos. A mais comum dessas prestidigitações tem sido a de se enrolar em supostas bandeiras democráticas para cometer malfeitos. Exemplo célebre é o golpe militar de 1964, quando bateram nas portas dos quartéis e empurraram o país para uma longa noite de terror, em nome da liberdade e da democracia.

A ditadura dos generais foi o desfecho idealizado pela "direita democrática", depois que se viu sem chances de ganhar pelo voto e tomou o caminho da conspiração. O suicídio de Getúlio Vargas sustou a intentona por dez anos, mas os ídolos de Azevedo estavam à espreita para dar o bote. As provas são abundantes: estão presentes não apenas nos discursos de personalidades da "direita democrática" de antanho, mas também nas páginas dos jornalões da época, que clamavam pela ruptura constitucional e a derrubada do presidente João Goulart.

Algumas dissidências desse setor, a bem da verdade, tentaram se reconciliar com o campo antiditadura, depois de largados na estrada pelos generais ou frustrados com sua truculência. A maioria dos azevedinhos daquele período histórico, no entanto, seguiu de braços dados com a tortura e a repressão. Eram ativistas ou simpatizantes do partido da morte. Batiam continência como braço civil de um sistema talhado para defender os interesses das grandes corporações, impedindo a organização dos trabalhadores e massacrando os partidos de esquerda.

O ocaso do regime militar trouxe-lhes isolamento e desgaste. A direita pró-golpe, mesmo transmutada em partidos que juravam compromisso com a democracia reestabelecida, não teve forças para forjar uma candidatura orgânica nas eleições presidenciais de 1989. Acabaram apoiando Fernando Collor, um aventureiro de viés bonapartista, para enfrentar o risco representado por Lula ou Brizola. O resto da história é conhecido.

Depois deste novo fracasso, as forças reacionárias ficaram desmoralizadas e sem chão. Trataram, em desabalada carreira, de aderir a algum pastiche que lhes permitisse sobrevida, afastando-se o quanto podiam da herança ditatorial que lhes marcava a carne. Viram-se forçadas a buscar, entre as correntes de trajetória democrática, uma costela a partir da qual pudessem se reinventar. Encontraram no PSDB, capturado pela burguesia rentista, o instrumento de sua modernização e o novo organizador do bloco conservador.

A mágica acabou, porém, quando o PT chegou ao Planalto, deslocando para a esquerda boa parte do eleitorado que antes era seduzido pelo conservadorismo. Esse foi o resultado da adoção de reformas que modificaram e universalizaram providências antes circunscritas a tímidas medidas compensatórias, como parte de um projeto que permitiu a ascensão econômico-social da maioria pobre do país. Tais conquistas tingiram de cores fúnebres, na memória popular, o modelo privatista e excludente sustentado pelo tucanato.

Enquanto a direita republicana tratava desesperadamente de estabelecer vínculos entre o sucesso do governo petista e eventuais políticas do período administrativo anterior, evitando reivindicar seu próprio programa, outro setor deu-se conta que, sem diferenciação clara de projetos, seria muito difícil reconquistar maioria na sociedade e romper a dinâmica estabelecida pela vitória de Lula em 2002.

Não haveria saída, contra o petismo, sem promover a mobilização político-ideológica das camadas médias a partir de seus ímpetos mais entranhadamente individualistas, preconceituosos e antipopulares. Ao contrário de uma tática que encurtasse espaços entre os dois polos que definem a disputa nacional, o correto seria clarificar e radicalizar o confronto.

As legendas eleitorais do conservadorismo titubeiam a fazer dessa fórmula seu modus operandi, mas os meios tradicionais de comunicação passaram a estar infestados por gente como Azevedo e outros profetas do passado. A matilha não tem votos para bancar nas urnas uma alternativa à sua imagem e semelhança, é verdade. Seria um erro, no entanto, subestimar-lhe a audiência e o papel de vanguarda do atraso que atualmente exerce nas fileiras oposicionistas.

Até porque conta com uma fragilidade da própria estratégia petista, de melhorar a vida do povo através da ampliação de direitos e do consumo, mas atenuando ao máximo o enfrentamento de valores e o esforço para modificar as estruturas político-ideológicas construídas pela oligarquia, especialmente os meios massivos de comunicação. O PT logrou formar maioria eleitoral a partir dos avanços concretos, mas não impulsionou qualquer iniciativa mais ampla para estabelecer hegemonia cultural e ideológica.

