' "Cogito Ergo Sum"- foto P.R.Baptista |
Vivemos hoje no Brasil uma situação sob todos os aspectos muito difícil e delicada. E entre as várias dificuldades que se acumularam uma questão tem se mostrado particularmente crítica, explosiva mesmo pode-se dizer.
Trata-se da polaridade já presente em outros momentos da história brasileira ( o golpe de 64 foi um momento particularmente crucial deste aspecto), que vinha crescendo e vai explodir a partir da eleição de 2018 entre um segmento da direita que se aproxima da extrema direita e um segmento da esquerda muito concentrado em torno do PT, segmentos que tem nas figuras de Bolsonaro e Lula , embora a distância abissal entre o que cada um representa, seus símbolos máximos, seus "mitos".
E por força desta polaridade o debate político torna-se uma confrontação em que a direita, por natureza avessa à crítica e à autocrítica, e a esquerda que prega a autocrítica mas nem sempre a pratica, contribuem, cada qual da sua forma, para o cerceamento de avanços que ajudem a sair do impasse vigente.
Urge, portanto, e isto digo particularmente em relação à esquerda, com relação à direita são poucos os elementos que apontem que isto aconteça, que se deixe de lado o comportamento dogmático (idealista no sentido filosófico) e se volte para o exame judicioso das condições econômicas, sociais e históricas que estão presentes para se encontrar a melhor saída, o melhor encaminhamento.
E é neste exame que a crítica e a autocrítica devem andar juntas, quase como irmãs siameses numa complementaridade dialética. Dialética, aliás, é um conceito que deve estar muito presente para se avançar nesta questão.
Como uma referência, para um primeiro passo no sentido da discussão, trago o artigo de autoria de Jorge Luiz Souto Maior que espero possa ser de interesse e do qual destaco o texto a seguir ...
Então, não é o caso de o crítico simplesmente rechaçar as críticas que, em contrapartida, lhe são feitas, bastando-se na coerência teórica de suas ideias, até porque ninguém tem autoridade para definir, de plano, qual é o melhor pensamento ou a melhor forma de agir para aprimorar a condição humana. Deve não só as admitir (quando pertinentes e apoiadas em dados verdadeiros e não retoricamente inventados) como também integrá-las às suas ações, afinal, todo crítico deve ser, antes de tudo, crítico severo de si mesmo.
O ser humano é um projeto inacabado, em constante construção, e não se leva adiante essa “obra” sem formulações críticas e autocríticas, sem enfrentamento de ideais ou mesmo pela adoção, como dogma, da crença de que as estruturas sociais modulam de forma inexorável e insuperável o pensamento e, consequentemente, a ação, ainda mais quando, ao mesmo tempo, ao largo desse argumento, se procura desenvolver um pensamento que impulsione a ação concreta de superação dos problemas sociais, econômicos, políticos e culturais identificados.
A coerência e a tranquilidade como resultado do silêncio e da inércia só valem para quem já morreu.
Os desafios postos à condição humana são cotidianos e constantes. Enfrentá-los de frente, sem disfarçar limitações, contradições, dificuldades e angústias pessoais, é a única forma para sobreviver, manter ideais, assumir responsabilidades, agir e não envelhecer.
ARTIGO COMPLETO>>> https://www.jorgesoutomaior.com/blog/o-dificil-exercicio-da-critica-e-da-autocritica
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