Seria persistir neste equívoco não dar o devido combate ao conteúdo programático do discurso azevedista. Sob o rótulo de "direita democrática", o que respira é uma concepção liberal-fascista, forjada na comunhão das ditaduras chilena e argentina com a escola de Chicago e os seguidores do economista austríaco Ludwig Von Mises.

O velho fascismo, que trazia para dentro do Estado as operações dos conglomerados capitalistas, tornando-os parasitas econômicos da centralização política, efetivamente caducou como resposta aos próprios interesses grão-burgueses. Entre outros motivos, porque retinha parte ponderável da taxa de lucro para o financiamento do aparato governamental.

A combinação entre ultra-liberalismo e autoritarismo converteu-se em um modelo mais palatável entre as elites. O Estado assumia as tarefas de repressão e criminalização das lutas sociais, na sua forma mais perversa e violenta, soltando as amarras legais e sociais que regulavam o desenvolvimento dos negócios em âmbito privado. Não eram à toa os laços afetuosos que uniam Margaret Thatcher e Ronald Reagan ao fascista Pinochet. O neoconservadorismo se trata, afinal, do liberal-fascismo sem musculatura ou necessidade de realizar seu projeto histórico até o talo.

Claro que o ladrar de Azevedo e seus parceiros não é capaz, nos dias que correm, de ameaçar a estrutura democrática do país. Mas choca o ovo da serpente pelas ideias e valores que representa. A melhor vacina para a defesa da democracia, contudo, como dizem os gaúchos, é manter a canalha segura pelo gasganete. Os latidos dos cachorrinhos de madame devem ser repelidos, antes que se sintam à vontade para morder.

Breno Altman é jornalista, diretor editorial do site Opera Mundi e da revista Samuel

sábado, 19 de abril de 2014

Cultive-ler, uma crônica atenta da realidade

Cultive-ler é o portal editado por Manoel Magalhães , escritor e artista de grande sensibilidade e olhar atento sobre nossa realidade.

Destaco, a seguir, o texto que escreve sobre a fotografia de Marcelo Soares, sobrinho do grande fotógrafo pelotense  Deogar Soares, e que dá claras demonstrações de seguir, em alto estilo, embora diferente, a tradição do tio.

Para Curtir: Marcelo Soares pelo instagram 
Tenho um carinho muito grande por esses profissionais. Lembro-me do tio Venuto, que era barbeiro e cabeleireiro. Não lembro se antigamente eles eram denominados também cabeleireiros. Lembro-me de que ir aobarbeiro significava cortar o cabelo, pois na época era imberbe, presenteando-lhe a melena, cujo tamanho, segundo minha mãe, era um atrativo para os piolhos. 

Pois esse parente, que talvez fosse um desgarrado de Macondo, antes de começar o corte de cabelo, pegava o violino e tocava apaixonadamente. 

E sorria! Um sorriso de pingar no chão. Desconfio que as formigas que corriam pelo chão da barbearia levavam para o ninho pequenos favos de mel, fruto do sorriso do Tio Venuto.

Portanto, foi com grata surpresa que me deparei com as fotos de Marcelo Soares, que vem se revelando um grande fotógrafo, que consagrou inúmeros artistas, tais como Saul LeiterNguanCamilo José Vergara, e os mais conhecidos Robert CapaHenri Cartier-Bresson  e tantos outros.


sexta-feira, 18 de abril de 2014

Comissão Nacional da Verdade: ditadura teve pelo menos 17 'casas da morte'


Casa de Petrópolis, centro de tortura durante a ditadura
Um relatório parcial, divulgado na tarde desta segunda-feira pela Comissão Nacional da Verdade (CNV), na capital paulista, mostra que pelo menos 17 centros clandestinos de tortura funcionaram no País durante a ditadura militar. Dos centros clandestinos, também chamados de "casas da morte",  sete foram mapeados e dez ainda estão em fase de pesquisa e aprofundamento.

O relatório, coordenado pela pesquisadora Heloisa Starling, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), confirmou que os centros clandestinos eram ligados às Forças Armadas. "O principal resultado da pesquisa até aqui mostra que tanto a criação quanto o funcionamento regular dos centros clandestinos é resultado de uma política definida pelas Forças Armadas. Não são estruturas autônomas, nem isoladas ou subterrâneas, e não são de grupos autônomos, milícias ou grupos paramilitares. Eles eram parte da estrutura de inteligência e de repressão do regime militar e obedeciam ao alto comando das Forças Armadas", disse ela.

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Os centros podem ter funcionado entre 1970 e 1975. "Os centros clandestinos eram casas, apartamentos, sítios ou fazendas, em geral de propriedade privada, que foram cedidos pelos proprietários e que funcionavam como órgãos da estrutura de repressão do regime militar. Eles não se confundem com quartéis, com instituições militares ou delegacias de polícias", disse Heloísa. A Casa de Petrópolis, por exemplo, era um imóvel que tinha sido emprestado pelo empresário Mário Lodders ao Exército.

Nos centros, militantes eram torturados, mortos, interrogados, presos ou desapareciam. Em alguns desses locais, como por exemplo na casa do Bairro Ipiranga, em São Paulo, militantes eram cooptados para se tornarem agentes infiltrados para "entregar" aqueles que faziam oposição ao regime. Eles, inclusive, assinavam contratos de prestação de serviços com o Exército, o que incluía a delação de ex-companheiros e fornecimento de informações que pudessem levar ao desmantelamento de aparelhos (pontos de encontro dos militantes). "Isso me surpreendeu", disse a pesquisadora.


Sete dos centros foram mapeados, trazendo endereço de funcionamento; período de funcionamento; a cadeia de comando; e quantas vítimas foram torturadas, mortas ou desapareceram nesses locais. Quatro delas - a Casa de Itapevi, em Itapevi (SP); a Casa do Bairro Ipiranga, em São Paulo; a Casa Azul, em Marabá, no Pará; e a Casa de Petrópolis, em Petrópolis, no Rio de Janeiro - estavam ligadas ao Centro de Informações do Exército.

Já a Casa de São Conrado, no Rio de Janeiro, utilizada como centro de tortura, estava ligada ao Centro de Informações da Marinha. A Fazenda 31 de Março, na região da represa de Guarapiranga, na Grande São Paulo, foi cedida pelo empresário Joaquim Fagundes ao Exército, e era ligada ao Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi). A Casa do Renascença, em Belo Horizonte, era ligada ao 12º Regimento de Infantaria do Exército e à Secretaria de Segurança Pública de Minas Gerais.

A maior e mais violenta delas era a Casa Azul, local onde atualmente funciona o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), em Marabá (PA). A Casa Azul foi implantada entre os anos de 1972 e 1973 para reprimir as ações dos militantes da Guerrilha do Araguaia. No local, pelo menos 22 militantes do PCdoB e dois camponeses foram mortos. "Das vítimas que passaram pela Casa Azul, ninguém sobreviveu. Não existem testemunhos, até agora, da Casa Azul. Não há informações de que existam sobreviventes", falou a pesquisadora.

Já a Casa de Itapevi, na Estrada da Granja, em Itapevi (SP), era utilizada para interrogatório e detenção de militantes que foram presos na Operação Radar, uma ofensiva das Forças Armadas contra o Partido Comunista Brasileiro (PCB). O relatório apontou que pelo menos oito pessoas desapareceram no local, todas ligadas ao PCB. Segundo Heloísa, um relatório encontrado do Centro de Informações do Exército, produzido em 1976, informa que 347 militantes foram presos somente na cidade de São Paulo durante a operação, com 585 denúncias de torturas.

Outros dez centros clandestinos ainda estão sendo investigados, mas segundo o relatório, eles existiram em Olinda (PE), Goiânia (GO), São João do Meriti (RJ), Recife (PE), Fortaleza (CE), Ribeirão das Neves (MG), Alagoinhas (BA), Triângulo Mineiro e Brasília (DF).

Os centros, segundo Heloísa, funcionavam como um mecanismo para as ações fora do "sistema de legalidade", criado pela própria ditadura. "A partir de um tipo de opositor que a ditadura tivesse prendido, ela não poderia usar os procedimentos da própria legalidade de exceção que ela construiu. E é nesse sentido que ela (ditadura) precisou construir essa estrutura clandestina. Tinha presos que ela não podia assumir ter feito as prisões. Então criou uma série de práticas, ferindo a legalidade de exceção que ela criou, como os desaparecimentos, a política de extermínio e a tortura como técnico de interrogatório", acrescentou.
Fonte: Agência Brasil

Gabriel Garcia Márquez e "Tiempo de Morir" : O Cinema que não ganha Oscar



Longe, bem longe, das luzes e do mundo encantado de Hollywood, dos tapetes vermelhos, dos figurinos assinados por estilistas famosos e dos "selfies", subsiste um cinema que luta por seu espaço no mercado do cinema dominado, atualmente, pelas produções norte-americanas.
"Tiempo de Morir" é um dos filmes que representa este cinema, no caso colombiano, e é, entre outros, um dos em que Gabriel Garcia Márquez teve participação.
O escritor  teve grande interesse por cinema e trabalhou principalmente como diretor. Em 1950 estudou no Centro experimental de cinema em Roma. Participou diretamente de alguns filmes tais como Juego peligroso, Presságio, Erendira, entre outros. Em 1986 fundou a Escola Internacional de Cinema e Televisão em Cuba, para apoiar a carreira de jovens da América Latina, Caribe, Ásia e África. Em 1990 conheceu Woody Allen e Akira Kurosawa, diretores pelos quais teve admiração.

TIEMPO DE MORIR (1966) de Arturo Ripstein.
Estupenda película de venganza escrita por los escritores Carlos Fuentes y Gabriel García Márquez.
Fue el film debut del cineasta Arturo Ripstein y está protagonizado por Marga López, Jorge Martínez de Hoyos, Enrique Rocha y Alfredo Leal.

Mais detalhes  >>>

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Presença Brasileira no Porto de Mariel

Uruguai, no epicentro de catástrofes naturais

Uruguay: un terremoto, un tsunami y el cerro que se convirtió en volcán
Se trata de una campaña del Ministerio de Transporte y Obras Públicas del vecino país para la prevención de accidentes de tránsito; accedé a las imágenes
Por Nelson Fernández  | Corresponsal en Uruguay

El tsunami que se devora a Piriápolis.

MONTEVIDEO. Uruguay es el país que se ha jactado de no tener desastres naturales. Pero ahora, todos están enloquecidos con unas imágenes terribles que muestran como un terremoto golpea justo en el ícono de la capital montevideana y en el histórico Teatro Solís, así como un tsunami sorprende a Piriápolis y arrasa con la rambla y el hotel de los Argentinos. Y por si fuera poco, ven que el Cerro que dio nombre a la ciudad se convierte en un volcán, con terribles impactos en esa zona.

En realidad se trata de una campaña del Ministerio de Transporte y Obras Públicas del Uruguay para la prevención de accidentes de tránsito.

¿Cuál es la relación? La campaña procura que los uruguayos tomen conciencia de que en Uruguay hay la misma proporción de muertes por accidentes de tránsito que en catástrofes naturales como el tsunami que azotó Japón en 2011, el terremoto de Chile en 2010 y las erupciones volcánicas en otros países.

"La gente tiene que saber que en Uruguay mueren por accidentes en calles y carreteras más personas que la que murió en el último terremoto de Chile", dijo el ministro de Transporte y Obras Públicas, Enrique Pintado, al presentar la polémica campaña.

La cantidad de muertos en accidentes de tránsito aumentó 11% en 2013, mientras que la de lesionados se incrementó en casi 8%, respecto a un año atrás, según el informe dado a conocer esta semana por la Unidad Nacional de Seguridad Vial (Unasev). En 2012 hubo 510 fallecidos mientras que en 2013 fueron 567. Respecto a los lesionados, en 2012 hubo 28.301 y el año pasado fueron 30.498.

En el primer spot de la campaña se observa -obviamente mediante efectos especiales- cómo un terremoto sacude el centro de Montevideo y deja en ruinas al Palacio Salvo que está en la Plaza Independencia, así como al Teatro Solís, el principal del Uruguay.



El segundo anuncio muestra la calma del balneario Piriápolis -que está cercano a Punta del Este- hasta que olas gigantes cubren por completo su rambla y se tragan al Hotel Argentino.



El tercer video es sobre una supuesta erupción volcánica del Cerro de Montevideo, el punto donde está la histórica fortaleza.



quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

O Carnaval Itinerante de Pelotas


O Carnaval de Pelotas tem parecido, ao longo do tempo, uma espécie de circo mambembe.
Após um primeiro Carnaval tumultuado, a gestão Eduardo Leite prometia avançar na questão. Anunciou que dispunha de um ano para equacionar  a escolha de um novo local já que o dos fundos do Supermercado Guanabara, que vinha sendo utilizado de forma improvisada, não seria mais disponibilizado além de ter, por parte dos moradores das imediações, forte oposição em função dos problemas que acarretavam.
Durante este tempo foram examinadas várias opções.
Por razões que não caberia neste momento considerar, foram sendo, no entanto, todas descartadas.
Voltou-se, então, novamente à zona do Porto já cogitada em anos anteriores.
Esta zona, é bom não esquecer, mantém e deve manter preservada, embora neste momento sub-utilizada, a sua condição de zona portuária com uma infraestrutura disponibilizada de vital valor economico.
Este aspecto, pelo que tenho observado, é desconsiderado como se Pelotas não tivesse porto ou fosse ele uma estrutura sucateada.
Mais recentemente a zona do Porto tornou-se, também, uma zona academica com forte presença estudantil, em razão das faculdades ali instaladas, reforçando o caráter que historicamente mantém de zona residencial.
Outra característica é ser uma zona histórica de valor patrimonial, com muitos prédios inventariados e que requer cuidados com intervenções que possam descaracterizar este aspecto.
Na proposta apresentada para o Carnaval  anuncia-se, por exemplo, o asfaltamento de 300 metros para servir de passarela.
Será que se anuncia uma cicatriz do tipo da que está exposta no entorno da Praça Pedro Osório coincidentemente promovida exatamente pelo mesmo motivo, servir de passarela para o desfile de Carnaval?
Aquele asfaltamento, autorizado não me lembro bem por qual prefeito ( Bernardo de Souza?) , a qualquer momento terá que ser desfeito ( não entendo como ainda não foi)  se o entorno da praça é considerado, de fato, um local privilegiado de preservação ,  restrito não apenas aos prédios e à própria praça, mas abrangendo o seu conjunto.
Cabe, então, ter muita atenção para as implicações desta proposta de local para o Carnaval , que como se sabe não terá a participação das escolas de samba, e que já se anuncia, a exemplo da Feira do Livro, como um novo centro de polêmicas e impasses.
É bom ter presente, também,  que pelas características de grande evento que assumiram os desfiles carnavalescos, dentro de um modelo que Pelotas parece encaminhar com o projeto de uma área exclusiva para a sua realização, a zona do Porto não teria condicões de sediá-los de forma mais definitiva.
Seria apenas, portanto, uma solução emergencial para atender uma demanda momentânea até que seguisse sua itinerância para outro local.
Infelizmente a própria administração municipal em gestão passada, do prefeito Anselmo Rodrigues, cedeu a área do Parque do Trabalhador ao Sesi, por 99 anos, área que seria, hoje, ideal para este e outros eventos.
Lembro, por último, que não encontrei em nenhum momento referência a qualquer consulta aos moradores do Porto.
A maioria das manifestações que pude observar por parte deles,  têm sido desfavoráveis, inclusive anunciando mobilizar-se contra a decisão tomada pela Prefeitura.
Entendo as dificuldades que encontra a Administração atual de viabilizar um calendårio de eventos à altura do que se espera de Pelotas e não questiono a disposição de cumpri-lo à risca.
Mas a exemplo do que ocorreu com a Feira do Livro é preciso ter presente o conjunto de aspectos que estão em jogo e não se pode, a pretexto de satisfazer um deles, deixar de lado outros igualmente ou até mais importantes.
O Carnaval é parte de nossa cultura e, como tal, deve conviver com todos os demais valores que procuramos manter preservados.
Portanto não deve, de nenhuma forma, confrontá-los ao ponto de lhes representar ameaça ou ser contestado pela sociedade.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Retomando A Metade Sul


Após uma longa interrupção, estamos retomando a atividade de A Metade Sul.
Neste período alguns fatos aos quais iremos nos reportando no momento oportuno, foram marcando o cenário político e cultural de nossa cidade, nossa região e do próprio mundo.
Neste retorno procuraremos dar uma dinâmica à Metade Sul que garanta a participação de um número mais expandido de colaboradores.
Portanto, agora, mãos à obra!